Prólogo
“A cigarra passou o verão cantando, enquanto a formiga juntava seus grãos. Quando chegou o inverno, a cigarra veio à casa da formiga para pedir que lhe desse o que comer. A formiga então perguntou a ela:
- E o que é que você fez durante todo o verão?
- Durante o verão eu cantei — disse a cigarra.
E a formiga respondeu: – Muito bem, pois agora dance!”.
(“A cigarra e a formiga”, versão resumida de Esopo
Trad. de Ruth Rocha)
No ano de 2020, o planeta Terra enfrentou uma pandemia quase sem precedentes, que isolou as pessoas em suas casas, afetou a indústria, fechou o comércio e mudou até mesmo a nossa maneira de trabalhar, a forma de nos relacionarmos.
Mas até que a quarentena fosse decretada ninguém tinha como prever o que viria pela frente – e as consequências de tudo aquilo, incluindo as milhares de pessoas que infelizmente morreram de Covid-19. Por conta dessa imprevisibilidade, que começou naquele ano que virou como todos os demais (carregado de expectativa e recheado de otimismo), a Cigarra só cantou – naquele verão e em todos os anteriores – enquanto a Formiga só trabalhou (como fazia sempre, desde sempre).
Por sorte, na releitura desta fábula conhecida no mundo inteiro, Cigarra e Formiga são mulheres, lésbicas, humanas. E por isso a história pode ser diferente, especialmente quando chega o Grande Inverno (que afeta todas as espécies). Se alguém dança, aqui, são as personagens Alícia e Antônia. Juntas.
Também porque, devido ao aquecimento global, agora todas as cigarras são obrigadas a cantar também no inverno, pobrezinhas. Então nem mesmo a fábula original poderia ser igual, atualmente.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: