Capítulo 23
O homem que me cobrava respostas era alto branco e com luzes no cabelo.
-Ele nos contou sobre você, o típico hetero que gosta de se divertir com pessoas como nós.
-Olha eu não estava e nem estou me divertindo com o Oliver, caso contrário não salvaria a sua vida ontem a noite.
O homem se surpreendeu com minha resposta, e olhou para o trio mais atrás.
- Bom essa é muita informação para processar.
Fingi mostrar indiferença eu estava e perdendo o meu tempo com eles, logo a porta se abriu, e me deparei com Arthur.
-Arthur eu não sabia que estava aí dentro.
Ele apenas fechou a porta e se aproximou de mim.
- Eu acho melhor você ir embora, o meu irmão não quer te ver.
Eu me encontrava enfurecido com toda aquela proibição, apenas passei por ele é entrei no quarto quase que correndo.
Oliver estava dormindo e com um monte de fios conectados ao seu corpo.
Ao me aproximar sua mão estava com acesso, seu rosto um pouco pálido, e com diversos hematomas pelo rosto e braços, segurei em sua mão e a levei até o meu rosto.
- Eu devia ter te parado.
Comecei a chorar e soluçar como uma criança, ver o Oliver naquela cama era horrível, ele que sempre é agitado e agora se encontra imóvel partia o meu coração.
- Eu não ia me perdoar se alguma coisa pior acontecesse.
Eu falava em meio às lágrimas, senti sua mão criar vida novamente, e abri os meus olhos que estavam embasados pelas lágrimas, os enxhuguei com o braço, enquanto seus olhos se abriam lentamente.
- Bem vindo de volta, ursinho!
Sorri satisfeito e feliz por poder olhar em seus olhos novamente.
Mas Oliver fez o contrário puxou a mão e começou a se debater, suas mãos passavam pelo corpo, enquanto tentava para-lo.
-Para Oliver assim você vai se machucar! Para!
Ele gritou com suas mãos presas as minhas.
-Calma eu estou aqui!
-Álcool e lenço umedecido, agora!
-Que!?
Ele olhou para a mochila rosa em cima da cadeira e entendi, fui até ela é a abri tirando e dando -lhe o que me pediu. Apesar da sua mão trêmula fez tudo com rapidez e destreza, passando pelo rosto e braços. Eu olhava tudo atentamente e não entendia, até que ele parou e parecia se acalmar aos poucos.
-O quê foi isso tudo ?
Ele olhava para um canto enquanto tentava controlar a respiração.
-Mijaram em mim, foi isso que aconteceu.
-Desgraçado!
Me afastei de seu leito e tentava me acalmar.
-Olha Oliver o Carlos está preso e vai responder um processo, tinha muitas testemunhas, ele não vai conseguir se safar.
Voltei a me aproximar do leito e toquei em seu rosto, o fazendo me fitar.
-Eu salvei você do Carlos.
Seus olhos me olhavam atentamente, mas algo não estava bem.
-Que lindo, que uma coroa de presente!
Oliver virou o rosto e quebrou nosso contato.
- Eu não quero coroa alguma, eu quero você comigo! Será que não entende.
- Eu entendo que você tem que seguir a sua vida Maurício, eu sou grato por ter me salvado de verdade, mas se não tivesse chegado seria mais uma vítima, para mais uma estatística de homofobia no jornal local.
-Escuta aqui!
Toquei em seu rosto e o fiz voltar sua atenção para mim.
-Você não é mais um na minha vida, você é o único entende, eu não vou embora.
Estávamos próximos demais sentia que Oliver estava entregue, mas a magoa reinava em seu coração.
A porta se abriu e era a enfermeira e o trio mais atrás, que ao verem o Oliver acordado vibraram ao som deles.
-O senhor precisa se retirar a sua hora acabou.
- Tudo bem enfermeira já estou de saída.
Ainda fazendo um leve afago em seu rosto, beijei sua testa, e voltei a olhar em seus olhos.
- Eu vou voltar.
Eu deixei a sala e caminhei pelo corredor onde encontrei o restante dos meus amigos, uns tinham acabado de visitar a Nina e a Silvana, e estavam felizes com a recuperação das duas.
-A onde está o Junior ?
-Ele está lá fora com a Anita, ela ainda está abalada com a confusão de ontem.
Do lado de fora:
-Foi horrível ver a Silvana caída e a Nina jogada num canto.
Enquanto a Anita lamentava a noite de ontem me vinha flashs da noite horrível, alguns homens a seguraram e mesmo sem saber lutar me veio uma força sobrenatural, que me fez ataca-los.
-Que bom que agora elas estão bem.
Diasse sentado ao seu lado, eu não esperava por nada naquele momento, todos estavam bem principalmente a Anita isso me deixava mais aliviado. Ela virou e me olhou com um olhar amável.
-Obrigada por ter me ajudado.
Ela tocou em minhas mãos e eu fiquei nervoso porém feliz.
-Era o meu papel.
Ela riu e disse que estava jogando muito Mário Bros, na verdade estava mais para o Shrek.
