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Contrato de Risco Romântico por Lady Texiana

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Palavras: 1803
Acessos: 688   |  Postado em: 20/05/2026

Capitulo 1 - O Caroço da Discórdia e um Salto Preso

Era segunda e o silêncio que se instalou no apartamento de cobertura era do tipo que zumbia nos ouvidos. Phoebe Fields, a temida CEO da Fields Cosmetics, estava de pé no meio da sala, os braços cruzados sobre o terno sob medida perfeitamente alinhado. Aos 45 anos, Phoebe se orgulhava de duas coisas: sua postura impecável de 1,70m e o fato de que nunca, sob hipótese alguma, perdia o controle.

Exceto que, naquele momento, sua compostura estava por um fio.

Florence havia batido a porta. O casamento de quatro anos, que vinha se arrastando entre discussões sobre a - pasmem - temperatura do ar-condicionado e a falta de tempo de Phoebe para a vida pessoal, tinha chegado ao fim. Florence levou as malas, as roupas de grife e, o golpe mais baixo de todos: o copinho de plástico que ficava na janela da cozinha.

Elas estavam há três semanas tentando fazer um maldito caroço de abacate brotar usando palitos de dente. Florence levou o caroço.

- Até o abacate, Florence? Que imaturidade! - Phoebe esbravejou para as paredes vazias, seus olhos castanhos faiscando de puro rancor. Ela bufou, ajeitou os cabelos castanhos claros em um coque milimetricamente perfeito e olhou para o relógio. Estava atrasada. O mundo podia estar desabando, mas a Fields Cosmetics não pararia por causa de um divórcio e um vegetal ou fruta, ou sei lá o que era um abacate, roubado.

***

Trinta minutos depois, o sedã preto de Phoebe estacionou em frente ao arranha-céu da empresa. Ela desceu do carro exalando sua aura clássica de "não olhe para mim se você ganha menos de seis dígitos". Seu salto agulha de dez centímetros estalava no mármore do saguão como uma contagem regressiva para a demissão do primeiro coitado que ousasse cruzar seu caminho.

Phoebe passou pela recepção como um furacão ranzinza, mas parou abruptamente ao notar uma presença nova atrás do balcão da segurança.

A mulher era alta, ostentava uma compleição visivelmente atlética sob o uniforme e tinha os cabelos loiros cortados bem curtos, no estilo militar. Olhos verdes intensos escanearam Phoebe de cima a baixo. Era Isla Cooper, 1,75m, 38 anos, uma mulher cujo único objetivo de vida naquele momento era passar pelas próximas oito horas sem ser demitida.

Isla precisava daquele salário. O preço da ração premium para gatos havia subido, e Barnaby e Napoleão - os dois felinos de rua que ela havia adotado - não aceitavam nada menos que sachê de salmão. Sabia que se falhasse ali, os felinos provavelmente não a deixariam dormir à noite. Na rua, comiam qualquer coisa que conseguissem, mas depois que se instalaram no seu modesto apartamento, torciam o nariz para qualquer coisa que considerassem "inferior" e não dignos das vossas majestades. Ingratos.

Phoebe piscou, desestabilizada por um milésimo de segundo pela presença imponente de Isla.

- Bom dia, senhora Fields - disse Isla, com uma voz firme, mas levemente cansada de quem já estava acordada desde as quatro da manhã limpando caixa de areia e colocando a ração, tentando agradar a nobreza felina.

Phoebe tentou manter sua habitual cara de poucos amigos. - Bom dia. Quem é você? Onde está o antigo segurança?

- Isla Cooper, senhora. O antigo segurança foi aposentado. Sou a nova responsável pela triagem do saguão.

Phoebe assentiu secamente, tentando processar por que aquela mulher a encarava com tanta... neutralidade. Ninguém a encarava assim. Todos tinham medo dela. Deveriam e ela queria que tivessem medo dela, já que se esforçava muito para parecer inacessível e indiferente a tudo e a todos. Sentindo-se estranhamente perturbada, Phoebe deu meia-volta em direção ao elevador privativo da diretoria.

E foi aí que o universo decidiu cobrar o carma do caroço do abacate.

***

Phoebe virou as costas como a nobreza o faria e caminhou a passos largos e firmes. As portas do elevador se abriram. Ela deu o passo para entrar, com a cabeça erguida, olhando para o painel.

Clac.

O pé direito de Phoebe travou. O esquerdo continuou o movimento. O resultado foi uma fração de segundo onde a CEO da Fields Cosmetics flutuou no ar antes de perder totalmente a dignidade. O salto agulha de seu sapato de grife havia entrado perfeitamente, sob medida, no vão milimétrico entre o chão do saguão e a cabine do elevador.

- Mas que diabos...?! - Phoebe exclamou, os braços girando como pás de moinhos de vento para não cair de cara no chão do elevador. Ela conseguiu se segurar na barra de apoio interna, mas ficou presa em uma pose bizarra: uma perna esticada para trás, o corpo meio inclinado para frente, e o sapato firmemente plantado no vão.

Isla, que observava a cena do balcão, arregalou os olhos verdes. Ah, não. No meu primeiro dia não, pensou, já visualizando os gatos passando fome, reclamando com ela pelo salmão.

Ela correu até o elevador. - Senhora Fields! Não se mexa, a senhora pode quebrar o tornozelo!

- Eu sei que não devo me mexer! - esbravejou Phoebe, o rosto vermelho de raiva e vergonha, tentando puxar o pé. O sapato nem se moveu. - Chame a manutenção, criatura! Agora!

- A manutenção está no 15º andar trocando um gerador, vai demorar. Deixe-me ajudar.

