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A Marca do Prazer por Naahdrigues

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Palavras: 4821
Acessos: 70   |  Postado em: 28/04/2026

Notas iniciais:

Olá, pessoal! 


Mais um capítulo fresquinho foi postado para vocês!


Na quinta-feira estarei de volta com um novo capítulo, então já deixem marcado para não perder. 


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Aproveitem a leitura! 
Beijos!

CAPITULO 11 – CIÚMES DOENTIL

A semana passou rapidamente para todos, mas para Camilla e Julianne, cada dia parecia se arrastar, pesado de expectativa e tensão contida.

A médica havia prometido que buscaria Julianne na sexta à noite para passar o fim de semana todo juntas. Mas, na sexta de manhã, após sair para almoçar, Camilla resolveu aparecer de surpresa no hospital em que Julianne estagiava. Chegou meia hora antes de Julianne sair e ficou aguardando no estacionamento, de frente para a porta de saída.

Quando a acompanhante finalmente surgiu, Camilla teve a impressão de ver algo que a tirou completamente do sério. De longe, parecia que Julianne estava em uma situação íntima com outra pessoa — um toque, um gesto rápido que, pela distância, parecia comprometedor. O sangue de Camilla ferveu; ela sentiu a raiva subindo pelo peito, os punhos cerrados no volante. Tentava manter a frieza de uma dominatrix, mas, no fundo, queria sair correndo e confrontar Julianne ali mesmo, acabar com aquela “palhaçada”.

Na verdade, a cena não era o que parecia. Julianne estava lutando para se desvencilhar de um contato indesejado, constrangida e sem saber como agir para sair daquela situação sem chamar atenção. Cada movimento era calculado, mas a médica, observando de longe, só via o que a própria mente excitada e ciumenta interpretava.

Camilla permaneceu dentro do carro, respirando fundo, mas a raiva não diminuía. Depois de alguns minutos, ligou o carro e saiu cantando pneu do estacionamento, sem destino certo, com lágrimas escorrendo pelo rosto. O celular tocava no suporte com o nome e a foto de Julianne piscando na tela, lembrando-a de tudo o que acabara de presenciar.

— Idiota… — murmurou, apertando o volante com força. — Como você consegue se colocar nessa situação e ainda esperar que ela seja sua?

O ciúme queimava como ácido. Camilla sabia que Julianne provavelmente havia percebido sua presença no hospital. Mas ela não queria atender; não queria mostrar fraqueza. Por fim, desligou o aparelho.

Sozinha no carro, começou a se xingar, a se colocar para baixo:

— Que merd* de mulher eu sou… — falou em voz baixa, quase para si mesma. — Com um pau… não sou inteira, nunca vou ser o suficiente pra ela. Por que eu sinto isso? Por que sinto que nunca vou ser a pessoa que ela quer?

— Patética… — continuou, os dentes cerrados. — Ela merece alguém completa, segura, normal… e eu… eu sou só isso aqui… essa aberração.

 

O carro seguia pelas ruas, o motor roncando, o vento frio batendo no rosto, enquanto Camilla tentava em vão organizar seus pensamentos. Raiva, ciúme, desejo e frustração se misturavam em um nó apertado no peito. E, no fundo, mesmo sem querer admitir, o que mais a incomodava era que Julianne ainda ocupava todos os cantos da sua mente.

Julianne ficou imóvel por alguns segundos, o olhar fixo na saída do estacionamento, enquanto via o carro de Camilla sumir pela rua à frente. Seu corpo tremeu, o nervosismo subindo como uma onda intensa. Sentia o rosto queimando, misto de raiva, culpa e ansiedade. Aquela situação era completamente constrangedora, e ela sabia que precisava de alguma forma explicar para a médica que nada daquilo era real.

Respirou fundo, tentando se acalmar, mas a tensão era visível em cada movimento: mãos trêmulas, dedos que não conseguiam manter o celular firmemente, a respiração irregular. Julianne pegou o telefone e começou a discar, o coração martelando, cada toque na tela aumentando a ansiedade.

