Capitulo 1 Primeiro Encontro
Camilla Marino
Camilla Marino desde muito cedo teve que lidar com a dor de perder os pais em um grave acidente que quase lhe custou também a vida. Foi criada pela vó materna e se tornou herdeira do grupo Marino: Uma rede de supermercados na cidade. Hoje, no auge dos seus vinte e oito anos, administra a direção do grupo Marino com outros acionistas, mas, depois dá vó, é a socia majoritária.
Ter essas regalias lhe proporcionaram grandes coisas: Uma boa educação nos melhores colégios da cidade, uma boa zona de conforto, passeios, viagens, compras, e tudo que o dinheiro conseguisse pagar! Cercada de bajulações e riqueza ela tinha tudo, ou melhor, quase tudo! Camilla era seca, rude, grossa! Carregava no peito um buraco, uma espécie de sentimento que ela mesma não saberia nem explicar caso lhe fosse perguntado. Era rica de dinheiro, mas não de amor.
Senhorita, o jantar está servido! Sua vó está a mesa e pediu que lhe chamasse. – Falou uma das empregadas da família.
Diga que não estou com fome, preciso terminar um relatório pra ontem.
- Como a senhorita quiser, mas creio que ela irá insistir. Me desculpe a insistência, mas sua avó viaja amanhã cedo.
- Tinha me esquecido, obrigada. Desço em 10 minutos.
- Esqueci-me completamente que vovó vai retornar pra Capital paulista amanhã. E espero que ela não invente de voltar tão cedo.
Depois desse pequeno aviso desliguei meu notebook e desci até a sala de jantar, eu não tinha uma boa relação com vovó, na verdade não nos víamos muito, sempre foi assim: fui criada pelas babás e quando tive consciência das coisas passei a responder por mim mesma, não tem ninguém nessa vida além de mim.
- Camilla, eu não estarei aqui no final de semana, preciso que você represente pessoalmente o grupo Marino em um evento municipal;
- Vovó a senhora sabe o quanto eu odeio esses eventos.
- Ganhamos a licitação com a prefeitura, nada mais justo que estarmos marcando presença na abertura do programa.
- Tá.
Quando vai ser? Não vou demorar muito, mas irei abrir essa exceção.
- No final do dia na praça central. Na oportunidade vamos estar doando também alguns alimentos pra associação luz divina.
- E que tipo de associação é essa?
- Ajudam pessoas com deficiência visual que se enquadram em baixa renda e situações de vulnerabilidades.
- Cegos! Desde quando a senhora se preocupa com essa gente?
- Desde sempre, Camilla. Você que nunca enxergou um palmo a sua frente além do seu próprio nariz.
Se você não tiver empatia ao menos tenha a classe de fingir.
- Mais alguma coisa?
- Não.
Espero que você não me decepcione e que não esqueça que eu ainda mando aqui.
Vovó quando quer ser é extremamente insuportável. Eu irei nessa droga de evento, já sei que não me resta outra opção além disso. Sendo sincera eu não me importo muito, não conheço essa gente e não faço questão de ter contato.
Me retirei da mesa e acabei subindo pro meu quarto. Amanha já iria ser um dia corrido já que marcamos de fazer auditoria em um dos supermercados, a empresa teve uma onda de contratação e precisamos monitorar como está a qualidade do atendimento.
Beatriz Donatto.
- Bia, você ainda vai acabar se machucando, irmã! Eu já falei pra você esperar eu chegar do trabalho, poxa.
Eu te ajudo com o banho.
- Luiza eu sei que você faz isso por boa vontade, mas eu não posso deixar tudo nas suas costas, eu já estou grandinha o suficiente, mesmo sendo cega eu posso aprender a me cuidar sozinha.
- Mana, eu me preocupo com você e é só isso.
Mas sei que você é esperta. Aprende tudo rápido e já está acostumando com a casa nova né?
- Estou sim.
Só quero que me ajude e ficar bem bonita, o Matheus vem me ver hoje.
