Segredos por Elliot Hells
Espero que gostem do capítulo
Capitulo 21 Blues
Enquanto Bess ajeitava a postagem de que encontrou um cachorro, Vivienne fazia um jantar para as duas.
- Prontinho, tudo divulgado, agora devemos esperar e ver se os donos aparecem. - disse enquanto sentava nas cadeiras perto da bancada de frente a cozinha - você cozinha bem, senhorita Lamartine.
- Ah, obrigada, senhorita Heinz, vindo de uma Heinz é um elogio mesmo. - colocou uma porção de massa ao molho de queijo com camarão para a outra e serviu também para si. - E se os donos não aparecerem, o que faremos?
- Ficamos com ela, podemos adota-la.
- Como assim podemos?
- Você e eu, se quiser a minha ajuda, embora sua irmã passe tempo com cães... ela sabe como cuidar de um.
- Espere, você quer adotar um cachorro comigo? Isso não é só para casais?
- Nunca viu adoção entre amigos? - indagou a outra colocando a comida na boca e suspirando, estava tão delicioso. - está perfeito! Você cozinha muito bem! – reafirmou aquilo, de fato fazia tempo que Bess não comia algo tão gostoso.
- Obrigada! Mas voltando, não nunca ouvi falar de adoção entre amigos e como isso funciona?
- Bom, faremos ocorrer, somos vizinhas, apenas faremos funcionar, não se preocupe com isso, darei todo suporte e cuidado.
Elas terminaram de comer e Bess se ofereceu para lavar a louça, assim foi feito, enquanto Vivienne tomava um banho e logo depois voltava para sala.
- Eu agradeço muito pelo jantar, acho que você quer descansar, eu vou para casa e pode me chamar para qualquer coisa. – falava a Heinz.
- Você podia... passar a noite. Faz muito tempo que não tenho um cachorro e hoje a Kitty estará de plantão, então... poderia me ajudar, caso não seja incomodo e você tenha tempo.
- Tudo bem, eu vou só em casa tomar um banho e venho ficar aqui com vocês.
Depois de quinze minutos ela estava de volta com uma camisa preta regata e uma calça cinza de moletom, tinha nos pés duas havaianas pretas.
Vivienne a observou e outra diferença que percebeu era a massa muscular da outra, alguns gêmeos possuíam corpos distintos e Bess era mais musculosa, seus tríceps, bíceps eram mais definidos e desenhados, os deltoides desenhados em suas tatuagens. Vivianne ficou corada ao perceber que a outra percebeu que ela a encarava. Ambas desviaram o olhar. De fato ela não podia esquecer ou negar que aquela irmã a chamava a atenção, talvez fosse apenas uma grande admiração que estava sentindo. Era o que pensava.
- Venha ver, a Blues acordou - tiraram a pequena do cercado e começaram a brincar. Bess ensinava para a Blues e para a Vivienne alguns comandos, pois assim ela poderia começar a obedecer ambas. - veja, no primeiro momento não é preciso falar os comandos, faça que ela sinta isso como uma brincadeira e ela irá por dedução. Depois que o comando estiver fixo, podemos nomear. Veja só.
Bess tinha dois grãos de ração e conduziu até a cabeça da pequena que tentava pegar a todo custo, mas não entendia o que era para fazer e muito menos pegar. Acabou sentando por cansaço e assim Bess liberou a comida que comeu com gosto.
- É mesmo, que fascinante! – disse a ruiva admirada.
- Venha, tente - Bess tocou na mão da outra e colocou alguns grãos de ração, Vivienne não afastou. Tentou fazer como viu Bess, mas a pequena Border foi mais rápida e roubou a ração dela. Isso arrancou um riso gostoso da mais alta que não se controlou e recebeu um tapa de leve da ruiva. - desculpe, não consegui me segurar. Ela foi mais rápida do que você. Venha, deixa-me ajudar.
Bess se posicionou atrás dela, passou sua mão no antebraço direito da outra até as mãos da ruiva, colocou mais algumas rações e guiaram juntas até a cabecinha peluda da Blues que estava começando a entender e sentou automaticamente esperando ganhar o petisco.
- Isso! Boa garota! – falou Elizabeth, sendo ouvido o sussurro no ouvido de Vivienne – com o tempo ela vai pegar bem mais rápido. O importante é sempre marcarmos os acertos, seja com clicker de boca ou um clicker aparelho. Particularmente prefiro o de boca, assim mantenho as mãos livres para fazer outras coisas.
- O que é o clicker? – indagou Vivienne se ajeitando entre as pernas da outra que estava atrás de si. Ter a mais velha atrás de si estava começando a se acostumar. Parecia que aquela era a forma mais obvia e natural que deveriam estar.