— Camilla… por favor… atende… — murmurou, quase em sussurros, enquanto a ligação chamava.
— Não… não pode ser… por que ela não atende? — falou para si mesma, mordendo o lábio inferior.
— Eu precisava que ela visse… precisava explicar… não é nada do que ela está pensando! — repetia, nervosa, enquanto tentava manter a compostura.

Cada toque sem resposta parecia uma eternidade, e o tremor em suas mãos aumentava. Julianne apertava o telefone contra o peito, tentando controlar o desespero:

— Camilla… por favor… eu juro… não é nada… não é o que você pensa…
— Droga, por que ela não atende?! — exclamou, respirando fundo, tentando recuperar o controle, mas a tensão corria por suas veias.

A submissa sabia que precisava de uma resposta, precisava que Camilla a ouvisse, mas a cada segundo que passava sem retorno, o medo de ter perdido a confiança da médica aumentava. Ela respirava profundamente, fechava os olhos, repetia o nome de Camilla quase como um mantra, esperando que a ligação fosse atendida.

— Por favor… deixa eu explicar… — sussurrou, sentindo cada pontada de nervosismo e frustração atravessar seu corpo.

Mesmo tentando se manter firme, Julianne não conseguia esconder o tremor nas mãos, a tensão em cada músculo. Ela estava à mercê do silêncio da médica, completamente vulnerável e submissa à espera de uma resposta que podia ou não vir.

O carro de Camilla avançava rapidamente pela rua, o motor rugindo, enquanto ela ignorava todas as ligações de Julianne. O ódio que sentia era misturado de raiva e desejo, uma mistura perigosa que a mantinha alerta e viva. Suas mãos apertavam o volante com força, os olhos marejados de lágrimas, e a frieza de sua dominatrix se misturava à dor da própria vulnerabilidade.

Camilla passou em seu apartamento, desceu rápido do automóvel e entrou no elevador, quando chegou no andar que morava, seguiu a passas rápidos entrando no apartamento e seguindo para o quarto secreto para pegar um raquete de couro para disciplinar Julianne. Desceu as pressas entrando no carro e saindo cantando pneu em direção a casa da Acompanhante.

Ela chegou à residência de Julianne antes da acompanhante. Sem perder tempo, estacionou e foi até a portaria. O segurança confirmou que a moça ainda não tinha chegado:

— Senhora Camilla, ela ainda não entrou no condomínio.
— Fico aguardando então aqui na frente. — respondeu Camilla, com um misto de frieza e raiva, sentando-se de volta no carro. A respiração pesada, os olhos vermelhos, as mãos tremendo levemente, refletindo o turbilhão de emoções.

Minutos depois, Julianne chegou em um Uber, o rosto molhado de lágrimas, os olhos vermelhos. Camilla observava pelo retrovisor, analisando cada passo da submissa, cada movimento hesitante. Assim que a viu, saiu do carro e deu a volta rapidamente, puxando Julianne pelo braço e a conduzindo de surpresa até o carro.

— Camilla… — tentou protestar Julianne, mas a médica não a deixou falar, empurrando-a para dentro do carro e trancando a porta atrás de si.

Camilla deu a volta no carro correndo, abriu a porta e entrou alterada:

— PORRA! — gritou Camilla, batendo as mãos no volante. — EU JÁ TE FALEI QUE VOCÊ É MINHA... NÃO QUERO NINGUÉM... NINGUÉM... TE TOCANDO... ENTENDEU? CARALHOOOOOO!

Os olhos de Camilla transmitiam um ódio grandioso que Julianne jamais tinha visto.

Julianne soluçava, tentando explicar entre os prantos:

— Não… não foi nada, Camilla! Eu juro, eu tentei… eu estava tentando afastá-lo!

— NÃO QUERO DESCULPAS! — rugiu Camilla, respirando fundo para não machucar a submissa. — Você vai aprender a não me fazer sentir isso, Julianne!

