IV. Beijos
IV. Beijos
- Alô!
- Aisha, neste final de semana faz um mês que estou em Bauru. Janta comigo no sábado?
- Sim. Na tua casa mesmo? Que horas?
- Isso no meu apartamento, por volta das sete.
- Combinado.
- Tem outra coisa.
- Diga!
- Todas as vítimas foram encontradas descalças, certo?
- Correto.
- Será que o assassino fica com os calçados?
- Talvez, ele pode descartar ou ficar com eles. Mas, aonde você quer chegar?
- Descobriram o número que elas calçavam?
- Não, nem parei para pensar nisso.
- Então o que pensei pode nem fazer sentido. Melhor não tomar seu tempo com isso.
- Diga o que pensou, podemos analisar e verificar se de alguma forma pode colaborar.
- Hoje, no meu horário de almoço passei numa loja de calçados, por isso, me veio esse pensamento. Será que tem algo em comum na numeração usada por elas? Ou é viagem da minha parte?
- Vou checar.
- Não sei se pode ajudar, foi só uma ideia que eu tive.
- Assim que eu verificar te aviso.
Batata! Eis, a primeira coincidência entre as mulheres assassinadas, todas calçavam trinta e nove. Quando Ohana soube sentiu até um calafrio, pois, ela também usa essa numeração.
- Alô!
- Ohana, recebeu a minha mensagem?
- Sim, achei que fosse uma ideia esdrúxula, nem sabia que seria útil e acabou fazendo sentido.
- Qualquer ideia que você tiver, por mais boba que possa parecer, compartilhe comigo, sua contribuição pode auxiliar na resolução deste caso.
- Pode deixar qualquer novidade te informo.
- Valeu.
Aisha ficou satisfeita, pois, agora tinham uma nova evidência e algo em comum entre todas as vítimas, ela e toda a sua equipe nem mesmo tinham feito tal suposição. A jornalista estava sendo uma peça fundamental na investigação. Ohana queria logo que o assassino fosse encontrado, pois, não via a hora de se livrar disso tudo, estava gostando do jornalismo investigativo, era desafiador, mas, já estava saudosa do mundo dos esportes.
- Bruno não nasci para isso não.
- Já diz o ditado "o crime não compensa" (brincou o seu colega de trabalho).
- Bem isso.
- No meu ponto de vista, você vai ter sorte de principiante e vai descobrir todo o mistério (apostou).
- Até parece, colaborar é uma coisa, já desvendar um crime mirabolante é totalmente diferente.
- Um assassino podólatra, por essa eu não esperava.
- Eu muito menos. Hoje fui numa loja, comprei uma sapatilha. Sai de lá lembrando que todas as vítimas são encontradas descalças, por isso, encontrei uma relação entre os casos.
- Que bizarro!
- Muito. Quando terminarmos com tudo isso, falarei com o Luca, não pretendo continuar nesta área não, é muito penoso para o meu gosto.
- Para ser sincero, acho mais interessante que o jornalismo esportivo.
- Não sei como você aguenta viu.
- Já estou acostumado e confesso que me encontrei.
- Você deveria assumir esse posto.
- É que sou recém formado.
- Saiba que tem a minha indicação viu.
- Obrigada chefinha.
▪♡▪
IV.II
Para o jantar do sábado, Ohana decidiu fazer um salmão assado na manteiga, com batatas bolinhas e ervas finas, para acompanhar arroz branco e salada verde. No horário combinado Aisha chegou e levou um vinho muito bom, elas se deliciaram.
- Além de escrever muito bem, você também é uma excelente cozinheira. Parabéns!
- Muito obrigada e fico feliz por você ter gostado. Para sobremesa fiz um cheesecake saudável indicado por nutricionista e liberado para diabéticos.
- Assim você me ganha pelo estômago (mencionou provocativa).
- Poxa e eu nem para ser chefe de cozinha (brincou).
Nesta noite, elas não conversaram sobre trabalho, queriam espairecer, depois do jantar, ficaram na sala ouvindo músicas, que cada vez uma escolhia e teciam comentários sobre uma ou outra canção, certo momento rolou um clima entre elas e aconteceu o primeiro beijo.
- Ohana, me desculpa, melhor eu ir embora.
- Aisha foi bom. Não quero que você vá embora não.
- Tenho uma postura rígida, sou mais séria e muitas vezes objetiva. Assumo que não sou muito boa com sentimentos. Acho que confundi as coisas entre nós, nossa aproximação. Eu prefiro ir. O jantar estava delicioso, obrigada por tudo (falou rapidamente já se levantando).
- Eu não vou deixar você ir embora assim, não mesmo, nem quero correr o risco de depois ser ignorada por ti.
- Mas...
- Ei eu também quis este beijo.
- Quis mesmo? (Perguntou voltando a se sentar no sofá).
A morena confirmou balançando a cabeça e voltando a beija-la intensamente.
- Eu achava que você fosse heterossexual, ficava me repreendendo por ter segundas intenções contigo.
