SAFE por Howtosavealife
Two Weeks
Naquele domingo antes de ir embora Luísa chamou as duas moradoras da casa até o sótão.
- Bom deixa eu mostrar como funcionam as coisas - fez sinal para que as duas se aproximassem da bancada onde tinham 4 monitores - São 7 câmeras, tem 2 na parte de fora da casa, coloquei uma na varada do seu quarto que consegue pegar bem toda área da piscina... uma perto da churrasqueira e um no quintal dos fundos. Aqui na parte interna da casa apenas coloquei duas, uma de ângulo fechado na sala, ela só filma mesmo a porta da sala... e essa na escada do sótão que pega todo corredor do segundo andar. Esse monitor desligado é para a câmera do carro que ainda preciso instalar.
- No meu carro? - pergunto rápido
- Não Ana Clara no meu - debochou Camila - Claro que é no seu.
- Ai... isso é mesmo necessário?
- É uma precaução, ok?! Se você quiser eu posso instalar uma tela no carro e você acaba utilizando a câmera traseira como sensor de ré.
- Hum.. agora vi vantagem.
- Agora vamos descer vou mostrar como armar e desarmar o alarme.
- Tá mais primeiro vamos conversar sobre esse colchão inflável... cê não tá pensado em dormir nele né?
- Eu falei - riu Camila.
- Ele é confortável, eu juro - disse a segurança.
- Sei... depois vemos isso, agora vamos lá vê esse trem de alarme.
Depois de ensinar as meninas a mexerem no alarme Luísa foi para casa. Amanhã quando voltasse era pra ficar de vez, bom, pelo menos por um tempo indeterminável.
- Agora é pra valer Camilinha - disse Clara desanimada enquanto tomavam café da manhã e viam a segurança entrar pela porta.
- A para amiga, minha conterrânea parece ser super de boa vai.
- Mesmo assim... vou rezar muito para isso acabar rápido.
- Amém!
- Olá meninas, bom dia - disse a gaúcha assim que entrou na cozinha segurando umas sacolas de mercado na mão - Trouxe algumas coisas para poder fazer comida esses dias, posso pôr na despesa e na geladeira?
- Claro, fica a vontade - respondeu a mineira - Mas oh num precisava não, tem bastante coisa aqui, dá pra nos 3 de boa Luísa - limpou um pouco a garganta e terminou o café antes de continuar - Eu queria bater um papo com você, podemos ir lá em cima quando terminar ai?
- Podemos sim, dois minutos.
Não tardou para as duas entrarem no sótão e Ana Clara começar.
- Ontem quando você saiu eu e Camilinha ficamos conversando... Bom pra mim isso tudo é muito difícil, eu sei que é seu trabalhou mas eu acho um saco total ter alguém grudado em mim o tempo todo olha eu odeio grude até de namorado imagina de alguém que nem conheço... sem ofenças... mas o que eu quero dizer é acho que pensei numa solução viável de você conseguir fazer seu trabalho e eu não me irritar com isso e muito menos sair falando aos quatro cantos que estou andando com uma segurança.
- E qual seria essa solução?
- Bom eu e Camila pensamos em dizer para os outros, principalmente o povo chato da faculdade que você é uma amiga dela de Porto Alegre e vai morar com a gente por um tempo. Assim fica mais fácil quando a gente quiser sair e cê tiver que ir junto.
- Por mim tudo bem, precisamos acerta mais algumas coisas principalmente em relação a faculdade, eu visitei o prédio que você estuda assim que o Mike me deu seu "histórico", bom é bem seguro e não vejo necessidade de ficar com você em sala de aula
- Mas o que? - disse espantada - E existia essa possibilidade?
- Sim, bom seu avô contratou o pacote mais caro, seu eu tivesse que me matricular e me colocar em todas suas aulas pode ter certeza que a empresa ia dar um jeito.