A médica ordenou, com firmeza e sem espaço para recusa:

— Abre o botão e o zíper da calça. Fica só de calcinha!

Julianne engoliu em seco, olhos arregalados, tremendo, obedecendo.

— DEITAAAA! — gritou Camilla, puxando a acompanhante para que ficasse com o rosto junto as suas coxas, bunda para cima, vestindo apenas a calcinha branca.

O corpo de Camilla reagiu imediatamente, o p*nis pulsando dentro da cueca de compressão, enquanto ela pegava a raquete que havia no banco de trás. Cada golpe que desferia era acompanhado de palavras firmes e dominadoras:

— ISSO É PARA VOCÊ LEMBRAR, JULIANNE! — cada batida ecoava entre raiva e prazer. — EU NÃO PERMITO NINGUÉM TE TOCAR! ENTENDEU?

Julianne arfava, o corpo tremendo a cada impacto, mas submissa, mantendo-se firme nos comandos da dominatrix.

— Por favor… Camilla… eu… eu não fiz nada… — tentava falar entre lágrimas, mas Camilla interrompia, ainda batendo, mais intensa:

— SILÊNCIO! EU DECIDO O QUE É NADA, SUBMISSA! — os olhos da médica brilhavam de intensidade e desejo, um misto de fúria e tesão.

O clima entre elas era pesado, carregado de eletricidade. Cada comando, cada gesto, reforçava a dinâmica de poder. Julianne tremia, completamente entregue, enquanto Camilla se deliciava com a submissão perfeita, mantendo o controle absoluto, misturando raiva, desejo e domínio em cada toque, cada palavra.

— ISSO É O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ ME TESTA, JULIANNE! — gritou, antes de soltar mais algumas batidas, a respiração pesada, mas a mente completamente focada na submissa que agora só pertencia a ela.

Camilla continuava desferindo as batidas com a raquete na bunda de Julianne, que já começava a ficar vermelha e sensível. Cada golpe era acompanhado de comandos firmes:

— SENHORA! — exigia Camilla, olhando nos olhos da submissa. — Você me chama de SENHORA, não pelo nome. ENTENDEU?

Julianne, com lágrimas escorrendo, soluçava enquanto tentava obedecer:

— S-Sim, Senhora…

As batidas continuavam, o impacto e a tensão aumentando a cada segundo. Julianne chorava mais intensamente, o corpo tremendo, e em determinado momento, durante uma batida mais forte, que acabou machucando, ela gritou:

— P-Para…para... paraaaaa

O grito fez Camilla congelar. A raquete caiu de sua mão, o impacto cessou imediatamente. Ela respirou fundo, as mãos ainda tremendo, e sentiu um nó no peito. Um soluço escapou de sua garganta, e lágrimas começaram a escorrer por seu rosto.

— Julianne… sai… SAI DO CARRO... SAI DO MEU CARRO! — a voz de Camilla, carregada de emoção, misturava raiva, dor e desespero. — V-VAI… vai embora agora!

Julianne, soluçando, apavorada, vestiu rapidamente sua roupa, ainda tremendo, e correu para dentro de casa, direto para o quarto, sem se virar.

Camilla permaneceu no carro, os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar, o peito apertado, tentando controlar o turbilhão de sentimentos que a atingira em cheio. O ar parecia pesado, cada respiração um esforço.

— Porr*… porr*… — murmurava para si mesma, soluçando, o corpo ainda tensionado de raiva e desejo misturados. — Eu… eu não posso… não posso me deixar levar assim…

Depois de alguns minutos, respirou fundo, limpou as lágrimas e deu partida no carro. O motor ronronou e ela partiu em silêncio, dirigindo em direção ao apartamento, ainda com o coração acelerado e o corpo tenso, absorvendo cada emoção que a submissa havia despertado.

Camilla chegou em seu apartamento com os olhos inchados, jogou a bolsa em cima do sofá e retirou o blazer do conjunto feminino que usava. Caminhou até o bar, pegou a garrafa de whisky e serviu uma dose tripla. Engoliu de uma vez, como se o álcool fosse capaz de apagar a lembrança do que havia acabado de acontecer.