- Não precisava se repreender, era só conversar comigo, deixa eu te contar, já senti atrações por mulheres algumas vezes. Você é a segunda mulher que me beija. Fique tranquila, correspondi ao beijo e adorei.
- Na minha cabeça o Fonseca tinha mais chances contigo do que eu.
- Você ganha fácil.
Aisha sorriu e puxou Ohana para os seus braços, ficaram abraçadas por um bom tempo.
- Já está ficando tarde, tenho que ir para casa.
- Só se você prometer não fugir de mim e nem se distanciar.
- Prometo. Agora que conversamos não ficarei constrangida por ter te beijado, mas, imagine a vergonha se tivesse recebido uma recusa.
- Nem passou pela minha cabeça recusar. Podemos nos ver amanhã?
- Vou almoçar com meus pais em Botucatu. Pode ser quando eu retornar?
- Sim.
- Então quando eu estiver de volta te ligo, passo por aqui e desta vez podemos ficar na minha casa, bebemos algo e assistimos um filme.
- Eu topo.
Trocaram mais alguns beijos e a loira foi embora, mesmo sem vontade, o que queria mesmo era ter ficado. Elas foram dormir pensando uma na outra e recordando o sabor dos beijos trocados. Voltaram a se encontrar no domingo a tarde.
▪♡▪
IV.III
- Alô!
- Oi, já estou chegando em Bauru.
- Como foi o almoço em família?
- Puxado, meu irmão está se separando, meus pais são contra, bem difícil.
- Nossa que chato, separação é tão delicado. Muito complicado para a família.
- Nem me fale. Separa troca de roupa para dormir lá em casa, amanhã cedo te levo para o jornal.
- Não quero te dar trabalho.
- Nem precisa se preocupar, daqui uns vinte minutos passo por ai.
Ohana ficou ansiosa, separou uma roupa para dormir e outra para trabalhar no dia seguinte, além de uma necessaire com seus itens de higiene. Já estava de banho tomado, passou seu perfume predileto, prendeu o cabelo e logo Aisha ligou novamente informando que já aguardava por ela.
Durante o trajeto ouviram música e o celular da investigadora tocou, ela não queria atender, por isso, aproveitou que estava dirigindo e comentou que depois olharia o que era, todavia, na verdade ela bem sabia, tratava-se de uma moça que não largava do seu pé, que já tinha ligado muito no dia anterior e hoje continuava insistindo.
Assim que chegaram trocaram um beijo intenso e demorado.
- Quer cerveja?
- Quero!
Se acomodaram numa rede do quintal, munidas de duas cervejas long neck. Poucos minutos depois a campainha tocou.
- Estranho, não estou esperando por ninguém. Já volto.
Ohana permaneceu na rede, bebericando a sua bebida e dali conseguia ouvir tudo o que se passava na frente da casa.
- Te liguei tantas vezes e você não me atendeu. Preciso conversar contigo.
- Bianca você não veio numa boa hora.
- Eu só vou embora depois de falar com você.
- Você não deveria ter vindo até a minha casa sem avisar.
- Teria avisado se você me atendesse.
- Olha eu estou ocupada é melhor você ir.
- Aisha, já tem outra ai dentro com você, é isso né?
- Alto lá, primeiro que não te devo satisfação alguma, nunca tivemos nada sério. Você me mandou mensagem e respondi que não queria nenhum reencontro. Quando você me disse que já tinha uma pessoa, te falei que era melhor pararmos com nossos encontros, já faz mais de um mês que a gente nem se encontra.
- Acontece que eu não tenho mais ninguém.
- Você certa vez disse que nem sabe lidar com a solidão e por isso, nunca fica sozinha, mesmo tendo um lance ou outro, sempre teve vários contatos e encontros paralelos. Nós conversamos e eu afirmei que não queria e nem quero problemas, te falei que sai contigo achando que você fosse solteira, levei um susto quando você me contou, nem imaginava que você tinha um namorado, agora no caso seu ex-namorado, entendi quando você disse que tinha um relacionamento aberto, mas, deixei bem claro que estava pulando fora e será que agora não é hora de você parar um pouco, pensar no que realmente quer para a sua vida?
- Pode ser.
- Vamos ser sinceras, entre nós, só rolou sex*, a gente não teve entrosamento, mal nos falávamos depois de trans*r. Se for parar para pensar e avaliar, a gente nem combinar, combinava, não daria certo mesmo. Sabe o que eu acho, você acabou sentindo carência e decidiu me procurar, como nem te atendi, foi meio que motivador para você querer insistir e acabou vindo até a minha casa, não sou e nunca serei quem você busca.
- Cara, você acertou na profissão de investigadora, mano na boa você é pior que a minha psicóloga, me descreveu em poucos minutos e olha valeu mesmo, era o que eu precisava ouvir, tenho que me acertar comigo mesma, antes de tudo.
- Se cuida e seja feliz.
- Você também.
