Capítulo 25
Aí, merd*!
Resolvi ligar para a Anabelle para lhe falar umas boas verdades. Como assim vem na minha casa e me trata desse jeito. Que eu saiba eu estou solteira e não tenho paciência para esse tipo de infantilidade. Vou acabar logo com isso:
_ Alô!
_ Anabelle, sou eu.
_ Eu não quero falar contigo, não agora.
_ Eu só quero entender que ceninha ridícula foi aquela que você fez na minha casa.
_ Olha, eu não tenho tempo para falar contigo agora, eu estou ocupada.
_ Ótimo. Quero que saiba que sou uma mulher solteira e sou livre e que eu mais aquela garota não tivemos nada.
Escutei a risada dela no fundo. Parecia se divertir com tudo isso:
_ Olha, Luana, é obvio que você não ficou com aquela menina porque ela é areia demais para o teu caminhãozinho, por favor, sejamos modestas, ok? Depois eu não estou interessada na sua vida e se é ou não encalhada. Por favor, me deixe em paz porque eu mais o amiguinho aqui_ mais risadas_ queremos nos divertir um pouquinho e você, você está me atrapalhando.
Luana não teve reação. Apenas desligou o telefone. Algo surgiu dentro dela. Não era raiva, nem ódio, nem mágoa, nem nada. Era apenas o gosto de ser humilhada por uma mulher. Uma mulher que há poucos dias estava dando em cima dela. E também não era ciúme, ela não gostava de Anabelle, não como mulher, apesar de tê-la desejado nos últimos dias. Agora quando se lembrava dela, apenas uma dor, decepção por dentro, surgia.
Luana levantou da poltrona e foi para o quarto. Quis ligar para alguém, mas, o Lucas não estava mais ali. Então, não havia mais nada a perder, nem vazio maior para sentir, ligou então para o Gustavo, que a tratara tão bem.
_ Oi, quem fala?
_ Oi, é a Luana!
_ Ah sim, oi Luana, aqui é a Bruna. O Gustavo está no banheiro... Você está bem?
_ Sim, obrigada por perguntar.
_ Estranho, você está com a voz estranha, tipo que triste.
_ Nada não, só levei um fora daqueles que deixam marcas sem motivo nenhum. E pior, nem era um caso, não era nada, ciúme de amiga.
_ Ah, sim.
_ Desculpe, não quero te encher com minhas chatices.
_ Não, você não me enche.
_ Agradeço a consideração.
Após um tempinho, Bruna continua:
_ Qual a sua idade Luana?
_ 21 anos. Por quê?
_ Nada, você é muito nova.
_ Nada, vai depender.
_ Depender do quê?
_ Nova para quê?
Bruna riu. Aquela risada encheu de vida o corpo e o sorriso de Luana. Mesmo por telefone. Mas Luana não alimentava esperanças. Ela era hetero, era linda, inatingível. No fundo, Luana acreditava que as palavras de Anabelle eram verdadeiras.
_ Você é engraçada... Por que a gente não sai para conversar, o Gustavo já deve está saindo do banheiro ou então ele se afagou no banheiro e eu terei de derrubar a porta.
_ Melhor chamar o corpo de bombeiros, você não faz tipo de quem derruba uma porta.
_ Não duvide de mim, Luana. Te espero no bar Saint France, sabe aonde fica?
_ Acho que sim, eu encontro vocês em duas horas.
_ Aff, esperava que uma lésbica não gastasse muito tempo para se arrumar.
_ I’m sorry!
Rimos e ela desligou o telefone.
Eu já estou me sentindo melhor e acho que preciso me concentrar em fazer boas e novas amizades. Amanhã preciso está bem para a tal visita (ou não seria entrevista?) na república.
Luana tomou banhou e se arrumou. Vestiu-se bem casualmente. Um short preto jeans curto, uma blusa de manga três quartos branca,tênis all star também branco e o cabelo preso num rabo de cavalo bem alto. Estava linda. Passou um pouco de perfume e fechou a casa.
Chegou ao bar às nove horas e lá estava Bruna. Sozinha. “Gustavo deve está mais uma vez no banheiro. O que há de errado com ele?”
_ Boa noite, Bruna!
Bruna estava de costas e quando se virou não pôde deixar de reparar em Luana e em suas belas pernas. Foi sutil, mas, Luana notou os olhos da morena.
_ Boa noite, Luana! _ainda boquiaberta_ Sente-se.
_ E o Gustavo, cadê? Algum problema... Gástrico?
Bruna riu.
_ Você é muito engraçada e eu adoro isso. O Gustavo não pôde vir e a mãe dele ligou e ordenou que ele fosse para a casa dela porque o padrinho que ele não vê há séculos chegou.
_ Que chato!
_ Depende...
_ Depende do quê?
_ Você não gosta da minha companhia?
Luana não soube direito o que dizer. Sentiu a perna de Bruna roçando a sua debaixo da mesa. Pensou que estava delirando.
_ Estou brincando. _ ela disse rindo e parou de roçar a perna. _ para a tristeza de Luana
Luana suou frio e sorriu, amarela.Foi o melhor que conseguiu.
_ Que você quer beber?
_ Um refrigerante.
_ Garçom!_ ela chamou de jeito que até as mulheres olharam para a dona daquela voz sexy.
Nem precisa dizer que o garçom veio correndo, certo?
_ Por favor, uma taça de vinho e um refrigerante.
_ Claro! Com licença.
Bruna desviou o olhar do garçom e olhou para Luana:
_ Você está triste e precisa desabafar, conte-me o que aconteceu.
_ Não se preocupe, não quero te encher.
_ Você não me enche, por favor, me fale.
