Capítulo 37

Capitulo 37

de A Seguranca II, por Lena

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O dia seguinte não precisei ir a casa de Juliana, ela mesma já estava em minha porta deixando as crianças que entraram para se arrumarem para a escola.  

 

Mesmo com olheiras a mulher me agradeceu pelo pequeno teste.

 

- Quer entra para tomar café ? - pergunto abrindo a porta.

 

- Não, eu preciso dormir.  - diz a mulher recostada a porta.

 

- Entra e tira um cochilo, todo mundo esta dormindo ainda.  - ela balança a cabeça concordando e logo entra para dentro.

 

- Você veio só ? - questiono a levando para o quarto de hóspedes.

 

- Sim. Penélope saiu cedo.  - diz sentindo Mirian retirar seus sapatos e a deitar na cama.

 

Cubro a grávida que suspira fundo fechando os olhos deixando seu corpo relaxar.

 

Saiu do quarto deixando a porta entre aberta e informando a ruiva sobre a visita. E após me alimentar, com as crianças já prontas, sigo levando os pequenos para a escola os deixando sobe o olhar analítico de Rebeca e sigo para o trabalho.

 

Ao chegar na entrada fui bombardeada de trabalho pois com a ONG já em ativa estávamos acolhendo muitas pessoas. Mas apesar do trabalho pesado eu estava feliz em ajudar pessoas que precisavam de uma atenção maior.

 

A ONG era voltada a pessoas de rua que não tinham lares e para jovens que tinham dificuldade ao engraçar no primeiro emprego, junto também com a parte de reabilitação para viciados em drogas, álcool ou outros tipos de drogas ilícitas, abrangendo também as vitimas de transtornos, que teriam apoio de um acompanhamento profissional.

 

O local era voltado para ajudar a quem precisasse, e se não estivesse ao nosso alcance novas medidas eram tomadas para que aquelas pessoas não se sentissem excluídas pois seriam atendidas devidamente.

 

Um pouco mais calma e almoçando, eu vejo amizade se aproximar e se senta comigo a mesa do refeitório. Ele estava sorridente, até demais.

 

Se sentando ele me saúda e começa a comer quieto, eu via nitidamente seu nervoso, só estava aguardando a pergunta que viria ao ver em seus olhos o conflito que se formava.

 

- Pode pergunta. - quebro o silêncio ouvido o menino respirar.

 

- Eu tô namorando... - dispara o jovem sussurrando e olhando para os lados.

 

- E porque esse segredo todo ? - analiso o menino que se acalma.

 

- Eu ainda não contei para Mainha. - diz roendo uma das unhas.

 

- Você acha que ela não vai aceitar ? - continuo o questionamento.

 

- Eu não sei... Ela me fez prometer se dedicar aos estudos. Eu vou continuar... Mas eu gostei da Geovana.  - desabafa sorrindo ao falar da menina.

 

- Bom, é só você falar a sua mãe. E mesmo a conhecendo pouco percebi que ela confia em você. É só não decepciona-la.  - olhando fixo para o menino vejo ele concordar.

 

- O que você sugere à mais ? - ele olha atendo para a mulher.

 

- Use camisinha.  - sorrindo, sinto um pedaço de frango voar em minha direção me fazendo sorrir ainda mais.

 

- Não sobre isso. Mainha sempre me chama para conversar sobre proteção. - diz o menino orgulhoso.

 

- Sua mãe é maravilhosa, não precisa ter medo, ela te ama assim como seu pai.  - vejo o menino sorrir mais aliviado.

 

- Vou conversar com ela hoje antes da sua ida a igreja. - diz convicto.

 

- Ela é evangélica ? - questiono curiosa.

 

- Sim, tanto ela quanto meu pai. Eles sempre vão. - diz o menino.

 

- E você ? - o analiso atentamente.

 

- Eu tenho a minha fé, não me sinto a vontade em igrejas. - diz balançando o ombro.

 

- E seus pais o que falam a respeito ?

 

- Eles nunca me perguntaram ou chamaram para acompanha-los. Minha mãe sempre me ensinou a ter respeito. Creio que ela age da mesma forma comigo respeitando a minha vontade. - olhando para a morena que sorri ele diz orgulhoso.

 

- Não era uma frase que eu gostaria que fosse dita somente a você mas, se considera um sortudo por ter a familia que tem... Nem todos tem os mesmos ensinamentos que vocês e nem direito a escolha. Sua familia mesmo religiosa te respeita, te ama e cuida de você, o que deveria ocorrer com todas. Mas infelizmente a ignorância de algumas pessoas acabam com a vida de outras... - reflito ao lembrar dos familiares dos meus amigos que os expulsaram, os descartando como se nunca tivessem existido.

 

- Eu sei... Por isso tento sempre fazer o melhor para não decepciona-los e nem a mim mesmo. Eu via, e ainda vejo o quanto eles dois lutam, não vou dizer que a minha familia é perfeita porquê nenhuma é. Mas realmente eu tenho sorte de ser filho de quem sou... - diz amizade com os olhos marejados.

 

Chamo o menino o puxando para um abraço, onde também não consegui conter minhas lágrimas. E com ele sentado meu colo, sinto o aperto dos seus braços em meu pescoço sentindo o peso dos seus soluços ao lembrar do que já passou.

 

- Tá bom, pode sair do meu colo, esta velho demais para isso. - limpo minhas lágrimas observando o menino sair do meu colo e voltar a posição anterior.

 

- Obrigado Mirian, por tudo. Principalmente por me escutar agora.  - ele também limpava suas lágrimas que teimavam em cair.

 

- Não tem pelo que me agradecer. Só vai me ajudar a deixar pessoas que também precisam da nossa ajuda feliz. - sorrindo vejo o menino concorda e voltando a comer.

 

O resto do nosso tempo foi em silêncio com cada um saboreando sua comida e com pensamentos longes que foram cortados ao verem que já era hora de voltar ao trabalho.

 

 

~*~

 

 


Como minha cabeça ainda doía pelas bebidas digeridas na noite anterior, eu decidir não ir ao trabalho, deixando meu corpo relaxar e acordando somente para cuidar dos gêmeos que não reclamaram muito.

 

Saindo do quarto com os bebês, os deixo no cercadinho cheio de brinquedos e sigo para a cozinha encontrando dona Renata recostada no ombro de Antônio com os olhos fechados.

 

- Cabeça doendo também ? - a mais velha se assusta e abrindo rápido seus olhos.

 

- Baixo, fala baixo... - reclama a mais velha voltando a posição anterior.

 

Antônio riu da ação da namorada e responde com um aceno a pergunta de Beatriz que segue a procura de remédio para sua dor, e ao encontrar leva também para sua sogra.

 

- Obrigada. - agradece a mais velha.

 

-  Sabe se a Juliana já acordou ? - dona Renata me olha sem entender e logo completo.

 

- Mirian a deixou dormindo no quarto de hóspedes. Falou que ela estava aparentemente cansada.

 

- Eu não sabia. Mas creio que sim, pelo tamanho da sua barriga eu também estaria. - diz a mais velha a sorrir porem a dor logo desfaz sua feição.

 

- Verdade. Vou ver como ela esta. Sem aguarda resposta saiu.

 

Deixando as crianças sobe os olhos da avó, eu sigo para o quarto encontrando a gravida ainda dormindo em um sono profundo. E como já tinha muito tempo que a mesma dormia, decido pegar algo para ela comer, e numa ida rápida trago uma bandeja repleta de comida e logo acordo a menina com aparência cansada.

 

- Juliana, acorda... - acaricio seus cabelos suavemente sentindo a mulher despertar.

 

- Você precisa comer. - completo vendo seu olhar confuso.

 

- Desculpa, eu dormir demais. Preciso ir para casa. - ainda tonta e com a visão embaçada a mulher tenta se levantar.

 

- Você não vai a lugar nenhum. Só se senta e come o que peguei esta bem ? - ela respira e concorda ao olhar a bandeja repleta de comida.

 

- Obrigada.

 

- Não há de quê. Você só avisa a Penélope. Que pelo tempo que dormiu ela já deve esta sem cabelos só de preocupação.  - informo vendo a mulher crescer os olhos e pegar rápido o celular em sua bolsa.

 

Ela comida enquanto ouvia as reclamações da sua mulher preocupada do outro lado da linha, e aproveitando a situação eu falo:

 

- Pode informa-la que você irá ficar aqui descansando, e no final da tarde ela vem te pegar.  - retirando o celular do ouvido a mulher logo contesta.

 

- Não posso, eu tenho que ir para casa. Já abusei demais de vocês.

 

- Você não abusou em nada e precisa descansar, não vai lhe custar nada. - sem esperar pego o celular da mão da menina avisando a sua esposa que me agradeceu com a promessa de voltar a tarde para pega-la.

 

Juliana não brigou só se atentou a comida junto comigo que também me alimentei seguindo com uma conversa cheias de duvidas tiradas pela curiosa gravida.

 

Depois de alimentada, me despedi da mulher que não demorou a voltar a dormir. 

 

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

1
E

Elizaross

26/11/2021 às 10:22

essass gravidassssss......kkkk

Eu quero esssa secreteria bem longe da loirinha, viu!!

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