- Nussaa
- Mas não se preocupe, como eu disse é bem seguro lá e equipe de segurança ficará ciente do seu caso... não precisa se espantar, isso é mais comum que você pensa, afinal até o filho do governador e do embaixador da França estudam lá... mas enfim eu sempre estarei na faculdade enquanto você estiver em aula, assim que terminar me liga que nós encontramos.
- Ok ... eu acho - riu um pouco nervosa - Que doideira ... e o resto dos lugares como funciona? Se eu quiser sair com alguém, casa de amigo, ensaios fotográficos? Cê sabe que eu faço uns trabalhos de modelo né? - a outra fez que sim com a cabeça - Para ser sincera eu e Camila só surtamos em relação a balada - gargalhou - Que idiotas véio!
- Eu sei que você vai muito a praia na Barra que geralmente nunca tá cheia, isso dá uma margem para eu ficar bem distante de você, posso ficar até mesmo no calçadão... mas se você um dia quiser encarar Copacabana domingo... lamento lhe informar que serei praticamente sua sombra.
- Eu odeio praia cheia, então não passaremos por isso.
- Caso queira sair com alguém precisa me informar o lugar com antecedência, talvez é a parte mais chata. Cinema, praça de alimentação, barzinhos são fáceis, mas caso for restaurantes com reserva você precisa colaborar... tenho que ficar em algum lugar que possa te ver e ver a entrada sempre.
- Ok, vou tentar lembra disso.
- Casa de amigo, preciso ser sincera com você.... Durante esse tempo é importante que frequente somente a casa de quem você confia muito, tente evitar colegas e desconhecidos. Como seremos colegas você pode me levar se quiser, se for com Camila, eu posso ser bem sociável nesse casos... mas se não for de seu agrado, sempre vai ter que ir no meu carro, serei sua motorista.
- Hum... meu próprio Uber... eu amo dirigir mas não vou mentir que a idéia de ter uma motorista particular me agrada - riu.
- Por último em relação ao trabalho você vai ter quer dizer que sou sua segurança ou colega. Vamos vendo conforme for acontecendo.
- Tá bem.
- Ah antes que me esqueça, baixa esse aplicativo aqui a - deu um cartão com código CR code - É da empresa, nele você consegue me mandar mensagem, mandar alerta, localização e tem outras utilidades que depois te explico... enfim ... eu juro que vou fazer o melhor pra você nem lembrar que eu existo e te atrapalhar o mínimo possível.
E assim foi feito nós 4 primeiros dias Ana Clara seguia sua vida quase que normalmente, em casa as vezes esquecia que Luísa estava lá, muitas vezes apenas no café ela lembrava. Essa refeição aliás passou a ser mais animada, as três mulheres costumavam conversar bastante pela manhã e no caminho da faculdade.
A jovem modelo estava no final do segundo período de arquitetura e paisagismo na PUC, sua sala de estudos agora era tomado por vários cavaletes com alguns desenhos e uma maquete simples na grande mesa de madeira onde também ficava o computador. Ana Clara bufou quando olhou pro relógio marcando 2 da manhã e ainda não tinha terminado o projeto que entregaria daqui uns dias, desistiu devido ao cansaço e foi dormir. Na manhã seguinte acordou dolorida e logo percebeu que não era a única a dormir de mal jeito, viu que a segurança passava a mão no pescoço e apertava quase que a todo momento enquanto dirigia, a cara fechada da mulher tatuada estava ainda mais intimidadora, logo Clara lembrou do maldito colchão inflável.
- Oh ... Camilinha - bateu na porta do quarto da amiga já entrando - Cara tu reparou que a Luísa tá com o pescoço todo cagado?
- Eu não.
- Enfim - revirou os olhos - Tenho certeza que é aquele colchão... me ajuda a pegar o de solteiro do quarto de hóspedes e levar lá pra cima... vamo aproveitar que ela tá no banho.
- E adianta eu dizer não?
- Não - riu - Vamu logo.
