Capítulo 2--Bring me to life
* ELIZABETH *
Era estranho voltar para casa.
o mundo mesmo com seu céu azul parecia não ter mais cor para mim.me peguei pensando em coisas que nunca passaram pela minha cabeça como por exemplo o quão vazia era minha casa,minha enorme casa.
cinquenta anos de vida,quinze morando com minhas filhas e meu ex-marido e dez tendo ela somente para mim, pensei que já teria me acostumado com a solidão mas algo dentro de mim havia mudado naquele hospital.havia mudado por causa desse câncer.
As palavras da minha filha se repetiam na minha cabeça.ditas com tanta insensibilidade e desapego que me enlouqueceram.
fiz todos os empregados da casa tirarem o dia de folga e me deixarem sozinha naquele casarão.eu sabia que isto não acabaria bem mas eu queria mais daquela dor que sentia no meu peito.
eu estava com tanta raiva da Lex que minhas lágrimas caiam, e meu ódio foi entregue a minha casa.
destruí tudo que era possível destruir pelo meu caminho,bebi o suficiente para uma vida os whiskys mais caros da minha coleção e tudo para o quê??ver meu dia ficar mais louco do que estava sendo e começar a me sentir atraída pelas facas da minha cozinha.
Tão brilhante prataria ficaria manchada pelo sangue de uma covarde?eu não queria isto, porem,ter visões de um futuro próximo onde me via fraca e esquecida em um quarto de hospital,isso sim me dava forças para pegar uma faca na gaveta da cozinha e acabar de vez com aquilo.
E foi o que fiz.
Com a faca em minha mão achei que teria forças para continuar com ela sobre a pele do meu pulso mas não.
Eu tremia e a cada tentativa me lembrava da Lex dizendo-me suas duras palavras.
“morra sozinha em casa e dificulte meu trabalho!”
Eu nunca cedi as provocações de Lex e agora estava ali pronta para rasgar meu pulso com uma linha horizontal.
* CLAIRE *
Depois de um banho ardido vi meu antebraço melhor e livre de uma infecção nos arranhões que ficaram contudo minha mão mal conseguia fechar tamanha era dor que sentia.
Estava preocupada em ter torcido um tendão ou coisa do tipo devido aquela queda.minha mãe ainda encontrou meia hora para um de seus discursos de “eu avisei para não implicar com ela.se tivesse mais amigos isso talvez não teria acontecido.”
Credo, ela nunca via meu lado.
Enquanto ela falava minha cabeça cheia de pensamentos se resumia em um único nome,Elizabeth Ross.minha vontade era continuar minha busca e tentativas de falar com ela.Eu era uma cabeça dura mesmo.
Seria possível dela morar na cidade ou ter alguma forma de me encontrar com ela??eu queria muito saber.por sorte minha mãe era corretora de imóveis.vendia casas e apartamentos para muitos e nesses muitos ela deveria saber bem sobre os imóveis mais caros e pertencentes a celebridades.
--Mãe,você sabe se Elizabeth Ross tem algum imóvel aqui na cidade??--perguntei e ela me olhou surpresa.como em meio a um de seus discursos de boa conduta fui perguntar tal coisa?
--Elizabeth Ross dona da agência de moda?(rs) tem!vários eu diria.A casa dela fica no bairro nobre.não dá pra errar o endereço.grande e luxuosa como ela.você sabia que a filha dela tem vinte três anos a sua idade e já é dona de um dos mais conceituados hospitais?--disse ela animadinha.me senti pressionada.
--Isso foi uma indireta mãe?
--Nada,eu só quis dizer.(rs)
Com o endereço dado pela minha mãe não perdi tempo,peguei meu celular,abri o google mapa e parti ate lá.
nunca havia ido naquelas ruas antes.era tudo tão diferente,tudo tão vivo e chique,como se eu estivesse entrando em um pais de primeiro mundo.me senti totalmente deslocada com a diferença.
Casas que mais pareciam mansões,as calçadas com seus ladrilhos dos quais nunca vi tão limpos.todos a minha volta pareciam tão tranquilos e de bem com a vida que por um momento achei ate que estava morta.
Foi assustador.
não me desconcentrei da minha missão.eu teria o melhor artigo sobre Elizabeth Ross.
Encontrado a casa não pude negar que minhas pernas paralisaram diante o desafio em que me coloquei.
Eu morava numa casinha no subúrbio com minha mãe e aquela luxuosa casa a minha frente nem se igualava a minha humilde moradia mas eu poderia me arriscar e dizer que o quintal desta era do tamanho da minha casa inteira.
Me senti pobre? Sim, não posso negar mas avancei meus passos e fui ate a porta.
Respirei fundo e ao apertar a campanhia me preparei para sua chegada.
com alguns apertos depois eu esperava que qualquer um atendesse aquela maldita porta mas ninguém apareceu.
Voltei minha atenção a maçaneta dourada.
Eu não sei o que deu em mim,mas eu queria abrir ou pelo menos ver se estava trancada.
eu tinha educação suficiente para não fazer isto porem fui atraída ate aquela maçaneta e a girei me deparando com a porta aberta.
Era sério aquilo?sei que é um bairro de gente rica e coitado do ladrão que tentar roubar as casas dali mas deixar a porta destrancada?!nem com todo o dinheiro do mundo eu faria isto.
Tudo que eu pensei na hora foi,vou me ferrar se entrar,vou me ferrar se entrar,vou me ferrar se não conseguir falar com essa mulher!
Empurrei a porta e ela abriu totalmente para mim.
Não dei um passo sequer ate perceber que a casa estava vazia porém completamente bagunçada.
Havia vidro quebrado pelo chão,poltronas e sofás rasgados,cadeiras derrubadas.
Dei meus primeiros passos involuntários graças a curiosidade daquela cena e quando percebi já estava dentro da casa bisbilhotando.
Havia algo de errado ali.era como se aquelas paredes brancas escondessem um segredo do qual não podiam contar e eu tinha razão.
Da sala aos corredores daquela casa me deparei com garrafas de whisky quebradas pelo caminho e pelo estado que estavam alguem havia as jogado contra a parede com tamanha fúria que me assombrei,o cheiro estava impregnado nelas.
Os espelhos estavam quebrados,mal conseguia ver minha imagem refletida neles ao passar pelos corredores ate que algo atrás de mim chamou minha atenção.
Pelo espelho eu via uma mão caída no chão da cozinha e eu esperava seriamente que o restante do corpo de quem fosse estivesse escondido atrás daquele balcão.
Corri ate lá e encontrei Elizabeth caída ao chão e uma poça de sangue escorrer do rasgo em seu pulso.
Me desesperei eu tinha que fazer algo,ela estando viva ou não??ela estava fria,seus olhos fechados tinham o trauma das lembranças de um ataque de pelanca.
Peguei um pano qualquer da cozinha e o rasgando amarrei sobre o corte de seu pulso.aquilo iria estancar o sangue.tinha que funcionar.
Levantei ela e apoiei seu braço por detrás do meu pescoço conseguindo enfim carregar aquele corpo próximo ao meu.
Cada passo que dei ate a saída não pude deixar de notar na trilha de sangue que deixava a nos seguir pelo carpete branco.era tanto sangue..
Fora da casa avistei um carro parado fora da garagem e não tive outra escolha a não ser leva ela ate o hospital da filha dela.
Que loucura!
Meu coração estava a mil e meus ouvidos nada escutavam.parecia que o mundo tinha parado ao meu redor e meu foco era ela.
Por sorte eu ainda me lembrava do endereço que li durante a pesquisa e sinceramente a única vez que havia dirigido foi no teste de direção do qual quase fui reprovada por ter ido rápido demais.para aquele momento creio que era o necessário a se fazer.coloquei ela no banco de trás deitada e na minha pressa vasculhei o banco da frente desesperada pelas chaves do carro,quase não percebi que estavam penduradas no espelho.se fosse uma cobra tinha me picado.
não tinha mais volta dali.
