A peitudona despudorada?
Pelo retrovisor de seu carro, Isadora, pode ver como Rebeca segurava o gatinho com todo cuidado e proteção, mantendo um sorriso singelo voltado para si. Antes que seu carro entrasse na rua, pode ver aquela mulher, da qual nuca conseguiu gostar, se aproximar de Rebeca e cochichar algo em seu ouvido, atraindo a atenção da bela ruiva para ela. E, foi com esta última visão que Isadora percorreu o caminho até sua casa, apertando os dedos no volante.
A jovem médica adentrou sua casa com o intuito de ir tomar um longo banho, mas, algo a manteve estática a chegar na sala. Aquele cômodo tinha algo de diferente, não sabia explicar, afinal, tudo estava no lugar como havia deixado ao sair no dia anterior. Respirou fundo e se encostou no corrimão da escada, fechando seus olhos em seguida.
A morena ficou uns longos segundos naquela posição, tentando entender seus sentimentos, ou melhor, o que estava lhe incomodando naquela casa. Lembrou dos momentos divertidos que compartilhou com suas amigas, como estavam conectadas e depois de anos se sentia imensamente feliz. Sabia que tudo havia mudado naquela noite que ficou com Theo, e como a amiga parecia querer ir para longe, pois, sabia que não seria capaz de ter uma conversa, pelo menos, naquela época.
Um suspiro profundo foi dado. Abriu seus olhos. Um imenso sorriso surgiu... Já sabia o que iria fazer!
Isa, subiu as escadas cantarolando. Colocou a playlist mais animada para tocar, se despindo em seguida para tomar um longo banho. Por um momento lembrou-se de Beca e não conteve o sorriso de canto, mas junto com a ruiva outra mulher veio em sua mente, mas esta não lhe despertou boas sensações.
“O que elas escondem?”, questionou-se, Isadora, enquanto as gotas de água iam percorrendo aos poucos seu corpo.
§
Rebeca continuava a segurar o gatinho com cuidado, pois o animalzinho era tão frágil que um simples apertão de mãos o mataria facilmente. Nunca foi muito delicada, na verdade, nunca levou muito jeito com animais e agora se via compartilhando a guarda daquela bolinha de pelos que deveria estar faminta.
- Achei que você fosse alérgica a amor... – cochichou Penélope em seu ouvido.
Pela primeira vez em anos, Penélope observou um sorriso verdadeiro nos lábios de sua sobrinha, enquanto as mãos dela acariciavam o felino com cuidado. Quando deu por si, Rebeca estava a encarando com aquele sorriso resplandecente.
- Pela primeira vez em anos vou concordar com você... Eu também pensei que era alérgica ao amor! Mas pelo visto, o único veneno por aqui é você!
Beca estava seguindo em direção a casa e sentiu seu braço ser puxado agressivamente pela mão possessiva de sua tia, que lhe encarou com ódio no olhar. Por conta disso teve que segurar o Cérbero com apenas uma mão, encostando-o em seu peito.
- Por mais quanto tempo você pretende continuar com esses seus joguinhos? – Perguntou enfurecida.
- Não sei de que joguinho estas falando! E, não me interessa nada que venha de você. – Tentou desvencilhar seu braço, mas foi em vão.
- Ah você não sabe... Então deixa eu te refrescar a memória. Você matou sua irmã! Você jogou o maldito do carro, no carro deles, tirando ele da estrada!
O olhar de Beca se apagou... Lembranças daquele dia vieram em sua mente. Como Penélope sabia que o carro havia sido jogado pra fora da estrada se ela estava viajando, só Deus sabe por onde, naquela época? E, de onde vinha essa certeza que ela havia feito isso? As questões fervilhavam na mente de Rebeca, que não sabia no que focar.
- Como você sabe que o carro foi jogado para fora da estrada, por outro carro? – Questionou em tom baixo, sentindo seu sangue pulsar.
- Eu... Bom... Foi o que a perícia constatou...
Nesse momento Rebeca sentiu uma força descomunal tomar conta de seu ser. Desvencilhou-se de sua tia e no mesmo instante a segurou pela roupa, trazendo-a próxima a si.
- A perícia apenas constatou que algo tirou o carro do trajeto. Como você pode ter tanta certeza de que foi um carro, ou melhor, o meu carro?
- A voz de Rebeca continha um timbre frio, sem vida. Penélope poderia jurar, que naquele momento, os seus olhos verdes estavam negros como a escuridão nos dias tempestuosos.
- Em nenhum momento eu disse que tinha sido o seu carro! E não é da sua conta, criança! O importante é que sei a verdade e vou mostrar pra todos o ser maligno que habita esse seu coração! – Falou cuspindo as palavras.
- Faça como quiser. Você deve estar tendo algum tipo de surto e contra isso só remédios.
O olhar debochado de Penélope deixou Rebeca atenta ao que viria.
- Se preocupe, sim! Sobrinha amada, pois, pelo jeito a loucura que tanto fala é de família...