Tiraram o colchão até facilmente mas na hora de subir empacaram, causando uma crise de riso nas duas.
- Véi, puxa mais - Clara dizia enquanto tentava segurar o riso.
- Eu tô puxando caralh*, porr* eu não guento mais segurar Ana Clara, tu é foda.
- Segura isso ai ... Camilinha CAMILINHA - começou a falar mais alto enquanto sentia o colchão pesar mais pro seu lado - CAMILINHA ESSE TREM VAI CAIR EM CIMA DE MIM. PUTA QUE PARIU!
O desespero bateu e só conseguia escutar as risadas da amiga que ameaçava a fazer xixi nas calças. Por sorte a segurança saiu do banheiro ainda de roupão e toalha na cabeça e correu pra ajudar.
- Bah que ideia é essa de vocês?
- De vocês não... da Ana Clara - se defendeu a baixinha.
- Aquele colchão não tá fazendo bem pra você, ai vamos colocar esse lá no lugar. Agora que tá aqui ajuda nós pow.
- Bah guria você é teimosa né? Eu disse que aquele tava bom!
- Tá tá eu sei agora discute menos e ajuda mais.
Uma nova semana chegou e com ela as temidas provas de fim de semestre e entrega de projetos. As duas universitárias praticamente não saiam dos seus quartos, ambas mal comiam. E a segurança decidiu ajudar elas naquele período, praticamente fazia todo dia o café da manhã e janta pra duas. Naquele dia Camila já está mais livre, só faltava uma prova na qual precisava tirar apenas um 6 para passar, então desceu cedo, fico vendo TV e conversando com sua, já considera, amiga.
Ana Clara seguiu em direção a cozinha depois de quase 3 horas sem sair do quarto, diferente de Camila ela ainda tinha duas provas e uma precisava tirar 9 para passar direto. Ainda na escada escutava o som de risadas vindo do andar de baixo, não demorou muito para encontrar a amiga e a segurança as gargalhadas.
- Gente que tá acontecendo? - olhou pra Luísa que estava com lágrimas nos olhos, rosto vermelho e uma garrafa de água na mão.
- Eu não tô ... conseguindo respirar ... socorro - Camila comentou ainda tentando controlar o riso.
- Porr* Camilinha - a outra gaúcha comentou enquanto bebia mais um gole de água - Maldade viu?! Vou me lembrar disso.
- Aí Clara não me segurei... Ela queria um molho pra por no Strogonoff falei pra provar aquele que você trouxe de Dubai.
- Camila você é doida ... Por isso a menina tá toda vermelha... véi bebe água Luísa.
- Mais? - Mostrou a garrafa de 1 litro vazia.
- Oh dó, Tadinha - olhou para a amiga com olhar de reprovação - Cê também hem?! Não tava estudando?
- Já terminei e tô aqui papeando com a Lu.
- Poderia estar me ajudando a fazer comida? Poderia! Mas só tá me zoando.
- Ei eu já cortei a salada - se defendeu.
- Sei ... Ana Clara vai jantar agora? Tô quase acabando aqui - perguntou a segurança.
- Acho que sim... nem comi direito hoje.
- Eu vou tomar banho enquanto você termina aí ... Até suei aqui de tanto rir.
- Engraçadinha, vai lá vou fazer suco ainda... Dá tempo.
Logo que a outra subiu a mineira comentou.
- Cês se deram bem né?
- Demais, Camilinha é um amor de pessoa.
- É sim, a gente se conhece a menos de um ano e parece que nos conhecemos desde criança.
- Tem gente que é assim né? Você se identifica logo de cara. Você acredita que a gente frequentava os mesmos lugares em Porto Alegre e nunca nos esbarramos?
- Você é de lá também?
- Eu sou de uma cidade bem no interior Monte Bonito, é pertinho de Pelotas mas eu fiz faculdade em Porto Alegre e fiquei 6 anos lá antes de vir pro Rio.
- Cê formou?
- Sim, em educação física, lá em POA eu dividia meu tempo sendo personal e fazendo segurança particular.
- Ah mentira que cê é personal ... Vamô ver isso aí hem?! Eu morro de preguiça de ir pra academia véi... Bem que cê podia me obrigar a ir - olhou animada pra mulher tatuada que riu.
- Olha lá o que você tá me pedindo hem?! Não é porque você é minha chefe que vou pegar leve contigo.
- Por favor, eu tô precisando.
- Tá nada, você tá ótima - falou rápido demais e logo tratou de continuar antes que ficasse sem graça - Mas é sério, se você quiser eu topo. Podemos ir pra academia, crossfit, funcional na praia ou alguma luta se preferir, eu faço isso tudo.
- Funcional na praia, já quero.
- Show!
Pouco tempo depois as 3 jantavam conversando amenidade até o assunto se tornar delicado para a segurança.
- Nossa Lu, você arrasou... tá ótimo - comentou Camila.
- Brigada!
- Tá bom mesmo, mas eu sou meio suspeita como até sopa de pedra - a mineira brincou fazendo as outras rirem.
- Ouw Lu... você já foi naquele bistrô lá em POA super famoso que tem umas pizzas muito doidas, até de strogonoff...
- O da travessa?
- Esse mesmo!
- Eu amo demais, ia lá toda vez que minha ... - a segurança parou a frase no meio e continuou de outro jeito - uma pessoa aqui do Rio estava em POA.
- A mesma pessoa pela qual você se mudou pra cá? - a outra vez que sim com a cabeça e a menor continuou - Oh Clara você sabia que a Lu se mudou pro Rio por amor.
- Ah é?! Que romântico - disse um tanto quanto debochada, na real achava essas loucuras de amor pura palhaçada - Me passa o açúcar pra por aqui no suco de maracujá amiga.
- Antes eu não fosse romântica, cheguei aqui e descobri que a pessoa era casada... me fudi!
- Eita, dessa parte eu não sabia Lu!
- Homem é foda mesmo - comentou a mineira enquanto adoçava o suco.
- Bom... na verdade a pessoa não era homem no caso - disse um tanto sem graça.
As duas outras mulheres arregalaram os olhos em sinal de surpresa e na sequência Ana Clara acabou cuspindo no chão todo o suco.
- CAMILA CARALHO VOCÊ ME PASSOU O SAL! PRESTA ATENÇÃO VÉI!
- Amiga - ria com vontade - Desculpa, vou pegar um pano.
- Toma o meu tá com adoçante, juro que não é sal - brincou a segurança.
- Tú é fofoqueira viu, tá querendo saber da vida da Luísa e num presta atenção, tem base um trem desse?!
- Sou mesmo... agora estou curiosa, conta ai... trouxe até sorvete pra nós tomar.
- Bah Tchê, você vai me fazer contar a maior derrota da minha vida?
- Vou sim pode começar.
- Ai Ai.. vou tentar resumir - passou a mão pelos cabelos e fez um coque no alto da cabeça antes de continuar - Tá... 3 anos atrás eu conheci a Fernanda, eu tinha acabado de me formar na faculdade, já estagiava na rede de academia que basicamente é do mesmo grupo da empresa de segurança que eu trabalho. Nessa época o Mike, amigo do seu irmão - falou para Clara - Tava em POA, ele tava abrindo uma agência lá e acabou me observando... viu que eu tinha perfil pra segurança, sempre gostei muito de lutas em geral e outras características que fizeram ele me oferecer o emprego que logo aceitei, até porque pagava muito melhor que de personal... mas enfim, eu não tinha uma pessoa fixa pra proteger, sempre era por um dia ou semana, até que eu peguei um caso de juiz que estava sendo ameaçado de morte. Bom ele tinha vários casos pra analisar e um deles a Fernanda era advogada de defesa, a gente sempre se esbarrava no tribunal quando ela ia pra POA, foi assim por uns dois meses até a audiência final... ela perdeu, o cliente dela literalmente surtou desarmou um policial e tentou atirar nela, eu acabei percebendo o que ele ia fazer e me antecipei, me joguei com ela no chão, bom isso me rendeu um tiro de raspão no braço... não dá pra ver muito porque acabei fazendo uma tatoo em cima - mostrou uma marca quase imperceptível por de baixo da tatuagem de São Miguel Arcanjo no braço esquerdo - Enfim ela fico agradecida, ficou comigo no hospital, saímos pra tomar café ela acabou ficando mais uns dias em Porto Alegre e acabou rolando... algo mais entre a gente... e nem sei dizer em que ponto eu me apaixone mas quando vi já tava com uma anel na mão e ela vindo quase todo fim de semana pra me ver... eu nunca tinha ficado com uma mulher antes e nem imaginava ficar, mas aconteceu e eu amava tanto ela mas tanto que sei lá nem via os sinais sabe - suspirou.
