Whitout me por Kivia-ass
Aguardo sua resposta
Londres – Dias atuais
POV THEODORA
-Bom dia meu amor! – Estava distraída no banho quando sinto um par de mão em minha cintura. – Achei que você iria me acordar.
-Estava atrasada. – Respondi tirando as mãos dela do meu corpo. – Inclusive já estava saindo.
-Você não vai nem tomar café comigo? – Revirei os olhos e me enrolei na toalha.
-Deixa pra proxima. – Ela desligou o chuveiro e suspirou frustrada.
-Se tiver próxima, pois sua lista cada dia aumenta mais. – Olivia esbarrou em mim e saiu irritada.
Dei os ombros e vesti a roupa que eu estava ontem, era meu terceiro encontro com Olivia e ela já queria romance, assim fica difícil. Saí do banheiro e ela estava ao telefone, esperei ela terminar, não iria sair sem me despedir.
-Preciso ir. – Me aproximei com calma. – Hey, hoje eu não posso ficar pro café, mas podemos marcar um jantar.
-Eu não quero isso Theodora, eu não quero viver de encontros casuais. – Ela levou a mão nos cabelos e eu respirei fundo. – Eu quero um relacionamento, que te apresentar pros meus pais, quero conhecer os seus, dormir e acordar com você.
-Olivia... – Meu Deus, onde eu fui me meter. – Eu não estou preparada pra isso.
-Então, não me procure mais. – Ela apontou pra porta e apenas acenei com a cabeça.
Sai do apartamento dela com um sentimento de frustração, não sei por qual motivos as pessoas não conseguem aproveitar um bom sex* casual, sem ter que ficar nessa neura em ter um relacionamento, só espero que isso não atrapalhe meu trabalho, Olivia é filha de um otimo cliente do escritorio, e eu não estou afim de perde-lo. Me livrei desses pensamentos quando entrei em meu apartamento.
-Bom dia senhorita Theodora. – Amélia me cumprimentou em português. – Seu pai pediu que a senhorita ligasse pra ele.
-Bom dia Amélia, vou ligar sim. – Joguei minha pasta no sofá e subi pra trocar de roupa.
Hoje eu teria um dia cheio, e com certeza Olivia me ligaria mais tarde, eu conheço bem o tipo dela, faz esse drama todo e depois fica no meu pé, mas eu já tenho planos com a Johanna mais tarde. Me vesti o mais rápido possível, hoje eu não posso me atrasar tenho uma reunião com meu chefe e se tudo der certo ele vai me passar um caso grande do escritorio.
-Amélia, não precisa vir pra cá todo os dias, meu pai sabe que eu não paro em casa. – Meu pai insistia em manter Amélia em minha casa, talvez fosse a forma que ele encontrou pra me vigiar.
-Tudo bem Senhorita. – Ela era sempre muito formal, me lembrava muito a Claudia, inclusive eu sentia falta do bobó de camarão dela.
-Já vou nessa, não precisa deixar almoço. – Me despedi da mais velha e desci pra garagem.
Em poucos minutos eu entrava no escritório, dei bom dia a algumas pessoas e me tranquei em minha sala, hoje eu tenho um dia agitado e precisava me preparar. Não estava conseguindo me concentrar, acho que ultimamente eu ando pensando muito no passado, isso anda me fazendo mal, ando com saudades da minha terra, no domingo quando liguei pra minha vó eu me desabei de chorar, talvez eu vá visitá-la, e apesar de tudo eu também tenho saudades da minha mãe, nossa relação nunca mais foi a mesma, mas ela não deixa de ser minha mãe.
Ando com saudades dos meus amigos, escuto Luiza todo dia no aplicativo de musica, eu devo ser a pessoa que mais dá streaming nas músicas dela, eu ainda tenho contato com a Isis e a Ester, e sempre quando nos falamos elas me cobram uma visitinha, que eu preciso conhecer os bebês delas. Sempre pergunto de Luiza para Ester, mas parece que ela ainda não me perdoou pelo ocorrido, não julgo, pois se ela tivesse beijado Catarina na época, eu também não perdoaria, por falar em Catarina, fiquei sabendo que ela trabalha com a minha mãe, pelo visto ela ocupou o lugar de Rogerio, mas isso não é da minha conta, eu nunca mais quis saber de nada relacionado a ela, só Deus e eu sabemos a quantidade que de lágrimas que derramei por ela, as noites mal dormidas, as crises de ansiedade, mas isso já não importa mais, eu cresci, amadureci, e hoje sou Theodora Barcellos, advogada e a melhor que eu conheço.
-Theo? – Ouvi batidas em minha porta. – Tá aí?
-Já vou. – Sai dos meus pensamentos e fui abrir a porta. – Oi Tiago.
-Vim te chamar pra reunião. – Ele disse sorridente.
-Já estou indo, só preciso pegar meu computador. – Ele concordou com a cabeça e saímos juntos.
Tiago e eu estudamos juntos e nos tornamos bons amigos, nós dois até trocamos alguns beijos, mas não passou disso, mas se fosse por ele estaríamos casados, com dois filhos, sorri com meu pensamento e entramos na sala de reunião.
-Bom dia meus queridos. – Dr. Charles nos recebeu com um enorme sorriso. – Sentem -se.
-Bom dia Dr. – Tiago e eu respondemos juntos. – Trouxe os autos do processo anterior.