Beca nem tentou contrariar, do que adiantaria? Nada! Só traria mais desgaste e ela não gostava de gastar sua energia atoa. Enquanto passava pela sala estranhou o modo perdido como sua mãe estava, era como se ela estivesse em outro lugar e deixado seu corpo ali, um olhar vazio e perdido estampava sua face. Chamou por ela, que no mesmo instante pareceu se assustar, aproximou-se e viu que ela possuía um leve aranhão na mão. Preocupou-se e pediu se ela precisava de um curativo, Roselly desculpou-se por ela ter se preocupado atoa e explicou que estava arrumando as rosas no jardim quando lembrou de Lauren e acabou por se descuidar com os espinhos. Rose observou o gatinho, mas nada falou, seguiu em direção a cozinha, enquanto Beca subia as escadas.
Rebeca seguiu para seu quarto colocando o pequeno Cérbero em sua cama, olhou para o gatinho que parecia retribuir o olhar.
- Então Cérbero, acho que será só eu e você. O que você acha da certeza da Titia em me culpar, porque se tivesse sido ela a causadora do acidente ela não seria estúpida ao ponto de puxar o assunto... Mas se ela tivesse visto... – olhou intensamente para o gato, o pegando e levantando para cima com ambas as mãos – Se ela viu, viu um carro correto? Se viu o carro, pode ter visto quem estava dirigindo... Ou alguma característica... Mas, ela pode só estar jogando e me levando a loucura!
Cérbero continuava a lhe encarar do alto. Ela o pôs na cama novamente.
- Mas a verdadeira questão a ser resolvida é quem está pagando pelas rosas, pois temos duas opções: alguém arrependido ou a pessoa que minha irmã estava apaixonada! Qual das duas você aposta, Cérb? – Ficou esperando a resposta do gato que apenas miou – Esqueci que você não tem muita interação, to vendo que só vai comer e dormir. Bom, vou pro banho. Você tem água a vontade ali – apontou para um potinho no chão – Depois eu compro uma ração e a Matilda já lhe traz um pouquinho de arroz pra você não morrer de fome... E vê se mantem a classe, não faça muita folia não, que se você puxar pra outra mãe, vai ser um caos!
Beca dirigiu-se ao banheiro com seu sorriso particular de canto. A loucura deveria, realmente, ser de família, para estar conversando com um gato, que tem nome de um cachorro e ainda por cima, dividindo a guarda dele! “Céus, onde fui me meter!”.
§
o ateliê enfim estava organizado, mesmo com os cuidados e a dedicação de Pablo, sempre tinha algo a ser feito, e Theo adorava a desculpa de deixar tudo certinho para pode “sujar” sua mulher com tinta. Elas ficavam horas naquela guerra de cores, não havia tempo quando estavam naquele local. Theo ajudava Cecília a se limpar quando ela lhe questionou sobre a terapia com sua mãe.
- Bom amor, não seria ético de minha parte comentar sobre como sua mãe está se permitindo vivenciar essa experiência. – Tentou desconversar, não queria tocar naquele assunto, isso lhe lembrou que tinha que conversar com seu pai.
- A que maldade Theo... Então deixa eu ver as pinturas, por favor... - implorou com aqueles olhos pidões que jamais conseguiriam arrancar outra resposta de Theodora que não fosse sim.
- Tudo bem, mas só alguns e só dessa vez...
- Tá bem! – Respondeu sorridente.
Cecília observava as pinturas com muita atenção, eram lindos jardins com belos lírios que componham as cenas.
- Nossa está muito lindo... Mas, porque ela só pinta lírios? – Questionou curiosa e prestando atenção em cada palavra de Theo.
- Ah, é difícil dizer... Não posso lhe dar um diagnostico porque não é essa minha função. Mas o importante, amor, é que ela continue o tratamento com o papai e siga certinho, principalmente com os medicamentos.
Cecília não gostou muito da resposta dada por sua namorada, mas se Theo não queria lhe dar mais informações era porque tinha algum motivo. Afinal, a mulher não tinha um doutorado para usar de enfeite.
- Não se preocupe, ela está continuando com o tratamento, e você – a abraçou na cintura e lhe olhou nos olhos azuis claros – vai me contar o que se passa em sua mente quando tiver certeza, não vai?
Theodora sorriu e lhe beijou carinhosamente nos lábios. E aquela foi a resposta que Cecília estava esperando.
- Ok. Ateliê organizado. Abraço gostoso. Meu amor comigo, agora só falta a janta para o dia ser perfeito! – Falou Theo como criança louca para fazer uma travessura.
- E posso saber o que seu estômago tem em mente? – Questionou uma Cecília curiosa.
- O que você acha de sairmos para jantar umas coisas nada saudáveis e depois ir gastar a coloria em alguma pista de dança?
- Vai ter drinks? – Perguntou com sua cara mais safada.
- Tudo que você quiser meu amor! – Respondeu Theo, galante.
- Sendo assim... Vou ligar para as meninas e você vai pro banho tirar essa tinta! – Falou Cecília enquanto mexia no celular.
Ouviu algo familiar caindo no chão e olhou em direção a Theo que estava sem a camisa, ficando apenas de sutiã.
- Certeza que vou conseguir tirar toda essa tinta sozinha? – Questionou enquanto abria o botão de sua calça.
