3º Caps. – Olhos lindos
Quando o programa acabou estava quase cochilando, tomei um banho, comi alguma coisa e caí na cama praticamente dormindo. Iria sair de madrugada, haveria uma palestra e alguns cursos rápido na área minha área profissional na capital e estava ansiosa para ele há meses, tanto que quase nem consegui descansar, e antes das seis estava em pé com tudo arrumado para sair, como não iria sozinha, esperando a carona chegar.
Meia hora depois estávamos na estrada seguindo para lá. O dia foi extenso, não vou negar, quando cheguei em casa passava das sete da noite e a única coisa que eu queria era deitar naquela cama e dormir, mas precisava ir ver como estava Gitana e administrar a medicação, não me deixei abater. Tomei um banho para acordar um pouco e segui para lá, seria rápido então não tinha com o que me preocupar.
Logo que estacionei o carro, encontrei o Coronel Antônio no estábulo conversando com o capataz, eles me cumprimentaram, conversamos um pouco, mas logo pedi licença seguindo para a baia onde estava a égua. Com ajuda de um dos meninos que trabalhavam ali, apliquei a injeção e troquei o curativo, agradeci a ajuda e saí me despedindo de todos, estava quase chegando no carro e advinha quem estava lá à minha espera? Sorri dizendo:
– Oi, tudo bem?
– Tudo sim e você?
– Estou um pouco cansada e com o corpo dolorido, nada que uma boa noite de sono não cure.
– Ainda com dores por conta do ferimento?
– Também! Mas acabei de chegar da Capital, o dia foi corrido.
– Esteve lá hoje?
– Sim, passei o dia em curso e assistindo palestras.
– E porque não pediu que o veterinário da Fazenda aplicasse a medicação para você não ter o trabalho de vir aqui, ainda mais depois de um dia desses?
– Tudo bem moça. – sorri desviando os olhos balançando a cabeça dizendo: – Viu, vai ser difícil tirar velhos hábitos, senhorita Eduarda. – sorriu dizendo ao se aproximar:
– Posso fazer uma pergunta? – concordei e ela pareceu pensar um pouco antes de perguntar: – Você e minha prima... Sabe... Vocês já tiveram... Assim, já ficaram juntas? – encostei no carro e olhei para ela que sorriu e concluiu: – Se não quiser responder, tudo bem, é apenas uma curiosidade.
– Tudo bem! – inspirando fundo dizendo: – Passamos nossa infância nos encontrando pela fazenda, mas ela foi embora e não nos vimos mais. – parei passando a mão no pescoço e continuei: – Logo que comecei o quarto ano de Faculdade, ela veio passar as férias com seus avós. Nos reencontramos e acabamos nos envolvendo por algum tempo. – bocejei cansada e olhei sorrindo para ela me desculpando dizendo: – Não deu muito certo e optamos pela amizade, desde então somos amigas.
– Entendi, é que... – parou e a incentivei, por fim disse: – É que vocês pareciam tão íntimas ontem, só pensei. – me aproximei tocando seu rosto de leve, nem sei o que me fez fazer aquilo, sorri:
– Acredite, somos apenas amigas. – sorriu parecendo relaxada, quebrei o contato entrando no carro, ela se aproximou e firmamos o olhar novamente, estiquei a mão tirando uma mecha de cabelo que caiam rebeldes em seus olhos dizendo: – Você tem os olhos tão lindos. – nos encaramos por alguns segundos e disfarcei colocando a chave na ignição, disse: – Sabe o que é engraçado, Quel também me perguntou ontem se estava rolando alguma coisa entre nós.
– O que, entre eu e você? – concordei, ela desviou os olhos e disse sorrindo: – De onde ela tirou isso? – não me olhou e sorri também dizendo apenas.
– Pois é, de onde ela tirou isso! – inspirei fundo, estava realmente cansada, liguei o carro dizendo: – Preciso ir, nos vemos amanhã?
