Whitout me por Kivia-ass
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Esse lugar não é pra mim!
POV THEODORA
Sai daquela sala cuspindo fogo, esse lugar não é pra mim, cheio de gente esnobe, metidos e que se acham melhores do que todo mundo. Eu preciso achar um meio de me livrar disso e da minha mãe, eu não aguento mais.
Sentei embaixo de uma das árvores e novamente deixei algumas lágrimas rolarem, mandei uma SMS para o meu pai, mas sabia que ele só responderia mais tarde, pelo fuso horário. Continuei ali pensando em minha vida, quando uma voz suave começou a cantar uma música calma.
"Eu não vou desistir de nós dois
Eu preciso acreditar que a gente sempre volta e depois
Depois de tudo o que eu tenho pra falar
Você não vai apagar"
-Nossa, que voz linda. – Me aproximei devagar e a garota se assustou. – Me desculpe, não queria te assustar.
-Tá tudo bem, obrigada. – Ela tinha um violão roxo no colo e um caderno apoiado em cima. – Estou tentando pegar essa letra, esse é o refrão.
-Eu gostei, e gostaria de ouvi-la inteira. – Ela sorriu e eu estendi minha mão pra ela. – Me chamo Theodora.
-Maria Laura, mas me chame só de Laura. – Pela primeira vez no dia, alguém estava sendo simpático comigo além da senhorinha do banheiro. – Você é nova por aqui?
-Sim, sou do curso de moda. – Suspirei e me sentei ao lado dela. – Você faz música, né?
-Moda? Cadê as Pradas e Gucci? – Ela disse com um sorriso maroto nos lábios. – Brincadeira, não entendo como esse povo arruma tempo pra se produzir tanto.
-Também não entendo, e pode ter certeza que estou aqui contra a minha vontade. – Dei os ombros e ela continuou anotando algo no caderno.
-Deve ser super chato então, mas por que você está aqui contra sua vontade? – Ela perguntou e eu sentia que podia contar para ela um pouco da minha vida.
-Você já viu alguém dizer não para Malvina Barcellos? – Ela largou o lápis e me encarou surpresa. – Pois é, nem mesmo a filha dela consegue.
-Peraí, você é filha da Malvina? – Balancei a cabeça em afirmação. – Sinto muito por você, quer dizer, deve ser péssimo viver em um regime totalitário.
-HAHAHA, obrigado por me entender. – Laura era uma figura, passamos alguns bons minutos conversando e até trocamos nossos "MSN".
-Theodora, eu preciso ir. – Ela se levantou e eu pude constatar o quão baixinha ela era. – Preciso encontrar minha amiga, que está muito atrasada por sinal.
-Tudo bem, também preciso ir, Malvina me espera em seu ateliê, preciso tecer algodão. – Laura gargalhou e me puxou para um abraço. – Prazer em te conhecer, Laura.
-Nos vemos por ai Theo. – Sorri com o apelido e vi ela se aproximar da garota que me chamou de bolsista mais cedo.
A garota mais alta parecia aflita, mas não me importei, de pessoas esnobes como ela, eu estava correndo. O que me espantava era Laura ser amiga dela, uma pessoa tão legal precisava de amizades melhores. Me livrei dos meus pensamentos e fui até o banheiro.
-Oi de novo. – A mulher que conversou comigo mais cedo ainda estava lá, novamente limpando o chão.
-Olá, está melhor? – Ela perguntou sorrindo.
-Não, só vou melhorar em Londres, na faculdade de Direito. – Ela balançou a cabeça. – Esse lugar não é pra mim, cheio de gente arrogante e esnobe.
-Isso é verdade, aqui tem um monte. – Ela retomou sua atividade e eu me sentei na pia.
-Eles nem me conhecem, e já me julgaram pela minha roupa. – Falei indignada e me lembrei que nem tinha perguntado o nome da pobre senhora. – Isso me lembrou que nem ao menos perguntei qual o seu nome.
-É Geralda, meu bem, mas pode me chamar de Gegê. – Ela disse alegre. – E o seu?
-É Theodora, mas pode me chamar de Theo. – Respondi e ela estendeu a mão pra ela. – Gêge, você sabe me informar onde eu pego um ônibus por aqui?
-Logo ali na frente tem um ponto de ônibus minha filha. – Ela me falou como eu chegava até lá e ainda me ensinou como eu chegava ao centro.
-Obrigado de novo, e até amanhã Gege. – Me despedi novamente com um abraço e senti alguém pigarreando atrás de nós. – E se alguém te destratar aqui, pode falar comigo, tá?
Encarei a garota de olhos verdes e sai apressada daquele banheiro.
Fim do capítulo
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Marta Andrade dos Santos
Em: 19/07/2022
Nossa que povinho mais arrogante.
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