Capitulo 2
Quando saímos da pracinha fui direto para o tal lugar que ela havia falado, ela disse que dava para ir andando de tão perto que era. Durante o caminho (resolvi) questionar sobre:
—É proibido o lugar que está me levando?
—Proibido?
—Sim, tipo aqueles bares em que se fumam maconha, sendo que ainda é ilegal aqui.
Ela começou a gargalhar, sem parar.
—Fê, não! Estou te levando para um universo diferente… Minha casa!
— Mas você mora com seus pais?
—Não, minha irmã mais velha, tem 26. Está terminando Direito. Quase não fica em casa, se tivermos sorte, chegaremos e não terá ninguém lá.
—E, porque isso seria uma sorte?
—Você me parece ingênua demais, Fê.
E seguimos o caminho até que chegamos a um prédio. Apartamento 402, bloco A. Para nossa sorte, sozinhas.
—Você gosta de incenso?
— Amo!
—Então vou acender um, ok?
—Ok.
— Lavanda?
—Perfeito.
Enquanto Olívia acendia aquele incenso, debruçada sobre o parapeito de sua janela da sala, com a intenção de o pôr naquela beiradinha do lado de fora, onde alguns colocam plantinhas pequenas, fiquei observando-a tentando, após muitas vezes, conseguiu.
—Uhuuuu! É vitória! —Disse rindo dela.
—O jogo virou mesmo. —Respondeu-me com um tom provocativo.
—Vamos?
—Mostre-me o caminho. —Respondi.
E ela pegou em minhas mãos e fomos caminhando, passo após passo, até uma porta toda desenhada e florida, presumi que fosse o seu quarto, seu universo.
—Aqui você cria seu mundo, certo?
—Meu universo, Fê. É onde conto meus amores e meus dissabores da vida. Minhas feridas e alegrias. Me perco e reencontro…em mim.
— E quando vai se perder em mim? —Questionei-a
—Se você quiser, agora… -Disse com tom extremamente sensual e foi trancar a porta.
Antes dela se virar, acheguei-me para próximo de suas costas, passei meus dedos entre seus cabelos claros como o sol, e falei ao ouvido dela:
—Eu quero.
Então, ela virou-se para mim, com um olhar obstinado e insano e começou a despir-me. Tirou minha blusa. Minha calça jeans. E tirou as dela, ficando com seu sutiã preto e sua calcinha. Ela parecia meio apreensiva quando de repente questionou-me:
—Você tem certeza, Fê?
—Nunca tive tanta. —Disparei.
Então, Oli puxou-me pela cintura, agarrando-me ao corpo seminu dela, e começou a beijar minha boca. Em cada beijo eu podia sentir o céu na terra. E quanto mais continuávamos, mais fortemente nos perdemos entre as carícias e os quentes beijos dela, como se fosse realmente o sol iluminando meu rosto.
Quando vi, já estávamos na cama, deitadas uma ao lado da outra, passeando com nossas mãos sem parar por cada pedaço do corpo uma da outra.
— Fê, posso? —Questionou-me com aos mãos em meu sutiã.
—Sempre. —Respondi prontamente.
Oli estava em minha frente na cama, juntou meu corpo ao dela, tirou meu sutiã, pedaço por pedaço, com uma agilidade majestosa e o tacou para fora da cama. Começou a beijar cada parte do meu pescoço até chegar em meus seios, os quais ela suavemente tocou e eu me arrepiei inteira. Ela me puxou para o meio da cama e ficou em cima de mim. E começou a descer beijando cada pedaço de mim, até chegar lá em baixo. Eu estava tão molhada, que quando ela passou a mão sentiu tudo de mim.
— Que isso, Fê!
E quando mais ela chegava lá, mais vermelha eu ficava e mais molhada. Ela resolveu subir de volta e começou a me beijar. E eu estava já muito excitada, e começamos a nos agarramos com mais força ainda, e nessa troca insana quando estávamos prestes a nos tocarmos…
— PLIMMMMMM! olíviaaaaaa. Abre aqui eu esqueci a chave! — Disparou uma voz vindo lá da porta de entrada.