Sorriu concordando, deu um passo para o lado, mas segundos depois me chamou e vi que se aproximou novamente, apoiou as mãos na janela segurando meu rosto me dando um beijo no rosto dizendo:
– Obrigada por tudo Bia.
– Disponha moça. – pisquei e ela sorriu, segui para casa, quando cheguei tomei outro banho, uma medicação e nem a roupa coloquei, caí nua na cama adormecendo no instante em que meus olhos fecharam.
A semana começou, foram mais dois dias visitando a Fazenda, ainda administrando a medicação na Gitana e dois para avaliar o estado da égua sem necessidades aparentemente de voltar lá novamente. Assim sendo, o final de semana chegou e até tentei achar alguma desculpa que fizesse com que me levasse a ir até lá, mas não encontrei, estava ansiosa e isso era visível.
Nesse tempo fiquei sabendo que Eduarda havia passado na clínica em dois momentos para falar comigo, infelizmente não estava e recebi apenas os recados, de que a égua estava bem melhor e que ela passou para dizer um “oi”, fiquei feliz por isso, e ao mesmo tempo triste por não ter recebido pessoalmente a visita.
Encontrei com Raquel na terça-feira da outra semana, estava vindo da capital, me convidou para tomarmos uma cerveja, conversando animadamente por algumas horas. Mas, como ela havia abusado da bebida, acabei levando-a em casa para que não fosse dirigindo. No caminho ligou para avó avisando que estava chegando, ouvi dona Laura brigando com ela perguntando se estava dirigindo bêbada, e ela gargalhando disse que eu estava levando-a.
Fiquei ansiosa para chegar, tinha alguns dias que não encontrava com a bela dona de Gitana, apesar do avançar das horas, era bem provável que ela estivesse deitada ou dormindo e nem iria perceber que eu estive lá, balancei a cabeça tirando aquelas coisas da mente. Minha amiga cantava alegre do lado, rindo das graças dela, quando encostei o carro na frente da Fazenda passava um pouco das dez.
Quel saiu em direção a casa, rindo de tudo e todos, corri para acompanhá-la, encontrei dona Laura na porta que sorriu balançando a cabeça, me desculpei pelo avançar das horas e expliquei o tinha acontecido. Ela agradeceu e a levou para dentro, nos despedimos e voltei para minha caminhonete inspirei fundo um tanto desanimada. Estava entrando quando ouvi uma voz conhecida dizer atrás:
– Minha prima abusou da bebida? – sem controlar sorri olhando para a direção de onde ela vinha, senti algo estranho na barriga, disse:
– Oi! – apontei para a casa informando: – Pois é, ela sempre foi fraca para bebidas, hoje bebeu um pouco além do habitual.
– Entendi. – se aproximou e perguntei olhando para o estábulo:
– Como Gitana está?
– A Veterinária dela disse que em poucos dias estará recuperada. – sorriu, encostei no carro dizendo:
– Devemos confiar nela então, não é? – concordou sorrindo dando alguns passos em minha direção, logo estava próxima dizendo:
– Passei na Clínica duas vezes para falar com você, mas não a encontrei.
– Eu soube, recebi os recados. – sorri, ia dizer algo mais ela foi mais rápida:
– Senti a sua falta, será que isso é bom? – aquilo me deixou muito feliz, até porque senti a falta dela também, sorri dizendo:
– Acredito que sim, normalmente os donos de meus pacientes evitam me ver com medo de alguma coisa. – fiz uma graça, ela sorriu.
– Sua boba, não estava me referindo a isso. – desviou os olhos, sorri dizendo apenas:
– Eu sei, estava apenas tentando achar uma forma de dizer que também senti sua falta.
– Sério? – concordei quando ela me olhou:
– Sim, pensei em passar aqui no final de semana, mas não consegui achar uma boa desculpa. – sorri e ela continuava a me olhar, se aproximou mais e ficamos cara a cara como da última vez, vi seus olhos caírem sobre meus lábios novamente e sem me conter passei a mão em seu rosto dizendo: – Gostaria muito de te beijar.
