Capítulo 1

Capitulo 1 - O início do fim?

de Proibida de te Amar, por Ana Pizani

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         Anabelle estava sentada de frente para Duda no pequeno escritório improvisado de Ramon:

         _ Então você achou melhor eu saber quem você era por um furo de reportagem a me contar toda a verdade a seu respeito?

         _ Olha, Duda, há mais coisas e pessoas envolvidas nisso. Entenda, eu não poderia contar para você sem colocar o meu trabalho em risco e também a sua vida.

         _ Ah, ok! Agora você vai vim com esse papinho de super proteção e acha que vou cair nessa. Acorda, Anabelle! O Ramon foi capaz de contar para a esposa dele e você não poderia dividir isso comigo? Afinal, com quem eu venho me deitando nesses últimos meses? Quem é você? Porque a mulher que eu conheci parece que nunca existiu, que foi apenas mais um papel que você viveu, mais uma missão. Quantas pessoas você se deitou para chegar até onde queria? E eu acreditando que eu era a única na sua vida. Pelo jeito eu sou apenas mais uma parte da sua missão.

         _ Como assim, Duda?

         _ Você vem me usando e usando o jornal onde trabalho para descobrir mais coisas sobre a missão em que você está envolvida. E pensar que aquele homem gentil que eu conheci e parecia seu chefe e mentor, não passa de mais um cara da sua vida. Eu sou mesmo muito burra. Todos vocês me enganaram e estou possessa de raiva, você não faz ideia do quanto.

         Anabelle escutava tudo calada. Estava molhada de chuva e sua roupa parecia desenhar suas curvas de uma forma irracional. Sentir desejo era diretamente proporcional a olhar para ela, mil vezes que fosse.

         Duda se segurava para não chorar. Também estava molhada e seu corpo não tremia de frio, mas sim de raiva.

         _ Nem em mil anos, eu poderia imaginar que vocês todos me enganariam. Sério, eu pensei que vocês me consideravam um pouco mais. De repente a notícia de jornal é a minha vida sendo destruída e todas as minhas verdades se tornando um bloco de mentiras que surgem de todos os lados.

         _ Duda, eu não poderia contar a você porque eu fiz um juramento. E você sabe, no fundo você sabe, que tudo está acabado agora. Agora você terá uma mulher que poderá te dar a atenção que você merece, poderemos construir uma vida agora que sou uma cidadã normal. Desmascarada, mas normal. Agentes secretos existem em todos os lugares e eu sou apenas um grão de areia em meio a todos eles.

         _ Eu não sei o seu nome verdadeiro. Todas aquelas noites enquanto eu gemia e chamava o seu nome, eu chamava por um nome de alguém que nunca existiu, alguém que não era você! Como quer que eu me sinta? Eu preciso de espaço, de tempo e de muita sensatez para entender tudo isso.

         _ Como assim um tempo? Como assim espaço?

         Anabelle pulou da pequena poltrona em que estava sentada e caminhou até ficar bem próxima de Duda:

         _Ei! Não me peça para ficar longe de você agora que posso e vou ficar perto. Não me peça para me afastar da única pessoa que tenho e amo nesse mundo. Todos esses dias em que eu precisei me deitar com outras pessoas, eu mal podia aguentar o meu próprio corpo, me sentia suja e ainda me sinto. Sou uma puta de elite, essa é a verdade, isso é o que eu sou, mas eu deixei de me sentir assim quando eu conheci você e você não pode me arrancar a única esperança que tenho para sair disso tudo, que é o seu amor, o nosso amor. Nem tudo foi mentira, Duda, há muita verdade envolvida nisso, pode acreditar. Eu não menti o que eu sinto, eu menti sobre o meu trabalho apenas.

         Duda começava a perder as suas forças para lutar contra Anabelle. Como ela poderia lutar contra o que sentia tendo-a tão perto de si daquele jeito?

         _ Agora eu sou uma chifruda mundial.

         Agora era Duda quem estava sentada na poltrona confortável.

         _ Olha, não pense assim. Eu sempre fui sua, desde o seu primeiro olhar eu nunca mais consegui me entregar a outras pessoas. O meu corpo poderia estar ali, mas o meu coração, a minha vida estava o tempo todo em suas mãos, como está agora.

         Silêncio. Duda já não tinha mais nada para falar. Agora era apenas ela e sua mente confusa.

         _ Você precisa descansar. Há quanto tempo não dorme e não come e não toma um bom banho?

         Duda lançou um olhar para Anabelle tão cansado que por um minuto a ex- agente se perguntou se não estava diante de uma anciã de cem anos.

         _ É, nisso você tem razão. Eu preciso muito descansar. E preciso da minha casa.

         _ Vamos embora?

         Anabelle lança um olhar convidativo para Duda, mas tudo que ela faz é passar por ela e sair pela porta.

         Na sala, o casal amigo e cúmplice as esperavam, ansiosos. Duda passou por eles com o olhar no tapete persa e saiu pela porta sem se despedir.

         Anabelle faz sinal que iria ligar para eles mais tarde e seguiu os passos rápidos de Duda.

         Lá fora, a tempestade parecia abrandar e elas entraram no carro de Duda.

         _ Você pode ir em seu carro de luxo se quiser.

         _ Não, Duda, eu prefiro ir com você.

         Duda acelera o carro e percorre a curta distância até o pequeno apartamento que dividiam.

         _ Espero que você não se importe em dividir o apartamento comigo, afinal eu não vou desistir de você mesmo que você jogue as minhas coisas pela janela.

         Duda pega o elevador e Anabelle está tão próxima dela apesar de se sentir tão distante, como se um muro invisível as separasse. Teriam que recomeçar do zero e Duda tinha sérias dúvidas se isso valeria à pena.

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

1
A

alineyung

01/12/2019 às 08:40

Linda história autora. Parabéns!!!

Ansiosa para ler o final

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