Quatro amigas e apenas uma delas está dizendo a verdade... ou não!
Nao Acredite Nela!
Capítulo I
A Fotografia
Helena olhou e não reconheceu a própria imagem refletida no espelho do banheiro. Disse a elas que iria retocar a maquiagem, o batom. Mas era mais do que isso. Ela precisou respirar.
Elas eram amigas. Conheceram-se na faculdade. Um trote idiota. Juntas estiveram quando começou o trote, juntas permaneceram e conseguiram superar todo o grotesco em que foram empurradas, jogadas. Juntas estão até hoje, mas não todas. Falta Carla.
Carla.
O encontro era para isso: falar sobre o desaparecimento de Carla, mas até agora nenhuma delas tinha tocado no nome da amiga.
Helena não lembrou exatamente quando começou a desconfiar de que algo não estava certo. Quando começaram as desconfianças? Talvez não tivesse sido um momento, mas um acúmulo de pequenos silêncios, olhares desviados, frases que terminavam antes da hora ou demoravam para começar. Ainda assim, nada disso pareceu suficiente para justificar o aperto que agora sentia no peito.
Até encontrar a fotografia.
Ela estava dentro da bolsa de Helena.
Como aquela foto foi parar ali? Helena procurou um batom — ele sempre tinha alguns, espalhados em compartimentos caóticos — quando seus dedos tocaram algo mais rígido, de formato desconhecido, entre o forro e um zíper interno.
Era uma foto antiga delas, do tempo da faculdade. Daquelas fotos que são tiradas em um momento especial.
E ali estavam as quatro.
Helena, Cecília, Maitê e Laura: sorrindo, felizes, perfeitas.
A foto tinha sido tirada por Carla.
A imagem estava tão preservada que pareceu recente, mas o sentimento que ela despertou era antigo, como se tivesse sido tirada antes de alguma coisa despedaçar-se, mesmo que Helena não soubesse dizer exatamente o que quebrou-se.
Ela passou o polegar pela superfície levemente opaca, reconhecendo cada detalhe. Lembrou-se do momento em que ela foi tirada. Elas estavam fazendo um esquenta antes do show da banda alemã Scorpions.
Maitê à esquerda, com aquele sorriso discreto que sempre escondia mais do que revelava. Cecília ao lado dela, com os olhos atentos e o rosto relaxado, como se estivesse segura, protegida. Laura, na outra ponta, radiante, quase brilhando. E Helena, bem, Helena ali no meio, espremida entre as amigas, como se estivesse sendo fundida para o sempre. Como se pertencessem eternamente àquele momento. Como se ainda aquele momento pertencesse a elas.
Foi então que viu a frase. Não a notara, tão encantada ficara por lembrar-se daquele dia.
Escrita à mão, com caneta preta, na parte inferior da foto: ''Não acredite nela!''
Helena franziu a testa. Era título de uma música da banda Scorpions. Lembrou-se da letra...
''Pronto para a diversão
Minha vez de matar
Apenas vivendo meus sonhos
Pelo amor de Deus!
Ela está na ativa
A rainha de um vigário retorcido
E então uma noite, demos um passeio
Ela me dominou
Escandalosamente
Não é real
Eu estava bêbado demais para ver
Antes de você ir fundo
E ser queimado pelo calor
Oh sim
Ela te levará lá
Você sabe, isto aconteceu comigo
Ela fará seu coração partir
Ela lhe dará tesão
Ela lhe contará tudo, mas não acredite nela
Uma perfeita estranha
Ela conhece o jogo
E irá prometer o paraíso na terra
Mas não acredite nela'' ¹
O banheiro pareceu encolher um pouco ao redor dela. Com a mão livre, apoiou-se na pia. Respirou descompassadamente.
— Helena?
A voz de Cecília veio de longe, mas despreocupada. Helena não respondeu imediatamente. Inspirou e expirou pausadamente. Procurou conciliar os batimentos do seu coração. Seus olhos continuaram presos àquelas palavras: ''Não acredite nela!''
Nela quem?
— Helena? — Cecília chamou de novo, agora mais perto.
Batidas na porta obrigaram-na a agir rapidamente. Dessa vez, ela respondeu:
— Já vou.
Aguardou um momento, dando um tempo para Cecília voltar para a sala. Rapidamente, colocou a foto de volta onde encontrou. Fechou o zíper. Pegou o batom e passou nos lábios, dando um brilho renovado, esperando que ninguém notasse sua aparência, que ela percebia um pouco pálida.
Respirou fundo.
Saiu do banheiro, cruzou o pequeno corredor do apartamento e encontrou as três na sala.
Laura estava sentada no braço do sofá, concentrada, mexendo no celular. Maitê encostada na parede, uma taça de vinho na mão, observando em silêncio. E Cecília, bem, Cecília estava no centro, como sempre parecia estar, mesmo quando não percebia.
Helena achou que ela fazia isso de propósito.
— Demorou, amiga — Laura comentou, sem tirar os olhos da tela do smartphone.
— Nunca fui boa com maquiagem — Helena respondeu, dando de ombros.