-Hummmmmmm
Então vamos te deixar arrasando corações e arrancando suspiros.
Beatriz Donatto tem vinte e dois anos, é uma menina aos olhos de seus pais e de sua irmã Luiza. Aos 5 anos de idade foi acometida por uma infecção nos olhos o que lhe acarretou cegueira, sua córnea ficou com opacidade, ou seja, ouve a perca da camada frontal do olho lhe causando visão turva, embaçada e com grande sensibilidade a luz.
Mora com os pais e a irmã mais velha, namora a três anos um rapaz chamado Matheus. Se conheceram no projeto que ela frequenta, uma espécie de Instituto de recreação voltado a pessoas com deficiência visual. Lá é onde ela se sente em casa, tem sua autonomia e pode ser quem ela é sem medos ou julgamentos.
- Mana eu sou bonita?
- Você é linda minha irmã.
- Você já fez isso, eu sei, mas eu posso pedir pra me descrever de novo?
- Sempre que você quiser!
Vamos lá: Seu cabelo é lindo e muito sedoso, tem um caimento abaixo dos ombros, você é de fazer inveja a muitas meninas, mana. É loira natural. Seu sorriso tem covinhas, sua boca é delicada, e seu nariz é lindinho. Você parece uma bonequinha, na verdade você é nossa bonequinha rs.
- Você acha que um dia eu vou me casar?
- Claro que vai, vai ter sua família.
Sua limitação não vai impedir disso acontecer. Mas porque essa pergunta, irmã? aconteceu alguma coisa? Você e o Matheus estão bem?
- Bom, eu acho que estamos.
- Acha?
- Eu fui um pouco grossa com ele da ultima vez que a gente se viu.
- Você quer falar sobre isso? Se abrir?
- Em um outro momento, Lu.
- Então vamos acabar de te deixar linda.
- Mas me fala de você? Como vai o novo trabalho?
- Mana, está indo tudo bem, a rede é muito boa e no final do mês ainda vamos ter uma baita cesta de alimentação.
Já estou pegando pratica lá no caixa.
- Você merece muito.
*Luiza trabalha na rede de supermercados Marino, é uma recém contratada e nem imagina a peça que a vida vai pregar com sua irmã mais nova. Beatriz ainda não encontrou o amor, pelo menos não ao lado de Matheus, esse por sua vez, não tem planos para o futuro com ela, pelo contrário, está esperando o momento certo pra descarta Beatriz.
Amor é respeitar o próximo
Amor é ter paciência
Amor de verdade não é falso
Falsos são aqueles
Que enganam o Amor.
A semana passou rápida pra Camilla Marino: Seus dias metódicos foram tomados por mais urgência e trabalho, fazia tempo que ela não descansava ou tirava férias. Ela assumia com maestria a direção da rede Marino e sempre tinha a decisão mais inteligente pra toda e qualquer tipo de demanda que lhe ocorresse. Ao final do dia daquele fim de semana ela se dirigia para o evento na qual estaria sendo a representante, um olhar de poucos amigos e com um ar sério ela iria se fazer presente, mal sabia ela que a sua vida mudaria dali em diante.
-O que é que está acontecendo? Fiquei incrédula quando ouvi um barulho enorme, parecia que alguma coisa tinha acabado de explodir, o cheiro de fumaça que se impregnou no ar deixava a respiração densa, pessoas que estavam já se encaminhando pela porta principal do evento voltavam correndo desesperadas. Isso não está certo, eu já ia da meia volta quando percebo uma moça extremamente desorientada, ela parecia estar em pânico. Eu não sei o que me deu, mas em um impulso maior eu corri até ela e tentei ajudar, não notei de imediato, mas acho que ela é... ela é cega?
