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Impulsos de Sinais por Sorriso

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Palavras: 1538
Acessos: 1457   |  Postado em: 18/01/2019

Capítulo 23

O homem que me cobrava respostas era alto branco e com luzes no cabelo. 

-Ele nos contou sobre você, o típico hetero que gosta de se divertir com pessoas como nós. 

-Olha eu não estava e nem estou me divertindo com o Oliver, caso contrário não salvaria a sua vida ontem a noite. 

O homem se surpreendeu com minha resposta, e olhou para o trio mais atrás. 

- Bom essa é muita informação para processar. 

Fingi mostrar indiferença eu estava e perdendo o meu tempo com eles, logo a porta se abriu, e me deparei com Arthur. 

-Arthur eu não sabia que estava aí dentro. 

Ele apenas fechou a porta e se aproximou de mim. 

- Eu acho melhor você ir embora, o meu irmão não quer te ver. 

Eu me encontrava enfurecido com toda aquela proibição, apenas passei por ele é entrei no quarto quase que correndo. 

Oliver estava dormindo e com um monte de fios conectados ao seu corpo. 

Ao me aproximar sua mão estava com acesso, seu rosto um pouco pálido, e com diversos hematomas pelo rosto e braços, segurei em sua mão e a levei até o meu rosto. 

- Eu devia ter te parado.

Comecei a chorar e soluçar como uma criança, ver o Oliver naquela cama era horrível, ele que sempre é  agitado e agora se encontra imóvel partia o meu coração. 

- Eu não ia me perdoar se alguma coisa pior acontecesse. 

Eu falava em meio às lágrimas, senti sua mão criar vida novamente, e abri os meus olhos que estavam embasados pelas lágrimas, os enxhuguei com o braço, enquanto seus olhos se abriam lentamente. 

- Bem vindo de volta, ursinho!

Sorri satisfeito e feliz por poder olhar em seus olhos novamente. 

Mas Oliver fez o contrário puxou a mão e começou a se debater, suas mãos passavam pelo corpo, enquanto  tentava para-lo.

-Para Oliver assim você vai se machucar! Para!

Ele gritou com suas mãos presas as minhas. 

-Calma eu estou aqui!

-Álcool e lenço umedecido, agora!

-Que!?

Ele olhou para a mochila rosa em cima da cadeira e entendi, fui até ela é a abri tirando e dando -lhe o que me pediu. Apesar da sua mão trêmula fez tudo com rapidez e destreza, passando pelo rosto e braços. Eu olhava tudo atentamente e não entendia, até que ele parou e parecia se acalmar aos poucos. 


-O quê foi isso tudo ?

Ele olhava para um canto enquanto tentava controlar a respiração. 

-Mijaram em mim, foi isso que aconteceu. 

-Desgraçado!

Me afastei de seu leito e tentava me acalmar. 

-Olha Oliver o Carlos está preso e vai responder um processo, tinha muitas testemunhas, ele não vai conseguir se safar. 

Voltei a me aproximar do leito e toquei em seu rosto, o fazendo me fitar. 

-Eu salvei você do Carlos. 

Seus olhos me olhavam atentamente, mas algo não estava bem. 

-Que lindo, que uma coroa de presente!

Oliver virou o rosto e quebrou nosso contato.

- Eu não quero coroa alguma, eu quero você comigo! Será que não entende. 

- Eu entendo que você tem que seguir a sua vida Maurício, eu sou grato por ter me salvado de verdade, mas se não tivesse chegado seria mais uma vítima, para mais uma estatística de homofobia no jornal local. 

-Escuta aqui!

Toquei em seu rosto e o fiz voltar sua atenção para mim. 

-Você não é mais um na minha vida, você é o único entende, eu não vou embora.

Estávamos próximos demais sentia que Oliver estava entregue, mas a magoa reinava em seu coração. 

A porta se abriu e era a enfermeira e o trio mais atrás, que ao verem o Oliver acordado vibraram ao som deles. 

-O senhor precisa se retirar a sua hora acabou. 

- Tudo bem enfermeira já estou de saída. 

Ainda fazendo um leve afago em seu rosto, beijei sua testa, e voltei a olhar em seus olhos. 

- Eu vou voltar. 

Eu deixei a sala e caminhei pelo corredor onde encontrei o restante dos meus amigos, uns tinham acabado de visitar a Nina e a Silvana, e estavam felizes com a recuperação das duas.

-A onde está o Junior ?

-Ele está lá fora com a Anita, ela ainda está abalada com a confusão de ontem. 

Do lado de fora:

-Foi horrível ver a Silvana caída e a Nina jogada num canto. 

Enquanto a Anita lamentava a noite de ontem me vinha flashs da noite horrível, alguns homens a seguraram e mesmo sem saber lutar me veio uma força sobrenatural, que me fez ataca-los. 

-Que bom que agora elas estão bem. 

Diasse sentado ao seu lado, eu não esperava por nada naquele momento, todos estavam bem principalmente a Anita isso me deixava mais aliviado. Ela virou e me olhou com um olhar amável. 

-Obrigada por ter me ajudado. 

Ela tocou em minhas mãos e eu fiquei nervoso porém feliz. 

-Era o meu papel. 

Ela riu e disse que estava jogando muito Mário Bros, na verdade estava mais para o Shrek. 


De volta ao hospital:

Depois que meus amigos vieram me visitar fiquei um pouco mais alegrinha, mas ainda havia a ausência da Bebel. 

-Ela não... veio.

Ao terminar a frase a porta se abriu pensei que fosse ela, mas não  era, era o Gonçalo, ele se aproximou da minha cama e tentou começar uma conversa.

- Como você está Nina ?

O olhei e ele estava mais magro os cabelos ficando ralo e seus aspecto era deplorável, porém tentava amenizar um pouco. 

- Bem.

-Sua mãe me contou da viagem, vai ser bom para você. 

-O quê você... sabe o...Que é...Bom para...mim? 

- Eu sou seu pai Nina, sei que não sou perfeito que fiz coisas horríveis, mas eu sei o que é bom para você. 

O Gonçalo nunca soube o que era bom para mim, vim com esse papo furado agora só porque está morrendo não me convém. Ele sempre me usou para seus eventos  , a filha esquisita que despertava pena nas pessoas, e o deixava com a fama de pai zeloso. As pessoas só se aproximavam de mim com um único propósito, crescerem em cima da filha do juíz, mas isso acabou. 

-O quê... Você tem...Gonçalo? Amigos? Família? Alguém? 

Ele me olhou perplexo ele sabia que não tinha ninguém do seu lado. 

- Eu tenho... uma nova... família... E é enorme... E você...não está...incluído neles...então não me venha...com esse ...papo Que sabe...o Que é...Bom para...mim. 


- Tudo bem, faça como quiser, só não venha depender do meu dinheiro novamente. 

A nossa conversa acabou ali mesmo, não o suportava mais e não suportava a ideia de ir para a casa de angra. 

Enquanto isso:

Estava terminando de conversar com mais uma cliente quando minha secreta me liga e diz que Marcele está aqui. A fiz esperar mais uns minuitinho e depois da saída da minha cliente ela entrou. 

-Marcele que surpresa!

Eu a abracei e o abraço foi convidativo. 

-Vamos fazer um preenchimento!?

Ela riu de forma gostosa e se sentou.

- Não no momento, só passei para saber como você está e se quer almoçar comigo?

Olhei no relógio  e faltava alguns minutinhos para o almoço. 

- Se quiser almoçar aqui comigo. 

Rebati e ela sorriu, e ela  assentiu concordando, saímos da minha sala e mostrei a clínica com todo o meu orgulho, Marcele olhava tudo com tamanha admiração, ao chegarmos na lanchonete escolhemos nossa comida, e nos sentamos. 

- Esse lugar e incrível você tem um bom gosto para as cores.

-Obrigada, eu quis deixar tudo com a minha personalidade. 

-Sua personalidade e linda. 

Corei ao vê-la me elogiar e comecei a comer, e Marcele me acompanhou. 


-O Natal está chegando e bom pensei que se você e a Nina pudessem passar o Natal a gente. 


-Ah eu não sei Marcele, pretendo viajar com a Nina, e tentar por ordem na casa. 

Marcele pareceu ficar chateada, mas no fundo compreendeu o meu ponto de vista. 

-As portas vão está sempre abertas para você.

-Obrigada e muita bondade sua. 

Eu me sentia leve ao lado da Marcele, seus traços femininos e sua voz doce tornava qualquer conversa agradável. 

Ficamos conversando mais um pouco até que a acompanhei até a saída. 

- Parece que vai chover e melhor eu me apressar.

Marcele estava na minha frente descendo as escadas, rumo ao carro, e eu a acompanha. 

-E verdade ainda tenho que... AHHHH!

Eu virei o pé e se não fosse suas mãos me seguraren a queda seria feia. 

-Tudo bem!?

- Eu acho que sim, nossa como sou desajeitada.

Estávamos próximas próximas até demais, suas mãos ainda me seguravam e ambas ficamos sem graça. 

-Seus olhos são dignos do seu nome. 

-Essa foi a coisa mais linda que alguém já me disse. 

Me recompôs, mas ainda estávamos bem próximas. 

- Eu preciso realmente ir. 

Eu estava com receio do que a Safira poderia achar de mim, faz um tempo que não flertava com alguém, e parecia que as coisas estavam saindo fora do meu controle.

- Tá Bom, quando quiser e só aparecer. 

Nos despedimos com dois beijinhos no rosto, confesso que foram os dois beijinhos mais demorados da minha vida, o que eu poderia fazer a Marcele era um encanto. 

Eu entrei no carro e ainda acenei para Safira que sorriu para mim, não havia dúvidas em meu interior, confesso que estava gostando dela, mas é ela será que sentia algo por mim? 

-Ai Marcele sossega, a Safira mal terminou o casamento e você com esses pensamentos. 

Eu parecia uma daquelas crianças da minha casa, mas o que sempre falei para elas era para enfrentarem os seus medos, porém e os meus medos ? Como poderia ser exemplo para eles assim. Eu precisava levar o carro até o mecânico, mas virei numa rua da qual me lembrava muito bem, eu estava voltando ao início de tudo, voltando para casa e desta vez sem amarras. 

Fim do capítulo

Notas finais:

Penúltimo capítulo espero que gostem 


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