O líquido queimava sua garganta, mas não era nada comparado à dor que sentia por dentro. Voltou a encher o copo.

— Eu sou uma merd*… — murmurava sozinha, a voz rouca e embargada. — Passei do limite… porr*, Camilla, que merd* você fez…

Ela se recriminava a cada gole, o coração em pedaços. Bebeu durante a noite toda, afogando-se no álcool, tentando encontrar algum alívio. Mas nada vinha além da sensação de inutilidade, frustração e arrependimento.

Enquanto isso, na casa de Julianne, o clima também era de dor e silêncio. No banheiro, a acompanhante chorava enquanto deixava a água quente escorrer pelo corpo. Suas nádegas ardiam com as marcas das raquetadas que Camilla havia desferido. Alguns vergões já começavam a surgir, a pele sensível latej*v*.

Julianne encostou a testa no azulejo frio, os ombros tremendo.

— P-por que ela fez isso comigo…? — soluçava baixinho.

Terminou o banho, colocou uma camisola e se enfiou debaixo do edredom, ainda chorando.

Naquele mesmo momento, do outro lado da cidade, Camilla, tomada pela culpa e pelo instinto de cuidado, pegou o celular. Ligou para a farmácia de plantão e, com a voz pesada de whisky e dor, pediu uma lista completa de pomadas, analgésicos e produtos para tratar marcas comuns em práticas de disciplina BDSM.

— Quero que entreguem no endereço que vou passar. Agora. — disse, firme, passando o endereço de Julianne.

Algum tempo depois, o entregador deixou a sacola na portaria do condomínio da casa da acompanhante. Foi Luísa, irmã de Julianne, quem recebeu. Estranhando o silêncio da casa, ela levou a sacola até o quarto e encontrou a irmã deitada, encolhida e chorando.

— Ju… o que aconteceu? — perguntou, assustada. – Por que está assim?

Julianne apenas enxugou os olhos rapidamente e balançou a cabeça. Não quis dizer nada. Estendeu a mão, pegou a sacola e murmurou:

— Não é nada...Obrigada, Lu. Pode me deixar sozinha…

Luísa, confusa, respeitou o pedido e saiu.

Julianne abriu a sacola e, ao ver todos os remédios que precisava, soube imediatamente de onde tinha vindo. O coração disparou. Os pelos dos braços se arrepiaram, e novas lágrimas desceram por seu rosto.

— Foi ela… — sussurrou, abraçando a sacola contra o peito. — Foi a Camilla…

Chorou mais uma vez, agora não apenas de dor, mas de confusão, culpa e desejo misturados.

Enquanto isso, no apartamento, Camilla permanecia exatamente na mesma posição de quando chegou. Sentada no sofá, com a garrafa quase vazia ao lado, os olhos fixos em nada. Bebendo sem parar. A madrugada passou, a noite escura cedeu ao azul da manhã, e ela ainda estava ali, com o corpo pesado, o rosto marcado de lágrimas e o coração quebrado.

Viu o dia amanhecer do mesmo jeito que havia visto a noite: com um copo de whisky na mão e um vazio que parecia não ter fim.

Julianne acordou no dia seguinte ainda cansada, os olhos pesados pelo choro e pelo fato de ter passado a maior parte da noite em claro. Pegou o celular no criado-mudo e suspirou ao ver que não havia nenhuma ligação ou mensagem de Camilla.

Sentiu o corpo latejando quando se levantou. As nádegas ardiam, doloridas, e o simples movimento de caminhar até a cozinha parecia exigir esforço. Encontrou Luísa preparando o almoço, trocou poucas palavras com a irmã, comeu qualquer coisa rápida e voltou para o quarto em silêncio.

Do outro lado da cidade, Camilla continuava imersa em sua própria tormenta. Ainda estava no sofá, de folga por ser final de semana, mas sem qualquer energia. Chorou novamente ao lembrar que havia prometido a Julianne que passariam o final de semana juntas. E agora, o que restava era apenas culpa.

