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  • Luana: as várias faces da Lua
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Luana: as várias faces da Lua por Ana Pizani

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Palavras: 1957
Acessos: 1878   |  Postado em: 09/01/2019

Capítulo 25

Aí, merd*!

         Resolvi ligar para a Anabelle para lhe falar umas boas verdades. Como assim vem na minha casa e me trata desse jeito. Que eu saiba eu estou solteira e não tenho paciência para esse tipo de infantilidade.   Vou acabar logo com isso:

          _ Alô!

          _ Anabelle, sou eu.

          _ Eu não quero falar contigo, não agora.

          _ Eu só quero entender que ceninha ridícula foi aquela que você fez na minha casa.

         _ Olha, eu não tenho tempo para falar contigo agora, eu estou ocupada.

          _ Ótimo. Quero que saiba que sou uma mulher solteira e sou livre e que eu mais aquela garota não tivemos nada.

          Escutei a risada dela no fundo. Parecia se divertir com tudo isso:

          _ Olha, Luana, é obvio que você não ficou com aquela menina porque ela é areia demais para o teu caminhãozinho, por favor, sejamos modestas, ok? Depois eu não estou interessada na sua vida e se é ou não encalhada. Por favor, me deixe em paz porque eu mais o amiguinho aqui_ mais risadas_ queremos nos divertir um pouquinho e você, você está me atrapalhando.

          Luana não teve reação. Apenas desligou o telefone. Algo surgiu dentro dela. Não era raiva, nem ódio, nem mágoa, nem nada. Era apenas o gosto de ser humilhada por uma mulher. Uma mulher que há poucos dias estava dando em cima dela. E também não era ciúme, ela não gostava de Anabelle, não como mulher, apesar de tê-la desejado nos últimos dias. Agora quando se lembrava dela, apenas uma dor, decepção por dentro, surgia.

          Luana levantou da poltrona e foi para o quarto. Quis ligar para alguém, mas, o Lucas não estava mais ali. Então, não havia mais nada a perder, nem vazio maior para sentir, ligou então para o Gustavo, que a tratara tão bem.

          _ Oi, quem fala?

          _ Oi, é a Luana!

          _ Ah sim, oi Luana, aqui é a Bruna. O Gustavo está no banheiro... Você está bem?

          _ Sim, obrigada por perguntar.

          _ Estranho, você está com a voz estranha, tipo que triste.

          _ Nada não, só levei um fora daqueles que deixam marcas sem motivo nenhum. E pior, nem era um caso, não era nada, ciúme de amiga.

          _ Ah, sim.

          _ Desculpe, não quero te encher com minhas chatices.

          _ Não, você não me enche.

          _ Agradeço a consideração.

          Após um tempinho, Bruna continua:

         _ Qual a sua idade Luana?

          _ 21 anos. Por quê?

          _ Nada, você é muito nova.

          _ Nada, vai depender.

          _ Depender do quê?

         _ Nova para quê?

         Bruna riu. Aquela risada encheu de vida o corpo e o sorriso de Luana. Mesmo por telefone. Mas Luana não alimentava esperanças. Ela era hetero, era linda, inatingível. No fundo, Luana acreditava que as palavras de Anabelle eram verdadeiras.

          _ Você é engraçada... Por que a gente não sai para conversar, o Gustavo já deve está saindo do banheiro ou então ele se afagou no banheiro e eu terei de derrubar a porta.

          _ Melhor chamar o corpo de bombeiros, você não faz tipo de quem derruba uma porta.

          _ Não duvide de mim, Luana. Te espero no bar Saint France, sabe aonde fica?

          _ Acho que sim, eu encontro vocês em duas horas.

          _ Aff, esperava que uma lésbica não gastasse muito tempo para se arrumar.

          _ I’m sorry!

          Rimos e ela desligou o telefone.

 Eu já estou me sentindo melhor e acho que preciso me concentrar em fazer boas e novas amizades.   Amanhã preciso está bem para a tal visita (ou não seria entrevista?) na república.