E nesse momento Olivia caiu em mim e virou-se para a parede.
— Ei, tudo bem! Vamos lá atender sua irmã e depois a gente continua, não precisa ficar triste! Eu to aqui.-Respondi virada para ela e acariciando seus cabelos, cor de mel.
— Fê, essa voz não é da minha irmã. É da minha mãe. E obrigada pela paciência, você é um doce, demais.
— Su-u-a mãe? — Questionei gaguejando.
— Exatamente.
— Olha, eu sou assumida, como já te disse, só que ela insiste em não aceitar e esse processo cansativo me irrita demais. Eu sou a ovelha perdida da família, que largou Medicina para fazer arte e isso a irrita demais. Nem sei o que ela veio fazer aqui, sabe?
— Oli, você nem me contou isso.
— A gente acabou de se conhecer.
— Isso é verdade.
Nós duas caímos no riso.
— Que loucura. — Disse para ela.
— O que, Fê?
— Estou tendo minha primeira vez com alguém que eu mal conheço e sinto exatamente o oposto. Como se te conhecesse a vida toda… Sei lá porquê.
— Você se apaixona rápido em…
— Não sei o que é isso, só sei que agora, nesse momento, quero estar aqui com você, seja o que for.
Olivia sorriu lindamente.
— Ei, fê! Vamos pôr as nossas roupas e eu vou abrir a porta para ela, vou fazer um café e a gente fica lá com ela, tudo bem?
— A gente tá enrolando tem um tempo… Será que ela tá lá ainda?
— Com certeza, Fê. Vou lá abrir.
E me deu um beijo doce. Trocou de roupa e foi lá. Encarar sua mãe. Enquanto isso eu estava me trocando no quarto. Arrumando o cabelo, passando o primeiro desodorante que vi pela frente em todo o quarto e em mim, tentando disfarçar o cheiro do ambiente… Bom-ar faz falta às vezes. Olhei-me no espelho da parede do quarto dela e tomei coragem para descer.
Vamos, Fernanda! É só outro ser humano. — Pensei muito antes de ir e me convenci.
Quando finalmente abri a porta e fui andando em direção a sala, ela estava lá com uma mulher de meia-idade ruiva, muito delicada, parecia porcelana.
— Mãe, essa é a minha amiga que te falei, a Fernanda!
— Prazer, querida! Sou patrícia, mãe da Olívia. — Disse-me com um tom doce.
— Prazer! — Respondi.
— Vocês estão na mesma turma, certo? — Questionou-me.
— Sim, mãe. — Respondeu Oli com um tom meio triste.
— Sabe, Fernanda, a Olívia quando morava com a gente em São Paulo, fazia Medicina, ela era tão boa, todos diziam que seria uma ótima pediatra. Ela quis largar tudo para vir para cá com uma perdida da vida. Nunca entendi. Mas ela tem talento ainda, sabe? Talvez com essa amizade de você, você consiga por juízo nessa cabecinha dela. — Disse-me Patrícia debochando de Oli e rindo para mim.
— Ah! Dona patrícia, arte é tão profundo, não é? Corajosa demais sua filha! Abriu mão de algo que não a fazia feliz e está vivendo em paz, fazendo o que ama! Tenho certeza que será um dos grandes nomes da literatura e das artes em geral, afinal, artista faz é coisa, né?
Nesse momento Oli se virou para mim e sorriu.
— Sim, com certeza! — Dona patrícia respondeu toda sem graça.
— Vamos para algum lugar, tomar café? — Perguntou Oli.
— Quer ir ao de sempre, filha?
— Por mim, pode ser.
— Você vem, Fê? — Perguntou-me Oli.
— Eu vou para casa, mas muito obrigada!
—Tá bom!
— Tem certeza, Fernanda? É só um cafezinho.
— Tenho! Muito obrigada, Dona Patrícia, eu preciso ajudar minha tia com as coisas de casa e pôr a matéria em dia.