Isla se ajoelhou bem ali, na frente de Phoebe. A proximidade fez Phoebe prender a respiração, sentindo um aroma suave de sabão de coco e...de gato? Ela era alérgica a gatos, ou pelos menos achava que era, já que sua mãe havia dito e ela nunca tivera um gato na infância.

- Fique calma. Tente tirar o pé do sapato primeiro - instruiu Isla, segurando o tornozelo magro de Phoebe com suas mãos firmes e calejadas.

- Eu estou calma! - mentiu Phoebe, a voz saindo um oitava mais alta.

Quando Phoebe tentou puxar o pé para fora do escarpim, o movimento desajeitado fez com que ela perdesse o equilíbrio. Para não cair, Phoebe agarrou instintivamente a primeira coisa que viu pela frente: os ombros largos de Isla. O puxão abrupto desequilibrou a segurança, que foi jogada para a frente.

Em uma fração de segundo, Phoebe escorregou do sapato, Isla caiu para a frente, e as duas desabaram juntas no chão do elevador em uma pilha confusa de braços e pernas. Para piorar, a mão de Phoebe, na tentativa de se segurar, bateu no painel e acionou o botão de fechar as portas.

As portas se fecharam, e o elevador começou a subir para a cobertura, deixando apenas o sapato solitário de Phoebe espetado no chão do saguão.

No chão da cabine, Isla estava caída por cima das pernas de Phoebe. Elas se encararam por um segundo. Phoebe, a durona e ranzinza, estava despenteada, com uma meia-calça rasgada no tornozelo e sem um sapato.

Isla suspirou, olhando para o teto do elevador que subia. - Bem... pelo menos a senhora não quebrou o tornozelo. Mas acho que o seu sapato agora já era.

Phoebe fechou os olhos, respirando fundo, se perguntando o que mais poderia dar errado naquele dia.

***

O elevador continuava sua subida silenciosa e rápida em direção à cobertura, mas dentro da cabine o clima era de puro caos volátil e consfuso.

Isla continuava caída por cima das pernas de Phoebe. O espaço confinado fez com que a distância entre as duas sumisse por completo. Phoebe, que normalmente mantinha uma distância regulamentar de dois metros de qualquer funcionário, sentiu o calor do corpo de Isla e o peso de sua compleição atlética.

Uma onda de calor repentina subiu pelo pescoço da CEO, e não era de raiva. Havia um clima estranho no ar, uma eletricidade desconfortável gerada pelo contraste entre o perfume caro de orquídeas e flores tropicais de Phoebe e o cheiro simples de sabão de coco que emanava do uniforme de Isla.

- Cooper... você poderia, por favor, sair de cima de mim? - a voz de Phoebe saiu surpreendentemente menos ranzinza e mais afetada do que ela planejava.

- Ah! Sim, claro. Desculpe, senhora Fields - Isla se impulsionou para trás rapidamente, o rosto ganhando um tom sutil de vermelho sob a pele clara. Ela se levantou em um movimento ágil e estendeu a mão para ajudar a chefe.

Phoebe bufou, ignorou a mão estendida e tentou se levantar sozinha, apoiando-se na parede espelhada do elevador. No entanto, assim que colocou o peso do corpo sobre o pé direito - o mesmo que havia ficado travado no vão -, uma pontada aguda subiu por sua perna.

- Argh! - Phoebe soltou um gemido meio estrangulado de dor, os olhos castanhos se arregalando quando seus joelhos fraquejaram.

Antes que ela colidisse novamente com o chão, os braços firmes de Isla a circularam pela cintura, segurando-a no ar com uma facilidade impressionante.

- Eu avisei para não mexer - disse Isla, com a voz baixa e firme, mantendo Phoebe colada ao seu corpo para garantir a estabilidade. - O seu tornozelo está começando a inchar. A senhora não vai conseguir andar sozinha.

Phoebe tentou protestar, mas a dor latejante a fez morder o lábio inferior. Ela estava sem um sapato, com a meia-calça rasgada, o coque desfeito e dependendo de uma segurança recém-contratada para ficar de pé. O universo, ao que parecia, realmente tinha um senso de humor bem distorcido.

Plim.

O som do elevador ecoou, anunciando a chegada ao andar da diretoria. As portas se abriram suavemente, revelando o luxuoso hall da cobertura.

E ali, bem em frente às portas, segurando um tablet e uma xícara de porcelana, estava Eleanor, a secretária executiva de Phoebe há dez anos. Eleanor era uma mulher que já tinha visto fusões bilionárias e crises internacionais e muitas, muitas crises de rabugice da chefe, mas nada a preparara para a cena que se descortinava.

A porta abriu e revelou a temida, impecável e ranzinza Phoebe Fields, completamente desalinhada, com o corpo colado ao da nova e imponente segurança loira. O braço esquerdo de Phoebe estava jogado por cima dos ombros de Isla, enquanto a mão de Isla segurava a CEO firmemente pela cintura, quase carregando-a. Phoebe estava apoiada em um pé só, com o outro pendurado no ar, descalço.

Os olhos de Eleanor se arregalaram tanto que pareceram duas bolas de críquete. A boca se abriu em um perfeito "O" em choque. Ela olhou para Phoebe, depois para Isla, depois para o pé descalço da chefe, e por fim deixou o tablet escorregar de seus dedos, caindo com um baque surdo sobre o tapete persa.

- Senhora... Fields? - gaguejou Eleanor, a voz falhando, como se estivesse presenciando o apocalipse.

Phoebe, apesar de estar morrendo de dor e com o rosto queimando de vergonha, ergueu o queixo, tentando recuperar o máximo de sua pose de CEO durona.

- Não diga uma única palavra, Eleanor - rosnou Phoebe, estreitando os olhos castanhos. - Cooper, leve-me até a minha sala. Agora.

 

Fim do capítulo


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