o encontro, muita adrenalina e lembranças.
Capítulo 02 — O ENCONTRO
O sino da porta da Livraria Mancini soou baixo, quase tímido.
Laura não levantou os olhos de imediato, estava organizando alguns livros novos sobre o balcão, o cheiro de papel recém-impresso misturado ao aroma suave de café que sempre pairava no ar. Era uma manhã comum, ou pelo menos deveria ser.
— Bom dia — disse uma voz feminina.
Havia algo nela, Laura sentiu antes de ouvir, um arrepio subiu-lhe pela espinha, estranho, inesperado. Quando levantou o olhar, o mundo pareceu diminuir de tamanho.
A mulher à sua frente era alta, postura firme, cabelos escuros presos de forma simples, mas elegante. Os olhos, intensos demais, percorriam a livraria com atenção, como se absorvessem cada detalhe, não era uma beleza óbvia, era perigosa, silenciosa e marcante.
— Bom dia… — Laura respondeu, um pouco mais baixa do que pretendia.
A mulher sorriu de leve.
— É minha primeira vez aqui. Disseram que essa é a melhor livraria da cidade.
Laura forçou um sorriso profissional, tentando ignorar o desconforto que crescia dentro do peito.
— Tentamos fazer o nosso melhor. Posso ajudar em alguma coisa?
— Talvez. — A mulher deu alguns passos, os dedos deslizando pelas lombadas dos livros. — Procuro algo que fale sobre recomeços… mas sem mentir demais.
Laura engoliu em seco.
— Recomeços verdadeiros costumam doer — respondeu, quase sem pensar.
Os olhos da desconhecida se voltaram lentamente para ela.
— Concordo.
O silêncio que se instalou entre as duas não era vazio, era denso, carregado.
— Qual o seu nome? — Laura perguntou, tentando recuperar o controle.
— Valentina. — respondeu ela, estendendo a mão. — Valentina Vitale.
O nome não causou impacto imediato, nenhuma lembrança, nenhum grito, ainda assim, algo no peito de Laura se apertou quando seus dedos tocaram os de Valentina. Um choque breve, mas intenso demais para ser ignorado.
— Laura. — disse, puxando a mão de volta rápido demais. — Laura Mancini.
Valentina pareceu reparar no gesto, mas não comentou, apenas sorriu de canto.
— Você é a dona?
— Sou.
— Combina com o lugar. — Valentina olhou ao redor novamente. — É… acolhedor, passa a sensação de segurança.
Segurança, aquela palavra soou quase irônica.
Laura desviou o olhar.
— Se quiser, posso te indicar alguns livros — disse, caminhando até uma das estantes. — Depende do tipo de recomeço que você procura.
— Talvez um que não apague o passado — respondeu Valentina, acompanhando-a. — Apenas ensine a conviver com ele.
O coração de Laura acelerou. Por um instante, uma imagem cruzou sua mente: chuva, tiros, um nome gritado na escuridão. Ela piscou rápido, afastando o pensamento.
— Esse aqui. — Laura puxou um livro da prateleira. — Não promete finais felizes… mas promete verdade.
Valentina pegou o livro das mãos dela, os dedos se tocando outra vez. Dessa vez, Laura não recuou, não conseguiu.
— Acho que você entende mais disso do que imagina — Valentina disse, em tom baixo.
Laura sentiu o rosto esquentar.
— Talvez — respondeu.
Por alguns segundos, nenhuma das duas disse nada, apenas se encararam, como se algo invisível estivesse sendo reconhecido ali, algo antigo, perigoso, familiar demais.
— Vou levar — Valentina disse por fim. — E… se não for incômodo, gostaria de voltar outras vezes.
Laura assentiu, sem conseguir explicar por que aquilo parecia tão inevitável.
— Estarei aqui.
Quando Valentina saiu da livraria, o sino tocou novamente. O som ecoou mais alto do que deveria.
Laura ficou parada atrás do balcão, o coração acelerado, uma sensação estranha tomando conta do corpo, não era medo, não era atração apenas, era como se o passado tivesse passado por aquela porta… sem se anunciar.
Ela respirou fundo.
— Que loucura… — murmurou para si mesma.
Mas, naquela noite, ao fechar os olhos para dormir, Laura sonhou com chuva, com tiros e com uma voz feminina dizendo seu nome na escuridão.
E, pela primeira vez em anos, o nome Chiara não veio sozinho.
Fim do capítulo
Já começamos com o encontro, <3
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