Cecília sorriu para ela. Um sorriso doce, conciliador. O sorriso que Helena conhecia muito bem, bem até demais. E gostava dele, mas, às vezes, não sabia por quê.
— Vem cá — pediu Cecília, estendendo a mão, sem tirar o sorriso dos lábios.
Helena hesitou por uma fração de segundo, mas Maitê percebeu. Seus olhos moveram-se lentamente de Helena para Cecília. Franziu a testa, observando a cena com mais atenção.
Helena cruzou o pequeno espaço entre elas, aproximou-se e segurou a mão de Cecília, quente e firme.
— Você está estranha — Cecília murmurou, inclinando a cabeça, perscrutando sua face.
— Estou normal — Helena respondeu rápido demais, tentando demonstrar segurança.
Laura soltou uma risada curta.
— ''Estou normal'' é a frase mais suspeita do mundo.
— E você entende bem disso, não é? — Helena retrucou, sem hesitação.
Laura levantou os olhos do celular, encarando Helena. Maitê esvaziou a taça de vinho e caminhou em direção ao barzinho.
Cecília segurou a mão de Helena com um pouco mais de força.
— Acho que você vai ter que desenhar. O que você quis dizer? — Laura perguntou, a voz ainda calma, mas com certa ironia.
Helena piscou, só então percebendo o que tinha dito.
— Nada. Foi brincadeira.
— Mas não parecia. E ninguém riu — Laura afirmou, sem esconder agora um certo descontentamento.
Todas se encararam. O ambiente ficou, de repente, opressor. Maitê foi a primeira a desviar o olhar.
— Acho que nós devemos ir — disse, depois de tomar um gole de vinho.
— Já? — Cecília perguntou, confusa.
Não tinha soltado da mão de Helena.
— Concordo — Laura sussurrou, levantando-se devagar, pegando sua bolsa.
''Não acredite nela!''
Por um momento, Helena sentiu vontade de arrancar a foto de sua bolsa. De mostrar a elas. De perguntar: ''Quem pôs essa foto aqui?''; quem escreveu: ''Não acredite nela?!''
Porém, não fez nada. Permaneceu de mãos dadas com Cecília.
— A gente se fala — Maitê disse, passando por Helena, seguindo Laura.
O olhar que Maitê lançou a Helena foi denso demais para ser interpretado com algum significado. Ou talvez não.
Quando a porta fechou-se, o silêncio ficou menos denso. A sala ficou mais confortável.
Cecília voltou-se para Helena.
— O que está acontecendo?
Helena abriu a boca, mas nada respondeu.
Porque, por enquanto, ela não tinha certeza se tinha uma resposta. Será que Cecília teria?
Capítulo II
Contenção
Helena não ficou muito tempo com Cecília. Após Laura e Maitê deixarem o apartamento, as duas amigas conversaram um pouco, nada importante, mesmo que, no íntimo, Helena quisesse confrontar Cecília, a foto e a frase, mas não teve coragem. Helena não imaginou Cecília mentindo para ela, porém não quis arriscar.
''Não acredite nela!''
A frase ainda martelou em sua mente, mas ''não acreditar em quem?''
A história do sumiço de Carla ainda a deixou intrigada, afinal elas, Laura, Cecília e Maitê, foram as últimas pessoas que viram Carla. Helena lembrou que Carla tinha dito que iria acampar com alguns amigos. Porém, se ela foi, ela teria deixado uma mensagem para elas. Helena não recebeu nenhuma, mas também não soube se as outras tinham recebido.
Cansada e sonolenta, ela tinha acabado de tomar um banho leve e estava já deitada para dormir. Ajeitou-se na confortável cama, olhou mais uma vez para os contatos do smartphone. Nada.
Abriu, no celular, a playlist no seu aplicativo favorito e clicou em uma música qualquer, como sempre fazia toda noite. Ela soube que dormiria antes de a música terminar. Concentrou-se na melodia e fechou os olhos...
''Um brinde às pessoas que temos
Um brinde ao desejo de que você estivesse aqui, mas não está
Porque as bebidas trazem de volta todas as lembranças
De tudo que já passamos
Um brinde aos que estão aqui hoje
Um brinde para aqueles que perdemos pelo caminho
Porque as bebidas trazem de volta todas as lembranças
E as lembranças trazem de volta, as lembranças trazem de volta você
Houve um tempo, eu me lembro
Em que eu não conhecia nenhuma dor
Quando eu acreditava no para sempre
E que tudo continuaria igual
Agora meu coração se sente como em dezembro
Quando alguém diz o seu nome
Porque eu não consigo criar coragem pra te ligar
Mas eu sei que um dia vou conseguir, sim
Todo mundo se machuca às vezes
Todo mundo se machuca algum dia, ei, ei
Mas vai ficar tudo bem
Vá e levante um copo e diga, ei'' ²
. . . o O o . . .
O cheiro era forte demais, no entanto ela não conseguiu definir o que estava cheirando. Helena absorveu isso antes de qualquer outra coisa. O ambiente era bem iluminado. As paredes eram brancas, sem janelas. Um bip ritmado ao fundo criou uma imagem em sua mente sem mesmo saber onde estava, uma imagem que fez seu corpo travar por um momento.
Foi o cheiro o que chamou mais atenção, apesar de tudo estar limpo demais, estéril! Como se ali dentro nada pudesse sobreviver.
— Você demorou.
A voz veio fraca, mas reconhecível. Helena virou-se e encarou os olhos frios da dona da voz: Carla. Ela estava em uma cama impecavelmente limpa. O braço direito preso por uma algema à estrutura metálica lateral da cama. Não parecia violento — pelo menos não havia marcas, nem esforço visível —, mas aquilo deixou tudo estranho, errado.
Indefinido.
— Eu vim assim que pude — Helena respondeu, tentando manter a voz firme.
Mentira. Ela não sabia o que estava fazendo ali. E ali ela nem sabia onde era. Passaram-se segundos, um minuto... Talvez mais. No entanto, tempo suficiente para pensar em mil possibilidades e ainda assim não chegar a nenhuma resposta que fizesse sentido.
— Claro — Carla murmurou, desviando o olhar para a parede. Na parede, um quadro imenso de um entardecer. Na imagem, a luz do fim da tarde brilhava suave, bonita. Em outra história, seria acolhedora. Ali, pareceu ordinária.
Helena deu alguns passos para dentro do quarto, aproximando-se da cama.
— Eu não acredito que isso seja necessário — apontou a algema.
Ela não soube exatamente por que estava dizendo aquilo. Era tudo muito surreal.
Carla soltou um riso curto, sem humor.
— Depende de quem você acredita.
A frase deixou Helena desnorteada, a saliva presa na garganta.
''Não acredite nela!''
— O que aconteceu? — Perguntou, finalmente.
Carla passou a língua pelos lábios, pensativa.
— O que te disseram? — Perguntou, voltando-se para a imagem.
— Ninguém me disse nada — Helena respondeu rápido. — Eu só recebi uma fotografia.
Sim. Havia a foto. A frase. E uma dúvida crescendo como algo vivo dentro dela. Carla voltou a encará-la. Os olhos estavam diferentes. Era dor? Era cansaço? Não pareceram os olhos da Carla.
Carla assentiu lentamente, como se constatasse algo que já sabia.
— Faz sentido.
— Faz sentido o quê?
— Você estar aqui com essa cara.
— Que cara?
— De quem não sabe o que está fazendo. De quem não sabe se fica ou se vai.
Helena estava totalmente perdida.
— Eu estou aqui, não estou?
— Está — Carla concordou. — Mas não inteira.
O monitor ao lado apitou mais alto por um segundo, depois voltou ao ritmo contínuo. Helena aproximou-se mais.
— Eu quero entender o que está acontecendo, no que acreditar.
Carla riu de novo, mas dessa vez houve algo mais amargo, ácido.
— Não. Você quer decidir em ''quem'' acreditar.
Helena abriu a boca para negar, mas parou. Porque não era mentira.
— Então me ajuda, Carla — disse, mais baixo. — Me fala o que aconteceu.
Carla a observou por alguns segundos, segundos longos demais.
— Machucaram-me...
O ar pareceu deixar o quarto.
— O quê?
— Não sei como fizeram — ela continuou rápido.
Helena sentiu o estômago revirar.
— Quem?
Outra pausa.
— Maitê.
O nome veio quase em um murmúrio. Helena deu um passo para trás, sem perceber.
— Isso não faz sentido.
— Eu sei.
— Vocês duas são amigas. Maitê nunca...
— Não acredite nela! — Carla interrompeu, pela primeira vez elevando a voz.
As palavras ecoaram pelo quarto. Helena não acreditou naquilo.
Carla fechou os olhos, respirando fundo. Quando voltou a falar, a voz estava mais cadenciada.
— Não foi um acidente.
Helena passou a mão pelo rosto. Nada daquilo se encaixou. A foto. A frase. Agora, isso. Nada ali era aparentemente normal.
— Será que você perdeu o controle? — Helena questionou, olhando a algema, antes de conseguir impedir-se.
Carla abriu os olhos lentamente, e ali estava algo diferente, algo perigoso.
— Você não acredita em mim.
— Carla...
— Você não é minha amiga?
A pergunta veio direta, sem espaço para evasão. Helena hesitou, e isso foi mais que suficiente para Carla.
Ela virou o rosto para o quadro.
— Eu devia ter imaginado.
— Sou sua amiga.
— Não, não é não!
Helena voltou a aproximar-se da cama.
— Então conta-me o que aconteceu.
Carla ficou em silêncio, decidindo. Quando falou, Helena sentiu ela estar escolhendo cada palavra com cuidado.
— Nós brigamos.
— Por quê?
— Por você.
Os olhos de Helena estreitaram-se.
— Como assim?
— Pergunta para a Maitê.
O nome dela de novo. Mas por que ela? Por que não Laura, Cecília?
— Eu estou perguntando para você. Ajuda-me!
Carla virou a cabeça devagar, abandonando o quadro, encarando Helena com uma intensidade que fez algo dentro dela vacilar.
— Não acredite nela!
A frase de novo, agora dita viva, sem foto, papel ou tinta. Cara a cara.
Helena sentiu o coração acelerar.
— Por quê?
Carla sustentou o olhar e, pela primeira vez desde que Helena entrou naquele quarto, houve algo ali que pareceu medo, terror.
— Porque ela sabe exatamente o que está fazendo.
O monitor começou a apitar alto, desenfreado...
. . . o O o . . .
Helena acordou assustada, molhada de suor. Um zumbido alto tocando nos seus ouvidos como se estivesse tudo errado. Mas ela sentiu: algo estava errado...
Capítulo III
A Porta Aberta
Helena tomou uma decisão. Ela precisou ir aonde tudo aconteceu, ou seja, onde ela achou que tinha acontecido algo. Ela parou na entrada da cabana, absorvendo o cheiro de madeira antiga e umidade leve que vinha da mata ao redor. Ela abriu a porta e deu um passo para o interior. O cheiro ali dentro era diferente, como se tudo tivesse sido abandonado por muito tempo. Não pareceu ter sido aberto recentemente.
Deixou a escancarada e tinha luz demais vindo de fora. Brilho demais para um lugar que claramente escondia alguma coisa.
''Será que elas estiveram realmente aqui?'', devaneou sombriamente.
— Foi aqui que ficamos.
Ela estava com Laura.
A voz de Laura, às suas costas, trouxe-a de volta. Helena não virou-se imediatamente. Seus olhos percorreram o chão de madeira, as paredes nuas, o teto baixo. Havia algo naquele lugar que não combinava. Tudo pareceu tão limpo.
— Você não precisava vir — continuou Laura, entrando devagar.
Os passos dela foram leves, indecisos.
— Eu precisava ver o que você veria — Helena respondeu.
Agora ela se virou, encarando a amiga. Laura estava exatamente como sempre pareceu: impecável, segura, controlada.
Helena tornou a olhar ao redor, mas estava tudo perfeito, como se nada tivesse saído do lugar; como se nada tivesse sido quebrado.
— Não tem muito o que ver — Laura disse, cruzando os braços. — Já limparam tudo.
Limparam.
A palavra ficou ecoando: limparam, limparam, limparam...
Depois de Helena contar o sonho que teve com Carla para Laura, da algema, do lugar estranho parecendo um quarto de hospital, Laura contou que elas quatro tinham brigado.
Helena deu alguns passos pelo ambiente, sentindo o chão ranger sob seus pés.
— O que aconteceu aqui, de verdade? — Perguntou, sem rodeios.
Laura inclinou levemente a cabeça.
— Eu já contei.
— É, você contou-me a sua versão.
— E isso não é suficiente?
— Não.
Laura silenciou. Helena voltou a encará-la. Laura sustentou o olhar por segundos, petulante, medindo até onde Helena seguiria.
— Você foi ver a Cecília, não é? Não houve sonho nenhum.
Helena não respondeu, afinal ela não falou com Cecília, com ninguém, mas resolveu emudecer para deixar dúvidas em Laura.
Laura sorriu de leve.
— Claro que foi.
— Ela disse que vocês brigaram feio — Helena jogou. Era um lance ousado, mas aquela história precisava de ousadia.
— Disse?
— Disse que foi por minha causa — continuou, ousada.
O sorriso de Laura não desapareceu, mas mudou: ficou mais... estranho?
— E você acreditou?
O questionamento veio com calma, o que irritou Helena mais do que qualquer acusação.
— Eu estou tentando entender.
— Não — Laura revidou, aproximando-se um passo. — Você está tentando jogar uma contra a outra.
Helena sentiu o coração acelerar.
— E você? — Retrucou. — Está tentando o quê?
Laura não respondeu imediatamente. Seus olhos deslizaram pelo ambiente, como se procurasse algo esquecido por ali, ou por palavras certas.
— Eu estou tentando evitar que você se machuque — disse, por fim.
Helena soltou uma risada curta, sem humor.
— Engraçado. Porque foi exatamente isso que a Cecília disse — mais um lance, perigoso dessa vez.
Agora sim algo mudou. Foi rápido, quase imperceptível, mas Helena notou.
— Ela pediu a você para não acreditar em mim, não foi? — Laura indagou sem atalho.
Helena ficou em silêncio. Quis que a outra ficasse com dúvidas. Laura assentiu, lentamente, como se confirmasse algo que já esperava.
— É claro.
— Claro o quê?
— Inverter a culpa.
— Você está dizendo que Cecília está mentindo?
— Eu estou dizendo que ela sabe jogar.
O chão rangeu de novo quando Helena recuou um passo, afastando-se de Laura.
— E você não?
Laura sorriu, sem esconder a ironia.
— Eu nunca disse que não.
O ambiente ficou mais tenso, mais denso.
Helena olhou ao redor mais uma vez. Um pressentimento, como se algo chamasse sua atenção. Deu um passo. Perto da parede lateral, uma marca quase escondida pela luz.
Ela se aproximou, abaixou-se. Passou os dedos pela madeira envelhecida do chão. Arranhões que pareceram recentes.