Beatriz estava radiante! O fim de semana chegou carregado de promessas e hoje iria ser um dia especial pra ela e pra todos que participavam do instituto. Seus pais não poderiam levá-la, sua irmã estaria trabalhando e foi confiado ao Matheus levá-la a e trazê-la com segurança, porém não foi bem isso que aconteceu, por um momento de desatenção ele saiu pra conversar com conhecidos e deixou Beatriz sozinha no meio da explosão. Ela ficou desorientada:
-Matheus, Matheus.... cadê você, o que é que tá acontecendo? Por favor me tira daqui.
Eu não sabia o que estava acontecendo, mas eu ouvi o barulho, foi horrível, parecia que algo explodiu, pessoas começaram a gritar e eu sentia os passos de desespero, sentia a multidão correndo e eu não sabia o que fazer, me senti sozinha e desesperada, eu estava ficando sem ar, estava entrando em pânico e só queria chorar.
Já estava perdendo as esperanças dele me encontrar até que eu sinto alguém pegando na mão e uma voz ecoar na minha frente, a voz saiu firme, mas era um tom tão doce que por um momento eu achei que eu conhecia e acabei tendo confiança pra sair dali com ela:
-Vem, vamos sair daqui rápido! Segura minha mão que te guio.
- Pra onde você quiser eu vou (foi a única coisa que consegui dizer)
Meu coração estava em disparado, mas eu me deixei ser guiada, era nítido que pela macieis das mãos, pelo perfume e pelo o tom da voz que se tratava de uma mulher, o que me deixava menos preocupada.
Os sons de pessoas gritando aos poucos foram diminuindo ao passo que ela apertava minha mão com mais força.
- Estamos indo pro estacionamento, ta? Um pouco mais a frente tem rampa, mas está longe demais e a gente vai perder muito tempo pra chegar lá. Eu preciso sair daqui e te tirar daqui também, então no três você se segura em mim, eu vou descer as escadas com você no colo.
- Eu confio em você
Estranhamente; mas eu confio.
Acabei pegando-a no colo e ela se agarrou no meu pescoço, pude notar os traços dessa moça de perto e por um momento eu esqueci do que estava acontecendo: era ela extremamente linda, parecia uma boneca de porcelana. A cada degrau que eu a descia sentia que ela roçava o rosto no meu pescoço e eu a segurava com mais forças. Nem sei de onde estou tirando essa força, mas eu não posso deixá-la aqui. Quando desci o ultimo degrau avistei o estacionamento e mesmo sem ter mais escadas ela continuou agarrada em mim.
Não demorou muito e avistei meu carro.
-Estamos chegando, aqui você está mais segura. Eu vou te colocar no chão, tá? Vou abrir a porta do meu carro, senta um pouco e respirada, tem água aqui.
Toma, bebe.
Eu estava sentindo um misto de sensação no peito: Medo, pânico, dor, falta de ar, mas ao mesmo tempo meu coração dizia que eu poderia confiar nessa desconhecida. Quando ela me pegou no colo meu corpo todo estremeceu, meu coração disparou mais ainda e me senti embriagada com cheiro que ela exala. Foi como se eu a conhecesse, como se meu corpo já estivesse acostumado junto ao dela.
- Obrigada, eu não sei nem o que falar, como te agradecer.
- Tá mais calma? Eu te vi sozinha e quis fazer alguma coisa.
Você veio só?
- Eu vim com meu namorado.
(Namorado, e onde está esse banana?) pensei comigo mesma
- Onde ele está?
- Ele foi cumprimentar uns amigos e acho que pela explosão acabou não conseguindo me encontrar;
- Hum, sei.
Você sabe seu endereço? Posso te deixar em casa.
-Sim, eu sei.
- Então vamos, vou te entregar segura.
-Me diz seu nome?
- Camilla.
-Camilla, eu não sei como te agradecer; de verdade.
Não sei o que ia ser de mim sem você.
- E qual seu nome? Não se preocupe, tá tudo bem agora.
-Graças a você, está.
Me chamo Beatriz.
- Vamos Beatriz, deixa colocar o cinto em você.
Me sentei corretamente e senti que ela estava próxima de mim pelo perfume, poderia jurar que ela estava me encarando.
