Capítulo 29
Enquanto Luana terminava de analisar gráficos e tabelas, Lisa, numa cidade bem longe de Belo Horizonte, pensava em Luana.
Se achava uma idiota por ter permitido que ela tivesse ido embora. E mais idiota ainda de ficar sofrendo enquanto desejava ir atrás de seu grande amor.
Lisa estava bebendo todos os dias e seus avós, mais precisamente sua avó, começaram a notar que a neta andava estranha, distraída e até deixando de abrir a floricultura, que era sua grande paixão.
Não que isso tivesse importância, a aposentadoria deles era boa e dava para manter as despesas com a casa e com seus remédios tranquilamente, mas sua neta, sempre tão responsável, começava a entrar em um caminho perigoso e ela sabia que para Lisa experimentar outros tipos de drogas não demoraria muito tempo. Ela andava por demais depressiva, desde que a Luana partira para a capital.
Não podia comentar nada com o velho, pois sabia que ele iria logo falar com neta de uma forma inadequada para aquele momento, mesmo que não fosse essa a sua intenção.
Não culpava o marido pela sua natureza rude, fora um homem que passara maus bocados para criar o filho e dar-lhe uma profissão.
Era um bom homem e ela entendia a neta apesar de achar que as pessoas mais jovens não estivessem sendo criadas para o mundo real e caírem muito facilmente diante das primeiras pedras do caminho, como dizia Drummond, seu poeta preferido em seu poema preferido.
Após analisar a neta nos últimos meses, desde que a Luana fora embora, notou que a neta não estava bem consigo própria e por isso, já não agüentando mais que o tempo desse um jeito nisso tudo de uma forma errada, procurou a neta, do alto de seus 78 anos, na floricultura para uma conversa um pouco mais séria do que as habituais.
Fim do capítulo
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