Capitulo 11
wongsa
Somwang por mais que tinha 30 anos parecia uma criança, ela se sentou emburrada no sofá com a mão enrolada no pano cheio de sangue, me perguntava como aquela mulher sobreviveu esse tempo todo sozinha.
- Disse que não precisava vir. - Revirei meus olhos com tamanha grosseria.
- O que aconteceu aqui? - Olhei com desagrado o chão com cacos de vidro e a parede com alguns respingos de vinho.
- Não é da sua conta! - Respondeu mal criada, respirei fundo, não a respondi só fui limpar a sujeira que ela fez para tratar de seu machucado.
- Me dê aqui, preciso fazer um curativo antes que infeccione. - Com muito custo ela estendeu a mão, tirei o pano e vi que tinha um corte não muito fundo, dava para fazer um curativo simples. - Não precisa me contar, mas se quiser desabafar pode contar comigo, somos amigas agora, pode confiar em mim. - Falei e ela me encarou, vi seus olhos se encherem de lágrimas, aquilo cortou meu coração.
Ela não disse nada, apenas me abraçou, ver aquela mulher que todos falavam que era uma pessoa ruim chorando nos meus braços, me mostrou que ela não era uma rainha do gelo, Somwang era só uma mulher que precisava de alguém para cuidar dela, claro que me senti privilegiada em ser essa pessoa.
- Obrigada! - Disse limpando o rosto, sorri fraco. - Não conte a ninguém que me viu chorar, se não te mato! - E lá se foi a doçura daquela linda mulher.
- Somwang, estou aqui com você tudo que precisar pode contar comigo, mesmo que suje minha blusa de melaca. - Brinquei e ela me deu um tapinha no braço. - Posso te denunciar por agressão. - Ela deu risada e veio para cima de mim me jogando no sofá para me fazer cócegas.
- Agora irei te matar de rir! - Gritou ainda em cima de mim, gargalhava sem parar até começar a tossir, ela parou de repente e ficou me encarando, sua mão foi para meu rosto fazendo um pequeno carinho. - Tão linda. - Disse encarando minha boca, fiquei corada na mesma hora, ela me olhava com intensidade, seu rosto foi se aproximando do meu, minha respiração agora estava irregular, meu coração batia descontrolado.
Então como se tivesse levado um choque, Som se afastou de mim em um piscar de olhos me deixando confusa, a vi se levantar do sofá e ir para o andar de cima sem nem olhar para minha cara, "Essa mulher é estranha!" , uma hora parece que me quer, outra finge que não aconteceu nada, minha cabeça estava uma confusão, ela iria me beijar naquele momento, "Será que ela gosta de mim mesmo?" Eram tantas perguntas sem resposta, suspirei frustrada. Não demorei para subir até o quarto, ela tinha acabado de sair do banho, o quarto cheirava a sua fragrância de água de coco, era um cheiro delicioso fresco.
- Se quiser tomar um banho fique a vontade, a casa agora também é sua. - Disse colocando seus óculos de leitura, mordi a boca com aquela cena, Som parecia uma atriz de filmes eróticos vestida naquele roupão de seda preto, seus cabelos jogados de lado. - Algum problema? - Perguntou ainda olhando para a tela do notebook, me assustei por ter sido pega admirando.
- Não quero incomodá-la. - Falei sem graça, ela me olhou com a sobrancelha arqueada, "Não faz isso mulher!", tive que desviar meu olhar para não ter que ficar imaginando besteira.
- Não vire a cara para mim Anong! - Me repreendeu frustrada, suspirei e a encarei, ela me lançou um sorriso divertido. - Vá para nós dormimos, amanhã quero te levar em um lugar. - Sorri na mesma hora, estava sonhando mesmo.
- Vai me sequestrar? - Perguntei brincando e ela gargalhou, aquele som era maravilhoso.
- Talvez, agora vá e venha para cama. - Ordenou, revirei meus olhos, ela era tão mandona, mas logo me lembrei que ela queria que eu dormisse novamente com ela na cama.
- Você quer que eu durma com você? - Perguntei confusa, ela me olhou séria.
- Sim, não vou deixar que durma no sofá duro. - Ia abrir minha boca para contestar, mas ela respirou fundo tirando os óculos. - Sem objeções, a senhorita vai dormir aqui comigo, nem venha debater! - Se eu era teimosa, Som era mais, concordei rindo mordendo a boca, seus olhos novamente encararam minha boca, mas dessa vez quem quebrou o contato foi eu por estar com vergonha.
Acordei na manhã seguinte com alguém me abraçando, ela estava ressonando calmamente mas me segurava possessiva, já fazia tempo desde que dormia assim com alguém, mas dessa vez era diferente, me sentia protegida, era como se ela quisesse me proteger de alguém ou de alguma coisa, talvez seja dela mesma, não tinha como entender aqueles sentimentos que sentia e nem os dela, não adiantava me dizer que queria ser minha amiga e boa parte do tempo ficar encarando minha boca como se tivesse vontade de me beijar, fora aquele cuidado todo que tinha comigo, me mexi algumas vezes para ver se ela me soltava, mas ela não se moveu.
- Para de se mexer e deixe-me dormir. - Ouvi dizer com sua voz rouca de sono, sorri encantada, ela não queria me soltar.
- Precisamos levantar. - Disse e ela se agarrou mais a mim, começou a cheirar meu pescoço, senti um leve arrepio com aquele contato.
- Você cheira bem. - Disse ainda de olhos fechados cheirando meu pescoço.
- Somwang, somos amigas, lembra?- Disse e parecendo que tinha levado um choque de realidade ela se afastou emburrada, levantou indo para o banheiro e se trancando lá, pisquei várias vezes paralisada não entendi o que tinha acontecido.
- Vou aprontar a mesa do café, pode ficar a vontade viu. - Levei um susto quando a vi sair com a toalha no pescoço depois de um bom tempo no banheiro, ela evitava de me olhar, então me levantei me aproximando dela que me encarou, com um impulso mordi sua bochecha. - Que isso? Se fizer isso de… - Não a deixei terminar novamente dei outra mordida.
- Já sei o que vai falar, vai me demitir, você só sabe falar isso? - Perguntei e ela ficou com o rosto vermelho, Som era tão linda e fofa, ela não iria confessar que gosta de mim por ser uma mulher que não dizia seus sentimentos, mas que jeito de gostar era o dela? - Vou usar o banheiro. - Falei quebrando o contato visual com ela, mas agarrou meu braço.
- Obrigada por cuidar de mim noite passada. - Sorri, ela me olhou sem jeito e curvou o cantinho da boca em um sorriso rápido se desfazendo na mesma hora.
Então Somwang saiu apressada do quarto me deixando olhando boba para a porta, coloquei a mão em cima do peito, meu coração batia descontrolado " Merda! Estou fodidamente apaixonada por essa mulher!" Sorri correndo para o banheiro.
Depois de me vestir, desci as escadas devagar, mas parei na metade, ouvi ela falar com alguém no telefone, então percebi que era o senhor Dao, era normal sentir ciúmes do noivo da sua chefe? Era o que estava sentindo quando os vi juntos e agora vendo eles se falarem por telefone, está certo que somos apenas amigas agora, mas mesmo assim só o fato de saber que ela vai se casar com ele me deixava triste. Fiz um barulho descendo o restante, ela acabou se assustando e se despediu na ligação, ficou algum tempo me encarando.
- Minhas roupas ficam melhores em você do que em mim. - Falou me analisando, olhei sem graça para ela.
- Isso foi um elogio? - Perguntei ela deu de ombros sem responder.
- Vamos comprar mais roupas para você e deixar aqui. - Pensou com a mão no queixo como se estivesse falando sozinha, franzi o cenho e dei uma risada sem graça.
- Isso é um convite para dormir mais vezes aqui? - Perguntei curiosa, ela me olhou, piscou e piscou, sorriu.
- Você quer dormir aqui mais vezes… ótimo, não tem problema algum, pode ficar aqui, sua companhia é muito boa. - Não tinha como não rir do jeito dessa pessoa, ela nunca falava o que pensa sempre rodeando, tínhamos que decifrá-la.
Me aproximei dela e dei-lhe um beijo na sua bochecha, ela ficou roxa de vergonha, então me sentei para tomar o café delicioso, a mesa estava repleta de coisas.
Fim do capítulo
" Oi, oi, volteei, um capítulo para vocês meninas!"
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Marta Andrade dos Santos
Em: 16/10/2023
Anong aos poucos esta conquistando a chefinha.
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Marta Andrade dos Santos
Em: 16/10/2023
Eita que esse namoro está enrolado pra sair.
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