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  • CAPÍTULO 01 — A MORTE

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Minha doce vingança por tokiomah

Ver comentários: 2

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Palavras: 935
Acessos: 109   |  Postado em: 14/01/2026

Notas iniciais:

espero que gostem <3

CAPÍTULO 01 — A MORTE

A chuva caía pesada sobre Salvador naquela madrugada. Grossa, insistente, como se o céu anunciasse que nada terminaria bem.

O carro cortava a avenida molhada em alta velocidade, as mãos do delegado Salvatore Moretti Mancini estavam firmes no volante, mas o olhar denunciava o que ele já sabia: aquela fuga não teria saída.

No banco do passageiro, Laura Moretti Mancini, a sua filha, ainda jovem, tremia, o coração batia tão forte que parecia querer saltar do peito.

 

— Papai, pelo amor de Deus, para o carro! — ela gritava, as lágrimas misturadas à chuva que entrava pelas frestas da janela. — Me explica por que eles estão atrás da gente!

 

Salvatore respirou fundo, não havia mais como esconder.

 

— Filha… é a Insta Máfia. — disse, com a voz pesada.

 

Laura sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

 

A Insta Máfia era o grupo criminoso mais temido do país, bancos roubados, bocas de drogas espalhadas por cada cidade, políticos comprados ou silenciados à força e quem se recusava a obedecer, pagava com a própria família. No comando, havia décadas, estava Don Lorenzo Vitale, um homem frio, procurado há mais de trinta anos e nunca capturado.

Salvatore sempre soube do risco. O delegado, um senhor de grande porte, muito bem apresentável, bonito, alto, imponente, respeitado na delegacia, era um pai solteiro que dedicou a vida à filha a Laura, ela era seu orgulho, sua razão, desde que se tornara delegado, fizera uma promessa silenciosa: destruir a Insta Máfia, mesmo sabendo que essa promessa custaria caro.

 

— Pai, você me prometeu que tinha largado esse caso! — Laura gritou, desesperada. — PAI!

 

Antes que ele pudesse responder, o som seco de tiros ecoou pela noite, o vidro traseiro estilhaçou, Laura gritou.

 

— Segura firme, filha! — Salvatore acelerou ainda mais.

 

Outro disparo, desta vez, atingiu o pneu.

 

O carro perdeu o controle, rodopiou na pista molhada e foi arrastado violentamente até colidir com um poste, o impacto foi brutal, Laura sentiu o corpo ser lançado para frente, a cabeça bater, o mundo girar.

O silêncio que veio em seguida foi quebrado apenas pela chuva… e por passos se aproximando.

Portas se abriram com violência, Salvatore ainda com vida e consciente foi puxado para fora do carro, jogado no asfalto encharcado, tentando ser colocado de pé, Laura tentou sair, mas o corpo não obedecia, atordoada, ela só conseguia enxergar sombras.

 

— ATIRA, Chiara! ATIRA AGORA! — a voz de um homem mais velho ordenou, firme e cruel.

 

Laura forçou o corpo para frente, os olhos arregalados de pavor.

 

— Vovô… eu não consigo… eu não consigo… — respondeu uma voz feminina, trêmula, enquanto a arma era apontada.

 

O coração de Laura parou.

 

— Por favor! — ela gritou com toda a força que lhe restava. — Meu pai não! Meu pai, não!

 

A mulher permaneceu em silêncio, o rosto escondido pela escuridão, a mão tremendo, o nome ecoando como uma sentença:

 

— AGORA, Chiara! EU ESTOU ORDENANDO!

 

O som dos disparos rasgou a noite.

O corpo de Salvatore caiu imóvel no chão.

 

E, naquele instante, junto com ele, morreram também todos os sonhos de Laura.

 

 

(Onze anos depois)…

 

— Livraria Mancini, bom dia… — disse Laura ao telefone, forçando um sorriso. — Sim, temos sim esse exemplar… O Milagre da Manhã. Claro que posso separar… — ela riu. — Não, não é pra te obrigar a comprar, é só porque você é meu cliente favorito… Mas, venha logo, senão vendo, viu?

 

Ela desligou ainda sorrindo.

 

— Seu Humberto de novo? — perguntou Marcelo, seu funcionário.

— Ele mesmo. — Laura riu. — Só eu pra aguentar aquele homem indeciso, respirou fundo.

— Sim, seu Humberto é difícil chefinha, só você mesma para aguentar. — Marcelo fazia gestos com as mãos e rindo.

— Mas, o que seria de mim sem vários Humbertos em minha vida, hein? E você deveria agradecer também, eles quem mantem seu emprego de pé, bonitão.

— Aí, agradeço todos os dias, tenha certeza disso.  — Marcelo fazia o sinal da cruz, espantando qualquer pensamento negativo.

 

A Laura era uma jovem de 31 anos, uma mulher bem apresentável, tinha os cabelos um pouco abaixo dos ombros, em um liso volumoso na cor castanho, um sorriso tímido, e uma vida muito pacata e triste.

Criada apenas pelo pai, Laura nunca conheceu a mãe, seu pai evitava o assunto, para ele, eram só os dois contra o mundo. Laura cresceu dentro da delegacia, ouvindo histórias, vendo crimes, aprendendo a ser forte, sonhava em ser juíza, cursava literatura, dava aulas de boxe, estudava inglês e planejava sair do país... Até aquela noite.

Depois da morte do pai, nada foi igual, Laura se perdeu. Casou-se com Ricardo, o único que permaneceu ao seu lado quando tudo desmoronou, o homem que prometeu cuidar dela… e se transformou em seu maior pesadelo. Hoje, vive um casamento abusivo, silencioso, doloroso.

Tem o seu filho de 06 anos, seu único respiro de felicidade, e a sua livraria que conseguiu abrir em um shopping da cidade, seu refúgio, seu esconderijo do mundo.

Mas dentro dela, algo nunca morreu, a vingança.

Mesmo sendo uma mulher bem tranquila, sem amigos, vivendo sua vida privada, todos os dias, todas as noites, um nome ecoa em sua mente como uma maldição: Chiara.

A mulher que atirou em seu pai, e a promessa que Laura fez a si mesma jamais foi quebrada: um dia, ela a encontraria. E faria justiça com as próprias mãos.

Fim do capítulo

Notas finais:

instagram: @tokiomaahescritora_


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Comentários para 1 - CAPÍTULO 01 — A MORTE:
Zanja45
Zanja45

Em: 14/01/2026

Estou curiosa pra vê o desenrolar da vingança de Laura, o casamento dela com Ricardo e o envolvimento dela com Chiara. - Parece que vai ser uma relação bem problemática, porque ela sofreu bastante com o marido e ainda tem um filho no meio.

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Zanja45
Zanja45

Em: 14/01/2026

Há um mistério na morte de Salvatore. Será que foi Chiara que realmente puxou o gatilho? pois dava pra vê uma resistência clara dela em acatar as ordens do avô.

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