         Luana tomou banhou e se arrumou. Vestiu-se bem casualmente. Um short preto jeans curto, uma blusa de manga três quartos branca,tênis all star também branco e o cabelo preso num rabo de cavalo bem alto. Estava linda. Passou um pouco de perfume e fechou a casa.

 

          Chegou ao bar às nove horas e lá estava Bruna. Sozinha. “Gustavo deve está mais uma vez no banheiro. O que há de errado com ele?”

         _ Boa noite, Bruna!

         Bruna estava de costas e quando se virou não pôde deixar de reparar em Luana e em suas belas pernas. Foi sutil, mas, Luana notou os olhos da morena.

         _ Boa noite, Luana! _ainda boquiaberta_ Sente-se.

         _ E o Gustavo, cadê? Algum problema... Gástrico?

         Bruna riu.

         _ Você é muito engraçada e eu adoro isso. O Gustavo não pôde vir e a mãe dele ligou e ordenou que ele fosse para a casa dela porque o padrinho que ele não vê há séculos chegou.

         _ Que chato!

         _ Depende...

          _ Depende do quê?

          _ Você não gosta da minha companhia?

          Luana não soube direito o que dizer. Sentiu a perna de Bruna roçando a sua debaixo da mesa. Pensou que estava delirando.

          _ Estou brincando. _ ela disse rindo e parou de roçar a perna. _ para a tristeza de Luana

          Luana suou frio e sorriu, amarela.Foi o melhor que conseguiu.

         _ Que você quer beber?

         _ Um refrigerante.

         _ Garçom!_ ela chamou de jeito que até as mulheres olharam para a dona daquela voz sexy.

          Nem precisa dizer que o garçom veio correndo, certo?

          _ Por favor, uma taça de vinho e um refrigerante.

          _ Claro! Com licença.

         Bruna desviou o olhar do garçom e olhou para Luana:

          _ Você está triste e precisa desabafar, conte-me o que aconteceu.

          _ Não se preocupe, não quero te encher.

         _ Você não me enche, por favor, me fale.

          _ Bem, _ Luana olhou-a nos olhos_ aquela garota que você viu chegando a minha casa e saindo feito uma doida, ela dá em cima de mim e agora deu showzinho porque te viu de toalha na minha casa. Sendo que eu e ela nunca tivemos nada, sabe.

         _ Olha, Luana, você mais do que eu deveria entender a cabeça de uma mulher e é óbvio que ela, por estar a fim de você, não ficaria satisfeita de ver uma mulher saindo do seu banheiro.

         _ Eu sei, mas não foi só isso.

          _ Que mais a “criança” fez?

          As bebidas chegaram. Luana esperou o garçom se retirar e continuou:

          _ Eu liguei para ela para dizer que aquilo não era jeito de entrar na casa dos outros e de falar comigo até porque eu era solteira. Aí ela riu com mais alguém que parecia estar com ela e me disse que sabia que você e eu não estávamos ficando porque você era... Linda demais para mim.

          Bruna parecia com raiva. Ficou vermelha. Mas não disse nada. Luana continuou:

         _ Eu, Bruna, não discordo, até porque nós realmente não ficamos e sei também que você é demais pra mim, até porque você é hetero. Porém ela não precisava ter me diminuído tanto, eu sei o meu lugar.

         _ Ela... Ela foi ridícula. Eu... Nem sei o que te dizer. Te dei uma bela dor de cabeça, né?

         _ Que nada! Foi bom para eu realmente saber o que ela pensava de mim.

         Bruna parecia com mais raiva. Bebeu a taça de vinho em um só gole:

          _ Calma Bruna, não me importo, já estou bem.

          _ Como ela pode te dizer uma coisa dessas? Como se você fosse incapaz de conquistar uma mulher... Bonita! Que absurdo. Você não pensa como ela e nem concorda com essas bobagens, né?

         _ Apenas desliguei o telefone. A minha voz falhou e mesmo se não tivesse falhado, não saberia o que dizer.

