Capítulo 5
O retorno para a casa de meus pais não foi nada fácil. Estava toda machucada não somente por fora, mas também por dentro.
Após o acidente permaneci mais 15 dias no hospital me recuperando. Minha vida de repente se despedaçou. Meus pais de repente voltaram a ser meus pais e até me recuperar não compensava dar uma de teimosa.
Tudo em casa estava inalterado. Meus irmãos na escola ou no trabalho, os mesmos movéis nos mesmos lugares. Meus pais nunca foram muito afoitos por mudanças e meu velho quarto permanecia intacto.
Eu não.
Estava com o braço machucado o bastante para doer muito. O meu pé torceu e por milagre não se quebrou. Estava mancando e com duas costelas quebradas. Tomava uma porr*da de remédios. Tinha problemas para deitar, pois algo rasgara minha pele, bem na altura do abdômen deixando um machucado que ainda estava com os pontos e incomodava.
Ainda não conseguia encontrar resposta para uma questão: o Lucas, tão brilhante, morrera e eu, tão horrível, permanecia viva.
Não era justo.
Deus não poderia permitir nada disso. Não dizem que ele é tão bondoso? Não acreditava nele, nem em mais nada.
Passam alguns minutos que estou só, quando a porta do quarto se abre.
_ Oi, Luana!
Se não fosse pelo olhar familiar, não reconheceria meu irmão mais novo, Gabriel.
_ Oi, Gabriel!
Ele caminha para me ajudar a levantar da cama e eu o abraço com dificuldades.
_ Como você está, Luana? Sente-se!
E ele com sua delicadeza impecável me ajuda novamente a ficar confortável para conversamos.
_ Eu estou bem, Gabriel, e você está muito bonito, mal pude lhe reconhecer.
_ Já faz muito tempo que não nos víamos.
_ Sim, muito tempo.
Ele olha para o chão. Estava realmente muito bonito. Estava com uns 1,70 de altura, os braços musculosos, os cabelos na altura dos ombros, além de um estilo de roupas bem descolado.
_ Eu sinto muito pelo o Lucas. Ele era legal e imagino o quanto deve ser difícil perdê-lo de forma tão bruta.
_ É doloroso, só eu sei como está a minha cabeça.
_ Mas não fique assim, pense o quanto vocês foram felizes juntos. Tenho certeza que ele vai ficar feliz se você estiver feliz, aonde quer que ele esteja.
_ Pra você é fácil falar, meu querido, dói demais perder alguém que representa tanto assim pra gente.
_ Não, não é fácil falar disso. Eu também perdi uma amiga meses atrás sabe, e apesar de não ter passado tanto tempo ao lado dela, sofri muito quando a perdi.
_ Eu sinto muito. Ela morreu de quê?
_ Leucemia. Eu a acompanhei nos tratamentos e tudo mais. Eu via a morte todas as vezes que pisava no hospital em que ela se tratava. Infelizmente ela não resistiu e faleceu.
_ Nossa! Que triste isso!
_ Ela me ensinou coisas até depois de ter partido. Cada vez que ia ao hospital dava mais valor a minha vida, a minha existência, a minha saúde. E após perdê-la aprendo a cada novo dia que preciso seguir em frente e agradecer a Deus pelo pouco tempo que estive ao lado dela.
Silêncio no quarto. Tenho vontade de gritar o nome do Lucas como se assim pudesse trazê-lo de volta.
_ Espero um dia conseguir me sentir bem diante da minha dor, assim como você consegue.
_ Você vai aprender, não há outro jeito. E você deve isso ao Lucas.
_ Como assim?
_ Pelo o que a mamãe contou você foi salva por ele.
_ Sim.
_ Ele te devolveu a vida e você deve viver essa vida por você e por ele. Ele desejou isso, pode ter certeza, quando se jogou sobre seu corpo.
Mamão gritou lá da cozinha para a gente descer, que havia passado um café para a gente.
Meu irmão me ajudou a descer as escadas enquanto eu ainda pensava nas suas sábias palavras.
Fim do capítulo
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