Elizabeth a fitava e sorriu de lado.
- O clicker é uma forma de você fazer a indicação para o cachorro, gato que você está adestrando uma marcação de que ele fez o certo. É um barulho específico. Ao invés de falarmos “muito bem”, “isso aí”, podemos só fazer um estalo que vai resumir em um simples barulho o certo. Pode ser o clicker de boca – ela estalou a língua para fazer o exemplo – ou nesse botãozinho – o apertou e fez o “estalo”.
Elizabeth fitava o fundo dos olhos verdes e descia para a boca da mais nova. Piscou e respirou fundo, ela não queria ser como a sua irmã, não agora que estavam se dando tão bem, sem discussões, porém admitiu para si que a pequena era linda e muito atraente. E só talvez, a fizesse sentir um grau de interesse que nunca havia sentido por ninguém antes.
- É um método de treino entendi. Já podemos começar a fazer isso com a Blues? – indagou acariciando a cadelinha entre suas pernas. As mãos das duas mulheres acabavam se encontrando com a troca de carinho depositada na Blues.
- Podemos ficar sim fazendo isso, perceberemos que ela estará condicionada ao barulho quando ela rapidamente ficar olhando para nós a cada clique.
Elas ficaram naquela posição sem se incomodarem, Elizabeth ensinando tanto Vivienne o comando para ensinar Blues a sentar, deitar, rolar, dar a patinha. Ambas riram com as atrapalhadas da pequena cadelinha. Pela primeira vez em algum tempo, Vivienne estava se sentindo bem e esquecia dos seus problemas, deixando-se e se permitindo a sorrir verdadeiramente.
A Blues a fez rir tanto que ela não percebeu que recostou suas costas no peito de Elizabeth que a ainda a tinha entre suas pernas, enquanto estavam sentadas no chão. Bess acabou sorrindo e sentiu o corpo da outra posicionado no seu e apenas a deixou mais aconchegada. Quando Vivienne percebeu, pediu desculpas se afastando um pouco, o que deixou a outra sentindo falta desse encontro de corpos.
- Está tudo bem – disse a mais alta, tentando ter aquele encontro de corpos novamente.
- Melhor nos ajeitarmos, não me dei conta o quão próximas estávamos. – Vivienne saiu daquele enlaço e foi para o lado.
- Tem medo de se aproximar de mim, Lamartine? Eu não faria nada que você não quisesse, pode confiar em mim. – disse a outra a observando ao seu lado, sentada.
- E eu confio em você nesse quesito, Bess. Eu só estou... um pouco confusa. – desviou os olhos da outra.
- Confusa? – franziu o cenho, era algo que fazia sempre que algo não era totalmente claro para si.
- Toda essa história, você e sua irmã são idênticas por fora, mas só isso, vocês são tão diferentes. Eu não consigo está assim com a Elizabeth, aliás, com a Victória, com a Izzy. E eu olho para você e lembro dela, mas vocês são tão diferentes. Eu sei que não faria nada e por isso estou confusa pela primeira vez falando com uma das gêmeas. – tentou explicar da melhor forma que pode.
- Continuo sem entender, Vivienne, você vê a minha irmã e isso te deixa um tanto chateada? – tentava entender a fala da outra.
- Não, não é isso. Vamos deixar para lá. – Enne acabou levantando e Elizabeth fez o mesmo segurando sua mão para impedir que se afastasse. Vivienne voltou a olha-la.
- Eu queria que me explicasse – Bess não largou a mão da outra que também não fez menção de recolher. – por favor.
- Também queria poder explicar da forma que você entendesse e até mesmo eu. Porém, ainda está tudo confuso dentro de mim. Eu estou passando por um divórcio com alguém que... – ela fez uma pausa. – com alguém que eu confiava, era alguém importante para mim e com o passar dos anos fez coisas terríveis comigo e inimagináveis. E para completar – Vivienne olhou para Elizabeth com os olhos um tanto marejados. – eu sempre me envolvi com homens, eu... eu não sei o que é isso. Preciso me entender.
Bess a abraçou e deu outro beijo no topo da sua cabeça.
- Não precisa se preocupar com nada disso, estou aqui do seu lado. Somos vizinhas e como disse, estamos fazendo uma amizade crescer, - Elizabeth disse a palavra amizade, de forma um tanto triste, que foi percebida pela outra. - é normal que a gente se apoie. Estarei aqui para o que precisar.
- Obrigada. – Vivienne retribuiu aquele abraço caloroso da outra.
Fim do capítulo
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