Capítulo 49
Bruna naquela noite foi para casa e assistiu a um filme enquanto queimava de ciúmes por Luana que àquela hora estaria com aquela “loira aguada” que ela nem sabia quem era.
Luana e Anabelle levaram tudo para a república e os móveis de Luana ficaram no apartamento apesar da insistência de Anabelle para deixá-los em sua casa.
As meninas da república conferiram de perto as duas mulheres arrumando todas aquelas coisas numa rapidez incrível.
Após terminarem, Anabelle se despediu de todas as moças com um selinho e Luana não escapou disso, apesar de muito relutar.
Dona Francisca ajudou Luana a se ajeitar e reuniu todas as moças no quarto que agora era de Lu e de uma tal de Débora.
_ Bom, meninas, agora que Luana após um dia de atraso se instalou em nossa casa, quero dizer algumas palavrinhas.
Ouviu-se um muxoxo das meninas.
_ Eu não irei demorar.
_ A senhora sempre diz isso! _ disse Débora, fazendo as meninas rirem.
_ Por favor, sente-se e tenha paciência de escutar o que tenho a dizer, Débora!
Após um absoluto silêncio, Dona Francisca falou sobre a importância da boa convivência no lar e sobre o quanto isso incluía não se intrometer na vida uma das outras, nem mexer em nada alheio sem a devida permissão.
Pediu para que as meninas se apresentassem dizendo o nome e a idade e que dissessem algo acolhedor a nova moradora da república.
_ Meu nome é Amanda. Tenho 18 anos. Seja bem-vinda Luana_ Ela disse piscando o olho para a novata. Elas já haviam ficado.
_ Meu nome é Joice. Tenho 19 anos. Bem-vinda.
_ O meu nome é Kamila, casada com a tímida que está encostada aí na porta. Eu tenho 18 anos e ela tem 19. Ela se chama Brenda.
_ O meu nome é Leah. Tenho 18 anos.
_ O meu é Beth. Tenho 19 anos.
_ O meu é Rosângela e tenho 20 anos
_ O meu é Débora, como você já sabe. Espero que não mexa em minhas coisas. Bem-vinda.
Dona Francisca então retomou a palavra, pedindo a Luana para falar um pouco dela.
_ Meu nome... vocês já sabem. Eu tenho 21 anos, trabalho como auxiliar administrativa e sou uma pessoa bastante tranqüila. Nasci no interior do estado e meus pais e irmãos moram lá. Vim para a capital tentar ter uma vida melhor e por isso vou tentar no final do ano realizar meu grande sonho de cursar uma faculdade.
_ Qual curso? _ perguntou a Beth.
_ Possivelmente economia.
O silêncio que se fez assustou Luana e Dona Francisca encerrou a reunião.
As meninas permaneceram no quarto e atacaram a travesseiradas a novata.
Luana conseguiu enfim se distrair um pouco.
Já era tarde quando foram todas dormir. Até que o telefone de Luana tocou. Era Gustavo. Luana esperou escutar um sermão, até porque ela agiu feito uma idiota com a melhor amiga dela:
_ Sai aí fora. Preciso te levar a um lugar.
Ela saiu e entrou no carro em silêncio.
Ele mal olhou na cara dela.
_ Olha, Luana, a Bruna é uma das mulheres mais desejadas dessa cidade. Todos os homens bem sucedidos dessa cidade a querem, sem falar dos que ligam lá do exterior. Aonde quer que ela passe, deixa a todos encantados pela sua educação e inteligência. Eu não sei por que você pensou que poderia desprezá-la assim, mas seja lá qual for o motivo, não foi legal.
_ Eu sei disso Gustavo.
_ Então por que não ligou para ela? Por que você não demonstra o que sente, se é que sente algo por ela?
_ Eu sei que sou péssima. Não deveria ter a deixado partir sem antes pedir ao menos...
_ Você errou, ela errou ontem à noite e a melhor forma de resolver isso é vocês conversarem e resolverem seus problemas.
_ E o que eu posso fazer. Invadir a casa dela a uma da manhã?
_ Você prefere passar a noite sem dormir pensando se deve ou não ligar para ela?