Ohana ficou perplexa, que conversa foi aquela? Já tinha notado que Aisha era direta, mas, nem imaginava tanto. Inicialmente, achou que rolaria um vexame na calçada e que pudesse até sobrar para ela, mas, que nada, a conversa franca resolveu tudo.
- Devo me preocupar? (Questionou assim que a outra retornou).
- Não, acho que você ouviu tudo, ela que estava me ligando quando eu estava dirigindo, tivemos poucos encontros, nada sério, acho que ela só acabou me procurando por estar confusa e espero que depois dessa conversa ela se resolva primeiro com ela mesma.
- A tua praticidade é impressionante.
- A sua maturidade também, obrigada por não surtar com isso e querer ir embora.
- Acho que nem preciso te pedir sinceridade, não é mesmo?
- É meu ponto forte.
- Percebi.
- Desculpa, por este episódio, tem alguma pergunta? Te incomodou de alguma forma?
- Não, tudo certo. Tomei as duas, só para não esquentar.
- Fez bem, vou pegar mais.
Ohana não sabia se seria apenas mais um dos lances de Aisha, mas, saber que poderia contar com a sua sinceridade, era tudo o que ela precisava naquele momento e o que estava começando a surgir entre elas estava sendo excelente para ambas. Elas ficaram por mais um tempo deitadas na rede, bebendo, papeando assuntos amenos e trocando muitos beijos.
- O quê vamos assistir?
- Pode escolher.
- Tem certeza? Aposto que temos preferências diferentes.
- Gosto de ação, filme policial e terror.
- Assisto muitos documentários, mas, o meu gênero favorito é o bom e velho romance.
- Musical e drama até vai, mas, romance, é sempre a mesma coisa.
- Nem sempre.
- Seria pior se fosse desenho.
- Também gosto e adoro os filmes da disney.
- Ah não, estou interessada numa mulher que acredita em príncipe encantado, estou perdida (brincou).
- Acreditava, mas, tive desilusões amorosas.
- Quem nunca? Agora venha, vamos para a sala assistir um filminho clichê, bem água com açúcar.
Aisha dormiu durante o filme, enquanto Ohana ficou torcendo pelo casal do começo ao fim.
- Acabou dorminhoca.
- Deixa eu ver se eu adivinho, eles terminaram juntos.
- Como você é boba!
- Desculpa ter dormido, acordei muito cedo, não deveria ter apagado a luz.
- Você roncou muito, precisei até aumentar o som da TV.
- Nossa que vergonha (comentou ficando vermelha).
- Estou brincando contigo (falou caindo na gargalhada).
- Que mulher terrível. Quer pizza de qual sabor?
- Você sabe cozinhar?
- Não.
- Camarão com catupiry e uma esfiha doce de beijinho.
- Tem bom gosto.
- Obrigada!
Logo o pedido foi feito e ficaram observando uma a outra.
- Ohana, você é muito bonita.
- Você também Aisha.
- Tenho que tomar cuidado para não gamar em ti, além de linda, inteligente e agradável, é também sensual.
- Eu que tenho que ter cautela, para não vir bater na tua porta e ouvir umas verdades.
- Sua boba!
- Ei nem precisa se preocupar, eu tenho responsabilidade afetiva (garantiu a jornalista).
A investigadora ficou encantada com o que ouviu e sem palavras para corresponder, puxou a jornalista para o seu colo, ouvir aquilo foi muito bom e até acelerou o seu coração, ficaram trocando beijos e as carícias começaram a ficar muito íntimas, as deixando eufóricas. Até que a campainha tocou, era a pizza.
- Vamos ignorar e continuar assim.
- Você me prometeu pizza e estou com fome.
- Hora inapropriada para entregarem (reclamou acomodando a outra no sofá e saindo para atender ao entregador).
Ohana deu risada e foi até o banheiro, enquanto a loira foi receber o pedido delas. Quando entrou na cozinha a mesa já estava posta.
- Que cheiro bom.
- Você vai gostar, essa pizzaria é uma das melhores da cidade.
Elas jantaram em um clima ameno e muito agradável.
Fim do capítulo
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Rain
Em: 26/01/2021
Olá!
Eu não entendi a parte da "batata" quando descobriu que todos as vítimas tinham o mesm número de calçados. Por que batatas alí? KKK
Nossa Aisha é boa em ser direta. Descreveu o problema da garota na hora, que objetiva.
Inté!
Resposta do autor:
Olá! Deixa eu explicar então, foi batata é uma gíria que tenho hábito de usar e por isso, foi parar no capítulo rs é uma expressão usada para quando algo ocorreu bem como o esperado, o previsto, tipo acertou em cheio foi neste sentido que usei. Não sou objetiva igual a Aisha, na verdade sou um poço de subjetividade e viajo muito na maionese, por falar nisso, amo batatas e adoro uma salada de maionese kkk
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Marta Andrade dos Santos
Em: 07/01/2021
Ops tá rolando um climão.
Resposta do autor:
Um climão delícia né rs
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