- Cara ela não tinha rede social? - perguntou Camila.
- Tinha sim fechada, postava até foto comigo acredita?
- Que piranha - Clara se limitou a dizer - Como você descobriu?
- A gente já tinha feito 2 anos de namoro, eu larguei a segurança particular depois de alguns meses de relacionamento por conta dela achar muito perigoso, começamos a fazer planos juntas, chegamos a viajar juntas duas vezes... ela falava que queria ir pra POA morar comigo mas que era muito complicado por causa do trabalho de advogada dela, que o Rio era melhor pra área dela e blá blá blá... Um dia eu acabei encontrando com o Mike que me falou na nova unidade que ia abrir aqui no Rio e seu não me animava de me mudar e aproveitar pra ficar mais perto da minha digníssima namorada. Eu topei e tive a brilhante ideia de vir pra cá de surpresa, ia mandando as coisas aos poucos pra cá e minha amiga Patricia ia me ajudando com o apartamento que aluguei aqui. Daí na segunda semana de janeiro desse ano eu desembarquei e foi só desgraça, quando ela descobriu que eu tava na cidade entrou em desespero, primeiro me ignorava e eu sem entender nada, depois passou pra fase de me chamar de louca e me convencer a voltar pra POA, por fim eu descobri e ela confessou ... Casamento de 10 anos... e eu de aliança de compromisso na mão - riu meio triste - Eu achava que essas coisas de ter duas famílias era só em novela, até acontecer comigo.
- Cacete Lu, que bad!
- Bom agora ela tá na Europa fazendo uma segunda lua de mel em comemoração aos 10 anos. Felizmente o Mike me ofereceu essa oportunidade de voltar pra segurança particular, ai é bom quando ela voltar pro Rio não vai saber onde me achar.
- Como assim te achar? Não vai dizer que você ainda tem contanto que essa embuste? - perguntou a outra gaúcha com medo da resposta.
- Ás vezes - respondeu desanimada.
- Esse as vezes está com cara de "vou parar na cama do meu ex todo fim de semana" aqui no caso minha ex - falou meio áspera Ana Clara.
- Ai Lu - Camila sentiu um pouco de pena da outra.
- Olha pra mim já deu, eu tenho zero paciência pra sofrência, só te digo uma coisa toma vergonha nessa sua cara - a mineira brincou e deu um beijo na cabeça da segurança e no rosto da amiga - Vou subir meninas que amanhã vai ser tenso.
- Liga não, ela é insensível as vezes - comentou a mulher mais baixa assim que a amiga saiu do cômodo - Deus me livre fofoca, mas diz o Bernardo que ela piorou depois do último término dela... o cara ficou perseguindo ela, bad vibes também.
- Credo, daqui a pouco você conta uma história pesada também.
- Eu não, tô de boa esperando meu príncipe encantado... até meus términos sempre foram ótimos, sou amiga dos meus dois ex acredita?
- Sorte a sua.