— O que é isso? — Perguntou, sem olhar para trás.
Quando Helena se virou, Laura estava perto de novo, muito perto.
— Você tem certeza que quer saber?
— Eu estou aqui para isso.
Laura encarou-a por um segundo, e então suspirou, como quem decide parar de esconder algo.
— A Carla tentou ir embora.
Helena sentiu o corpo retesar.
— E?
— E a Maitê não deixou.
O tempo pareceu congelar.
— Isso não faz sentido. Maitê não faria mal a ninguém.
— Não?
Laura deu mais um passo. Agora estavam a poucos centímetros.
— Você nunca percebeu como ela fica quando acha que vai perder alguém?
Helena abriu a boca, mas nenhum som veio. Quis responder qualquer coisa, uma escusa, mas nenhuma frase segura se formou.
— Ela desespera-se — Laura continuou. — E quando se enfurece, ela age sem pensar.
— E você não fez nada? — Helena disse. — Nem Cecília?
Laura arqueou uma sobrancelha.
— Não!
O tempo parou.
O silêncio que seguiu-se revelou mais do que qualquer coisa. Helena levantou-se e recuou em direção à porta de saída.
— Vocês estava aqui e não fez nada — Helena afirmou com pesar.
Laura encarou Helena.
— Eu não estava, cheguei depois.
— Mentira!
Laura desviou o olhar e, naquele gesto, demonstrou que escondia algo. Era, talvez, medo. Ou qualquer coisa que se pareceu muito com isso.
— Cheguei depois que tudo já tinha saído do controle.
Helena respirou profundamente. Sentiu o peito apertado, a cabeça vazia.
— E a Carla?
— Estava bem — Laura respondeu rápido demais, rápido o suficiente para levantar dúvida.
— Estava mesmo?
Laura não respondeu e isso disse tudo.
Um vento úmido e gelado entrou pela porta aberta, fazendo os pelos de Helena se eriçarem. Ela olhou para fora e viu luz demais, claridade demais, como se a luz indicasse um caminho limpo para fugir, mas algo a mantinha ali dentro. Mesmo assim, decidiu ir e caminhou para sair da cabana.
— Helena — Laura chamou.
Ela virou-se.
— Você confia em mim?
A pergunta ficou suspensa entre elas. Helena pensou na foto. Na frase. No sonho com Carla algemada. Nos arranhões no chão. E nada se encaixou.
''Não acredite nela!''
Nada era simples; tudo pareceu perigoso.
— Eu não sei — respondeu, finalmente. — Preciso pensar.
Laura assentiu devagar, como se já esperasse pela resposta de Helena.
— Então decide rápido.
— Por quê?
Laura deu seu insuportável sorriso, mas, é claro, sem humor.
— Porque se você demorar muito, o futuro pode não ter conserto.
O vento soprou mais forte, fazendo as folhas secas voarem do chão, fazendo a porta bater levemente contra a parede. Sem titubear, Helena saiu da cabana.
Enquanto caminhou, pensou que talvez o problema não fosse quem estava mentindo, mas quem estava dizendo a verdade pela metade.
Capítulo IV
O Que Se Quebra
Helena decidiu confrontar, agora, Cecília. Deixaria Maitê por último. Assim, teria mais argumentos para uma conversa final com ela.
Não havia avisado Cecília. Estava agora em frente à porta do apartamento da amiga apertando a campainha. Era a terceira vez que apertava o botão. Sabia que ela estava lá dentro e não entendeu a demora dela.
Então, a porta abriu-se parcialmente, mostrando uma Cecília surpresa. Gotículas de suor eram possíveis de serem vistas em sua fronte. Empurrando a porta, Helena adentrou sem ser convidada, olhando ao redor. A sala estava uma bagunça, como se tivesse sido revirada por alguém procurando algo.
— Limpando o apartamento? Alguém entrou aqui?
Cecília não respondeu. Fechou a porta, olhando para a sala, para as coisas espalhadas.
— É, alguém invadiu meu apartamento — respondeu, indecisa.
Helena deu um giro de 360 graus, observando tudo. Então, ela viu. Os óculos estavam no chão. Ela quase passou direto por eles, mas algo — talvez o reflexo da luz, talvez o formato familiar — fez seus olhos voltarem. Ela parou, agachou-se lentamente e pegou.
Uma das lentes estava estilhaçada, trincas se espalhando como uma teia de aranha. A outra ainda intacta, mas suja, opaca, incapaz de deixar ver com clareza.
— São da Carla.
A voz de Cecília veio às suas costas, mas Helena não virou-se.
— Eu sei — respondeu.
Os dedos dela seguraram a armação com delicadeza.
— Onde você achou isso? — Indagou Cecília, ao aproximar-se a passos lentos, quase sorrateira.
— Aqui mesmo — Helena disse. — No meio dessa bagunça. O que aconteceu aqui?
Nenhuma resposta. A mudez de Cecília disse mais do que se ela tivesse respondido a Helena.
Helena se levantou e virou-se, encarando a amiga.
— Como os óculos da Carla vieram parar aqui?
Cecília sustentou o olhar.
— Eu não sei. Juro! Você precisa acreditar em mim.
''Não acredite nela!''
— Então, como eles vieram parar aqui?
Cecília abaixou os olhos, fazendo uma pausa. Pequena, mas o suficiente para Helena notar um leve tremor nos lábios dela.
Helena aproximou-se da amiga.
— Carla estava com eles na cabana?
— Pode ser.
— Foi lá que eles foram quebrados?
Cecília não respondeu e, dessa vez, o silêncio não era estratégico, era fraqueza. Helena soube.
— Fala a verdade — disse, mais firme. — Não minta.
Cecília desviou o olhar, encarando o vazio. Foi por um momento, mas disse tudo.
— Eu não menti — disse.
— Não? — Helena refutou.
Os óculos ainda estavam na mão dela e pesavam, pesavam mais do que deveriam.
— A Laura disse que não viu nada.
— Ela diria isso.
— Ela disse que você e Maitê estavam com a Carla.
— Ela também estava.
— Você está mentindo — a acusação saiu antes que Helena pudesse ponderar.
Cecília voltou a encará-la.
— Não estou mentindo.
— Alguém está — Helena disse. — Você, Laura ou...
— Maitê — acusou Cecília.
A garganta de Helena ficou apertada, o ar mais difícil de respirar. Cecília passou a mão pelos cabelos, demonstrando certo cansaço.
— Não sei como dizer.
— Sonhei com Carla e ela estava algemada.
Silêncio, e dessa vez mais longo. Cecília respirou fundo e, quando falou, houve tristeza em sua voz.
— A Maitê queria contar a você.
O coração de Helena pareceu parar por um segundo.
— Contar-me o quê?
Cecília riu sem ânimo.
— Você não sabe?
— Cecília!
— Ela descobriu.
— Descobriu o quê?!
A voz elevada de Helena ecoou pelo apartamento. Cecília aproximou-se.
— Que a Carla estava afastando você de todas nós, de Maitê.
Helena franziu a testa.
— Isso não faz sentido.
— Não?
— Não!
— Então por que você quase não fala mais tanto com a Maitê?
A pergunta direta atingiu Helena sem sensibilidade. Helena abriu a boca, mas nada saiu porque era verdade.
— E comigo? — Cecília continuou. — Quantas vezes você cancelou nossos rolês?
— Isso não tem nada a ver...
— Tem tudo a ver! — Agora foi Cecília quem elevou a voz. — Carla isolou você, Helena! Aos poucos! Sem você perceber!
— Para!
— E quando a Maitê tentou mostrar isso a você — continuou Cecília, ignorando —, você destratou-a.
— Não. Não, isso não... — Helena balançou a cabeça.
— Você já viu como Maitê fica quando acha que vai perder algo!
Helena lembrou de pequenos momentos, detalhes que, antes, pareciam sensatez, mas que agora pareceram outra coisa.
— Nós brigamos — Cecília disse, enfim. — As três.
— Preciso saber o que aconteceu, por favor.
Cecília fechou os olhos por um momento e abriu-os lentamente. Ali estava, claramente, a verdade começando a aparecer.
— Nós perdemos o controle.
O coração de Helena disparou.
— Por quê?
— Porque você não ia acreditar em nós.
— E agora eu vou?
Cecília deu as costas para a amiga. Os óculos, na mão de Helena, pesavam.
— Se você não vai contar-me nada, vou-me embora — ela afirmou.
Dessa vez, não havia mais espaço para evasão, então Cecília respondeu.
— Carla caiu.
Helena sentiu o estômago embrulhar.
— Sozinha?
— Tentamos segurá-la — disse, finalmente.
A frase veio baixa, com pesar.
— Por quê?
— Para tentar impedir.
— Impedir o quê?
Cecília engoliu seco.
— Que a Carla contasse a você.
O tempo pareceu parar por um instante.
— Contasse o quê?
— Não sabemos. Ela saiu correndo.
Helena deu um passo para trás.
— E?
Cecília não respondeu imediatamente. Seus olhos baixaram até os óculos na mão de Helena, depois voltaram.
— E ela escorregou.
A quietude que veio depois machucou, machucou demais. Era cheia de consequências, consequências de tudo que não podia mais ser desfeito. Helena olhou para os óculos quebrados, para as rachaduras, para a lente opaca, distorcida.
— Foi quando os óculos caíram?
— Sim — Cecília disse rápido. — Mas levantou-se rápido e saiu porta afora.
As palavras saíram sem emoção, quase mecânicas.
— Carla fugiu para a floresta?
— Sim.
Um silêncio martirizante, longo, irreversível, instalou-se entre elas.
— E o que vocês fizeram? — Helena perguntou, por fim.
— Nós entramos em choque — ela respondeu, olhos fechados.
— E depois?
Cecília demorou a responder. Quando falou, a voz saiu em um sussurro.
— Fizemos o que precisava.
Helena esperou.
— Que foi?
Cecília suspirou.
— Garantir que você soubesse a verdade.
Helena apertou os óculos na mão.
''Não acredite nela!''
