Capítulo 30

Capitulo 30 – Apenas Essa Noite

de A Princesa & A Dama De Companhia., por Tk_Oliver

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Narrado por Seraphina

 

A madrugada parecia como todas as outras: fria, solitária, carregada de lembranças que não me deixavam dormir. Eu estava deitada, os olhos presos ao teto do meu quarto, tentando não chorar. Não pensar nela. Não desejar o que não podia mais ter.

 

Foi quando ouvi passos apressados e leves. Olhei para a porta. A maçaneta girou devagar. Meu corpo congelou.

 

A porta se abriu.

 

Elara entrou, a respiração ofegante, os olhos marejados — mas determinados. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela fechou a porta atrás de si e trancou. Me levantei de sobressalto, com o coração batendo como um trovão.

 

— Elara…?

 

Ela não respondeu. Apenas deixou cair a fina camisola de algodão, revelando sua nudez, a mesma que eu memorizei tantas vezes em pensamento. O luar banhava seu corpo com uma doçura quase cruel.

 

— Eu não aguento mais, Seraphina. — A voz dela veio embargada, mas firme. — Eu não suporto mais ficar sem você.

 

Meu peito apertou. Um nó formou-se na garganta, e antes que eu conseguisse falar, ela se aproximou, com passos decididos.

 

— Me faz sua… só essa noite. Me faz esquecer esse inferno sem você. Eu não quero ser dele. Eu quero ser sua. Só sua. — Seus olhos buscaram os meus, vulneráveis e corajosos. — Eu te amo. Você é a minha Seraphina.

 

Ela tocou meu rosto. E então, o mundo desabou.

 

Meus lábios encontraram os dela com uma urgência desesperada, e a dor dos dias separados se transformou em desejo. Em saudade. Em amor que não podia mais ser contido.

 

Minhas mãos percorriam seu corpo como quem reencontra um lar. A pele de Elara era quente, viva, e tremia sob meus dedos. Nossos beijos eram lentos no início, doces, como se quiséssemos redescobrir uma à outra. Mas logo se tornaram famintos, intensos, como se o tempo nos devesse todas aquelas noites perdidas.

 

Nos deitamos na cama como duas almas condenadas à eternidade de um único instante.

 

Sussurros, gemidos abafados, carícias entrelaçadas. Elara se entregou a mim como quem oferece o próprio coração — sem medo, sem limites. E eu a acolhi com a fome de quem nunca esqueceu seu sabor, sua presença, seu toque.

 

Nossos corpos se moveram em perfeita harmonia. Ela sussurrava meu nome como uma prece, e eu repetia o dela como quem se despede e se entrega ao mesmo tempo.

 

Naquela noite, não havia títulos. Não havia casamento arranjado. Não havia castigos ou futuro.

 

Havia apenas nós duas.

 

E um amor que, mesmo proibido, era mais verdadeiro do que qualquer juramento diante de um altar.

 

Ao amanhecer, entre lençóis revirados e corações acelerados, eu soube: ela nunca deixaria de ser minha.

 

Nem que fosse por apenas uma noite.

 

Ou para sempre, em segredo.


Fim do capítulo

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Comentários

2
H

HelOliveira

27/01/2026 às 02:44

Adorei a atitude de ir ao quarto da princesa, mas uma agonia esses casamentos forçados

Z

Zanja45 27/01/2026 às 08:38

Essas alianças políticas para fortalecer os reinos eram uma merda. - As mulheres tinham que casar cedo e ainda por cima com quem não queriam. Na verdade a maioria das mulheres tinham que se sujeitar as vontades dos homens, pois elas não tinham muita voz numa sociedade que predominava o patriarcado.
Z

Zanja45

25/01/2026 às 11:55

Ah, tá! Corajosa, Elara! o ato dela ir ao quarto da princesa diz tudo.

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