Depois de horas, levantou-se com dificuldade, entrou no banheiro e se jogou dentro da banheira cheia, tentando afogar ali os pensamentos que a consumiam.

Enquanto isso, Julianne olhava o celular em suas mãos, o coração apertado. Resolveu ligar.

No apartamento da médica, o quarto estava um caos: lençóis no chão, roupas espalhadas, o cheiro de Julianne impregnado em cada canto. Camilla estava deitada de barriga para cima, olhos fixos no teto, quando ouviu o toque especial que havia colocado para a acompanhante. O coração apertou imediatamente.

O celular vibrou várias vezes antes que ela, hesitante, resolvesse atender.

— …Alô. — A voz de Camilla saiu rouca, baixa, quase sem força.

Do outro lado, Julianne respirava fundo, nervosa:

— Senhora… por favor, não desliga. Eu preciso falar com você.

Camilla fechou os olhos, sentindo o peito arder. Tentou manter a firmeza:

— Julianne, não… não é uma boa hora.

— Como assim não é uma boa hora? — a acompanhante choramingou. — Eu não fiz nada errado, você precisa acreditar em mim! Eu não queria estar naquela situação ontem, eu só… só queria ir embora e você viu tudo errado.

Camilla engoliu seco, a voz trêmula:

— Eu sei o que vi.

— Não, não sabe! — Julianne insistia, a voz quebrada. — Senhora… me escuta, por favor. Eu sou sua. Só sua. Eu nunca permitiria que outro me tocasse. Eu só queria que a senhora acreditasse em mim…

O silêncio tomou a linha. Camilla apertava o celular contra o ouvido, mas não conseguia responder. A cada palavra de Julianne, o nó em sua garganta ficava mais forte.

Por fim, conseguiu soltar algo, ainda que sem jeito:

— Eu… não posso te ver agora.

— Senhora, não fala isso… — Julianne implorava, a respiração ofegante. — Eu preciso de você.

Camilla fechou os olhos, lágrimas escorrendo pelas laterais.

— É melhor assim… — tentou ser firme, mas a voz falhou. — Eu não quero te machucar de novo. Não quero passar dos limites com você.

— Mas é isso que eu quero! — Julianne gritou, desesperada. — Eu escolhi ser sua submissa, escolhi me entregar! A senhora não pode simplesmente me afastar…

— Você está errada Juh... você não escolheu ser maltratada... e eu fiz isso.

— Senhora... tenho certeza que não vai se repetir...sei que não vai me machucar novamente.

Camilla ficou em silêncio, o som da respiração pesada dela preenchendo a ligação. Finalmente, murmurou:

— Eu… preciso de tempo.

— Senhora… por favor, não me deixe. — Julianne implorava, chorando do outro lado.

Camilla não suportou. Desligou a ligação com as mãos trêmulas, jogou o celular no colchão e afundou o rosto nas mãos, soluçando.

Aquela havia sido a última vez que elas tiveram contato. Camilla se afastou totalmente.

A situação havia afetado até o trabalho. Ela pediu uma licença de duas semanas do hospital. O pai achou estranho, mas liberou: Camilla sempre fora dedicada, e de uma hora para outra tudo havia mudado.

As amigas da médica ficaram preocupadas depois que Camilla contou o que fez. Ligavam tentando fazê-la voltar a ser a Camilla de antes, doce, tímida, brincalhona, atenciosa, dominante e firme. Mas era impossível. Sem Julianne, ela não conseguia mais ser aquela pessoa. Camilla havia mudado completamente.

— Camilla… você precisa comer direito, viu? — insistiu Laura amiga de longa data, por telefone.
— Eu tô bem… obrigada, Mari. Só preciso de um tempo. — respondeu Camilla, com a voz seca, tentando conter a ansiedade e a saudade.