Era madrugada por volta das 2 quando a segurança acordou com o barulho no celular. O sono sumiu em um segundo, falou tanto do demônio que ele decidiu aparecer. Começou a ficar impaciente no quarto, via as notificações de Fernanda chegando sem parar em seu celular mas não queria ler e muito menos responder. Decidiu então descer na cozinha pra beber o resto de suco de maracujá, talvez isso ajudasse a se acalmar.
Quando abriu a geladeira sentiu o celular vibrar com força e suspirou. Sabia que sua ex não pararia de ligar. Pegou a garrafa de suco, um copo, ligou apenas a luz fraca do corredor e se sentou na cadeira alta... na terceira ligação ... atendeu.
- O que você quer Fernanda?
- Estou no Rio!
- Aproveito sua lua de mel ? - debochou
- Não liguei para contar da minha viagem... Fui na academia hoje, me falaram que você estará fora por um tempo - suspirou e a voz saiu áspera - Você não voltou a fazer segurança não né Luísa?
- Isso não te diz respeito ...
- Pela sua resposta já sei que voltou - respirou fundo - Que inferno Luísa... Não entendo qual a necessidade de você trabalhar com isso, já estava na academia droga... Você sabe que eu morro de preocupação ...
- Nossa muita preocupação que você tem comigo.
- Lu não faz assim vai ... Você sabe que eu te amo e me preocupo de verdade.
- COMO VOCÊ TEM CORAGEM DE FALAR ESSAS COISAS? - se alterou - Me ama? Passando um mês trans*do com ele na Grécia, em Roma, na França, na casa do caralh*... que amor é esse? Me diz?
- Não fala assim ... você sabe que é complicado...
- Não eu não sei e na verdade não quero saber, eu só quero que você me deixe em paz Fernanda - disse com a voz trêmula denunciando o começo do choro.
- Amor não chora vai ... Me diz onde você tá, preciso te ver.
- Eu não quero - escutou passos na escada - Eu ... Eu tenho que desligar.
A segurança desligou assim que viu Ana Clara no último degrau e tentou enxugar o máximo possível das lágrimas que teimavam em cair.
- Oi... Sem sono também? - a mineira comentou.
- Ah ... É - fungou um pouco o nariz - Vim beber um pouco de suco - mostrou a garrafa.
- Oh ... Tivemos a mesma ideia - sorriu e percebeu a cara de chateada da outra - Luísa, tá tudo bem?
A gaúcha abaixou a cabeça e suspirou, ela era do tipo que não conseguia segurar choro e aquele pergunta era péssima naquela situação. Passou a mão nos cabelos enquanto as lágrimas começavam a molhar novamente seu rosto.
- Ei?! Ei Lu - se assustou levemente com a reação da outra e quase por instinto deu a volta na bancada e foi abraçá-la - Ei vem cá, não fica assim - disse enquanto a segurança chorava baixinho encostada no seu ombro que não demorou muito para ficar molhado.
- Desc.. desculpa - disse num fio de voz.
- Sssh ... Tá tudo bem - passava uma mão pelo cabelo e outro pelas costas.
Ficaram assim por mais alguns segundos, até a respiração da gaúcha regularizar.
- Cê tava no telefone... era sua ex?
- Era sim... voltou pro Brasil e já chega tentando me controlar.
- Não deixa ela te machucar não - suspirou enquanto puxava um banco para sentar ao lado da outra - Isso não é justo.
- Me sinto uma idiota... sei lá as vezes eu acho que um dia ela vai mudar e eu queria tá aqui pra ela.
- Lu - sentido um aperto no coração, geralmente não tinha muita paciência pra esses assuntos e até mesmo com Dominique era grossa mas ver aquela mulher com pinta de durona naquele estado, tinha lhe desarmado - Pessoas com ela não mudam... nunca! Olha a quanto tempo cês tão nisso e ela só te engano véi ... cê merece alguém muito melhor
- Ai Ana Clara você nem conhece ... as vezes é isso que eu mereço mesmo.
