Capitulo 2 Coincidência
Camilla
Eu odeio a sensação de me sentir vazia por dentro. Isso rasga meu peito e dilacera a minha alma. Depois do que me aconteceu com aquela garota eu me pego pensando nisso, confesso que não sei porque ela mexeu tanto comigo. Não consigo parar de pensar naquele rosto, naquela boca, na forma como ela estava tão indefesa nos meus braços. O que é que estou pensando meu Deus, estou parecendo uma adolescente, acorda Camilla e coloca os pés no chão. Você tem coisas mais importantes a fazer e sua empresa pra gerenciar. Não tem espaço pra nada além disso aqui. Foco.
Domingo sempre é um dia tedioso pra mim, estava lendo um livro quando me chega um e-mail do instituto! Na mensagem eles pediam desculpas pelo o que tinha acontecido, foi a estrutura doada pela prefeitura que veio já com defeito e um gerador acabou explodindo e causando aquele alarde todo. A doação que minha vó fez foi feita, os agradecimentos ficam pra depois. No corpo da mensagem veio um pequeno convite pra participar de uma das recriações que eles fazem lá, confesso que meu aguçou a curiosidade. Será que a Beatriz viver por lá? Afinal ela é... bom, ela não enxerga.
Decidi deixar isso pra depois. Talvez um dia a gente se esbarre de novo.
Beatriz
- Bia, você tem que me entender que eu não tive culpa, ok? Eu não sabia que aquilo ia explodir.
- Matheus eu não quero discutir. Por favor saia daqui.
- Eu acabei de chegar, você não vai nem me ouvir?
- Não.
-Daqui a pouco estou indo pro instituto, eu te levo
- Vou pedir pra você me deixar sozinha.
- Amor, para com isso.
Eu já pedi desculpas, vamos ficar bem.
Eu sei que eu errei, mas eu só me distraio.
Esse é o problema! Quem muito se distrai e não olha com cuidado e carinho para o outro não sabe nem o que é o amor. Se você ama alguém você cuida, você mima, você faz de tudo pra pessoa se sentir bem e cuidada. Sabe aquele detalhe que você lembra? Aquele meme ou aquele vídeo engraçado que você manda? Ou quando você deixa o melhor pedaço pra quem você ama. Isso é a personificação do amor. Quem ama cuida. Quem ama vive o amor nos pequenos detalhes.
- Eu não quero discutir Matheus.
- Você tá diferente comigo desde aquele dia que eu só quis te fazer um carinho.
- Você me deixou assustada, eu falei que não me sinto preparada ainda.
-E quando você vai estar? Já namoramos a três anos. Eu tenho necessidades Beatriz.
- Eu odeio me sentir pressionada e coagida. Eu quero um tempo
-Tempo? Que porr* de tempo é esse? Você tá maluca?
- é isso que você ouviu.
E se você não sair do meu quarto eu vou gritar.
Meus pais estão na cozinha, ao primeiro grito eles vão me proteger.
- Eu vou, Beatriz.
Nem precisa desse alarde. Mas isso não vai acabar assim.
Beatriz vinha se sentindo pressionada a algum tempo pelo namorado. Ele estava querendo a todo custo manter relação com ela, e ela não se sentia nenhum pouco segura e a vontade pra isso acontecer. Uma das últimas discussões foi justamente essa extrapolação de limites. Ela sabia muito bem que se contasse ao Pai ele iria querer reagir, por enquanto não julgava necessário, mas pelo andar da carruagem ela iria ter que contar. Matheus já não era mais o mesmo garoto que ela conheceu, a verdade é que ela se sentia desgastada e cansada.
- Meu deus, porque isso tá acontecendo comigo.
Exclamou enquanto tateava a borda da cama pra sentar um pouco.
Beatriz tinha uma vida simples, não saia muito e quando saia era pro instituto. Passava o dia em casa e a noite a mãe a levava para a área externa da casa, ficavam ali conversando e rindo até a irmã chegar do trabalho. Era uma vida simples, mas feliz. A irmã trabalhando e os pais aposentados traziam um certo conforto pra ela, mas no fundo ela não queria estar nessa condição, ela queria ser igual a todas as outras pessoas: queria estudar, ter um trabalho, ter uma família e quem sabe ate filhos. A vida tirou a visão física dela, mas felizmente não tirou a vontade de viver.
Camilla não tinha muito animo quando voltava pra casa no fim do dia, nunca experimentou a sensação de ser esperada, de ter alguém de braços abertos. A vida a moldou de forma bruta. É como se fosse uma rosa com espinhos e quem se aproxima ela acaba espinhando. Nunca pensou em ter uma família, muito menos filhos, vivia no mundo dela e parecia que era suficiente. Mas não era. No fim do dia quando ela encostava a cabeça no travesseiro isso destruía-a por dentro. Era como se fosse insignificante, como se ninguém de fato precisasse dela.
Uma sensação que ela vai deixar no meio do caminho, Beatriz chegou pra quebrar essa pedra de gelo.
- Tá fazendo o que aqui ainda, Garota?
- Oi Dona Camilla, eu fiquei de fechamento hoje.
- E onde estão os meninos dessa unidade?
Deixar você de mulher essa hora aqui não é nada seguro.
- Bom, eu fiquei, eu mesma pedi na verdade.
Sou novata, quero mostrar meu trabalho.
- Mostre de outro jeito.
Podem fechar aqui.
-Mas ainda falta 20 minutos,
- Você me ouviu?
Todos que estavam ali temiam a Camilla, não era raro ela andar entre os supermercados que tinha, sempre estava presente acompanhando de perto tudo. Luiza foi extremamente corajosa em peitar com ela, o que não passou despercebido por Camilla.
- Ok, Dona Camilla.
