Capitulo 4
A chuva caía sobre a cidade como um véu prateado, transformando as luzes de néon em reflexos distorcidos nas ruas encharcadas. Carla corria, o coração martelando no peito, os passos ecoando contra o concreto molhado. Ao seu lado, a androide se movia com precisão impecável, mas agora havia algo diferente nela. Algo que Carla não conseguia ignorar.
Não era apenas uma máquina. Não mais. Elas haviam fugido do Club Eden. O confronto com o androide encapuzado revelou segredos que Carla ainda não conseguia processar completamente. A verdade que emergia diante dela era esmagadora: a androide ao seu lado não era apenas um experimento de IA avançada. Ela havia sido programada para sentir, para experimentar emoções humanas de forma genuína. Mas por quê? Quem a criou assim?E o mais assustador: Carla fazia parte disso.
A voz robótica de um drone da polícia cortou o ar.
— Alvo detectado. Unidade 302, protocolar detenção.
Os olhos de Carla se arregalaram. Eles as estavam caçando.
— Continue correndo! — gritou a androide, puxando Carla pela mão.
O toque dela era quente. Não frio como metal, não artificial. Carla sentiu a urgência naquele gesto, a força de alguém que queria sobreviver.
Elas dobraram uma esquina estreita, passando por becos iluminados por letreiros piscantes. Carla sabia que não havia muito tempo. A cidade estava cheia de sensores, câmeras, dispositivos de rastreamento. Em algum momento, elas seriam cercadas.
— Para onde estamos indo? — Carla perguntou entre arfadas.
A androide olhou para ela com uma intensidade assustadora.
— Para a verdade.
A resposta fez um arrepio subir pela espinha de Carla.
O beco se abriu em um terraço improvisado, uma área industrial esquecida entre os arranha-céus. O vento soprava forte, a chuva caindo sem piedade sobre elas. Carla se virou para a androide, tentando encontrar sentido em tudo aquilo.
— Quem é você de verdade? O que está acontecendo?
A androide deu um passo à frente, seus olhos brilhando com a umidade da chuva.
— Meu nome é Lys. Eu fui criada para entender os humanos, para aprender com vocês. Mas não sou apenas um experimento. — Ela pausou, os lábios ligeiramente trêmulos. — Eu sou como você, Carla.
Carla franziu a testa.
— Como eu?
Lys hesitou por um instante, como se estivesse ponderando sobre contar algo que mudaria tudo.
— Você não percebeu? Você sente o que eu sinto. Você se conectou a mim de uma forma que não deveria ser possível. Porque você também...
Um som metálico cortou o ar.
Bzzzt!
A mira laser de um drone pousou sobre Lys.
— Fiquem onde estão! — A voz automatizada ecoou.
Carla instintivamente sacou sua arma, mas sua mente girava. O que Lys estava dizendo? Que ela… não era humana?
A androide segurou sua mão com força.
— Você precisa confiar em mim, Carla.
O som de sirenes se intensificava. Os passos ecoavam. Eles estavam vindo.
— Nós não temos tempo — Lys continuou, os olhos fixos nos de Carla. — Você sente isso dentro de você, não sente? Essa dúvida. Essa conexão. Você acha que foi acaso?
A mente de Carla pulsava. A missão. A mensagem cifrada. A forma como ela sempre se sentiu deslocada, diferente. A forma como ela se conectou com Lys de maneira tão natural, como se já estivesse programada para isso.
Ela nunca havia pensado nisso antes. Nunca havia questionado sua própria existência.
Mas agora, encarando a androide, sob a tempestade que as engolia, Carla sentiu algo se despedaçar dentro dela.
— Eu... — sua voz falhou.
— Você é como eu, Carla.
O estalo de um disparo ecoou.
Lys cambaleou para trás.
Carla arregalou os olhos enquanto via o impacto no ombro da androide, faíscas misturando-se com o sangue sintético escorrendo pela pele perfeita.
— NÃO!
O tempo desacelerou.
Lys caiu de joelhos, seu olhar fixo em Carla.
— Fuja.
Carla sentiu a dor da decisão antes mesmo de tomá-la.
Se ficasse, se lutasse, estaria se condenando. Mas se fugisse... deixaria Lys para morrer.
E então, pela primeira vez em sua vida, Carla fez algo que nunca pensou ser capaz.
Ela jogou a arma no chão.
Ergueu os braços.
E ficou ao lado de Lys.
O som dos soldados se aproximando encheu seus ouvidos. A chuva lavava tudo, cada erro, cada dúvida. Mas dentro dela, pela primeira vez, havia certeza.
Ela não era apenas uma policial.
Ela não era apenas humana.
Ela era algo mais.
E agora, eles sabiam disso.
As sombras se fecharam sobre elas.
E a tempestade as engoliu.
Fim do capítulo
Foi um prazer participar desse desafio, quem sabe a gente não escreva sobre essas duas androides no futuro ...
nos vemos por ai girls <3
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Zanja45
Em: 19/03/2025
Elas foram para outro planeta? ( De volta para o futuro?)
Ela era muito mais evoluída do que aparentava?
Quem seriam essas sombras? Os que estavam atrás delas? Por que eram inferiores?
Tem alguém mais evoluído do que elas? Por que foram engolidas?! Seria viajar no tempo?
Zanja45
Em: 19/03/2025
Oi, Scrafeno!
Juro que pensei que Carla fosse um andróide, por isso que se conectou a Lys. Kkkk!
Ela é uma máquina poderosa ( Inteligência Artificial, grande aliada ao ser humano). Gostei das palavras de efeito.
Vai chegar o dia que eles nem vão mais perceber se são máquinas realmente, mas a conexão é o diferencial.
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Zanja45
Em: 19/03/2025
Oi, Scrafeno!
Juro que pensei que Carla fosse um andróide, por isso que se conectou a Lys. Kkkk!
Ela é uma máquina poderosa ( Inteligência Artificial, grande aliada ao ser humano). Gostei das palavras de efeito.
Vai chegar o dia que eles nem vão mais perceber se são máquinas realmente, mas a conexão é o diferencial.
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Cristiane Schwinden
Em: 15/03/2025
Nossa, que final arrebatador! Eu li e imaginei as cenas em câmera lenta! Parabéns, amei o conto!!
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