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Quando o prazer Chama por ceciliadelara

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Palavras: 1290
Acessos: 758   |  Postado em: 02/05/2020

Capitulo 1

Sabe quando a vida resolve lhe dar uma chance de se refazer? De se reencontrar consigo mesmo e como fênix, mais uma vez, viver? Pois bem! Essa chance chamava-se Olívia, com a voz mais doce que o mel, com o corpo mais belo que já havia visto e com os olhos mais delicados. E essa história, que ainda está incompleta por buracos da estrada da vida que escolhemos caminhar, é que irei contar para vocês.

 

Quando tinha dezoito anos, estava entrando em meu primeiro ano na faculdade de artes, vi passear pelo campus a mulher mais linda que já havia visto. Ela tinha os cabelos cor de mel, os olhos verdes claros e era branca, queimada do sol. Ela carregava uma mochila jeans rasgada, parecia pesada. Em sua mão havia apenas uma garrafa de água, afinal, o calor do Rio de janeiro duro o ano inteiro, não é?

Ela passou e foi entrando em uma das partes que levava ao centro de Belas-artes, o que me confortou a primeira vista, pois tive uma leve impressão de que iria vê-la mais uma vez. Quando cheguei a minha sala, como caloura, após a semana do temido trote, lembrei-me de que ela, de fato, não esteve presente durante o trote, o que é estranho, geralmente, todos participam, mas tudo bem. Cada um faz uma escolha. Sentei-me atrás dela, apesar de várias carteiras ainda estarem vagas. Fiquei mexendo no celular até que a professora chegou, foi ligando seu projetor e apresentou-se para nossa turma:

—Queridos, sejam bem-vindos! Eu sou a Ana lúcia, espero que esta disciplina de introdução a técnicas de arte possa ajudá-los, antes de tudo, a compreenderem um pouco melhor a si mesmos e como querem representar seu ponto de vista em suas obras. Que seja um período leve e qualquer dúvida estou a disposição! No quadro tem o meu whatsapp e tem também meu e-mail pessoa, podem contactar-me sem medo.

A turma ouviu em uníssono o som saindo da voz dela e, enquanto todos prestavam atenção, eu estava me perdendo entre o cheiro de avelã do mel do cabelo dela. Mais sei lá. Queria saber mais.

Conforme a professora foi passando os longos slides, meu interesse por ela só aumentava. Não a vi falando com ninguém, nem no celular direito. Parecia culta, calada. Estranho. Geralmente, os artistas falam tanto.

Quantos pré-conceitos eu tenho que derrubar em mim ainda — fiquei pensando.

Após toda a apresentação, no final da aula, quando Ana lúcia foi fazer a chamada, descobri o nome dela: Olívia. Eu Fernanda, sempre amei esse nome. Sempre me foi como poesia e me lembrava das olivas, as árvores.

Quando a chamada foi chegando ao fim, resolvi falar com ela antes da próxima professora ou professor entrar:

—Oi, Olívia! Tudo bem?

—Oi? Sim e você? Desculpe, mas qual seu nome mesmo?

—Estou bem! É Fernanda.

—Ah sim!

— Acho que não nos conhecemos pelo trote, não me recordo de você la!

—Sim, eu acho besteira isso. Mas não julgo quem vai. Cada um tem uma escolha, certo?

ERA EXATAMENTE O QUE EU TINHA PENSADO SOBRE!

—Sim, com certeza! Você gosta de qual tipo de arte?

— Eu amo todas. Tenho um carinho especial pelas letras, amo poesia, principalmente as que vem da alma. —Poética.

—Sempre! E você?

—Eu gosto das palavras e das entrelinhas, como nas Obras de grandes pintores, e amo pintura erótica.

—Agressiva, adoro!

—Eu gosto de como expressam o corpo das mulheres em suas formas, tamanho, cores e em como elas ficam quando chegam em êxtase, na pureza da troca sexual de um orgasmo flamejante.

—Ual. Eu que sou poética? Tem certeza? —Disse-me rindo.

—Também sou, devo confessar. —Respondi meio envergonhada.

— Você é lésbica, certo?

—Não.

—Oi?

—Sou apenas curiosa com a questão, eu nunca fiquei com ninguém, aliás.

—Fernanda do céu, você enxerga a vida dessa forma, com essa paixão e acha que vou acreditar que veja homens dessa forma?

—Eu nem sei o que eu vejo.