- É verdade, eu não sei quase nada de você... das suas qualidades e seus defeitos mas eu te conheço a duas semanas e já sei o quanto você é prestativa e divertida ... Por favor menina você é linda demais, tem um corpaço, um sorriso e esses zoios azuzim azuzim por demais - riu e mesmo com a pouca luz percebeu que a outra corou - Eu não duvido nadinha que deve ter um monte de gente atrás de tu e cê ai dando bola pra essa idiota ... véi cê eu te conhecesse a mais de 2 meses eu te dava uns tapa na cabeça pra deixar de ser trouxa - Luísa gargalhou.
- Ai tô merecendo mesmo... O foda é que quando eu tô começando esquecer, ela surge do nada, parece que sente - suspirou - Eu só queria que ela me deixasse em paz.
- Cê quer que eu bata nela com minha raquete? - a mineira brincou e vez a outra rir mais uma vez.
- Boba... não precisa.
- Olha que bato mesmo, eu defendo minhas amigas turuu, mexe comigo mais não mexe com meus amigos eu viro bicho... eu já tô ranço puro dessa ai.
- Tô vendo... e a senhorita... não tá conseguindo dormir porquê?
- Minha cabeça anda a mil - deu de ombros - Semana de prova fico destruída e aconteceu outro problema lá em casa, mandaram uma carta na fábrica ameaçando explodir se não deixarmos a cidade em dois meses... você sabia?
- Sim - respondeu com sinceridade.
- Eu não gosto que me escondam as coisas - disse bem séria olhando para a segurança, nem parecia a mesma pessoa que estava fazendo rir minutos atrás - Em qualquer que seja a circunstância.
- Você compreende que isso não diz desrespeito diretamente a você? Não vi necessidade em lhe contar algo que sua família deveria dizer pra ti e não eu.
- Eu fiquei sabendo por um a caso conversando com minha prima, isso foi a 3 dias e ninguém me disse - suspirou - Eu odeio não saber das coisas, ainda mais nessa situação... Me promete que qualquer novidade daqui em diante você vai me contar?!
- Ana Clara, eu não tenho essa obrigação e não acho certo me meter em algo que vejo como uma decisão da sua família contar ou não pra ti - viu a outra fechar a cara e ficar com uma expressão chateada - Mas... se você jurar que isso não vai causar um mal estar entre você e seus familiares eu posso te dizer alguma coisa.
- Não vai... eu juro - disse de pressa - Eu não vou cobrar nem jogar nada na cara de ninguém eu só não quero me sentir as cegas sabe?
- Assim espero - disse também séria e começou a se levantar da cadeira - Bom acho que vou tentar dormir novamente.
- Eu também já vou, só vou tomar o suco e subir... pode deixar que lavo os copos.
- Tudo bem então, Boa Noite!
- Boa!
A gaúcha ia em direção a escada quando parou e decidiu olhar pra trás para fazer algo que tinha esquecido.
- Ei Clara... Brigada - deu um sorriso fraco e voltou a subir enquanto a outra balançava a cabeça como quem diz "de nada".
Na cidade maravilhosa Luísa era rodeada de colegas, mas poucos amigos, poucos sabiam o porque havia se mudado para o Rio e dos fantasmas que tanto lhe assombravam. As vezes tinha vergonha, então era raro contar sobre Fernanda para os outros, mas ali com as duas meninas em menos de um mês já se sentia confortável para desabafar. Naquela noite não dormiu com raiva e chorando pensado mil coisas ruins, dormiu pensando no carinho e nas palavras duras, reais e até divertidas de Ana Clara, gostava do jeito da menina e se pegou imaginando na possibilidade de quando esse trabalho acabasse poderia continuar tento ela por perto. Se dependesse na segurança, isso aconteceria sim! Quem não gostaria de ter uma amiga como ela?! Uma amiga! Amiga!
Fim do capítulo
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