Prólogo
"A lua já se pôs, as Plêiades também: meia-noite; foge o tempo, e estou deitada sozinha". Safo.
Londres, Inglaterra. 3:30 AM.
Ela atravessava o subúrbio londrino como uma sombra em fuga, impulsionada por um pavor que não sabia nomear. Estava atordoada; sua própria identidade parecia ter se dissolvido na névoa daquela noite. Atrás dela, vultos esgueiravam-se por becos e vielas, alimentando um terror visceral que gritava em seus ouvidos: corra!
Uma olhada rápida para trás confirmou o inevitável: estava sendo caçada. O ar gelado cortava seu rosto como navalha, enquanto o corpo, escassamente protegido, começava a sucumbir ao rigor do inverno. Ninguém a olhava; ninguém via a agonia em seus olhos. No instante em que dobrou a esquina, o destino tomou a forma de um homem de sobretudo, o chapéu escondendo parcialmente seu rosto. O bloqueio foi brusco. Mãos a prenderam, esmagando qualquer esperança de fuga.
- Peguei você - ele sentenciou em russo.
O mundo girou em uma espiral negra sem fim e ela desmaiou.
Fim do capítulo
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