— Então, Carla está viva?
Cecília não respondeu porque, no fundo, as duas já sabiam que entre elas algo tinha se quebrado junto com aquela lente.
Capítulo V
Ela Fará Seu Coração Partir
A luz suave da manhã entrava pelas frestas da cortina, quase gentil demais para o que aquele momento carregava. Helena estava sentada, os ombros encostados no espaldar da cama, os dedos envolvendo a fotografia. Ela estava no apartamento de Maitê, no seu quarto, na sua cama. Foi uma decisão difícil, mas ela precisou de resposta. Decidiu dormir com a amiga, ou seria inimiga?
Olhou para o lado, onde Maitê estava deitada, o lençol amassado. Não era a primeira vez que dormia no apartamento da amiga e, como das outras vezes, nada acontecera, afinal eram somente amigas, mas nada agora era como antes.
Na verdade, ela não tinha dormido, ou talvez tivesse por alguns minutos desconexos, onde lembranças e visões se misturavam até perderem forma: a fotografia, a frase, o sonho, a algema... os óculos quebrados. E, no meio de tudo isso, rostos: Cecília, Laura, Maitê... Carla.
Carla.
Helena fechou os olhos por um instante, respirou fundo. Olhou para a porta assim que ela começou a ser aberta.
— Oi.
A voz era baixa, parecendo cansada. Helena não respondeu de imediato. Então, a porta se abriu completamente e Maitê entrou devagar. Trazia uma bandeja, duas canecas fumegantes. Maitê estava diferente. Havia algo nela que parecia forçado, talvez nos ombros caídos, no jeito contido de andar, no cuidado excessivo em cada movimento.
— Trouxe cappuccino — ela disse, quase desnecessariamente, olhando para a bandeja —, como você gosta.
Helena manteve-se em silêncio, encarando a amiga, desconfortável. Mas nada seria confortável novamente, nunca mais.
— Dormiu bem? — Maitê perguntou.
Helena soltou um pequeno suspiro.
— Na verdade, não.
Maitê assentiu.
— Percebi.
Ela permaneceu em pé, como se não soubesse onde se encaixar naquele espaço mesmo sendo seu. Olhou para a mão de Helena, para a fotografia, depois aproximou-se, acomodou-se no seu lado da cama, depositando a bandeja entre elas. Helena sentiu o delicioso e espesso aroma que exalava das canecas, mas não se moveu, mesmo sentindo a garganta seca e o desejo de tomar o delicioso líquido.
— Eu falei com a Cecília, com a Lura — Helena disse.
Maitê fechou os olhos.
— E?
— Elas contaram o que aconteceu.
Maitê assentiu devagar. Helena encarou-a.
— Elas contaram tudo?
Helena hesitou.
— O suficiente.
Em silêncio, Maitê pegou sua caneca e levou aos lábios, sorvendo um pouco do líquido quente. O dia lá fora corria, a luz solar desenhando sombras novas no piso do quarto.
— E a Carla? — Helena perguntou.
Maitê soltou o ar lentamente.
— Sumiu.
— Isso eu já sei.
No silêncio que se seguiu, Helena pegou sua caneca quente, mas não bebeu. Ficou segurando-a, olhando para a espuma do cappuccino.
— Você acha que nós fizemos alguma coisa para ela? — Maitê perguntou, de repente.
Helena não respondeu incontinenti. Os dedos dela giravam levemente a caneca, como se procurassem uma resposta nos desenhos que a espuma fazia.
— Eu acho — começou, procurando palavras — que uma de vocês quer falar a verdade. Foi você quem colocou a foto na minha bolsa?
— Essa foto? — Ela perguntou, sem nada entender.
Sem nada dizer, Helena entregou a foto. A amiga pegou-a, abaixou o olhar para a foto, sorriu.
— Foi Carla quem tirou essa foto — dito isso, ela deixou a foto sobre a bandeja.
— Sim! — Helena disse seca. — E então?
— Eu estou perdendo você, não estou?
— Você não pode perder algo que nunca teve — Helena falou baixo, mais firme.
— Eu sei.
— Eu não entendo o que Carla tem a ver com tudo isso.
— Você realmente não sabe?
— Não, não sei.
— Ela amava você, Helena!
A voz de Maitê falhou no final. Com o silêncio dela, sua respiração ficou mais intensa; a de Helena, contida.
— Você não sabe o que está falando — Helena observou, levando a caneca até a boca. O cappuccino ainda estava quente. Soprou o líquido cálido antes do primeiro gole.
Olhou para Maitê e surpreendeu-a um meio sorriso em seus lábios. Preocupada, Helena viu nele ameaça, manipulação. Sentiu que cometeu um erro e teve medo. Percebeu que tinha ultrapassado um limite sem perceber o tamanho dele.
Tomou mais um gole do cappuccino.
— Somos apenas amigas — Helena afirmou, enfim. — De onde você tirou essa ideia?
Maitê ficou em silêncio por alguns instantes, pensando, pesando.
— Porque ela olhava para você da mesma maneira que eu olho — respondeu, por fim.
Helena franziu o cenho.