Fui colocar o cinto de segurança nela, mas nada me fazia desviar desse rosto, puta que pariu que garota linda. Eu sei que não é hora pra isso, mas que vontade de beijar essa boca. Quando me vi pensando essas coisas dei marchar e seguimos o caminho.
Ela me passou o endereço e coloquei no GPS, não era no centro era um local mais periférico, durante o pequeno percurso trocamos poucas palavras e quando chegamos ela pediu que eu buzinasse.
Não demorou muito saiu o senhor e uma senhora na porta.
-Beatriz, acho que são seus pais.
Você está segura agora.
- Por favor, me ajuda a descer.
Eu acabei perdendo minha bengala.
-Claro.
Ajudei ela a descer e tive que cumprimentar essas pessoas. Era nítido a simplicidade da casa, da rua, era tudo muito simples. Eles ficaram assustados, mas ao mesmo tempo agradecidos por ter “salvo” a filha deles. Entraram e me deixaram sozinha com ela e Antes de ir embora eu fiquei surpresa.
-Camilla, eu posso te dá um abraço?
Ela me pediu com a voz mais calma.
- Pode sim
Foi a única coisa que pronunciei.
Ela veio me tateando e me abraçou. Um abraço doce, calmo, por um momento eu quis esquecer de tudo novamente e proteger essa menina pro resto da vida. Confesso que não queria soltar.
- Milla, eu vou ser eternamente grata a você.
Dei um sorriso de lado, você vai ficar bem agora. Bom, eu preciso ir.
-Claro, vai com cuidado. Obrigada por tudo.
Me despedi, esperei ela entrar e fiquei observando a cena. Depois segui.
Eu estava exausta. Antes de ir pra casa passei em um barzinho e pedi uma cerveja, precisava digerir tudo que aconteceu.
- Irmã? mamãe me falou o que aconteceu, eu fiquei tão preocupada, como você está? E onde está aquele infeliz do Matheus?
- Oi, mana você tai?
- Aqui, me diz o que aconteceu? Que susto foi esse
- Eu não sei ao certo, alguma coisa no evento não saiu como esperado, amanha me leva no instituto eu preciso saber se tá tudo bem, eu também não sei do Matheus. A gente acabou se perdendo e até agora ele não deu sinal de vida.
- Irmã você é feliz com ele?
Acabei me perdendo nos pensamentos, minha cabeça não parava de pensar no que aconteceu e no aconchego da Camila. Será que a gente vai se encontrar de novo? Quem ela é...
Nada mais me importava agora.
Fim do capítulo
Voltando a escrever depois de um longoooooo tempo fora daqui!
Espero que gostem meninas e que me acompanhem nessa nova aventura.
Beijãoooo
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G MEDEIROS
Em: 13/12/2025
Ansiosa pelo o desenrolar da história
Mabre 27
Em: 16/12/2025
Autora da história
Pois espero que a senhorita aprecie visse?
e continue me acompanhando!
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Zanja45
Em: 23/11/2025
Gostei muito desse início. Quero ver como se desenvolverá o romance entre Beatriz e Camilla. - Mas já deu pra perceber que esse começo já mostrou um lado que não se conhecia de Camilla.
Mabre 27
Em: 28/11/2025
Autora da história
Fico muito feliz que tenha gostado e que esteja me acompanhando nessa historia! Tenho certeza que você vai amar
as meninas.
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Crika
Em: 19/11/2025
Amei,amei...essa garota vai amolecer um coração endurecido,de muitas formas...
Ansiosa pelos próximos capítulos ????
Mabre 27
Em: 22/11/2025
Autora da história
Oi, Crika! Tudo bem meu doce? que bom que você gostou!
Beatriz vai ter um arduo trabalho viu? mas vai amolecer sim.
Bjsssss
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Mabre 27 Em: 21/03/2026 Autora da história
Que bommmmmmmm. Fico feliz que esteja gostandoo