Capítulo 44

Capitulo 44

de Destinos Entrelaçados, por Merida

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Pietra

Acordei e, por alguns instantes, permaneci ali, quieta, observando Bianca dormir ao meu lado, entregue a um descanso sereno que parecia intocável. Sorri sem perceber, um gesto leve, nascido antes mesmo de qualquer pensamento. Levantei-me com cuidado para não perturbar aquela paz.

No silêncio da manhã, fui até o banheiro e depois à cozinha. Preparei um café simples, mas minha mente ainda estava nela. Lembrei do jejum, dos exames, e senti um leve aperto no peito, uma mistura de cuidado e preocupação.

Quando terminei, voltei ao quarto com passos suaves. Aproximei-me da cama, inclinei-me com carinho e chamei, em voz baixa:

- Bianca... amor, está na hora de acordar...

Ela respondeu com um resmungo, virando o rosto no travesseiro, como se tentasse se esconder da manhã. Sorri, inevitavelmente.

- Ei, nada de se esconder... - murmurei, afastando com delicadeza uma mecha de cabelo do rosto dela. - Vamos, minha preguiçosa favorita... precisamos ir à clínica. Prometo compensar depois.

Outro som manhoso escapou dela, e eu ri baixo, guardando aquele instante como quem reconhece a beleza nas coisas pequenas.

Nos arrumamos sem pressa e deixamos o condomínio rumo as nossas obrigações. Na clínica, Bianca realizou todos os exames, e eu permaneci ao lado, atenta, acompanhando cada etapa com o mesmo cuidado silencioso da manhã. Depois, conversamos com Lis, esclarecendo dúvidas e recebendo orientações.

Mais tarde, nos despedimos da minha prima e seguimos de helicóptero de volta para casa. O retorno trouxe consigo um silêncio diferente: não vazio, mas cheio de significados que ainda seriam compartilhados.

Ao chegar à fazenda, encontramos Gabriela à nossa espera no heliporto.

- Oi, Gabi - cumprimentei.

- Oi, Pietra. Como foi em Juazeiro?

Olhei para Bianca, e o sorriso veio fácil, quase inevitável.

- Foi tudo bem. Temos novidades... mas vamos contar com calma, durante o almoço. Vou ligar para meus pais virem almoçar com a gente e trazer minha avó também.

Gabriela ergueu as sobrancelhas.

- Agora fiquei curiosa.

Sorri de canto, já me afastando.

- Então espera mais um pouco. Vou ali ajeitar as coisas.

Voltei-me para Bianca por um instante, aproximando-me com suavidade.

- Amor, vou cuidar do almoço... - falei baixo. - Acho que a Gabi quer roubar você pra uma conversa.

Inclinei-me e depositei um beijo leve nos lábios dela, breve, mas cheio de intenção, antes de seguir em direção à casa com a sensação tranquila de que tudo encontraria seu lugar ao redor da mesa.

Bianca

O dia parecia se desenrolar com uma delicadeza diferente, como se cada gesto carregasse um significado maior do que o habitual.

Depois de tudo...a manhã silenciosa, os exames, o cuidado constante de Pietra, chegar em casa trouxe um tipo novo de conforto. Ao ver Gabriela à espera, senti um calor familiar, quase um convite ao acolhimento.

Aproximei-me dela sem pressa e a abracei, envolvendo-a com carinho.

- Tudo bem, minha amiga? Quer conversar?

Havia suavidade na minha voz, mas também intenção. Eu conhecia aquele olhar e, por trás dele, algo mais.

Mantive o abraço por um instante a mais, como quem oferece não só escuta, mas presença. Sabia que, enquanto Pietra organizava tudo para o almoço, aquele pequeno intervalo nos pertencia... um espaço tranquilo onde palavras poderiam surgir no tempo certo, sem pressa, sem peso.

Abracei Gabi com mais firmeza ao sentir a mudança no tom da voz dela. Havia algo ali, um peso silencioso, quase escondido, mas impossível de ignorar.

- Quero conversar muito... preciso dos seus conselhos - disse ela, com um olhar de tristeza que me tocou de imediato.

Afastei-me o suficiente para olhá-la nos olhos, mantendo minhas mãos apoiadas nos braços dela, num gesto de cuidado.

- Ei... - falei baixo, com suavidade - vem comigo.

Guiei-a devagar até um lugar mais tranquilo, longe do movimento da casa, onde o silêncio parecia acolher melhor o que ainda não tinha forma em palavras.

- Pode me contar... o que está acontecendo? - perguntei, agora com a voz ainda mais calma.

Inclinei levemente a cabeça, tentando alcançar o olhar dela, deixando claro que, naquele momento, nada era mais importante do que escutá-la.

Gabi soltou um suspiro e começou a desabafar

- É a minha situação com Andreia. Nosso afastamento e foi por minha causa. Ela terminou comigo, achando que tenho vergonha de nosso relacionamento e que não quero contar para minha mãe. e por outro lado, minha mãe me viu chorando e disse que eu poderia contar tudo a ela e não sei o q ue faço, amiga?

Senti o peso das palavras da minha amiga  antes mesmo de ela terminar de falar. Havia culpa, medo... e um carinho ainda muito vivo no meio de tudo aquilo.

Aproximei-me um pouco mais, segurando as mãos dela com cuidado.

- Gabi... - disse, com suavidade - respira um pouquinho comigo.

Esperei um instante, dando espaço para ela se recompor, sem soltar suas mãos.

- Pelo que você está me dizendo... a Andreia não terminou  por raiva. Parece mais mágoa... talvez ela tenha se sentido escondida, como se o amor de vocês precisasse ficar em silêncio.

Fiz uma pequena pausa, escolhendo bem as palavras.

- Mas isso não faz de você alguém que tem vergonha. Só mostra que você está com medo... e tudo bem sentir isso. Só que, quando a gente não fala, o outro acaba imaginando o pior.

Olhei nos olhos dela, com firmeza, mas carinho.

- Sobre sua mãe... quando disse que você podia contar tudo..,é porque ela desconfia. Mãe sempre sabe e as vezes só espera a gente contar.

Inclinei a cabeça de leve, mantendo a voz acolhedora:

- Talvez esse seja o começo, Gabi. Não precisa resolver tudo de uma vez. Mas você pode começar sendo honesta - com você, com sua mãe... e depois com a Andreia.

Apertei de leve as mãos dela.

- Se você ama a Andreia, vale a pena tentar explicar. Dizer a verdade, mesmo que com medo. Às vezes, o que parece rejeição é proteção e isso dá pra consertar, se ainda houver espaço.

Sorri de forma tranquila, tentando transmitir segurança.

- Você não precisa passar por isso sozinha, tá?

Ela me abraçou forte e disse:

- Eu te amo muito!

 

Fim do capítulo

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Comentários

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Foto de NovaAqui

NovaAqui

24/04/2026 às 12:06

A amiga ajudam Gabi...

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NovaAqui

24/04/2026 às 12:06

A amiga ajudam Gabi...

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