- Pensando bem... Vou só mandar uma mensagem para elas... – Os olhos de Ceci brilhavam, refletindo o belo corpo da loira em seus olhos.
- Acho que você vai ter que se apressar então!
Dito isto, Theo tirou a calça e correu em direção as escadas. Cecília ficou paralisada vendo a mulher apenas de calcinha e sutiã sumir na parte superior da casa. Como se o mundo fosse acabar, mandou mensagem para as meninas e saiu em disparada para o banheiro... Deixando suas roupas pelo caminho.
§
A hamburgueria estava lotada e a música ambiente animava o público, enquanto o pessoal comia e bebia despreocupadamente. A ruiva entrou e logo encontrou o casal que estava procurando, andou calmamente chamando a atenção por onde passava, aquilo não a incomodava, muito pelo contrário, se sentia desejada e se sentir assim desperta poder, e isso já emanava dela por natureza.
- Mas olha se não é o mais novo casal! Ao que devo a honra do convite? – perguntou se sentando de frente para Ceci.
- Até parece que se precisa de motivos para comemorar, afinal, todo o dia é dia de comer bem! – Sorriu Theo sapeca.
- Comer bem? No máximo tu vai desenvolver uma congestão, se está planejando comer todas as opções do cardápio! – Beca ouviu a discussão das duas ocasionada por Theo querer experimentar todas as opções de hamburguer.
- To preocupada não cunhada, tem duas medicas na mesa! Uma pediatra e a outra obstetra. – Piscou Theo divertida, enquanto Rebeca não acreditava no que estava ouvindo e Cecília continha o riso.
- Vamos contar certo, agora são três médicas na mesa! E a terceira cardiologista. – Isa pronunciou ao sentar do lado de Beca, que a olhou mais do que o normal.
- Era só o que me faltava, além do casal diabetes, agora tem mais a área do berçário também... – Falou Rebeca indignada com a situação que se encontrava.
- Ainda bem que temos uma médica nessa área, pra cuidar das duas crinças aqui! – Brincou Isa, fazendo Theo e Cecí gargalhar. – Ai! – exclamou ao sentir o tapa que tomou de Beca no braço. – Nossa... Mal cheguei e já estou me sentindo tão amada! – Fez sinal de coração com as mãos em direção a Rebeca que revirou os olhos. – Mas então, qual vai ser o pedido da noite? – Olhou para Theo que tinha um estranho sorriso diabólico no rosto e Cecília vermelha como um pimentão pelo que estava por vir...
- Vamos experimentar todos os burguers! – Exclamou Theo convicta, esticando sua mão que prontamente foi segurada por Isa em um movimento rápido, o que chamou a atenção das pessoas ao redor.
- Vamos! Quem comer mais não paga a noitada! – Falou Isa com um brilho no olhar.
As amigas estavam tão concentradas fazendo os pedidos que nem notaram a conversa das duas ruivas.
- Meu Deus, como pode duas crianças desse tamanho... – Falou Rebeca encarando a irmã.
- Eu acho fofo! – Riu Cecília da empolgação delas.
- E, eu acho que vamos parar no hospital, quem tá de plantão hoje? – Perguntou curiosa.
- A Scott! - Respondeu com cara de poucos amigos para a irmã.
- A peitudona despudorada? – Questionou semicerrando os olhos.
- Essa mesma! – Respondeu com o mesmo olhar para a irmã, que em seguida, olharam em sincronia para as duas ao seu lado.
- Por mim deixo a Isa morrer de congestão... – Falou fingindo descaso.
- E a Theo fica fazendo companhia para ela. – Afirmou Cecília.
Após a frase pronunciada as irmãs caíram na gargalhada atraindo a atenção das duas, que ficaram curiosas para saber do que elas estavam rindo, porém, nenhuma das duas contou.
- Deixa elas Theo! Vamos focar no nosso objetivo que é mais interessante que... – Isa achou que estava cochichando baixinho, mas as ruivas ouviram.
- É mais interessante que o que, Dona Isadora? – Perguntou Rebeca com cara de poucos amigos.
- Olha só, o primeiro pedido já chegou! – Exclamou Theo, mais alto que o normal, para tirar a amiga daquela situação.
- Pelo jeito vai ser uma longa noite! – Falou Beca revirando os olhos, enquanto as duas amigas atacavam a comida.
- Vai mesmo... – Concordou Cecília sorrindo da situação. – Pelo menos estamos juntas nessa. – Piscou para a irmã e começou a comer seu hamburguer.
“Pelos menos estamos juntas nessa” ... É, parece que estamos!”, pensou Rebeca olhando para a comida em seu prato.
Fim do capítulo
Olha quem apareceu novamente, a autora mais sumida da história das autoras sumidas...
Mas deixamos de lado o ódio que desperto em vocês quando eu sumo, me contem...
"O que mais desperto em vocês?" eheheheheh.... Brinks.
Brincadeiras a parte... Espero que estejam todas bem, com a nossa atual realidade mundana.
Desejo que seja uma escrita boa de se ler.
Se cuidem, lavem as mãos!
Beijão.
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