Capítulo 9

Capítulo 9 - A viagem.

de A namorada da minha namorada, por Jocelyne Laissa

Tamanho do texto
1.082 palavras1.780 leituras0 comentários

Capítulo 9 - A viagem. 

 

 

 

        Um dia, Felipe chegou em casa e sua mãe estava toda roxa chorando. Ele subiu até o quarto e voltou. 

-Eu não aguento mais mãe. Te amo demais pra te ver assim. Eu gastei uma parte do dinheiro, porque achei que ele tinha tomado jeito e que não íamos precisar fugir, mas agora você vai ter que ir. Depois dou um jeito e vou também. 

-Não filho! Eu não posso ir. Se eu te deixar aqui, ele vai te matar. 

-Eu sei me virar. Toma faz suas malas logo. Toma todo o dinheiro. Compra uma passagem e vai visitar a vovó. Em breve eu também irei. 

        Depois que sua mãe saiu, Felipe começou a juntar suas coisas também, ele não sabia pra onde ir, mas preferia ficar na rua a ficar naquela casa com o seu pai e ele estava com muito medo da reação do seu pai quando chegasse, então ficou recolhendo a suas roupas e colocando na mochila bem rápido. Algum tempo depois, Felipe se trancou no quarto, pois ouviu seu pai chegando. E seu pai já se enfureceu vendo que as roupas de sua esposa não estavam lá e ele começou a destruir a casa inteira. 

       Felipe que tinha trancado muito bem a fechadura do seu quarto se viu sem saída, então ligou: 

-Alô! É da polícia? Quero denunciar uma violência doméstica. Sim, maus tratos de um menor de idade também. 

        Então seu pai foi preso. 

        Faltavam poucos dias para Felipe fazer dezoito anos e ele ficou só na casa que era de seus pais. 

        Um dia, Duda resolveu ir para a escola, pois precisava saber das suas notas e também porque não poderia mais faltar, senão perderia sua posição de representante de sala e também de oradora da formatura. Faltavam poucos dias para o encerramento das aulas. Ela estranhou a falta dos seus amigos, pois Arthur e Felipe tinham faltado à aula nesse dia.

        Nesse mesmo dia, depois da aula, quando chegou em casa, para a sua surpresa, seus pais estavam em casa. 

-Mae, pai? O que aconteceu? 

-Que demora pra chegar, vamos logo. Vamos embora. 

-Pra onde? O que deu em vocês dois? 

-Como pra onde? Vamos pra Blumenau. Até que enfim aprovaram a minha ideia de construir a minha filial em Santa Catarina. Passarei de administrador para ser o administrador chefe. Agora eu comandarei tudo sozinho, sem ninguém para me dizer o que devo fazer. 

-Mas e a minha escola? Não terminaram as aulas ainda. 

-Você sempre tirou dez em tudo minha filha. Você acha mesmo que vão te reprovar faltando apenas poucos dias para o encerramento? 

-Mas e meus amigos? Preciso me despedir. 

-Não dá tempo pra isso. Precisamos pegar o voo. Já fizemos suas malas para não perder tempo. E assim que você fizer dezoito anos. Você vai fazer um intercâmbio de seis meses, vai terminar esse seu curso no exterior, pois quero que você seja a minha sucessora na empresa. 

-Eu não quero trabalhar nessa sua empresa lixo. Você prega tanto essa coisa de valores e está fazendo comigo tudo o que o seu tio fez com você. 

-Vamos embora logo minha filha. Um dia você ainda vai me agradecer por tudo isso. 

        Nesse mesmo dia Arthur soube do acidente na obra que seu pai trabalhava. Ele ficou muito abalado quando soube da morte do seu pai Agnaldo. Ele não estava sabendo lidar com a situação, é como se a ficha não tivesse caindo ainda. Ele só sentia uma sensação de vazio, nunca tinha perdido ninguém tão próximo e logo o seu pai, que ele amava tanto, se foi. 

        Como Felipe não queria vê-lo há algum tempo e também com a distância de Duda, ele necessitava de um ombro amigo para chorar. Ele foi até a casa de Duda. E quando se deparou com a casa vazia e com uma placa de vende-se, ele entrou em desespero, pois perdeu duas pessoas muito importantes em sua vida no mesmo dia. Esse foi o dia mais triste de sua vida. Arthur percebeu que estava doente, que esse amor todo que ele sentia por Duda não era normal, foi quando ele percebeu que precisava de ajuda profissional e falou com sua mãe que precisava de uma psicóloga por causa da morte do seu pai. Mas nas sessões de psicanálise ele disse para a terapeuta tudo o que aconteceu, todo o seu amor e obsessão que tinha pela sua colega de classe, contou toda a sua armação e o quanto estava difícil viver longe dela. 

         Dias depois, algumas horas antes da formatura, Arthur estava de terno, sentado no banco da praça onde Duda, Felipe e ele sempre ficavam conversando. Ele estava lá pensando sozinho, quando Felipe chegou e sentou ao seu lado. 

-Sabia que estaria aqui! Você vai ficar bem brou! - Segurando firme no ombro de Arthur. 

-Você também vai! - Disse com um sorriso um pouco triste. 

        Os dois se abraçaram, foi um abraço bem forte. 

-Eu estou fazendo terapia Felipe, está me fazendo muito bem, se você quiser te passo o número da minha terapeuta. 

-Valeu Tuco! Sabe o que é mais irônico? Gastei muita grana pra alugar esse terno caríssimo, a Duda queria muito que nós dois fôssemos para a festa da formatura ouvir o seu discurso e hoje será ela que não estará lá. Por que será que ela abandonou a gente sem nem ao menos se despedir? 

- Já fazia um tempo que ela estava distante. 

-Verdade, nem parecia a mesma Duda. 

-Essa será a última vez que virei aqui nessa Praça, Felipe. Também não vou mais ao cinema às segundas-feiras. E peço que não me chame mais de Tuco, agora a escola acabou e esse apelido me faz lembrar dela. A doutora Renata me disse que tenho que fazer de tudo para esquecê-la, que tenho que me afastar de tudo que me faz lembrá-la. A única coisa que me faz lembrar dela que vou manter é o Paçoca, porque eu gosto dele e não vou abandona-lo igual ela fez com a gente. 

-Tá bom, então a partir de hoje só te chamo de Arthur e eu vou te ajudar brou! 

-Obrigado! Senti sua falta amigo, tá tudo bem com você? Fiquei sabendo que seu pai foi preso, quer morar lá em casa? Eu falo com a minha mãe. 

-Obrigado brou, mas não precisa, eu tô aprendendo a me virar sozinho, tô trabalhando, juntando grana pra trazer a minha mãe de volta. Nós dois vamos conseguir ficar bem. Agora somos só nós dois. 

-Vida nova pra nós dois. Eu serei uma nova pessoa Felipe! Quem sabe eu até encontro uma garota especial igual ela. 

-Uma pessoa igual a Duda, nunca irá existir.

Fim do capítulo

Publicidade
Conversa

Comentários

0
Este capítulo ainda não recebeu comentários.
Informar violação das regras