Já estamos fechando.
Fecharam e seguiram.
Camilla ficou olhando pra Luiza de longe e viu que ainda ia ficar esperando ônibus, pensou em dar uma carona
Mas não sabia muito bem como fazer essas gentilezas.
Se algo de ruim acontecer com ela, eu sei que serei responsabilizada.
- Garota, entra aqui.
Já são 23h e você ficar sozinha aí é perigoso.
- Eu não vou lhe atrapalhar? Com certeza sua casa é aqui perto, você vai dá meia volta pra me dá só essa carona.
- Vamos.
Você é minha funcionária e eu me responsabilizo por você.
- Onde você mora?
Quando Camilla ouviu o endereço da boca da Luiza ela ficou estática, era o mesmo endereço da Beatriz. Que tipo de relação ambas têm? Será parente? Prima? Irmã?
O percurso foi feito em silencio. Camilla já sabia o caminho já que era o mesmo feito anteriormente quando levou Beatriz em casa, agora ela não poderia imaginar que a sua funcionária seria alguém próximo de Beatriz.
Quando parou em frente desejou não ver Beatriz. Não que ela não quisesse, mas já existia uma luta interna dentro de si.
Quando o carro parou em frente não passou despercebido pelos ouvidos de Beatriz que ainda estava acordada na sala esperando a irmã. logo ela foi tateando segurando as paredes já que estava sem a bengala. Devagar ela chegou até o portão e ficou esperando alguma reação de quem estivesse ali parado.
- Ela é minha irmã, exclamou Luiza enquanto percebia Beatriz no portão.
Camilla assentiu com a cabeça, deu um sorriso de lado e não queria falar nada.
Se Beatriz ouvisse a voz dela com certeza ia lembrar.
- Obrigada, Dona Camilla. A senhora vai voltar bem? Parece que vai cair um temporal, já está querendo chuviscar.
- Voltarei Bem,
Beatriz
Minha irmã estava demorando a chegar então resolvi ficar na sala esperando-a. Nossos pais já tinham ido dormir, deu tempo eu cochilar no sofá ainda e quando sinto a presença de um carro estacionando. Ouvi o barulho embora macio se aproximar cada vez mais e parar muito próximo. Essa hora só poderia ser ela. Eu fui tentando chegar até o portão com dificuldade, mas ainda não ouvia passos ou vozes.
Ouvi uma batida de porta.
Era ela.
- Oi mana, vou abrir o portão. Estava me esperando até agora.
-Irmã, tá tudo bem?
-Sim, está sim.
Minha patroa veio me deixar
- E onde ela está?
- Ali no carro, já está indo embora.
Camilla deu graças a Deus não ter sido percebida por Beatriz. Seu coração estava já aos pulos. Mesmo com o tempo ameaçando chover ela quis voltar pra casa. Quando chegou tomou um banho, fez um sanduiche rápido e foi deitar. Já era tarde e estava extremamente cansada.
Ter visto Beatriz de novo só serviu pra bagunçar o que ela já estava sentindo.
Na organização de DEUS,
Esteja Ele criando uma flor
Ou uma alma humana, nada
Acontece por acaso.
O dia logo nasceu e Camilla não ia fazer inspeção hoje; pela manha trabalhou em casa mesmo e decidiu almoçar fora. Tinha uma reunião importante pela parte da tarde.
Foi em um restaurante que gostava muito pela simplicidade e a comida caseira. Sentou e ficou esperando o pedido enquanto mexia no celular. Na mesa a sua frente chegou um casal. O rapaz soltava cantadas e falavas coisas que ela realmente não gostaria de ouvir, mas uma delas não passou despercebido:
- Eu não quero nada mais com aquela cega.
Você sabe que por mim eu já tinha acabado, mas ainda não é hora.
Eu já estou farto.
O rapaz em questão era Matheus. Esse traia Beatriz a anos e nunca fora descoberto. O fato de ainda estar com ela era por puro comodismo e fetiche. Ele queria tirar a virgindade dela, se sentia o dono, como se ela fosse um objeto. Era um ser humano ridículo.
Camilla ouviu isso e ficou incrédula. Como alguém poderia falar dessa forma sem nem pestanejar? Até ela que era fria e rude não se atreveria em dizer tamanha barbaridade.
Quando ouviu isso só lembro de Beatriz. Desejou que ela estivesse bem e por um momento sentiu um incomodo no peito.
Beatriz.
- Mana, hoje eu chego na hora certa, mas descansa, ontem você dormiu tarde e ainda bem que a Camilla veio me deixar.
- Como?
Quem veio te deixar?
- Camilla? A minha patroa.
Não poderia ser a mesma Camilla... seria muita coincidência e eu acho que ela teria me cumprimentado.
Ou será que não?
- Que foi mana?
Parece que viu um fantasma... eu em...
Ver não, mas ouvir esse nome já foi o suficiente pra Beatriz se encher de perguntas.
Fim do capítulo
Oi meninas, tudo bem? mais um cap saindo pra vocês! Até o próximo! Bjssss
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Em: 29/11/2025
Já tenho quem odiar!
Mabre 27
Em: 30/11/2025
Autora da história
Muito bem! vamos odiar esse cabra com força!
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Zanja45
Em: 23/11/2025
Esse Mateus é um babaca e não merece ter Beatriz como namorada. - Ainda bem que ela deu um tempo.
Mabre 27
Em: 28/11/2025
Autora da história
Boa noite, Zanja! Tudo bem?
Matheus é uma especie de pedra no sapato viu? E não merece mesmo ter a Bia como namorada.
Massssss Camilla tá chegando aii...
logo logo tem casal!
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Mabre 27 Em: 21/03/2026 Autora da história
Ainda bemm foi um livramento viu