– E porque não beija? – deixou o rosto cair em intensificando o contato, sorri desviando nossos olhos dizendo sem jeito:
– Não sei se devo... Eu não acho que... Bom, você... – isso era hora para gaguejar Bia? Ela deu um passo para trás e me olhou nos olhos questionando:
– Talvez eu não faça o seu estilo, ou não seja tão atraente quanto minha prima...
– Não... Não é isso, não tem nada a ver com ela, você é linda! Nossa, você é muito linda... – inspirei fundo a puxando de volta para junto de mim dessa vez pela cintura, firmei com uma das mãos e com a outra segurei seu queixo levantado um pouco dizendo dessa vez sem titubear: – Eu só não sei se conseguiria parar apenas com um beijo.
– Então não pare, se é o que quer, deixe apenas rolar...
Seus braços deram a volta em meu pescoço e nossos corpos colaram, meus lábios caíram sobre os dela que simplesmente se abriram para que minha língua buscasse a dela, de repente estávamos grudadas intensificando o beijo que começou inocente e foi se tornando urgente e desejoso a cada segundo.
Senti suas mãos passearem em meu pescoço com seus dedos me fazendo arrepiar, passamos longos minutos assim até nos separarmos buscando ar suficiente apenas para começarmos a nos beijar novamente, dessa vez mais calmo e menos urgente. Explorei suas costas com minhas mãos sem deixar de colar nossos corpos ainda mais, quando nos separamos mais uma vez, terminamos com vários selinhos e nossas testas coladas, sorrindo cumprisses.
Por vários minutos não dissemos nada, apenas nos curtimos em silêncio. Nossas mãos agora juntas com os dedos entrelaçados, depois de um tempo sussurrei:
– Preciso ir moça... – sorriu dizendo dengosa:
– Precisa mesmo? – soltou nossas mãos e me abraçou forte, sorri dizendo:
– Prometo voltar amanhã, agora eu tenho um motivo. – desviou de meu pescoço onde sua cabeça repousada e sorriu dizendo:
– Qual o motivo?
– Ainda quero beijar você. – toquei o queixo dela sorrindo.
– Pode beijar agora... E depois... E depois... Ficando comigo essa noite! – sorri sem jeito dizendo:
– Desculpa, eu gostaria muito, mas não seria a coisa certa a se fazer, pode parecer piegas, mas sou tradicional. – beijei de leve seus lábios e nos afastando: – Ainda quer que eu venha amanhã? Talvez sair para conversarmos, não sei...
– Sim, eu quero. – nossos lábios colaram novamente, dessa vez um pouco mais quente, ela me empurrou contra a porta de meu carro e deslizou as mãos pela lateral de meu corpo, apertando de leve minha cintura, o lado bom com um pouco mais de força. Quando nos separamos, sussurrou ainda entre meus lábios: – Já estou ansiosa para amanhã chegar logo.
Sorri entrando no carro ligando-o, ela se aproximou da janela e me debrucei recebendo um beijo no canto dos lábios, nos despedimos e segui para casa. Hoje como se flutuasse, o sorriso bobo nos lábios não explicava o que tinha acontecido, mas ainda sentia o gosto dela na minha boca, e o toque suave em meu corpo. Precisei de um banho quase gelado para conseguir dormir. Depois de quase meia hora deitada na cama, abracei um travesseiro sussurrando antes de adormecer:
– Eduarda...
Fim do capítulo
Bjs, até a próxima meninas!!
Bia
Comentar este capítulo:
Jackmachado
Em: 04/11/2018
Mais uma fã :)
Anciosa pelo próximo capítulo!
Resposta do autor:
Olá Jack, boa noite moça! Bem vinda!!
Agradeço por aparecer e comentar... Fico feliz por ter mais uma fã...
O caps está no ar, espero que curta...
Bjs, se cuida
Bia
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