-Pode me dar eles aqui Doutora. – Ele pegou a pasta da minha mão. – Mas hoje eu tenho uma proposta pra vocês.
-Estamos ouvindo, doutor. – Tiago respondeu sorridente.
-Um velho amigo foi preso essa semana em São Paulo. – Meu corpo tensionou. – Ele é deputado e está bem encrencado, eu devo alguns favores a ele e pensei em montarmos uma defesa.
-Vamos começar, então. – Tiago sempre era o mais empolgado.
-Calma ai garotão. – Doutor Charlles cortou ele. – Eu preciso que vocês dois defendam ele, mas pra isso precisam ir para o Brasil.
-Como assim? – Perguntei quebrando o silêncio.
-Ele tá encrencado, Theo. – Charlles sempre foi um ótimo chefe. – Eu poderia mandar outros do escritório, mas vocês dois são brasileiros e teriam facilidades em resolver esse caso pra mim. E ai? o que me dizem?
-Eu topo, queria mesmo passar um tempo com a minha familia. – Tiago respondeu animado.
-Eu não sei. – Respondi meio atordoada.
-Theo, eu não gosto de falar isso pelos corredores. – Charlles se aproximou ficando de frente a mim. – Mas você é a minha melhor criminalista, não me entenda mal, Tiago.
-Eu sei disso. – Tiago sempre enchia minha bola.
-Eu preciso pensar, tá? – Me levantei apressada. – Eu não posso largar tudo aqui de repente.
-Não é definitivo, é apenas até o julgamento dele.
-Mesmo assim, preciso analisar as circunstância.
-Ok, aguardo sua resposta. – Acenei com a cabeça.
Charlles encerrou a reunião e voltamos pra minha sala, eu estava em silêncio e estava pensativa, voltar pro Brasil não estava nos meus planos, nem mesmo a passeio, foram oito anos longe e isso estava me deixando ansiosa.
-Posso te fazer uma pergunta? – Tiago me tirou do transe. – O que você tem contra o Brasil? Você nunca quis falar sobre sua vida lá.
-É porque eu não tinha vida lá. – Respondi dando os ombros. – Olha Tiago, eu não tenho nada contra o Brasil, eu o amo, mas tem coisas que eu vivi, que eu não gostaria de lembrar, tipo a minha relação com a minha mãe.
-Entendo, não precisa se preocupar, se você não se sente confortável, não precisa aceitar. – Ele acabou me abraçando e eu aceitei. – E se quiser conversar, beber ou beijar eu tô aqui.
-Haha, beijar eu passo. – Ele me soltou e se despediu.
Tentei focar no trabalho, mas foi em vão, eu estava pensativa sobre a proposta, seria uma oportunidade incrível pra minha carreira, meu nome estaria no topo, me dando muito mais visibilidade, mas por outro lado o passado me atormentava, e mesmo eu criando essa versão da Theodora desapegada, tinha alguém que ainda me deixava estremecida. Resolvi ir para a casa do meu pai, precisava conversar com ele sobre isso. Justo hoje que eu precisava me distrair, Olivia resolveu dar aquele show de manhã.
-Hey, posso entrar? – Johanna estava em minha porta com um sorriso no rosto.
-Entra minha gringa. – Me levantei e a abracei. – Achei que viria mais tarde.
-Sai mais cedo do escritório, hoje eu preciso me divertir. – Ela suspirou cansada. – Já tá livre?
-Não, mas eu já queria uma desculpa pra sair mais cedo mesmo. – Ela gargalhou e eu desliguei meu computador, deixaria pra ir à casa do meu pai amanhã.
Paramos no nosso bar favorito e pedimos umas cervejas e uns petiscos, contei pra gringa sobre Olivia e ela riu debochando de mim.
-Você tem mel, isso sim.
-A única que não gamou foi você. – Respondi sugestiva.
-Nem me lembre desses incidentes. – Johanna e eu ficamos um dia em que estávamos extremamente bêbadas. – Ainda bem que eu quase não me lembro do que fizemos.
-Se quiser eu posso refrescar sua memoria. – Abracei ela pelos ombros.
-Sai fora Theo. – Ela me empurrou e eu gargalhei.
Contei sobre a proposta que Charlles me fez e a gringa me ouvia com atenção, ela sabia de toda a minha história e sempre me deu ótimos conselhos.
-Theo, eu sei que você tem um passado, mas já passou né? Ficou no passado. – Ela estava de frente a mim. – Não adianta nada você se denominar uma mulher crescida, se não encarar seus fantasmas, já se passaram oito anos, sua mãe não é a mesma mulher de oito anos atrás, e talvez essa garota ai que quebrou seu coração, nem lembra que fez isso. Não vale a pena sofrer por algo que você não é responsável.
-Quer namorar comigo? – Ela era muito sensata e às vezes me lembrava Laura, saudades da tampinha.
-Eu tô falando sério, você pode perder uma oportunidade de ouro, por besteira. – Ela tinha razão.
-Ok, mas vamos mudar de assunto. – Tinha acabado de entrar no bar duas gêmeas de tirar o fôlego. – Preciso arrumar uma substituta para Olivia.
-Você não vale nada. – Gringa balançou a cabeça e eu fui atrás da loira.
Fim do capítulo
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Marta Andrade dos Santos
Em: 21/10/2022
Eita Theo está arrasando corações kkkk
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