Capítulo 28
Bruna mal dormiu a noite. Chegou ao escritório dando bom dia a todos, como de costume, mas havia um brilho diferente em seu olhar.
Gustavo era seu secretário e notou que ela estava radiante.
Bruna atendeu a uns oito pacientes naquele dia e só foi almoçar às três horas da tarde com Gustavo a tiracolo.
_ Só agora posso falar contigo sobre isso, Gu.
_ Pois é, dia quente. O escritório bombou.
_ Sim, as pessoas precisam de ajuda e eu também.
_ Quem te viu e quem te vê. A senhora ‘Durona’ pedindo ajuda.
_ Não exagera.
_ Ou você está pirando ou você mudou muito de uns dias para cá. Você não pede ajuda nem quando precisa realmente! Prefere fazer errado e ter que refazer a se passar por desentendida e pedir ajuda. Sinto muito, mas eu não estou exagerando.
_ Pois é, estou a fim da Luana. Liga para ela, Gu, você sabe lidar com as mulheres.
_ Modéstia a parte, eu sei sim; vocês são imprevisíveis, mas faço bem o traço psicológico de todas.
_ O psicólogo daqui é você, não tem jeito.
Gustavo sorriu. Adorava elogios, principalmente vindo de alguém como a Bruna, a quem ele tanto admirava...
_ Vou ligar para ela, me dê seu telefone.
_ O meu? Ligue do seu! Você precisa ligar para articular tudo. Eu não sei lidar com mulher, eu sou hetero esqueceu? Pego homens, não meninas.
_ Não, vou ligar do seu, se ela não desconfiou que você esteja a fim dela, vai desconfiar agora.Você precisa ir se acostumando. Mulher, dizem, é feito droga, não dá para parar na primeira, você vai querer mais e mais...
_ Nada, a sexualidade do ser humano é bem mais complexa do que a gente imagina. Creio que isso será apenas uma experiência, nada além.
_ Está certo,seja lá o que você pensa, vamos ligar logo e confirmar o que você marcou com ela e você não conte comigo lá, preciso ir à casa de meus pais novamente. Meu pai está sob suspeita de um câncer e preciso acompanhá-lo, se você me liberar mais cedo, claro!
_ Mais é claro, se eu soubesse...você nem me contou, em?
_ E você deixou? Só sabe falar de Luana e Luana...
_ Eu sinto muito pelo seu pai, ele vai ficar bem, você vai ver.
_ E você acha que eu me importo? Só vou acompanhá-lo porque devo isso a minha mãe. Aquele crápula merece mesmo é sofrer.
Bruna sabia que ele tentava disfarçar seu amor pelo pai. Por isso, não continuou o assunto. O pai de Gustavo não aceitava que o filho fosse gay e o havia expulsado de casa há alguns anos. Gustavo sofrera bastante, mas aprendeu a sobreviver sem contar com ninguém. Guardava mágoas profundas do pai e da mãe, por ter ficado do lado do Dr. Eduardo, médico cardiologista muito famoso em Minas.
Gustavo pegou o telefone e ligou para Luana:
_ Alô, Luana?
_ Oi!
Luana estava trabalhando a mil por hora naquela segunda feira ensolarada e abafada. O ar parecia pairar no ar.
Atendeu ao telefone no banheiro:
_ Aqui é o Gustavo.
_ Jóia, Gustavo?
_ Beleza, você pode falar agora?
_ Estou um pouco atolada, mas posso sim.
Bruna estava com o ouvido grudado ao telefone do outro lado do aparelho.
_ Bem, a Bruna gostaria de confirmar o encontro desta noite, mas como ela está no escritório com um paciente e eu sou o responsável de marcar os compromissos dela, estou te ligando para saber se está de pé o compromisso.
Luana por um momento pensou que Bruna poderia estar a fim dela, mas seu lado razão a fez matar o pensamento antes mesmo de o neurônio o transmitir para o resto do cérebro, o que não impediu seu coração de disparar, bombeando adrenalina por todo o seu corpo.
_ Sim, está ótimo.
_ Em que local, então?
_ Ela me encontra em casa, como ficou combinado, pode ser?
_ Pode ser. Então até mais, linda!
_ Até mais Gustavo e boa tarde de serviço para você.
_ Para você também, Luana.
Os olhos de Bruna brilhavam.
_ Viu como ela é educada, Gu, até te desejou boa tarde...
Fim do capítulo
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