O corpo de Camilla também mudara: aquele físico malhado, forte, que ela tinha antes, agora ia sumindo aos poucos. A cada dia que passava, sentia que enlouquecia… enlouquecia de amor. Mas era um amor que ela não podia ter por perto. Tinha medo de machucar Julianne, como havia feito no acesso de fúria e ciúmes.

Ainda assim, Camilla não deixou de arcar com os custos do contrato estabelecido com a acompanhante. Depositou a quantia referente à submissão de Julianne, com um valor a mais pelo que tinha feito, e manteve o cartão Black que havia dado de presente. Arcaria com qualquer gasto que Julianne fizesse. Mas a acompanhante não gastou um centavo.

Após as duas semanas, Camilla decidiu passar um tempo longe da cidade. Resolveu viajar para fora do país. A verdade nua e crua era que ela fugia do amor que sentia por Julianne, pois não sabia como se desculpar.

Enquanto isso, a vida de Julianne seguia. Depois de tudo que aconteceu entre elas, a acompanhante largou a vida de acompanhante e se dedicou à enfermagem. Após se formar conseguiu ser contratada como enfermeira fixa e, após algum tempo, recebeu uma proposta para trabalhar no hospital em que Camilla era herdeira.

Apesar da relação sexual intensa, nunca conversaram profundamente sobre suas vidas particulares. Julianne sabia que Camilla era médica, uma cirurgiã renomada e rica, mas não sabia o nome do hospital nem detalhes sobre sua vida pessoal.

Enquanto Camilla morava fora, Julianne foi contratada como enfermeira-chefe da ala infantil. Luísa havia iniciado a faculdade, e a vida de ambas seguia, em paralelo, mas marcada pela ausência uma da outra.

Camilla deixou de lado o fetiche sexual e não se relacionou com mais ninguém. Dedicou-se a outras especializações clínicas e à academia, malhando sempre que sentia o desejo de lembrar de Julianne.

Quando a mãe de Camilla ligava, sempre perguntava por Julianne, e ela dava desculpas qualquer, evitando falar a verdade:

— Mãe… tá tudo bem, só tô ocupada com trabalho e estudos… não nos falamos mais. — Dizia, evitando suspirar alto.

No hospital, Julianne começava a sentir uma estranha sensação ao entrar em certas áreas. Sem saber, ela estava entrando no território de Camilla. Cada dia no hospital, cada momento com Luísa, cada interação com colegas, tudo lembrava a médica distante.

— Ju, você tá estranha hoje… está tudo bem? — perguntou uma colega, percebendo que Julianne parecia distraída.
— Ah, só cansada… são os plantões, sabe como é. — respondeu ela, tentando esconder o aperto no peito e a saudade que sentia de Camilla.

Mesmo nos momentos de diversão com amigos ou nos encontros cotidianos, Julianne sentia falta de Camilla. Cada sorriso, cada toque inesperado de alguém tentando flertar com ela parecia despertar lembranças da loira.

— Caramba, Ju… você não tá nem aí pra esses caras, né? — brincou Luísa, enquanto preparavam o jantar.
— Não… nenhum deles se compara. — murmurou Julianne, quase sem perceber, lembrando de Camilla.

— Se compara a quem? – Incitou com a perguntou para que a irmã confessa de quem se tratava, mas no fundo sabia bem quem era.

— Ninguém Luh....ninguém.

— Tudo bem Juh...não precisa dizer, sei quem é.

A dor da ausência se misturava com a lembrança dos toques, dos olhares e do controle que Camilla tinha sobre ela. Julianne sabia que precisava ser forte, mas a saudade era intensa demais para ignorar.

Oito meses haviam se passado.

E algo grave havia acontecido no Brasil, fazendo com que Camilla precisasse voltar às pressas para casa. O pai havia falecido inesperadamente.

Quando a médica recebeu a ligação, foi como um soco no estômago. Seu corpo tremeu, o coração disparou, e a voz de um dos funcionários na linha parecia distante, quase irrelevante diante do impacto da notícia. Uma pontada de dor cortante atravessou seu peito, e as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto antes mesmo que ela conseguisse reagir.

