Oi, pessoal! Passando para agradecer imensamente por estarem acompanhando cada passo da Yoko comigo. Escrever essa história tem sido uma jornada incrível!
Vocês vão notar que os capítulos estão um pouco mais curtinhos agora, e isso é proposital: quero conseguir estar aqui com vocês com muito mais frequência, garantindo que a gente não perca o ritmo dessa tensão (e dos mistérios).
Boa leitura!! :)
Atrás das Fachadas de Vidro
Num lampejo, uma luz bruxuleante atraiu seu olhar para a escuridão. Acompanhado de um suave zumbido abafado pelos lençóis, o celular tocava. Aproximou-se do aparelho com passos lentos, calculando o chão e esticou a mão para recolhê-lo.
O visor indicava o nome conhecido.
– Sora? – Perguntou surpresa, de fato, não esperava que ela lhe ligasse naquele dia.
– Estou a caminho para buscá-la. A Khun Chalisa quer se encontrar com você, então fique pronta logo. – A voz carregada de sotaque era impaciente e a deixava aborrecida. – Espero que esteja em casa.
– Sora, deve ter havido algum engano, eu não marquei nenhuma reunião com a Khun Chalisa para hoje.
– Sim, houve mesmo um engano e ele foi da sua parte. – Frisou. – Trabalhar para a Khun Chalisa significa que as necessidades dela vem em primeiro lugar. Então, não me importa se você combinou ou não uma reunião com ela. Se arrume depressa, porque se ela tiver que te esperar, não vai ser legal para você.
Sem mais, desligou. Ali não havia espaço para recusas e a garota riu sem humor por um instante, ao pensar que a sequência daquele dia tinha mais desastres do que ela poderia listar. Agora mais essa. Próxima daquela mulher, não sentia-se segura. Mas como poderia? Por mais que não tivesse sido agredida, não poderia descartar o fato de que havia sido levada contra sua vontade naquele dia. Com ela, não havia controle nenhum sobre suas próprias decisões, assim como Sora havia afirmado.
Naquele ponto, outro relance luminoso chamou sua atenção. Desta vez, devia-se aos postes de luz da rua, que haviam sido ligados repentinamente. Observou como a luz amarelada se projetava para dentro de seu dormitório, trazendo uma fraca iluminação. O canto da boca se ergueu com suavidade e abriu as gavetas da cômoda na tentativa de escolher uma vestimenta sob a luz débil.
Em seguida, despiu-se do uniforme universitário e o atirou no chão. Caminhou até o banheiro com cuidado, porque o chão estava escuro e com alguns itens espalhados, mas o esforço foi em vão, porque tropeçou uma e outra vez em roupas largadas pelo chão. Em sua cabeça, outra lista de afazeres emergiu. O dormitório precisava desesperadamente de organização. Pensando nisso, abriu o chuveiro e entrou de uma vez embaixo do jato frio.
O banheiro não tinha janelas e mesmo com a porta aberta, a iluminação frágil não passava por ali. A sensação de estar sozinha na penumbra a arrepiava mais do que água gelada que corria em sua nuca. Tremia contida, para não deixar cair de suas mãos a barra de sabão que segurava.
O banho foi de gato, para não se atrasar. Saiu do banheiro limpa e seca, em busca das roupas que havia deixado em cima da cama. Estavam esticadas na superfície a calça jeans, escolhida pela textura e não pela cor e uma blusa de algodão, que esperava ser de cor branca, não tinha a plena certeza. Vestiu-se rapidamente e penteou os cabelos. Amarrou no alto da cabeça e decretou que estava pronta.
De saída, caminhou para fora. Mandou uma breve mensagem dizendo que esperaria na calçada. Desceu correndo os degraus do quarto andar pela terceira vez naquele dia, desejando intensamente morar no térreo, porque os músculos de sua panturrilha queimavam.
Lá fora, a brisa fresca da noite soprava em seu rosto. Respirou aliviada pela sensação agradável, notando que a brisa noturna trazia consigo um cheiro suave de terra molhada e vegetação. Invadida pela névoa de perfumes, lembrou-se do cheiro inebriante que sentiu daquele jaleco, mas tão súbito foi o pensamento, logo evaporou, escancarando a tensão.
Dobrando a esquina, um carro preto com faróis que cegavam com seu brilho, parou abruptamente ao seu lado da calçada. As janelas do motorista desceram e um homem de voz aguda proferiu.
– Hei garota, entra aí! – Sua visão ainda tinha pontos luminosos flutuando, dificultando enxergar.
– Anda logo, não temos a noite toda. – A voz já conhecida, fez com que ela lamentasse um pouco. Sora era tão bruta tal qual um cavalo.
Foi intrigante perceber que embora Chalisa fosse autoritária e a tivesse raptado, não havia deixado que andasse sozinha no carro com nenhum dos motoristas. Nem da vez que a deixou em casa naquela noite onde tudo começou e nem hoje. "Pelo menos ela não me deixa sozinha com estranhos, embora ela mesma seja o que mais me assusta", pensou.
Caminhou de forma mecânica para dentro do carro, fechando a porta. Mal teve tempo de afivelar o cinto quando o carro arrancou dali. O homem dirigia de forma acelerada e a janela do banco do carona estava aberta. O vento soprava seus cabelos em uma intensidade que bagunçava os fios, mesmo estando presos.
Deixando Nong Chok para trás, junto com as vielas estreitas e a fiação de eletricidade aparente, tomava forma um bairro no qual não estava familiarizada. Era predominante a presença de prédios, arranha-céus e fachadas de vidro que refletiam as luzes noturnas. O contraste era claro entre o glamour e a escassez, se distanciavam por um trajeto de trinta minutos, mas na prática, era um afastamento de uma vida inteira.
Uma música agitada tocava baixinho. Sangkran Magic não combinava em nada com o clima instaurado no automóvel. Uma menina com mãos suadas e respiração superficial, Sora com expressão fechada e maxilar travado e o homem ao seu lado parecia carrancudo. Nenhuma palavra foi proferida durante todo o trajeto. Talvez fosse melhor assim.
Para Yoko, era um mistério o motivo de Sora ser tão rude com ela. Não sabia determinar se ela era naturalmente assim com todos, ou somente consigo. Tentou olhar para fora e distrair-se enquanto torcia para chegar logo.
Enfim chegaram. Desta vez, não estava na casa de Chalisa. Em frente a um restaurante demasiadamente sofisticado, encarava a fachada perfeitamente desenhada. Nada ali parecia ser real, tudo era diferente do local carente onde vivia.
Sem mais tempo para reflexões, Sora apontou com o queixo para a entrada e ressaltou.
– Ela está esperando por você lá dentro, vá logo.
Fim do capítulo
Me contem, o que estão achando? O feedback de vocês é o meu maior combustível!
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: