POV CATARINA
Minha cabeça latejava de doer, doía de tanto choro. Já havia se passado uma semana e eu estava trancada em meu quarto, minha mãe tentava de tudo pra me tirar de lá, mas eu simplesmente não conseguia. Eu me sentia humilhada e sem coragem de encarar o pessoal da faculdade, minha mãe tentou conversar comigo, mas eu simplesmente não conseguia esquecer aquele dia.
FLASHBACK ON:
Sai apressada da sala, eu precisava assinar a lista e precisava fazer isso antes que alguém visse. Estava terminando minha assinatura quando ouvi alguém se aproximando.
-Fazendo o que aí Catarina? – Era Tássia e meu coração bateu apressado. - Também tá curiosa pra saber quem são os bolsistas?
-N..não, tô apenas lendo alguns informativos. – Respondi quase que gaguejando.
-Deixa eu ver essa lista ai. – Tentei ficar na frente mas ela foi mais rápida que eu. – Catarina?
Tassia tinha um sorriso diabólico nos lábios, e eu senti medo.
-Me dá isso Tassia. – Pedi com educação e ela continuava sorrindo. – Você não precisa fazer isso.
-E porque eu faria isso? – Ela olhava a lista com uma cara de desdém. – Vocês bolsistas são um saco, fora que isso é bom pra acabar com sua pose de boazuda.
-Eu nunca lhe fiz nada, garota. – Comecei a me alterar.
-E nem vai fazer.
-Está tudo bem filha? – Minha mãe achou que eu estava sozinha e Tassia ligou os pontos na mesma hora. – Me desculpa.
-Isso fica melhor a cada momento. – Tassia sorriu ainda mais e foi em direção onde os alunos curtiam o intervalo.
-Estão sabendo da novidade? – Ela gritava chamando a atenção. – Aqui é a lista dos bolsistas.
-Tassia, não faz isso. – Tentei uma ultima vez, com o choro já preso na garganta. .
-Por que Cat? Não quer que as pessoas saibam que você é um pobretona e precisa de ajuda dos outros pra estudar? - Tássia disse de forma debochada e eu não aguentei e deixei as lágrimas caírem. – É com o dinheiro dos nossos pais que a Catarina paga de gostosa.
Nunca me senti tão humilhada em toda minha vida, eu nunca fiz nada pra essa garota, ela não podia fazer isso comigo.
-E tem mais, além disso ela é filha da faxineira. – Aquilo foi o fim, peguei minha mochila e sai no meio da galera, Theo ainda tentou me parar, mas eu não tinha cabeça pra nada.
Fui pra casa, aquele dia foi o fim do meu sonho, e eu não iria mais voltar para a faculdade.
Flashback off:
Já se passaram varios dia desde o acontecido e eu ainda estava isolada em meu quarto, Cadu às vezes ficava um tempinho comigo, as vezes minha mãe e eles sempre tentavam me animar um pouquinho, não conseguia nem conversar com Laura. Estava deitada assistindo um filme qualquer quando ouvi batidas na porta.
-Filha, posso entrar? – Minha mãe entrou em meu quarto com uma bandeja na mão. -- Trouxe um lanchinho.
-Obrigado mãe. – Sorri sem humor. – Chegou agora?
-Sim, e eu trouxe uma visita. – Olhei confusa, pois minha mãe quase nunca recebia as amigas durante a semana. – Pode entrar Theo.
-Oi. – Simplesmente Theodora Barcellos parada em frente a minha cama.
-Theo? O que você está fazendo aqui? –Me sentei na cama e ela deu um sorrisão.
-Vim ver você. – Ela jogou a mochila no chão e se aproximou. – Não briga com a dona Gê, eu ameacei ela.
-Você ameaçou minha mãe Theodra? – Sorri desacreditada.
-Essa menina não ia me deixar em paz, Cat. – Minha mãe segurou Theo pelos ombros. – Vou deixar vocês conversarem.
Minha mãe saiu e fechou a porta do quarto, eu estava com vergonha, pois minha cara deve estar toda amassada e meu cabelo horrível.
-Como você tá? – Theo quebrou o silêncio e se sentou na beirada da cama.
