Capitulo 6
Gabi
-O que foi aquilo? Karla perguntou.
-Aquilo o quê?
-Você e a doutora lá... me senti invisível naquele elevador.
-Ah, nem vem. Ela vai me dar o livro que eu tanto procurei e não achei em lugar nenhum. Eu tinha que está eufórica com isso, né?!
-Sei não, me pareceu bem mais que isso.
-Tipo o quê?
-Parecia que estava rolando um clima ali e eu estava sobrando.
-Nada a ver! Só estava alegre por ganhar o livro que eu tanto queira, mesmo que não o tenha ganhado ainda. Não tinha nada de mais ali.
-Se você está dizendo que não, quem sou eu pra falar que tinha...
Fui tomar banho, Karla iria dormir lá em casa. Ela foi tomar banho em outro banheiro e eu fiquei pensando no que ela havia falado. “será que tinha algo mesmo?” comecei então a fazer uma análise sobre os “encontros” que eu tive com a Hellen. Queria saber por que a euforia sempre que estava perto dela. Meu deus! Eu a conheço a tão pouco tempo e me sinto tão bem com ela que parece que a conheço a anos. Esquisito isso.
-Vamos assistir qual filme? Perguntou Karla com uma tigela de pipoca nas mãos.
-Você quem manda. Respondi me sentando na cama.
-Ei, tem lugar pra mais um aí? Perguntou meu irmão com a cabeça pra dentro do quarto.
-Guilherme! Bate na porta quando quiser alguma coisa. Ralhei o pirralho.
Gui nem era tão pirralho assim... ele era dois anos mais novo. Era alto, cabelo bem preto, igual ao meu. Tinha olhos castanhos, igual ao do meu pai e era magro, como a maioria dos adolescentes homens.
-Me desculpe, só queria te entregar esse livro que a doutora Hellen mandou.
Dei um pulo da cama e fui em sua direção tão rápido que até assustei os dois.
-Calma, pra quê tanta pressa? Perguntou Guilherme.
-Caramba! Tomei um susto, sua louca! Falou Karla.
-Aí, me desculpem, vocês não sabem como eu procurei esse livro!
-Acredito que seja ótimo mesmo. Mas o Usain Bolt perderia facilmente pra você numa corrida se esse livro estivesse na faixa de chegada. Zombou Karla.
-Ok, vocês não vão entender!
Já ia começar a ler o livro, quando sinto ele ser tomado da minha mão pela minha amiga.
-Você me chamou aqui para vermos um filme, fazermos um programa de amiga; não pra você ficar aí lendo livro.
-Tudo bem, me desculpe! Leio amanhã.
-Claro que você vai ler amanhã, esta noite você me deve toda a atenção.
Meus pais tinham viajado de novo. Eu estava só com o Gui e chamei a Karla pra dormir lá em casa comigo. Os pais dela não ligavam mesmo. Tínhamos um trabalho pra fazer, sobre bioquímica e suas propriedades. Iriamos fazer em cinco pessoas, o professor dividiu as turmas para fazer o trabalho e apresentar, iriamos adiantar umas coisas, não custava nada um filminho pra animar e um tempinho pra nós duas. Escolhi o filme: “ligados pelo amor” era uma comédia romântica que eu particularmente adoro, nunca vi filme mais lindo que este.
A semana correu muito rápida, Karla deu a ideia de pedir ajuda a Hellen. Lógico que fiquei meio sem graça, mas como ter uma amiga como a Karla e um irmão como o Gui, ou você passa vergonha ou passa vergonha, não havia outra opção.
-Hellen, boa tarde!
-Boa tarde Gui! Boa tarde Gabi e boa tarde Karla. Como vocês estão?
-Boa tarde. Karla e eu respondemos.
-O que achou do livro, Gabi?
-Adorei! A Dra Patrícia é maravilhosa! Ela relata cada cirurgia com tanta emoção, que é possível sentir isso somente nos seus escritos. Simplesmente fantástica.
Hellen da um sorriso, que chego a viajar naqueles dentes branquinhos, naqueles lábios...Meu deus, estou doida! Estou admirando a mulher à minha frente. Quando dou conta que tem uma certa pessoinha me analisando... minha amiga estava olhando fixamente pra minha cara, fiquei envergonhada e ela deu um sorriso de ”eu sabia que tinha algo”.
-Doutora, Gabi e eu estamos com umas duvidas sobre um trabalho que temos que fazer. Pensamos que você poderia nos dar umas dicas, né Gabi?
-Ah, é verdade! Quem melhor que a Doutora pra ajudar vocês? Constatou meu irmão.
-Não doutora, sei que você é muito ocupada e não tem tempo pra isso! Falei porque não queria incomodar, mas iria adorar pegar umas dicas com ela.
-Claro, adoraria ajudar. Sobre o que é o trabalho? E gente, podem me chamar de Hellen.
-Sobre bioquímica e suas propriedades. Respondi
-Tudo bem, é só marcar. Pra quando é o trabalho?
-Segunda. Respondi
-Ixi... então é pra ontem, né?
Fizemos cara de desespero, achando que seria bem mais difícil que pesávamos, mas ela nos tranquilizou:
-Não precisam se desesperar, podemos fazer isto hoje, estou livre à noite.
-Mas não somos só Gabi e eu, tem mais três pessoas fazemos esse trabalho. Tudo bem pra você?
-Sem problemas! Podem ir lá em casa. A casa comporta todo mundo.
-Casa não, mansão é a palavra correta. Também quero ir! Disse meu irmão que estava milagrosamente calado até o momento.
-É bem grande mesmo. Você vai adorar!
-Então tá, até mais tarde. Nos despedimos dela. Confesso que eu estava com medo de ficar com a Karla sozinha e ela me perguntar sobre o que aconteceu no elevador. Nem eu conseguia entender o que estava acontecendo comigo, imagina explicar!
Liguei para o Breno, Fernanda e Vitor, que também iriam participar do trabalho e falamos que uma doutora iria nos ajudar. Eles ficaram felizes, pois também estavam tão perdidos quanto Karla e eu. Marcamos às 19:00h e era só esperar.
Cris
Resolvi uns assuntos durante a tarde. Fui ao mercado comprar umas comidinhas pra fazer para Gabi e seus amigos. Separei meu notebook, uns livros, peguei a lousa, uns pinceis, tudo para ajudar nas explicações. Tudo preparado, fiquei só na espera. Enquanto esperava liguei pra Alê
-Oie, tudo bem?
-Não, estou embarcando pela manhã para o brasil... espero que eu não morra com esse calor aí.
Sorri achando graça do mau-humor da Alê. -Calma amor, deixa de ser dramática. Você não vai morrer, está até com uma temperatura agradável.
-Quantos graus? Ah não, não precisa falar. Não quero me irritar antecipadamente.
- rsrsrs... sabe que horas seu voo chega?
-Lá pelas 10:00h. Amanhã você não vai trabalhar, né?
-Não. Sou toda sua!
-Que bom! Vou tentar cochilar um pouquinho. Bjs
-Bjs. Te amo!
Ouço a campainha tocar, me olho no espelho e vou abrir a porta.
-Oi, boa noite! Cumprimento os jovens com beijo no rosto e os faço entrar.
-Uau... cara, que casa linda! Caraca, Grande mesmo. Gui fala com admiração.
-Sim, é bem grande! Quer dar uma olhada fique a vontade.
-Posso mesmo? Falou todo animado.
-Claro, vai lá! Acho que tem um lugar que você vai gostar muito, a sala de TV. Tem um PS4 lá, se sinta em casa
-Não da asa pro Gui, esse garoto é folgado. Ri do jeito que ela falou do irmão e os encaminhei para a sala; eu queria fazer na biblioteca, mas queria que fosso algo mais descontraído por isso decidi que na sala seria melhor.