Ela providenciou a passagem de volta na mesma hora. O enterro aconteceria assim que chegasse ao Brasil.

E assim aconteceu. Os superiores de cada setor do hospital estavam presentes no velório… inclusive Julianne.

A enfermeira, ao ver a mãe de Camilla chorando, percebeu imediatamente que estava trabalhando para a família da mulher que amava. O destino era surpreendente, as pessoas podiam se separar, mas o destino parecia resolver tudo e reaproximá-las na hora certa.

Julianne se aproximou da mãe de Camilla durante o velório, desejou os pêsames e abraçou forte a mulher. Quis perguntar por Camilla, mas manteve o controle.

No dia seguinte, no enterro no cemitério, Camilla chegou de BMW. Estacionou o carro, desceu e caminhou em direção ao caixão. Vestia um look totalmente preto, apropriado para a ocasião, camiseta de mangas curtas que se ajustava perfeitamente ao corpo malhado, calça preta justa e tênis preto. Seus cabelos caíam em ondas suaves sobre os ombros, e os óculos escuros escondiam os olhos vermelhos de quem havia chorado minutos antes.

Ela passou a mão direita nas costas da mãe, abraçando, tentando transmitir força. Julianne, de longe, ficou surpresa e ao mesmo tempo encantada ao ver Camilla ali. O coração acelerou, as mãos suavam e a sensação de saudade apertava o peito. Um misto de sentimentos está acontecendo dentro dela. Ficou triste por ver Camilla chorando.

Camilla, aérea ao que acontecia a sua volta, ainda não tinha notado a presença da enfermeira. Sentia-se perdida, envolta em pensamentos sobre a morte do pai.

Depois que o padre deu os últimos ritos, o caixão de Augusto foi enterrado. Algumas pessoas se despediram da mãe de Camilla, desejando forças, e foram embora.

Enquanto a esposa do finado caminhava com a irmã para perto do carro, Julianne cruzou com elas e se despediu, desejando forças.

— Força pra você, senhora Helena… — disse Julianne, segurando as mãos da mãe de Camilla.
— Obrigada, querida… — respondeu a mãe, apertando a mão da enfermeira com carinho.

Camilla se afastava do túmulo e caminhava até o próprio carro. Julianne a avistou de longe e decidiu se aproximar.

— Camilla! Camilla! — chamou, com a voz baixa, mas firme.

A médica olhou surpresa, os olhos vermelhos e marejados pelo choro. Ficou parada, sem reação.

Julianne se aproximou lentamente, passando os braços — meio desengonçada por conta do corpo musculoso da médica — ao redor do pescoço dela. Abraçou-a forte, aspirando o perfume da loira.

Camilla espalmou as mãos nas costas e cintura de Julianne, apertando o abraço como se quisesse fundir seu corpo ao da mulher. Soluçou alto, desmanchando em lágrimas. Até o momento em que a mãe estava por perto, ela conseguiu controlar as emoções. Mas agora, ali nos braços da mulher que amava, tudo desmoronou: a ausência do pai e a saudade de Julianne se misturavam em uma dor intensa e calorosa.

— Ju… eu… — Camilla soluçou, a voz trêmula. — per...di...m...eu pai.

— Shhh… tá tudo bem… — Julianne sussurrou, segurando o rosto da médica com delicadeza. — Eu tô aqui, tá? Você não tá sozinha. Essa dor vai aliviar um dia.

— Dói muito. Eu senti tanto a sua falta… — disse Camilla, encostando a testa na de Julianne.

— Eu também… eu… não sabia se deveria me aproximar, mas não consegui ficar longe.

Elas permaneceram ali, abraçadas, sem saber direito o que fazer, sem jeito, tímidas.

— Eu... tenho que ir… mas...se precisar de qualquer coisa, o que for, me liga. — disse Julianne finalmente, com um sorriso triste.

— Sim… — respondeu Camilla, enxugando as lágrimas. — Eu vou pra casa dos meus pais por enquanto.

