CAPÍTULO 2 - Frestas
A cozinha vazia tinha um som diferente. Sem o movimento da equipe, o espaço parecia maior e mais íntimo. Pim organizava os ingredientes com atenção excessiva. Alinhava frascos, limpava superfícies já limpas.
Sarin que acabava de entrar na cozinha, observou por alguns segundos antes de falar:
— Você faz isso quando está nervosa?
Pim sobressaltou.
— Eu... gosto de deixar tudo em ordem.
— Não foi o que eu perguntei.
Silêncio.
Pim sustentou o olhar. Havia firmeza ali, não apenas doçura.
— Sim. Faço quando estou nervosa.
Sarin cruzou os braços.
— E o que a está deixando nervosa?
Pim hesitou. Depois respondeu com honestidade imprudente:
— Trabalhar com você.
A resposta deveria soar como crítica. Mas não soou.
— Eu não grito — Sarin disse.
— Não. Você só olha como se pudesse.
Um quase sorriso escapou antes que Sarin conseguisse impedir. Ela se aproximou.
O espaço entre elas diminuiu até se tornar consciente.
— Controle é necessário aqui.
— Eu sei. Mas... às vezes parece que você controla até o que sente.
A frase foi dita com suavidade, mas atingiu em cheio. Sarin sentiu o peso das palavras. Desviou o olhar e sentiu o maxilar tensionar.
Sarin recuou meio passo.
— Termine o inventário.
Quando se afastou, chamou:
— Pim... – o nome saiu natural demais.
Pim congelou.
As duas perceberam, mas Sarin fingiu que não. Sentiu o celular vibrar e o pegou no bolso. Ao ver a mensagem, decidiu ignorá-la novamente. Era sua mãe, questionando sobre o jantar. Ao levantar a cabeça, percebe que Pim ainda a encara, como se esperasse algo.
— Estou de saída! Não esqueça de trancar tudo quando sair. – Vira em direção a saída e vai embora sem ao menos ouvir a resposta de Pim.
Após finalizar tudo Pim encerra o dia e segue em direção a sua casa tentando entender o porquê Sarin a chamou pelo apelido.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: