"Tem o seu preço aprender a enxergar o enigma em todas as coisas. Eles estão em todos os lugares e, uma vez que você começa a procurar, é impossível parar. O que acontece é que as pessoas e todos os enganos e desilusões que informam tudo que elas fazem tendem a tornar o enigma mais fascinante. Claro que elas nem sempre gostam de ser vistas assim." (Sherlock Holmes)
VII. Zodíaco
VII. Zodíaco
Certa noite que a jornalista dormiu na casa da investigadora, acabou tendo um pesadelo, acordou agitada e com isso, teve insônia; inquieta na cama, preferiu levantar e ficar no escritório, revendo cada parte do painel semântico do crime.
- Amor, o que faz acordada uma hora dessas?
- Insônia.
- Ficar analisando tudo isso não vai te ajudar a voltar a dormir.
- É eu sei.
- Vou te fazer um chá, vem cá.
- Eu tive um pesadelo, acordei assustada, mas, não me recordo com o que sonhei.
- Poderia ter me chamado.
- Não iria te acordar com bobagem minha.
- Fiquei te procurando na cama.
Depois de tomarem chá de camomila voltaram a dormir, só levantando para o café da manhã daquele sábado, que estava só começando e ainda nem imaginavam o quanto seria promissor.
- Hoje estou de folga.
- Que bom, queria também, mas, só amanhã.
- Quando largar do trabalho vai lá para o meu apartamento.
- Vai cozinhar algo gostoso para nós?
- Vou fazer risoto e amanhã você me ajuda a fazer nhoque.
- Combinadas. Agora preciso ir antes que me liguem da delegacia.
Antes de ir trabalhar deixou a namorada em sua casa. Naquela manhã a jornalista estava mais inquieta que o normal, pegou tudo o que tinha na sua pasta e ficou analisando. Uma hora depois teve um insight, chamou um táxi e foi até a biblioteca mais próxima. Depois de muita pesquisa ficou perplexa com o que encontrou, tirou xerox de tudo e voltou para casa. Ao chegar, de forma frenética saiu colando tudo na parede da sua sala.
Deu um grito quando finalmente compreendeu a descoberta que tinha acabado de fazer, sem pensar duas vezes apanhou seu celular, foi nos favoritos e ligou.
- Alô!
- Amor, eu preciso que você venha aqui em casa.
- Linda, eu vou hoje a noite, como combinamos. Agora estou trabalhando.
- Eu fiz uma descoberta sobre o caso. Preciso te mostrar.
- Me dê meia hora.
Já tinha passado do horário do almoço, por isso, quando encerrou a ligação, a sua barriga roncava, pediu marmitex, não tinha tempo para preparar nada. Ficou fazendo anotações até a hora que o porteiro interfonou anunciando a chegada da loira.
- Ohana o que é tudo isso colado na tua parede? (Questionou assim que entrou).
- Eu tinha certeza que não eram só rabiscos.
- E o que você descobriu? (Indagou tirando foto do que via).
- São emblemas, retratam o zodíaco e a ligação dos signos com os planetas.
- Como você chegou nessa linha de raciocínio?
- Passei a manhã na biblioteca, fiz muitas pesquisas e em livros antigos encontrei relação com as gravuras.
- Meu bem, continua um enigma, me explica melhor.
- Temos que virar de ponta cabeça a foto da barriga das vítimas, agora é só comparar com os registros dos livros.
- Continue.
- A primeira vítima era do signo de áries e morreu no começo de abril, o desenho representa o zodíaco e o planeta de marte. As mortes até agora foram todas mensais e uma vítima de cada signo e seguindo essa descoberta a próxima vítima pode ser uma libriana.
- Eu não estou acreditando.
- Eu sabia que não eram desenhos aleatórios desde a primeira vez que eu vi. Cismei que fazia sentido.
- Então estamos lidando com um assassino que acredita em signos.
- E se pensarmos no número dos calçados, trinta e nove, usando a numerologia, três mais nove, chegamos no número doze e temos no total doze signos. Acho que ele faz tudo de caso pensado, imagino que ele seja calculista.
- Ohana, por favor, junte todo o seu material, vamos até a delegacia, precisamos dividir tudo isso com a equipe. Parabéns! Você descobriu tudo sozinha, foi muito perspicaz.
- Seu painel semântico foi fundamental para clarear minha mente.
- Mas acabou te dando insônia.
- Quero muito que você encontre esse maníaco e estou saudosa do jornalismo esportivo.
- Com a sua ajuda vamos colocá-lo atrás das grades.
O interfone tocou.
- É o nosso almoço.
- Eu comi um pedaço de torta no trabalho.
- Tem que se alimentar melhor.
- Tudo bem então, vamos almoçar e depois saímos; estou muito orgulhosa de você.
- Ainda bem que insisti em buscar respostas nos desenhos.
Elas almoçaram rapidamente, depois com cuidado removeram tudo da parede e voltaram a colar em uma sala do batalhão. Todos ficaram surpresos com a recém descoberta da jornalista, teve até quem ficou intrigado por ela ser inexperiente com investigação e ter chego tão longe. Aisha não escondeu de ninguém o orgulho da namorada.
- Como na foto o desenho fica de ponta cabeça, se pararmos para analisar, parece que ele faz de uma forma que a vítima possa ver (Ohana comentou).
- Ou seja, com elas ainda vivas, mais um mecanismo de tortura. Trata-se de alguém que entende muito bem de signos e também sobre os planetas. Olhem bem os desenhos. Temos que ter acesso ao livro antigo onde constam as gravuras, nele pode ser que possamos encontrar mais informações.
- Tirei uma foto da capa do livro e consegui o mesmo na biblioteca municipal.
- O livro precisa ser confiscado para que possamos usar nas investigações.
Enquanto as duas conversavam todos observavam com atenção, um policial anotou o nome no livro e bateu em retirada para buscar o mesmo.
Elas deixaram a delegacia no começo da noite, depois de muito debate sobre o tema.
- Estou com dor de cabeça.
- Muita informação.
- Vou ficar devendo aquele risoto que prometi.
- Não tem problema, podemos passar em algum drive-thru e desta vez comemos um lanche.
- Aceito, pois, chegando em casa preciso de um banho, analgésico e cama.
Assim fizeram, pois, a morena estava esgotada. No domingo de folga das duas, por mais difícil que fosse, já que estavam completamente tomadas pela questão, preferiram não pensar no caso, focaram em descansar, cozinharam juntas, assistiram filmes e namoraram.
Fim do capítulo
Capítulo novo para começar bem o mês, feliz fevereiro, que seja repleto de saúde! Beijocas, May.
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