Whitout me por Kivia-ass
Eu te levo embora
POV CATARINA
Eu até consegui me divertir, Laura tinha razão, eu me pressionava demais e às vezes é bom distrair a cabeça. Nem me lembro a hora que fomos dormir, só sei que depois que Isis e Theodora sumiram o pessoal logo foi se ajeitar nos quartos. Laura e eu ficamos lá fora conversando até a Claudia avisar que precisava se recolher e acabamos indo também. Claudia nos levou até o quarto e Laura tagarelava com ela sem parar, a mulher disse que ficou contente em ver que Theo fez novos amigos, pois sentia que a menina era muito fechada. Claudia não me era estranha e eu sentia que a conhecia de algum lugar. Demos boa noite e fomos ao enorme quarto que tinha duas camas enormes e confortáveis.
-Esse quarto é do tamanho da minha casa, Laura. —Laurinha gargalhou e foi até o banheiro. —Olha isso?
-Não exagera Cat. —Não era exagero. —Mas me conta, você e a Theo, sumiram aquela hora.
-O que? De onde você tira essas coisas, Laura? —Ela imaginava coisas onde não tinha. —Apenas fui ajudar ela com a Luiza.
-Uai, mas você que tá imaginando coisas. —Ela disse despretensiosamente.
-Te conheço Laura, você tá aí com essa cabecinha imaginando coisas. —Me sentei na cama e tirei minha sandália.
-Você que tá aí com esse cabeção, achando que eu tô inventando coisas. —Laura retirou a jaqueta e se sentou também.
-Vamos dormir, pois seu mal é sono. — Joguei um travesseiro nela e fomos nos preparar pra dormir.
{...}
Acordei muito antes do dia clarear, olhei pro lado e Laura dormia encolhidinha na cama ao lado. Me levantei com cuidado vesti uma roupa que eu trouxe e resolvi dar uma volta lá embaixo, eu não conseguiria dormir novamente mesmo. A mansão de Theodora estava em completo silêncio e eu passei a observar os detalhes do lugar, haviam várias decorações, esculturas e quadros famosos, e eu sonhava desejando que um dia eu teria a minha casa com a minha cara, tenho fé que um dia eu chegaria lá.
-Bom dia! —Claudia se aproximou com seu jeito formal. —Deseja alguma coisa, senhorita?
-Bom dia Claudia, estou bem obrigada. — Sorri de lado e ela continuou me encarando.
-Me desculpe, mas acho que conheço você de algum lugar. — Ela disse meio receosa. —Você é filha da dona Gê, né?
Meu coração gelou na hora, me lembrei de onde conheço ela, ambas são contratadas da mesma empresa de limpeza e eu já vi ela em algumas festas de fim de ano.
-Me desculpe, eu não quero parecer intrusa. —Ela começou a se desculpar.
-Está tudo bem, Claudia. —Suspirei e sorri de lado. —Sou filha dela sim.
-Tem tempos que não a vejo, ela está bem?
-Está sim, graças a Deus. — Eu fiquei receosa. —Claudia, se você puder manter isso entre a gente, a galera não sabe quem é a minha mãe, e não pense que é por vergonha, é que eu tenho medo de me expor assim.
-Eu jamais falaria algo minha querida, não se preocupe. —Ela sorriu simpática. —Agora eu preciso ir orientar a preparação do café da manhã, com licença.
Ela saiu e eu fiquei ali pensando, talvez eu precise me libertar desse medo todo, Laura tem razão, se eles são meus amigos eles continuarão ao meu lado, independente de quem eu seja filha.
-Bom dia Cat —Eduardo desceu ao lado de Enzo. —Caiu da cama?
-A eu não durmo até tarde. Bom dia meninos.
Ficamos ali batendo papo até o resto do pessoal descer, Theodora e a Isis foram as últimas e por um instante minha mente começou a pensar no que as duas tanto faziam. Tomamos café em um clima descontraído, todo mundo estava muito animado e era engraçado ver como Theodora era comunicativa. Depois do café decidimos ir pra piscina, mas antes Laura e eu fomos nos trocar.
-Nós vamos embora que horas?— Questionei Laura enquanto trocávamos de roupa.
-Depois do almoço podemos ir, mas se quiser podemos ficar mais. —Ela respondeu e logo foi atender o celular.
Me troquei e esperei ela terminar, eu estava me divertindo, e poderia ficar mais um pouco.
-Vamos descer? —Laura se aproximou guardando o celular.
-Quem era?
-Era meu pai. —Ela me deu o braço e passamos pela porta. —Vamos, pois você precisa tomar sol nesse cabeção.
Assim que descemos fui recheada de elogios, fiquei sem graça, principalmente pela forma que Isis falava. Me sentei ao lado de Eduardo e fiquei observando Theodora e Laura mais afastadas, a Tampinha cativa as pessoas por onde passa e não seria diferente com Theo.
-Theo, sua mãe te dá peças exclusivas da coleção dela? – Theodora tinha se aproximado e Eduardo disparou a falar.
-Ela me dava, mas descobriu que eu vendia em um brechó. – Theodora deu uma gargalhada e eu me lembrei das peças que chegavam no brechó da mãe de Laura. – Fiquei de castigo por um bom tempo.
-Theo é terrível, se a mãe dela descobre que eu ajudava eu tô ferrada. – Luiza dizia e Theo deu os ombros. – E Cat, obrigada por ontem e me desculpe pelo trabalho.
-Está tudo bem Lu, todo mundo já tomou um porre na vida.
Ficamos batendo papo e nem me dei conta que Laura foi embora de fininho, eu vou matar aquela tampinha, como ela fez aquilo comigo? Como eu vou embora, eu nem sei se por aqui passa ônibus.
-Eu não acredito que Laura foi embora e me deixou aqui. –Falei irritada e peguei minhas coisas. – Eu vou embora.
-Calma Catarina, eu levo você embora.
-NÃOOO. – Não posso deixar que Theo me leve em casa. – Não precisa.
-Não vou deixar você ir embora agora, Catarina. – Ela segurou meu pulso de forma carinhosa. – O Ramires te leva, não tem problema.
-Eu não quero incomodar, Theo. – Eu estava preocupada.
-Não vai incomodar, agora vamos que logo o almoço será servido. – Me dei por vencida e acompanhei ela até a sala de jantar.
Eu estava tensa, eu resolvi que vou contar pra Theo que minha mãe era a Geralda, ela confiou em mim e agora eu preciso confiar nela, ela não me parece ser uma pessoa que contaria isso para os outros, deu pra perceber que ela é leal, vi isso ontem depois da forma carinhosa que ela cuidou de Luiza.
Depois do almoço Isis, Ester, Mari e Bia se despediram dizendo que precisavam ir pra casa, até me perguntaram se eu queria carona, mas eu agradeci dizendo que iria mais tarde. Theo deu a ideia de assistir um filme e levou todo mundo pra sala de TV, que de fato parecia um cinema, tinha uma tela enorme e com um sofá no centro e duas poltronas nas laterais, Luiza e Enzo ocupavam as poltronas e nós três sentamos no sofá. Por votação unânime escolhemos um filme de romance, se chamava simplesmente acontece, Theo deu o play e logo Claudia entrou com um balde de pipoca para cada.
O filme já estava quase na metade e eu segurava pra não chorar, filmes de romance acabam comigo, era muito fofo ver a relação de amizade dos dois virando amor, mas me deu raiva dos desencontros que o casal principal passava ao decorrer do filme. Não sei qual o momento certo, mas quando dei por mim, Theo estava deitada em meu colo enquanto fazia cafuné nela, sorri com a cena e Luiza sussurrou que a amiga era folgada. No meio do filme Eduardo precisou ir embora e deixou apenas os quatro, ar condicionado estava ligado e o clima gostoso fez Theo dormir no meu colo.
-Theo? – Chamei baixinho e ela nem se mecheu. – Theodora?
-Huum? – Ela respondeu com um som nasal.
-O filme acabou.
-Pode escolher outro pra gente. – Sorri, pois ela não viu nada do filme.
-Eu preciso ir embora, Theo. – Ela respirou e se encolheu mais.
-Mas está tão bom aqui, continua ai com o cafuné. – Ela disse manhosa e eu balancei a cabeça.
-Eu preciso ir embora, minha mãe já deve estar preocupada. – Thedora abriu os olhos, acho que estava na hora de contar pra ela sobre mim. – Mas antes eu preciso te contar uma coisa.
Theo era curiosa, e logo se sentou se acomodando no sofá, estava preparando um o início da conversa, mas logo fui interrompida com a figura de Malvina entrando na sala de TV.
-Já cheguei Thedora. – Ela disse de forma severa e meu sangue sumiu do corpo. – Você disse que seria só uma festa, e não que seus amigos morariam aqui.
-Ai Malvina, dá um tempo. – Theodora disse irritada.
-Pelo menos agora você começou a andar com gente dentro do padrão. – A mulher disse me encarando e eu abaixei a cabeça.
Luiza e Enzo acordaram e reviraram os olhos com a fala da mulher. Agora eu entendo o por que de Theodroa ser tão rebelde.
-Já tá tarde, amanhã vocês tem aula. – Malvina saiu e eu consegui respirar.
-Me desculpe por isso Catarina, os meninos já conhecem o carrasco, mas você ainda não tinha visto como Malvina é uma mãezona. – Theo disse desanimada
-Está tudo bem, a gente se vê na aula amanhã.
-Vem, vou pedir pro Ramires levar vocês. – Ela se levantou e amarrou o cabelo.
Eu até esqueci que falaria pra ela sobre minha mãe.
Fim do capítulo
Vem ai a revelação.
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