_ Bem, _ Luana olhou-a nos olhos_ aquela garota que você viu chegando a minha casa e saindo feito uma doida, ela dá em cima de mim e agora deu showzinho porque te viu de toalha na minha casa. Sendo que eu e ela nunca tivemos nada, sabe.
_ Olha, Luana, você mais do que eu deveria entender a cabeça de uma mulher e é óbvio que ela, por estar a fim de você, não ficaria satisfeita de ver uma mulher saindo do seu banheiro.
_ Eu sei, mas não foi só isso.
_ Que mais a “criança” fez?
As bebidas chegaram. Luana esperou o garçom se retirar e continuou:
_ Eu liguei para ela para dizer que aquilo não era jeito de entrar na casa dos outros e de falar comigo até porque eu era solteira. Aí ela riu com mais alguém que parecia estar com ela e me disse que sabia que você e eu não estávamos ficando porque você era... Linda demais para mim.
Bruna parecia com raiva. Ficou vermelha. Mas não disse nada. Luana continuou:
_ Eu, Bruna, não discordo, até porque nós realmente não ficamos e sei também que você é demais pra mim, até porque você é hetero. Porém ela não precisava ter me diminuído tanto, eu sei o meu lugar.
_ Ela... Ela foi ridícula. Eu... Nem sei o que te dizer. Te dei uma bela dor de cabeça, né?
_ Que nada! Foi bom para eu realmente saber o que ela pensava de mim.
Bruna parecia com mais raiva. Bebeu a taça de vinho em um só gole:
_ Calma Bruna, não me importo, já estou bem.
_ Como ela pode te dizer uma coisa dessas? Como se você fosse incapaz de conquistar uma mulher... Bonita! Que absurdo. Você não pensa como ela e nem concorda com essas bobagens, né?
_ Apenas desliguei o telefone. A minha voz falhou e mesmo se não tivesse falhado, não saberia o que dizer.
_ Fez bem, muito bem.
_ Bom, vamos falar de você um pouco, que tal?
Bruna sorriu com esforço e um pouco mais descontraída, brincou:
_ Claro, eu e a minha vida monótona.
_ Você trabalha em quê?
_ Em um consultório médico e em um Posto de Saúde e em minha clínica.
_ Você é médica?
_ Sou psicóloga.
_ Legal. E qual a sua idade?
_ Tenho 28 anos.
_ Filhos...
_ Dois cachorros e uma gatinha. Moro sozinha num apê pequenino, mas aconchegante. Não tenho namorado, nem sou casada, apenas uns casos por aí. Minha mãe e meu pai moram no nordeste.
_ O paraíso.
_ Sim, o paraíso. Tenho vontade de ir para lá, adoro o clima, as praias...
_ ...a areia, o vento, os barquinhos no horizonte...
_ ...aquela comida maravilhosa...
_ ...aquelas mulheres maravilhosas e bronzeadas...
Bruna riu.
_ Desculpa, Bruna.
_ Tudo bem. Enfim tudo que sou é isso que você está vendo. Alguém aventureiro, determinado, dominado por uma paixão gigantesca pela vida. Você conhece o nordeste, Luana?
_ Não conheço, não.
_ Quem sabe um dia marcamos uma viagem para lá?
_ Seria ótimo. Depois de tudo que passei esse ano minha cabeça não anda muito legal.
_ Caso precise de alguém para conversar, aqui estou. Não só como psicóloga, mas como a amiga Bruna, ok?
_ Ok, eu agradeço.
O silêncio surgiu deixando em Luana a dor de não ter o Lucas ali. Bruna, notando que a menina estava quase chorando, tratou de continuar o papo:
_ Você não parece ser aventureira.
_ Mas sou, e muito. Aqui no Brasil já conheço todos os estados e seus picos mais altos.
_ Nossa!
_ O mundo é grande...
_ Um tapete estendido à sua frente. Todo seu. Não há tempo de lamentações, pois tudo passa. Então, eu procuro curtir cada minuto, cada minuto mesmo.
_ Pois é, é fácil falar, mas... Na situação em que me encontro... Às vezes parece não haver saída.
_ Mas sempre há.
_ Será?
_ Olha, tudo deve ser pensado, mas devemos cair tentar, arriscar, por mais que nos percamos no caminho. Quando chegamos a perder algo é porque aquilo já não faz parte de nós.
_ É, até que faz sentido sim...
E ficaram a conversar sobre questões metafísicas e físicas.
_ Bom, preciso ir embora Bruna, você sabe, trabalho cedo amanhã.
Bruna não pareceu muito feliz com a despedida de uma noite que ela aparentava ter adorado.
_ Claro, entendo. Vou te levar em casa.
_ Não precisa. Eu pego um ônibus.
_ Não senhora, eu te levo e fim de papo.
Já no carro, Luana tocou em um assunto que a estava matando de curiosidade.
_ Você parece que quer me dizer algo, parece inquieta.
_ Bom... _ Bruna coçou a perna enquanto esperava o verde do semáforo.
_ É algo sério? Eu fiz algo de errado? Algum problema?
_ Não é isso, é que não sei como dizer.
_ Seja direta, como você se mostra desde que conheci.
_ Não hoje, amanhã te encontro novamente e aí te conto.
_ Então amanhã à que horas?
_ As oito, pode ser?
_ Pode, eu quero saber o que é, muito mesmo. É coisa boa?
_ Vai depender de sua resposta.
_ Como assim, minha resposta, é uma questão então, sobre o que é?
_ Não posso falar agora. Amanhã ok?
_ Ok. _ respondeu uma Luana relutante e curiosa.
Bruna levou Luana em casa e elas se despediram com um beijo na bochecha.
Fim do capítulo
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