          _ Fez bem, muito bem.

          _ Bom, vamos falar de você um pouco, que tal?

          Bruna sorriu com esforço e um pouco mais descontraída, brincou:

          _ Claro, eu e a minha vida monótona.

          _ Você trabalha em quê?

         _ Em um consultório médico e em um Posto de Saúde e em minha clínica.

          _ Você é médica?

          _ Sou psicóloga.

         _ Legal. E qual a sua idade?

          _ Tenho 28 anos.

          _ Filhos...

           _ Dois cachorros e uma gatinha. Moro sozinha num apê pequenino, mas aconchegante. Não tenho namorado, nem sou casada, apenas uns casos por aí. Minha mãe e meu pai moram no nordeste.

          _ O paraíso.

          _ Sim, o paraíso. Tenho vontade de ir para lá, adoro o clima, as praias...

          _ ...a areia, o vento, os barquinhos no horizonte...

          _ ...aquela comida maravilhosa...

          _ ...aquelas mulheres maravilhosas e bronzeadas...

          Bruna riu.

          _ Desculpa, Bruna.

          _ Tudo bem. Enfim tudo que sou é isso que você está vendo. Alguém aventureiro, determinado, dominado por uma paixão gigantesca pela vida. Você conhece o nordeste, Luana?

         _ Não conheço, não.

          _ Quem sabe um dia marcamos uma viagem para lá?

          _ Seria ótimo. Depois de tudo que passei esse ano minha cabeça não anda muito legal.

         _ Caso precise de alguém para conversar, aqui estou. Não só como psicóloga, mas como a amiga Bruna, ok?

          _ Ok, eu agradeço.

          O silêncio surgiu deixando em Luana a dor de não ter o Lucas ali. Bruna, notando que a menina estava quase chorando, tratou de continuar o papo:

         _ Você não parece ser aventureira.

          _ Mas sou, e muito. Aqui no Brasil já conheço todos os estados e seus picos mais altos.

          _ Nossa!

          _ O mundo é grande...

          _ Um tapete estendido à sua frente. Todo seu. Não há tempo de lamentações, pois tudo passa. Então, eu procuro curtir cada minuto, cada minuto mesmo.

          _ Pois é, é fácil falar, mas... Na situação em que me encontro... Às vezes parece não haver saída.

          _ Mas sempre há.

          _ Será?

          _ Olha, tudo deve ser pensado, mas devemos cair tentar, arriscar, por mais que nos percamos no caminho. Quando chegamos a perder algo é porque aquilo já não faz parte de nós.

          _ É, até que faz sentido sim...

          E ficaram a conversar sobre questões metafísicas e físicas.

          _ Bom, preciso ir embora Bruna, você sabe, trabalho cedo amanhã.

         Bruna não pareceu muito feliz com a despedida de uma noite que ela aparentava ter adorado.

          _ Claro, entendo. Vou te levar em casa.

          _ Não precisa. Eu pego um ônibus.

         _ Não senhora, eu te levo e fim de papo.

         Já no carro, Luana tocou em um assunto que a estava matando de curiosidade.

          _ Você parece que quer me dizer algo, parece inquieta.

          _ Bom... _ Bruna coçou a perna enquanto esperava o verde do semáforo.

          _ É algo sério? Eu fiz algo de errado? Algum problema?

          _ Não é isso, é que não sei como dizer.

          _ Seja direta, como você se mostra desde que conheci.

         _ Não hoje, amanhã te encontro novamente e aí te conto.

          _ Então amanhã à que horas?

          _ As oito, pode ser?

          _ Pode, eu quero saber o que é, muito mesmo. É coisa boa?

          _ Vai depender de sua resposta.

          _ Como assim, minha resposta, é uma questão então, sobre o que é?

          _ Não posso falar agora. Amanhã ok? 

          _ Ok. _ respondeu uma Luana relutante e curiosa.

 Bruna levou Luana em casa e elas se despediram com um beijo na bochecha.

Fim do capítulo


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