—Tá bom! Foi um prazer conhecê-la.
— O prazer foi meu, Dona Patrícia. — Respondi.
Oli foi me levar até o portão de sua casa, me abraçou forte e disse em meu ouvido:
— A gente precisa terminar o que começou. E muito obrigada.
Eu a abracei mais forte ainda. E acenei que sim com a cabeça. E fui andando até o ponto de ônibus mais perto. Apenas querendo chegar em minha casa e assimilar tudo o que tinha acabado de me acontecer. A casa de Oli ficava perto da faculdade, na Tijuca, e eu morava no outro lado do mundo, na zona oeste do rio, na Freguesia. Um bom caminho até lá de ônibus. Mas depois do encontro, o caminho parecia dez minutos. E eu só pensava nela. Naquele corpo que outrora estava grudado no meu, e com as mãos se passeando e mesmo sem toque beijando o prazer face a face. Deu vontade. Deu saudade. E eu queria só estar com ela.
Finalmente entrei no condomínio, cheguei em casa, cumprimentei a minha tia Camila, e fui correndo tomar banho. Estava doida para deitar em minha cama e reviver cada segundo. Estava doida para falar com ela, mas não queria incomodar. Estava doida para tantas coisas que mal saberia listá-las agora.
Quando entrei no chuveiro, e água quente caiu sobre meu corpo, foi uma sensação de alívio. Eu estava lá, sentindo a pressão sobre mim e relaxando. Até que meu pensamento voltou para Olívia. E eu não conseguia mais tirá-lo de lá, nem queria fazer isso. Aquela mulher indecifrável, curiosa, que mal me conheceu e já me levou para sua casa, que me despiu e ficou seminua para mim. Com aquele corpo com formas e a pele mais macia que já havia tocado. E a cena dela em cima de mim, com aqueles cabelos dourados sobre mim enquanto ela me beijava… Ah! Olívia. Eu só queria você aqui comigo, dentro desse chuveiro, me tocando como a pouco.
— Fernanda, tá tudo bem? — Gritou minha tia que parecia estar na porta do banheiro!
— Ta sim! Desculpa a demora, tive um imprevisto — Respondi Rindo.
— Tá bom.
Foi aí que percebi que eu estava ali muito tempo dentro daquele box e resolvi terminar logo o banho e sair.
FINALMENTE DEITEI! — Foi o primeiro pensamento quando meu corpo cansado tocou minha cama.
Eu estava tao exausta que acabei cochilando com a toalha no corpo ainda e o cabelo molhado. Apaguei, por horas, até que acordei com meu celular tocando.
— Alô?
— Fê?
— Oli?
— Oi! Eu te mandei umas mil mensagens, mulher! Você tá viva, chegou bem?
— Oi! Eu dormi kk eu apaguei de toalha e tudo na cama. — Respondi rindo.
— Queria ver essa cena.
— Você nunca para em, Oli.
— Não! — Disse-me rindo também.
— Eu cheguei bem, tomei banho, e apaguei e aí? Conversou muito com a Dona patrícia?
— Demais, Fê. Ela perguntou se você era minha namorada e eu ri, confesso. Expliquei que estávamos nos conhecendo e que éramos amigas.
— Hm… Ainda.
— Depois eu que não para né, Fê?
— AFF! Oli, eu preciso pôr uma roupa e eu to muito cansada, acho que vou apagar!
—Tá bom, Fê, amanhã eu te vejo na faculdade.
— Amei hoje, Oli. Não parei de pensar em você.
— Fê, eu amei demais. E também… Não consegui parar de pensar em tudo.
— Até amanhã!
— Até, Fê.
Desligamos. Terminei de me secar, pus o celular para carregar e resolvi dormir nua. Porque eu quis me conhecer naquela noite e debaixo das cobertas, sussurrando o nome dela eu g*zei pela primeira vez. Olívia. Jamais esquecerei.
E foi assim nossa quase primeira vez. E primeiro encontro. Meu primeiro tudo.
Fim do capítulo
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