-Querem beber algo, Uma água, um suco, refri?
-Não. Responderam.
-Tudo bem, vamos começar com as dúvidas, assim fica mais fácil trabalhar num ponto especifico.
Comecei a tirar as duvidas deles. Estávamos nos divertindo até. Eles estavam bem descontraídos. Foi divertido!
Por vezes me peguei admirando a Gabi. Não me sentia culpada por admirar a jovem. Não estou pecando por conhecer alguém incrível como a Gabi. Ela falava com firmeza. Eu estava adorando isto nela. E eu não estava a desejando, só admirando... eu acho.
Karla percebe que a doutora não estava imune a amiga. Por ser observadora, viu que as duas se encaixavam tão bem... elas meio que se entendiam no olhar. Via um certo brilho nos olhos da doutora quando a amiga acertava as perguntas que ela fazia. Sabia que a doutora podia não perceber essa admiração pela a amiga, mas ela não estava imune àquele sentimento que pairava sobre as duas, disto tinha certeza. Tinha momentos que parecia que só as duas estavam ali. Nunca viu a amiga se interessar por garotas. Ela acreditava que a amiga casaria com o Vini. Ela sabia que a Gabi era meio desligada em relação ao rapaz, mas talvez fosse essa veneração que ela tinha pelos estudos.
-Que tal pedirmos pizza? Gabi deu uma sugestão.
-Aeee... apoiado! Os jovens vibraram.
Fizemos os pedidos e continuamos na sala, agora jogando conversa fora. Ouço o interfone, atendo, era o porteiro falando do entregador de pizza
-Quer ajuda? Me perguntou
-Vou aceitar sim. Me ajuda a levar os pratos e copos?
-São estes? Perguntou pegando os pratos que estavam separados na mesa.
-Sim, são.
Gabi leva os pratos para a sala.
Abro a porta, Gabi está logo atrás de mim. O entregador chega e ela já enfia a mão no bolso da saia e já ia pagando.
-O que você está fazendo? Perguntei com ar de brava.
-Pagando ué! Nós estamos aqui na sua casa, você nos está nos ajudando e você ainda quer pagar pizza?! Eu dei a ideia, eu pago.
- Não senhora, mocinha! Eu pago. Disse isso segurando as mãos dela, a impedindo de dar o dinheiro ao entregador. Aquele contato foi meio estranho, gostei daquilo. Nossa, que perfume!
O que estou fazendo? Me perguntei ao pensar aquilo. Resolvemos dividir a conta, ela era teimosa e não consegui convencê-la do contrário. Comemos, jogamos conversa fora. Foi bem legal...
-Nossa! São 23:45h, como passa rápido. Falou Karla.
-Caramba! Verdade, passou tão rápido. Concordou Fernanda.
-Horas de irmos embora, né? Gabi falou com os amigos.
-Ah, por mim podem ficar mais se quiserem, não vou trabalhar amanhã mesmo. Eu disse com sinceridade. Havia gostado muito de ensinar de novo, de estar com os jovens.
-É, mas esta tarde e precisamos marcar para colocarmos no papel todas as dicas da Hellen. Falou Gabi.
Levei eles até à porta; me despedi de cada um com duas beijos no rosto, e me coloquei a disposição deles, qualquer dúvida, podiam me perguntar.
Minutos depois ouço a campainha...
Fim do capítulo

Brescia
09/08/2019 às 19:12
Boa noite mocinha.
Estou me divertindo muito, essas duas estão começando a sentir algo uma pela outra, isso é bom, pois é recíproco. Acho bem mais gostoso esse ir de vagarinho, curtindo pequenos detalhes e amando outros.
Baci piccola.
Resposta do autor:
Amor que o amor se curte devagar, sem pressa. bora, mais dois capitulos pra vc comentar. adorando agradar vcs. bjs