Luana sorriu para Gustavo. Ele a olhou nos olhos.
_ A Lisa não te merece, a Bruna sim, ela está contigo, aqui, agora. Dê apenas uma chance a esse amor. Dê uma chance a você. Não passe a vida inteira perdendo a oportunidade de ser feliz por causa de um passado que não vai voltar.
Luana olhou para a noite que sorria para ela, lá de fora daquele carro e teve uma idéia.
Contou a idéia para Gustavo que adorou e logo tratou de colocá-la em prática.
Ligou para Bruna:
_ Oi, Gu.
_ Estou te esperando na porta da boate mais quente da cidade.
_ Mas eu não irei.
_ Desde quando você dispensa uma boa balada antes de um dia seguinte muito atarefado?
_ Desde o momento em que eu fui chutada.
_ Ah, por favor, venha, eu passo aí dentro de meia hora e não se fala mais nisso.
Dito e feito e Gustavo realmente foi para a tal boate, tendo seu carro dirigido por uma motorista um tanto diferente.
Luana deixou Gustavo na boate e pela primeira vez pegou num volante na grande capital. Apesar do medo, ligou o som no último volume e após 20 minutos estava na porta do edifício. Bruna notou o carro lá embaixo e desceu sem muita vontade. Ao abrir a porta do carro, se assustou com o lindo sorriso estendido dentro da pequena distância entre ela e Luana.
_ Desde quando você dirige?
_ Desde que a passageira seja você.
_ Você tem carteira?
_ Tenho, sim, fique tranqüila.
_ Como se fosse possível. Isso foi idéia do Gustavo, não foi?
_ Não, foi minha. _ Luana acelerou o carro_ Eu o convenci a fazer tudo.
Bruna olhava para fora do carro.
_ E pelo o jeito você não gostou da surpresa, né?
_ Como poderia gostar? Não queria vê-la tão cedo!
_ Olha, se o problema for eu, eu te deixo juntamente com a chave do carro e vou embora.
_ Não, não faça isso. Vamos para a balada e depois conversamos sobre nós.
_ Tudo bem.
Luana dirigia calada e Bruna estava séria.
Enquanto estavam paradas no sinal, o telefone de Luana vibrou e esta não se importou. Bruna é que foi mordida pela pulga da curiosidade e perguntou:
_ Não vai atender, não?
_ Não, depois eu olho quem é.
_ E se for algo importante?
_ Neste momento, não há nada que possa ser mais importante do que você.
Bruna sorriu interiormente, mas por fora continuou com sua feição séria.
Chegaram à balada e entraram. O local estava lotado e Luana logo, logo estava se soltando ao lado de uma Bruna mais relaxada e de um Gustavo super alegre.
Apesar de o dj ser muito aclamado pelo público, havia alguém que conseguia chamar mais a atenção da festa para si e essa pessoa era Bruna.
Todas as pessoas daquela boate olhavam com desejo para aquela mulher maravilhosa. E ela parecia não se importar com toda aquela atenção, principalmente quando reparou que Luana estava se mordendo de ciúmes.
Não demorou muito para algum conhecido da morena aparecer, querendo algo além de cumprimentá-la.
O rapaz era um médico conhecido na capital, com uns trinta anos e poucos anos, dono de fazendas por toda Minas Gerais além de já ser o único herdeiro de um famoso jogador de futebol do país. Todos sabiam da paixão que ele nutria por Bruna e do quanto seria capaz para se casar com ela.
Luana não sabia de todo esse desejo do rapaz e mesmo assim, vendo-o tão atencioso com a moça, sentiu muito ciúme.
Bruna percebeu que Luana começava a se enfezar por estar deslocada e já bêbada, não deu tanta importância àquilo.
Luana, já impaciente em estar no meio de tanta gente e se sentir só, sendo nada além da chofer da “grande celebridade” da noite, resolveu ir até o banheiro.
Ela não percebeu, mas o tal médico não tirava os olhos dela e foi atrás dela quando a mesma ia ao banheiro.
Ele segurou seu braço em meio à multidão e disse:
_ Você deve estar adorando está no meio de pessoas bem-nascidas, ainda mais uma jeca como você, certo?