 

Trocaram um último abraço demorado, mãos entrelaçadas, a médica beijou as mãos da enfermeira, olhares que falavam mais que palavras. Cada uma se afastou, caminhando em direção a seus respectivos carros, sentindo o peso da despedida e o desejo de que aquele momento não terminasse, a mente fervilhando a mil.

Camilla havia vendido o apartamento onde morava e agora estava morando provisoriamente na casa dos pais, ainda tentando organizar a vida enquanto lidava com a perda do pai e com a saudade de Julianne.

Depois de duas semanas de se recuperar da morte do pai, Camilla voltou ao hospital. Agora era a dona majoritária da instituição. Além de atender alguns pacientes no plantão, administraria o local.

Julianne estava de plantão justamente no dia em que Camilla retornaria. Nos corredores, não se falava de outra coisa a não ser da médica: todos comentavam sobre sua beleza, seu corpo musculoso e sua presença imponente. Aqueles comentários entre internas deixavam Julianne visivelmente incomodada, misturando ciúmes e admiração.

Camilla dirigia para o hospital tranquilamente, após sair da academia. Vestia um terninho azul marinho feminino, tênis social branco nos pés e os cabelos ondulados soltos sobre os ombros. Estacionou o carro na vaga destinada a ela, saiu do automóvel e travou-o. Caminhou calmamente até a entrada, cumprimentando funcionários e mantendo a postura elegante e séria.

Ao entrar em sua sala, tirou o blazer e colocou atrás da cadeira. Sentou-se e começou a analisar alguns documentos financeiros do hospital. Enquanto isso, Julianne atendia uma criança em outra ala, tentando manter o foco, mas com o coração acelerado ao pensar que Camilla estava ali perto. Ainda não tinham se cruzado, mais uma hora isso aconteceria.

Mais tarde, Camilla foi chamada por outro diretor do hospital para verificar as instalações. Colocou o jaleco branco sobre o terninho, deixando o blazer na cadeira, e caminhou pelos corredores ao lado do diretor.

No meio do trajeto, elas se esbarraram inesperadamente. Julianne quase derrubou a prancheta que segurava de nervoso.

— Oi, Camilla… que dizer... doutora Camilla. — disse Julianne, a voz baixa, os olhos desviando rapidamente para o corpo musculoso da médica.

— Julianne… — respondeu Camilla, com um sorriso sutil e os olhos percorrendo o corpo da enfermeira, notando o nervosismo dela. — Há quanto tempo…

Julianne engoliu em seco, sentindo o coração acelerar. — Sim… faz tempo… — murmurou, desviando o olhar, mas não conseguindo deixar de notar o braço firme e os ombros definidos da médica.

Camilla inclinou ligeiramente o corpo para frente, mantendo a distância profissional, mas com uma presença que fazia Julianne tremer levemente.

— Você está ótima… — disse Julianne quase sem perceber, a voz trêmula.

— Obrigada, enfermeira… se nos dê licença... doutora Camilla precisa ver outros setores. — respondeu o diretor, com uma pontada de arrogância.

— Calma Daniel, não precisa falar assim com ela. Para que a pressa? Nosso plantão é longo. - Perguntou Camilla de forma autoritária para o homem virando em seguida para Julianne.

— Você continua linda Julianne. E, eu tenho que ir, outro momento nos falamos. Licença. – Sorrio gentil, educada e carinhosa com a enfermeira. — Agora podemos ir Daniel. — Falou autoritária com o homem.

Enquanto seguiam pelos corredores, ambas sentiam uma mistura de nervosismo, desejo, tensão e saudade não resolvida. Julianne tentava controlar o rubor no rosto, e Camilla, mesmo séria, notava o efeito que causava sobre a jovem enfermeira.

Os olhares trocados, mesmo breves, deixavam claro que a conexão entre elas continuava viva, silenciosa, mas intensa.

 

Fim do capítulo

Notas finais:

 


Deixem comentários fofinhos para mim.


Beijos |*


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