De volta ao hospital:
Depois que meus amigos vieram me visitar fiquei um pouco mais alegrinha, mas ainda havia a ausência da Bebel.
-Ela não... veio.
Ao terminar a frase a porta se abriu pensei que fosse ela, mas não era, era o Gonçalo, ele se aproximou da minha cama e tentou começar uma conversa.
- Como você está Nina ?
O olhei e ele estava mais magro os cabelos ficando ralo e seus aspecto era deplorável, porém tentava amenizar um pouco.
- Bem.
-Sua mãe me contou da viagem, vai ser bom para você.
-O quê você... sabe o...Que é...Bom para...mim?
- Eu sou seu pai Nina, sei que não sou perfeito que fiz coisas horríveis, mas eu sei o que é bom para você.
O Gonçalo nunca soube o que era bom para mim, vim com esse papo furado agora só porque está morrendo não me convém. Ele sempre me usou para seus eventos , a filha esquisita que despertava pena nas pessoas, e o deixava com a fama de pai zeloso. As pessoas só se aproximavam de mim com um único propósito, crescerem em cima da filha do juíz, mas isso acabou.
-O quê... Você tem...Gonçalo? Amigos? Família? Alguém?
Ele me olhou perplexo ele sabia que não tinha ninguém do seu lado.
- Eu tenho... uma nova... família... E é enorme... E você...não está...incluído neles...então não me venha...com esse ...papo Que sabe...o Que é...Bom para...mim.
- Tudo bem, faça como quiser, só não venha depender do meu dinheiro novamente.
A nossa conversa acabou ali mesmo, não o suportava mais e não suportava a ideia de ir para a casa de angra.
Enquanto isso:
Estava terminando de conversar com mais uma cliente quando minha secreta me liga e diz que Marcele está aqui. A fiz esperar mais uns minuitinho e depois da saída da minha cliente ela entrou.
-Marcele que surpresa!
Eu a abracei e o abraço foi convidativo.
-Vamos fazer um preenchimento!?
Ela riu de forma gostosa e se sentou.
- Não no momento, só passei para saber como você está e se quer almoçar comigo?
Olhei no relógio e faltava alguns minutinhos para o almoço.
- Se quiser almoçar aqui comigo.
Rebati e ela sorriu, e ela assentiu concordando, saímos da minha sala e mostrei a clínica com todo o meu orgulho, Marcele olhava tudo com tamanha admiração, ao chegarmos na lanchonete escolhemos nossa comida, e nos sentamos.
- Esse lugar e incrível você tem um bom gosto para as cores.
-Obrigada, eu quis deixar tudo com a minha personalidade.
-Sua personalidade e linda.
Corei ao vê-la me elogiar e comecei a comer, e Marcele me acompanhou.
-O Natal está chegando e bom pensei que se você e a Nina pudessem passar o Natal a gente.
-Ah eu não sei Marcele, pretendo viajar com a Nina, e tentar por ordem na casa.
Marcele pareceu ficar chateada, mas no fundo compreendeu o meu ponto de vista.
-As portas vão está sempre abertas para você.
-Obrigada e muita bondade sua.
Eu me sentia leve ao lado da Marcele, seus traços femininos e sua voz doce tornava qualquer conversa agradável.
Ficamos conversando mais um pouco até que a acompanhei até a saída.
- Parece que vai chover e melhor eu me apressar.
Marcele estava na minha frente descendo as escadas, rumo ao carro, e eu a acompanha.
-E verdade ainda tenho que... AHHHH!
Eu virei o pé e se não fosse suas mãos me seguraren a queda seria feia.
-Tudo bem!?
- Eu acho que sim, nossa como sou desajeitada.
Estávamos próximas próximas até demais, suas mãos ainda me seguravam e ambas ficamos sem graça.
-Seus olhos são dignos do seu nome.
-Essa foi a coisa mais linda que alguém já me disse.
Me recompôs, mas ainda estávamos bem próximas.
- Eu preciso realmente ir.
Eu estava com receio do que a Safira poderia achar de mim, faz um tempo que não flertava com alguém, e parecia que as coisas estavam saindo fora do meu controle.
- Tá Bom, quando quiser e só aparecer.
Nos despedimos com dois beijinhos no rosto, confesso que foram os dois beijinhos mais demorados da minha vida, o que eu poderia fazer a Marcele era um encanto.
Eu entrei no carro e ainda acenei para Safira que sorriu para mim, não havia dúvidas em meu interior, confesso que estava gostando dela, mas é ela será que sentia algo por mim?
-Ai Marcele sossega, a Safira mal terminou o casamento e você com esses pensamentos.
Eu parecia uma daquelas crianças da minha casa, mas o que sempre falei para elas era para enfrentarem os seus medos, porém e os meus medos ? Como poderia ser exemplo para eles assim. Eu precisava levar o carro até o mecânico, mas virei numa rua da qual me lembrava muito bem, eu estava voltando ao início de tudo, voltando para casa e desta vez sem amarras.
Fim do capítulo
Penúltimo capítulo espero que gostem
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