— O quê?
Maitê encarou-a com intensidade.
— Eu amo você.
A frase veio forte, acabada.
— Como assim? — Helena perguntou, cansada de tudo aquilo, pousando a caneca sobre a cama, franzindo o lençol em seu entorno.
Maitê fez o mesmo, pousando sua caneca ao lado da de Helena. Agora, duas marcas no lençol. Paralelas, mas não iguais; Maitê soube, Helena não.
— Eu sempre amei você.
Helena absorveu devagar aquela revelação, como se cada palavra precisasse de espaço para encontrar seu encaixe.
— Então, o que você fez? — Questionou Helena, estranhando pequenas luzes bailando em sua retina.
— Fiz minha escolha.
Helena engoliu saliva, molhando a garganta.
— E você escolheu?
Maitê não demorou a responder.
— Eu escolhi ficar com você.
O coração de Helena pareceu parar por um átimo.
— Ficar?
Maitê sorriu, ajeitando as duas canecas.
— Sim, Helena. Ficar aqui, agora, para sempre.
Helena olhou para as duas canecas, depois para Maitê.
— O que você fez, Maitê?
A amiga não respondeu, mas Helena soube que não precisava de uma resposta porque soube qual era. Maitê, então, deitou-se calmamente, cruzou as mãos sobre o peito e fechou os olhos.
Helena, desnorteada, com a visão parcialmente nublada, tentou levantar-se da cama, mas dobrou os joelhos e caiu, batendo a face no chão frio do quarto. Helena não acreditou que tudo terminaria daquele jeito, sem nunca saber onde a verdade começava ou terminava.
A luz do mundo apagou-se aos poucos, a respiração perdeu cadência; o coração, perdeu batidas.
Então, fechou os olhos pensando quando encontraria Carla.
. . . o O o . . .
¹ Don’t Believe Her [Não Acredite Nela] - Scorpions - 4:55.
Track By Scorpions From The CD Single ''Don't Believe Her'' - 1990.
Songwriter: Herman 'Rarebell' Erbel/Klaus Willi Meine/Heinrich Rudolf Schenker/James Douglas 'Jim' Vallance.
Letra de Don’t Believe Her © Almo Music Corp., Testatyme Music, Bmg Rights Management Gmbh (germany), Bmg Rights Management Gmbh, Universal Polygram Int. Publishing Inc., Universal Polygram Songs Musikverlag Gmbh.
Link Discogs:
https://www.discogs.com/release/5032723-Scorpions-Dont-Believe-Her
Link Wikipedia:
https://en.wikipedia.org/wiki/Crazy_World_(Scorpions_album)
Link YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=i78nTOeYVSs&list=RDi78nTOeYVSs&start_radio=1
² Memories [Lembranças] - Maroon 5 - 3:08.
Track By Maroon 5 From The 7'' Vinyl Single ''Memories'' - 2020.
Songwriter: Jonathan David 'Jon' Bellion/Vincent Ford/Jacob Kasher 'JKash' Hindlin/Jordan Kendall Johnson/Stefan Adam Johnson/Adam Noah Levine/Michael Ross Pollack
Letra de Memories Remix © Warner-tamerlane Publishing Corp., Bmg Platinum Songs Us, Sony/atv Songs Llc, Blue Mountain Music Ltd., 360 Music, Songs With A Pure Tone, Fifty Six Hope Road Music Ltd., Bmg Rights Management, Art In The Fodder Music, Warner Bros. Music, R8d Music, Kobalt Music Services Ltd., Universal Music Group, Bmg Firefly, Sudgee 2 Music, Songs Of Bbmg, Songs Of Universal Inc., Primary Wave/blue Mountain, Anthem State Of Mind Music, Song Goku, B Plus D Plus G Plus B Equals A.
Link Discogs:
https://www.discogs.com/release/16101058-Maroon-5-Memories
Link Wikipedia:
https://en.wikipedia.org/wiki/Memories_(Maroon_5_song)
Link YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=8HrJ8CQuGFQ
Fim do capítulo
''Nil sapientiae odiosius acumine nimio.''
Sêneca
FOR NOW, THAT'S IT!
Tenham uma boa leitura e comentem à vontade.
Comentar este capítulo:
Nay Rosario
Em: 25/05/2026
O ciúme e a inveja são como piolhos. Uma vez que encontram solo fértil se proliferam rapidamente.
Eu não queria estar na pele da Helena. Foi forçada a entender o que se negava.
Zanja45
Em: 16/05/2026
Maitê matou Carla por ciúmes dela com Helena?
Omuwandiisi
Em: 17/05/2026
Autora da história
Olá, Zanja45, boa noite!
Muito frio por aí? Por aqui frio e chuva!
Suposições, é somente o que temos, mas é provável.
Nas falas delas sabemos que aconteceu algo, pois Carla sumiu. A única certeza do conto é o final da história com Maitê e Helena tomando o cappuccino e, bom, você sabe o que aconteceu...
Querida, que bom que você passou por aqui.
Fico contente com sua leitura e comentário.
Até mais!!!
[Faça o login para poder comentar]
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]