Capitulo 21
Wongsa
Nem acredito que realmente aconteceu noite passada, não parava de lembrar do jeito que ela me amou, com todo seu carinho, ela realmente me amava, agora definitivamente pertencemos uma a outra, mas algo me incomodava, uma angústia, um medo de ficar sem ela, Somwang mudou completamente meu mundo, me deixando perdida, amava cada detalhe seu, até mesmo seu mau humor, acordar todos os dias com ela já virou rotina, ficar sem isso me destruiria por dentro, suspirei. Sai do banheiro ela não estava por ali, sorri quando vi uma roupa separada para mim com um biquíni, ela era incrível de todas as formas.
- Você está linda Anjo! - Elogiou assim que desci as escadas, estava vestida com uma blusa fina soltinha, um short e meu biquíni rosa, sorri me aproximando dela e joguei meus braços no seu pescoço.
- Você também está, acho que vou ficar com ciúmes. - Falei com um falso bico, ela deu risada. Somwang estava belíssima com sua camisa social dobrada até metade do braço, um short jeans e seu habitual óculos de sol na cabeça que a deixava ainda mais sexy, me perdia no quanto aquela mulher parecia uma deusa.
- Não precisa, agora nos pertencemos uma à outra. - Falou arqueando uma sobrancelha sorrindo de canto, corei lembrando do que ela estava se referindo.
- Onde vamos? - Perguntei para mudar de assunto, ela pensou um tempo.
- É surpresa anjo, não posso contar. - Disse se afastando, ela pegou suas chaves e estendeu a mão para mim. - Vamos! - Ordenou, revirei os olhos, ela era tão mandona.
Caminhamos pelo gramado e fui direto para seu carro, então ela fez um barulho com a boca me chamando, olhei confusa para ela que apontou para o carro e disse um não, franzi cruzando os braços, logo ela sorriu sapeca e apontou o controle da chave para uma parede, minha boca foi ao chão quando uma porta se abriu para cima revelando uma garagem escondida, Somwang bateu palminhas feliz, dei risada da sua animação. Caminhei até a entrada da garagem e fiquei de boca aberta quando vi aquela máquina ali dentro, era um Dodge Charger Hellraiser 1970, fiquei pasma que ainda existia aquele tipo de carro.
- Gostou? - Perguntou feliz me analisando e se encostou no carro, olhei admirada e fui passando minha mão nele até parar na porta do carona e me inclinando, era lindo.
- Estou sem palavras, onde conseguiu? - Perguntei admirada, ela deu de ombros.
- Era do meu pai, ele me deu um tempo antes de morrer, não o uso muito, só em ocasiões especiais. - Falou se aproximando, ela sorriu com a língua nos dentes, achei uma fofura.
- Me senti muito especial agora, senhorita Sisuwan. - Coloquei meus braços em volta do seu pescoço e ela me deu um selinho.
- Você é um anjo especial. - Sorri tímida, às vezes ela falava coisas que me deixavam sem graça, ficava tão tímida perto de Somwang, parecia um sonho ter meu amor correspondido. - Agora vamos! - Disse animada balançando as chaves na mão.
Somwang às vezes me deixava em pânico quando dirigia que nem uma louca pelas ruas, parecia que estava em um filme de perseguição, ou até mesmo no filme de velozes e furiosos. Tive que dar uns tapa em seu braço para fazer ela parar de gracinhas, o que a fez ficar com um bico enorme, ela era muito fofa fazendo aquelas caretas, nem parecia a mulher que conheci séria, a tirana que todos falavam, sei que ela finge ser assim para se ter um respeito, mas quando estava comigo parecia uma outra pessoa, sorria mais, fazia brincadeirinhas, conversava, ficava o tempo todo admirando sua beleza.
Não demorou para que chegássemos em um lugar maravilhoso, meus olhos brilharam ao ver aquela belezura, já tinha ouvido falar de Koh Samui, mas nunca tive a chance de visitar, meu pai tinha muitas histórias daquelas praias e de suas cachoeiras, muitas dessas histórias incluía minha mãe, onde eles se conheceram. Não pude conter as lágrimas quando olhei para Somwang, seu sorriso morreu na mesma hora, correndo ao meu encontro.
- Anjo está tudo bem? - Perguntou preocupada limpando minhas lágrimas, eu sorri e pulei nos seus braços.
- Obrigada! - Disse emocionada, Som relaxou os músculos e me apertou junto do seu corpo.
- Vai me dizer por que está chorando? - Perguntou se afastando para me analisar, dei risada e limpei os olhos.
- Foi aqui que meu pai conheceu minha mãe, ele já havia me falado muito de Koh Samui, mas nunca consegui vir aqui. - Ela sorriu e me estendeu a mão entrelaçando nossos dedos.
- Então estou lisonjeada de ser a primeira, aliás a primeira em tudo. - Me olhou sugestiva, bati em seu braço de leve e ela gargalhou, meu coração acelerou quando escutei aquele som maravilhoso, era bom vê-la feliz, ainda por cima ser o motivo disso.
O passeio foi maravilhoso, passamos em alguns restaurantes para escolher qual seria melhor, tudo me parecia chique e caro me deixando um pouco desconfortável, não gostava de esbanjar o dinheiro que não era meu, já Som não parecia se importar muito por estar acostumada com aqueles lugares, mas para não me deixar ainda mais desconfortável, ela resolveu escolher um mais simples, o ambiente era agradável, dava para ver o mar de onde estávamos. Enquanto ela escolhia nossos pratos resolvi ir ao banheiro, mas qual foi minha surpresa quando voltei e ver a minha namorada de conversa com uma estranha.
- Atrapalho? - Perguntei cruzando meus braços, a mulher sentada no meu lugar me olhou de cima a baixo me deixando furiosa, respirei fundo.
- Você quem é? - Perguntou a descarada, dei uma boa olhada na sua roupa, não estava nada combinado.
- Sou a namorada dela, e você o que faz sentada no meu lugar? - Perguntei arqueando a sobrancelha, ela sorriu sem graça e foi se levantando.
- Nos vemos por ai Somwang Sisuwan. - Falou a biscate acenando com as mãozinhas, minha vontade foi de arrancar dedo por dedo daquela mulher, olhei furiosa para minha namorada que deu de ombros como se não tivesse feito nada.
- Não vai me dizer nada? - Perguntei assim que me sentei, ela me olhou e a fuzilei, vi ela suspirar.
- Não fica assim meu anjo, você é a única mulher que eu quero na minha vida, antes de você voltar já ia dar um fora naquela intrometida, aliás ela nem faz o meu tipo. - Se explicou, respirei fundo.
- Seu único tipo sou eu, não é ninguém mais! - Somwang engoliu em seco com o meu tom de voz ameaçador, então ela balançou a cabeça concordando piscando várias vezes.
Ela tinha pedido frutos do mar para nós, comemos bastante camarões, os meus preferidos, tirei algumas fotos também para postar, não era todo dia que comíamos aquelas iguarias, além de ser muito caro e não conseguir pagar com o salário que ganhava. Resolvemos dar uma volta pela praia beirando a tardezinha, tirei uma foto nossa no por do sol que ficou muito boa, Som até me pediu para mandar no seu celular, ela entrelaçou nossas mãos de novo e caminhou comigo com seu chinelo na mão, seu cabelo voava de um jeito que a deixava linda, seus olhos estavam claros.
- Algum problema? - Perguntou me encarando sem graça por estar olhando sem parar.
- Não, apenas pensando que não sei muita coisa ainda sobre você, só que sua mãe é uma tirana, que você não é muito de relacionamentos, o básico de sempre. - Ela sorriu olhando para o chão.
- O que deseja saber? - Perguntou, dei de ombros.
- A história toda da sua vida. - Ela me olhou e mordeu a boca concordando.
Depois que meu pai morreu não fui de me abrir com as pessoas, além de Ploy claro, ele era meu melhor amigo, gostava de conversar bastante sobre seu dia na empresa, sobre lugares que queria visitar, ele era uma pessoa muito boa. Já minha mãe sempre foi mais fechada, mas hoje em dia ela ficou desse jeito, meu único motivo de fazer tudo que ela manda, é por que fiz uma promessa para ele antes de morrer que iria cuidar dela e da empresa, aquele lugar era tudo para ele, que agora se tornou tudo para mim. - Falou seus olhos se encheram de água, ela respirou fundo olhando para cima tentando conter o choro, sabia o que ela estava sentindo porque também tinha perdido alguém muito importante para mim.
- Você sente falta dele não é?! - Ela concordou deixando uma lágrima escapar, então parei de andar a fazendo parar também, ela me olhou confusa e a abracei. - Não se cobre demais meu amor, você já faz muito, um dia ela vai reconhecer isso, seu pai deve estar muito orgulhoso de você. - Falei e ela me abraçou forte.
- Eu te amo Anong, obrigada por estar aqui comigo, por ser minha namorada, além disso por ser minha amiga. - Falou e me afastei segurando seu rosto em minhas mãos para beijá-la, como amava aquela mulher.
Fim do capítulo
" Olhaa só quem apareceu, vai vir fortes emoções! Proximo, próximo!"
Comentar este capítulo:
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]