-Não sei, estou envergonhada.
-Não devia, mas também devia ter confiado nos seus amigos. – Ela disse em um tom mais sério.
-Eu ia te contar. – Abaixei o rosto. – Me desculpe.
-Não tem que se desculpar. – Ela se aproximou e segurou minha mão. – E saiba que eu dei uns tapas na Tassia.
-Theodora!!! – Só ela mesmo pra me fazer rir. – Foi suspensa por minha causa?
-Não, mas to de recuperação e você vai ter que me ajudar. – Theo sorriu sem graça.
Conversamos sobre vários assuntos, Theo conseguiu deixar meu dia mais leve, toda hora ela me contava uma estória e me fazia cair na risada. Ela dividiu o lanche comigo e eu achava graça de como ela não se importava com nada.
-Eu tenho uma coisa pra você. – Ela foi até a mochila e pegou uma pasta.
-O que é isso? – Perguntei antes de abrir.
-Nosso trabalho de história da arte. – Theo sorria mordendo o lábio. – Tiramos sete, eu sei que com você tirariamos dez, mas demos o nosso melhor.
-Eu não acredito! – O trabalho estava lindo e eu me emocionei.
-O Edu, pediu pra avisar que ele está com saudade. – Ela chamou meu amigo pelo apelido e eu fiquei feliz. – Todo mundo tá com saudades, não precisa ter vergonha ou medo, as pessoas gostam de você pela pessoa que você é, e não pelos bens que você possui.
-Eu fui boba, fui refém do meu próprio medo. – Falei com pesar.
-E saiba que a galera odiou a atitude de Tassia. – Ela me encarava nos olhos. – Está todo mundo te esperando voltar.
-Não sei se ainda estou preparada. – Me encolhi e ela negou com a cabeça.
-Eu vou estar com você. – Ela me abraçou forte. – E se alguém se meter a besta com você, eu meto a porrada.
-Você tem que parar de arranjar briga. – Ainda estávamos abraçadas e eu não queria sair daquele contato.
-E outra coisa, Catarina. – Ela se afastou um pouquinho. – Você precisa voltar pro estágio, eu não aguento mais o Rogerio e a voz irritante dele.
-Coitado, Theo. – achei engraçado como ela me olhou com cara feia. – Mas eu nem sei se sua mãe vai me aceitar de volta, eu faltei todos esses dias.
-Ela não é nem louca de não te aceitar. – Ela disse de forma exagerada. – Malvina não iria querer entrar em guerra comigo.
Neguei com a cabeça e voltamos a conversar sobre alguns acontecimentos da faculdade. Nem vi quando Theo se acomodou em minha cama e me fez fazer cafuné nos cabelos dela, prestavamos atenção no filme quando minha mãe bateu na porta.
-Meninas, me desculpem por interromper. – Ela entrou com a cabeça na porta. – Theo, seu motorista ainda tá lá fora, chamei ele pra tomar um café, mas ele não aceitou.
-Puts, esqueci do Ramires. – Theodora levantou com a mão na testa. – Aquele ali é um robô, dona Gê, mas eu já vou indo, já tomei seu tempo demais.
Me levantei também e abracei Theodora, foi muito nobre da parte dela e eu me senti acolhida.
-Obrigada por ter vindo. – Falei ainda dentro do abraço.
-Eu senti sua falta. – Ela respondeu apertando ainda mais o abraço. – E espero que segunda você esteja lá na faculdade.
Balancei a cabeça e só nos soltamos quando me dei conta qeu minha mãe ainda estava no quarto.
-Theo, amanhã é o aniversário dela. – Minha mãe disse sorridente. – Vou fazer uma torta, se você quiser vir.
-Comida grátis? É claro que eu vou vir. – Caímos na risada e ela prometeu que viria amanhã.
Juro que não esperava que minha sexta feira seria tão gostosa, ainda mais com Theodora ao meu lado.
Fim do capítulo

patty-321
26/08/2022 às 16:08
Que lindas ??????
Marta Andrade dos Santos
24/08/2022 às 20:27
Theo e Cat aí vai rolar.
Lea
24/08/2022 às 19:46
Não esperava menos da Theodora.
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