Demorei alguns minutos para cruzar algumas quadras e chegar rezando ao hospital Saint Ross.
Assim que cruzei as portas principais com Elizabeth Ross desacordada e pálida do jeito que estava em meus braços, todos os médicos do saguão principal ali presentes me ajudaram.senti um alivio ao ver ela ser atendida assim que chegamos, contudo minhas roupas estavam vermelhas do sangue dela agora.
Minhas mãos sujas de sangue tremiam e já passava das quatro e meia da tarde e nada.
minha ansiedade por noticias me fizeram seguir os médicos que a ajudaram por todo o hospital e eles sequer falavam comigo.
eu poderia ir embora mas não queria.
estava tão preocupada no momento com Elizabeth que me fiz presente na maior parte do tempo no corredor,sentada no canto ao lado da porta do seu leito.
Logo as pessoas passavam por mim e sussurravam entre elas coisas como:
“essa foi a garota que salvou Elizabeth!”,se não era isso era, “será que ela já sabe??”
Me sentia satisfeita mas curiosa.eu estava ali a horas e ainda não tinha visto a tal filha dela naquele lugar.tudo que sabia era que ela era a diretora daquele hospital então por que não estava ali com a mãe??
nesse momento encontrei minha resposta.
Parada ao meu lado encontrei uma moça a me fitar.
Eu não sei de onde ela havia surgido mas ela me encarava tão séria que acabei me levantando totalmente desconcertada por estar sentada no chão do hospital.
Já ela,manteve a pose que se encontrava.
séria e com as mãos em suas costas como uma perfeita general a me criticar. a vi suspirar,calmamente.
Como ela conseguia??eu ainda me tremia de medo!
Pensei que ela estava se preparando pra brigar comigo por aquilo mas não.ela me ignorou e avançou ao quarto onde Elizabeth permanecia,abriu a porta devagar e sem nem ao menos entrar moveu seu olhar para o interior onde em uma cama Elizabeth se encontrava descansando.meu temor havia se acabado ali.
Do nada ela fechou a porta e virou novamente para mim.Ela não ia entrar??
Gelei,estavamos tão próximas.
Ela era linda com sua pele queimada pelo sol e seus cabelos castanhos claros preso em uma especie de trança meio solta.
Tinha um belo corpo e roupas escuras,algo bem estranho para uma médica e diretora de um hospital.ela não me parecia solidária em nada.
Ela me fitava pensativa me intimidando com aquele olhar penetrante e tudo que conseguia pensar sobre aquilo era o quão fascinante era aqueles olhos azuis quase acinzentados.
Minha admiração logo acabou com dois de seus passos vindos em minha direção e meu olhar seguir desconcertado pelo seu corpo.
--Posso saber onde encontrou minha mãe?--perguntou ela para meu espanto.voltei de imediato para aqueles olhos zangados tentando por a cabeça no lugar.seria ela Lex Ross??!
--Ela estava em casa.caida na cozinha.--respondi já vendo a chuva de perguntas que me faria.
--Estranho.minha mãe nunca me falou de você.como a encontrou caída em sua cozinha se ela mora sozinha??--perguntou ela e isto quebrava qualquer argumento que eu pudesse colocar para me defender.havia invadido a casa dela não importasse o modo que explicaria a ela.por isso escolhi o silencio.
--Invadiu a casa dela.isso esta escrito na sua cara.
--Olha eu não queria ter feito aquilo!a porta estava aberta e a casa uma bagunça, eu fiquei preocupada..--falei botando pra fora aquilo que já me pesava e ia continuar.
--Já basta.--disse ela calma e controlada antes do meu surto ansioso para contar tudo.nem parecia que a mãe dela acabara de tentar se suicidar.
--Minha mãe esta bem e você deve ir embora.--ela me deu as costas e eu não aceitei isto.quem ela pensava que era??
--Não posso!--retruquei já nervosa com a resposta que ouviria, pois ela havia parado e retornado com seu olhar a mim.parecia que nunca tinha escutado alguém lhe recusar uma ordem.
--Preciso fazer um artigo sobre sua mãe e sobre..
--Então todos já sabem?(rs)que bom assim paro de mentir para todo mundo.cancer de pulmão.é o que precisa saber agora vá.
--O que?ela tem câncer??!
--Será que não me escutou?
--Não!—era inacreditável..Elizabeth Ross com Cancer??!ela parecia tão bem.
--(rs)...este hospital é meu e posso botar pra fora todos aqueles que me irritarem!principalmente você.
--Eu salvei sua mãe por que não pode me ajudar com isto?!
--Minha mãe não gosta de repórteres intrometidas.
--Ainda bem que não sou uma...não ainda.
Ela me fitou séria diante da minha provocação e antes de conseguir falar mais alguma coisa vimos a porta do quarto de Elizabeth se abrir e ela nos encarar.
--Será que você não consegue ficar deitada na sua cama?--perguntou Lex a mãe.
--E será que você não consegue ficar preocupada com sua mãe pelo menos uma vez?eu tô apagada a horas mas tô de volta.(rs)—retrucou Elizabeth e nisso tive que esconder meu sorriso.
--Agiu como uma criança.espero que não tenha feito isso para chamar minha atenção.--disse ela fria.parecia pouco se importar com o estado da mãe e ao terminar partiu pelo corredor com passos poderosos contra o chão.
--Me salvou...se fosse por ela eu já estaria do outro lado.--disse Elizabeth com um tom irônico mas ainda abalado.
--Talvez tenha se precipitado..—falei e ela não escondeu seu olhar cabisbaixo.
--Como se chama?
--Claire..Claire Morris.—respondi timidamente mas Elizabeth estendeu a mão para um cumprimento toda sorridente.nem parecia que quase morreu algumas horas atrás.
--Elizabeth Ross!—falou ela com orgulho.
--Espero que esteja melhor agora..
--Melhor?(rs) não diria isto.--disse ela voltando para a cama do quarto em que estava hospedada.foi inevitável não seguir-la preocupada com sua instabilidade em cada passo.
--Sobre hoje..
--Pare...vá amanha na minha casa.conversaremos melhor lá do que nesse hospital.agora preciso descansar antes que Lex volte e me dê mais sermões (rs)
Nos despedimos e enquanto caminhava ate a saída daquele hospital não pude esconder o sorriso em meu rosto.
finalmente conseguiria entrevistar Elizabeth Ross!seria um belo artigo se citasse sua tentativa de suicídio contudo, novamente as palavras de Lex me trouxeram de volta a realidade e bom senso.
Eu havia participado daquilo,tive sua vida em minhas mãos..eu não poderia.
Estava indo pra casa com seu sangue manchando minhas mãos,minha roupa e minha mémoria.
Eu nunca pensei que me envolver com essa mulher seria tão difícil.
Voei alto em meus pensamentos e fui pega de surpresa pela buzina de um carro próximo a calçada em que caminhava e quando me dei conta notei que era Lex a me chamar.
O carro que ela dirigia era o mesmo com o que eu trouxe Elizabeth ao hospital e ainda tinha manchas do sangue da mãe dela na pintura branca do carro.marcas de dedos apenas mas que me fizeram refletir por alguns segundos.
Se não fosse por aquele carro..
Era como se o mundo me fizesse acreditar que eu estava errada em fazer o artigo.
--Hey!quer uma carona?--perguntou ela convidativa.meus passos simplesmente pararam e meu corpo travou diante dela.
O que ela queria de mim agora??
Fim do capítulo
Comentários são bem vindos e incentivam a autora ^^ #ficadica!!!
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