Luana nada disse.
_ Você, Luana, não passa de uma fase sem-graça na vida da Bruna e quando tudo isso acabar, vai ser para os meus braços que ela vai correr e neles encontrará a felicidade plena.
_ Bom, se você acha.
_ Bom, eu acho, e espere só para ver. Eu vou pagar para ver.
_ O que você é além de toda essa pose em doutor? A sua força vem do que é exterior, vem do seu dinheiro e do dinheiro do seu “papai”. Você não sabe nada da vida porque passou a sua vida numa bolha de proteção e não sabe o que é amar porque todas as mulheres que teve só ficaram com você pelo seu dinheiro. Eu tenho pena de você.
O doutor, que se chamava Marco Antônio, não gostou nem um pouco do que escutou. Sabia que a “jeca” falava a verdade.
Num momento de euforia e álcool, ele levantou a mão esquerda como que para bater em Luana, mas sentiu uma mão mais forte segurar o seu braço. Era o Gustavo.
_ Solta o meu braço, sua bicha!
_ Bicha é o teu pai, aquele merd* encubado. Agora cai fora daqui se não quiser que eu te arrebente as fuças.
Marco Antônio soltou o braço de Luana e saiu no meio da multidão cuspindo maribondos.
Luana abraçou Gustavo e o agradeceu profundamente. Os dois então resolveram sair um pouco da boate para conversarem.
_ Quem é esse cara? Eu sei que ele é rico porque nessa boate só tem rico.
_ Ele é médico, muito rico e ama a Bruna. Ele vive indo à casa dos pais da Bruna puxar o saco dos coroas e fazer a cabeça deles a favor da idéia fixa que ele tem de se casar com a nossa amiga.
_ Casar?
_ Sim, enquanto você decide se quer namorar ou não com ela, meia BH planeja ter uma família com ela.
Luana parecia cair na real.
_ E os pais dela, o que acham desse cara?
_ Vou ser honesto com você: eles amam esse cara. Para eles é o cara perfeito para ela. Os pais dela sabem do envolvimento dela com você e sabem que você ‘brinca’ um pouco com os sentimentos dela.
_ Mas eles a aceitam?
_ Não há como não aceitar. Ela é uma ótima filha, os respeita, sempre diz a verdade, é atenciosa, é independente e tem uma personalidade forte e inteligente. Eles querem a felicidade dela e acham que você não está muito afim de algo sério com a filha deles.
_ Então eu tenho de conquistar o sogro e a sogra, né?
_ Se continuar com essa indecisão, terá mesmo! Eles são ótimas pessoas, mas gostam de proteger a filha tão amada e boa com eles. Você me entende, certo?
_ Sim, eu entendo.
Não demorou muito e uma Bruna bêbada e acompanhada por um cara muito lindo saiu lá fora e começou a beijar o rapaz assim que se aproximou de Luana.
Luana comentou com Gustavo:
_ Eu preciso ser mais firme com ela, certo?
_ Certo.
_ Então tá. Mas o que faço se eu odeio esse mundinho de pessoas ricas e superficiais?
_ Se você a ama, vai ter que aprender a lidar com esse “mundinho” porque a Bruna faz parte dele.
Luana se levantou do meio fio em que estava sentada e indo até Bruna empurrou o cara que ela beijava e disse:
_ Ora de ir embora meu amor, a festa acabou.
O cara, que estava muito bêbado riu da cara das duas e gritou:
_ Sua “sapatão” idiota. Deixe a linda aqui comigo, sua “sapatão” idiota!!!
Bruna teve que ser segurada por Gustavo e por Luana para não voltar e bater no cara que a pouco beijava a boca. Porém, não deu para impedir os gritos dela:
_ “Sapatão” é tua mãe, seu broxa. Ou vai mentir pra todos aqui que não passa de um broxa?
Todos que estavam na porta da boate riram do rapaz, que revoltado entrou novamente na boate.
Luana e companhia limitada entraram no carro e Luana, a sóbria da noite, levou o carro até a casa de Bruna aonde todos dormiram.
Fim do capítulo
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