— Eu sei que eu vi beleza no que você disse. —Respondeu-me sorrindo.

—E você, Oli? Posso chamá-la assim?

—Lógico! Sou lésbica. Desde sempre.

— Como é estar com uma mulher?

—Para mim, é mágico. É como tocar um instrumento delicado, é a maciez da vida te chamando para tocar o paraíso na terra. É lindo.

—A vontade nasce do nada?

—A vontade vêm de algo mais profundo, mais intrínseco, sabe? Já sentiu atração sexual por alguém, Fernanda?

—Acho que não

—Ah! Por isso. Quando sentir, seu corpo irá lhe guiar, seja qual sex* for.

—Olha, quero andar com você no recreio. — respondi rindo.

—Vamos. Você tem quantos anos?

—18 anos.

—Você é muito novinha, Fê. Eu tenho 23.

—Pouca diferença, Oli.
—Essa pouca diferença me deu uns anos aí de experiência. — Respondeu-me rindo.
—Chata!
—Chata nada, sincera! — E disparou a rir de mim.

A risada mais doce que eu já havia visto.

Quando o próximo professor entrou, e toda aquela apresentação, mais uma vez, terminou, eu aproximei-me do ouvido de Olívia e pedi o número de whatsapp dela. Ela prontamente anotou em um post-it e me mandou.

—Oli? Aqui é a Fê.

—Nada de prestar atenção na aula né?

—Não consigo parar de pensar no que você disse.
—Sobre?
—Sobre eu nunca ter estado com alguém.

—Você é nova ainda, isso acontece. Mas me conta, nunca beijou ninguém?
—Um menino, no colégio.
—Sentiu atração por ele, certo?
—Não, eu estava muito bêbada kkkkk
—Acho que você deveria experimentar beijar uma mulher e ver se rola alguma coisa.
—…
—O que foi?
—Olha para mim, Oli. Até parece que alguém vai querer ficar comigo.
—Meu bem, você é linda. Uma das meninas mais bonitas daqui.
— Você acha?
—Sim.
— Fiquei com vergonha.
—Se abre, Fernanda. A vida é uma só.
—Você ta certa.
—Quando acabar a aula, vou te levar pra um lugar.
—Para onde?
—Só vem.
—Vou.

Sabe aquelas loucuras que a gente jamais faria em sã consciência? Então, parecia ser uma dessas. Nem quis saber, eu fui…

Quando a aula acabou, no horário do almoço, peguei minhas coisas e Oli as dela. Ela então segurou-me pelo braço e me levou para uma parte meio distante do centro de belas-artes, com mais grama, quase uma pracinha.

— Está vendo?
—O que?
—A natureza ao seu redor.
—Sim. — É incrível, certo? —Sim, é lindo.
—A mesma coisa é o amor. É natural, ele tem olhos da cor do céu e a poesia é poder o beijar.
—Oli, você é só poesia.
— Fê, você ainda não viu nada. Só está vendo o que lhe permite ver. E talvez goste disso. Mas sou mais além, e se você quiser, posso te mostrar.
—Eu quero…
—Vêm!

E nisso ela pôs as mãos em meu pescoço, colou os lábios nos meus e me beijou ali. Numa pracinha meio deserta. E eu não queria parar. Fomos trocando as mãos de lugar, e ela segurava minha nuca e puxava-me para o corpo dela. Até que foi ficando intenso demais. E Soltamo-nos.

—Fê, você sentiu, certo?
—Oli, eu senti algo em mim quando beijei você. Eu quero mais.
— Fê, eu não me envolvo, sabe?
—Não me importo, eu só preciso de mais.

E puxei-a para meus braços, lançando-lhe mais um beijo caloroso e ela foi indo mais a fundo, passeando com suas mãos pelo meu cabelo, nuca, corpo. Até que eu cheguei para trás.
— O que houve, Fê?
—Desculpa, eu nunca havia sentido isso antes.
—Tudo bem — Disse Sorrindo para mim.
—Quer ir para minha casa?
—MENINA, EU TE CONHECI HOJE.
—Quer ir?
—Quero.

E foi assim que nossa história começou. Com dúvidas, beijos, afagos, e uma tensão sexual tremenda, mas essa parte eu conto depois.

Fim do capítulo


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Comentários para 1 - Capitulo 1:
thays_
thays_

Em: 04/05/2020

Olá! Muito divertida sua escrita! Gostei!

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