Capítulo 30-Pratos Limpos.
Minha mãe estava lívida, claro jamais pensou que eu iria expor a todos inclusive aos empregados que estavam em volta da mesa a minha intimidade, Fábio me olhava sem saber o que falar e ficou vermelho, não sei se de raiva, ou de vergonha, meu pai era o único que aparentemente não sabia de nada e olhava de um para o outra sem entender nada.
Minha mãe recobrou primeiro a fala e ordenou que a governanta e o copeiro saíssem do ambiente, olhando para mim com total reprovação me disse:
- Eu te avisei em Paris, Agatha que não toleraria este tipo de vida sua em Belo Horizonte, nosso nome na lama jamais irei permitir.
- Esta é minha vida mãe, e não vou me esconder mais atrás de um sobrenome por causa do seu preconceito, coisas muito piores acontecem debaixo do seu nariz e você não enxerga ou finge não ver. Respondi exasperada, virando para meu irmão eu novamente perguntei.
- Com que direito você entrega estas fotos a Helena, Fábio? Você está coagindo sua esposa? Não é homem suficiente para reconquistar sua mulher ou deixa-la ir já que ao que parece ela se apaixonou por outra pessoa?
Ele levantou de um salto, seus olhos em fúria, jamais tinha presenciado meu irmão daquela forma, parecendo um animal, avançou para mim e me deu um tabefe no rosto, seus dedos marcando minha pele clara.
- Como ousa falar assim comigo Agatha? Quem você pensa que é para vir me confrontar desta forma? Faço o que quiser no meu casamento e as fotos são uma pouca vergonha sua e desta desqualificada aí.
- Esta desqualificada tem nome e chama-se Milena, foi minha namorada e eu a perdi por ter trocado ela pela Claudia e ido para a Europa com uma pessoa mal caráter como ela, e este foi um beijo de agradecimento , e você covardemente usou para outros fins sem ao menos questionar a sua irmã o que estava acontecendo, você sim me parece estar agindo com falta de caráter e agora ainda virou agressor de mulher.
Ele novamente levantou a mão para mim, e um berro se fez presente.
- CHEGA! A voz firme de meu pai sempre tão calmo se fez ouvir. Venha comigo ao escritório Agatha e quanto a você Fabio me espere aqui pois temos muito o que falar.
Segui com meu pai para o escritório dele, o mesmo apontou o sofá e sentamos de frente, seu olhar sempre firme mais sereno penetrou em mim e o mesmo disse:
- Agora minha filha quero saber que história é esta.
Sentei com meu pai e contei a parte da minha vida que ele não sabia, falei de tudo, até da descoberta de minha mãe, das ameaças, da Claudia, tirei a história a limpo dela ter sido sua amante como minha mãe havia dito, até chegar em Milena e Camila.
-Milena é uma pessoa ótima Pai, uma mulher trabalhadora, inteligente eu fui tão desonesta com ela e me arrependi amargamente, porem a vida esta me dando outra oportunidade com Camila e eu não quero perde-la se eu tiver que romper com a família por causa do sobrenome Albuquerque paciência mas não viverei mais escondendo o que sou das pessoas e de mim mesma, quero ser feliz e fazer as coisas direito.
Meu pai ficou me olhando, com a cara fechada de sempre e eu aflita esperando o veredito, meu sobrenome carrega gerações e gerações de barões e tinha medo do que ele acharia disso tudo.
- Agatha falar que era isso que sonhava para minha única filha seria mentira, mas ficaria muito mais infeliz se você enlameasse nosso sobrenome sendo uma pessoa do mal e isso minha filha sei que você não é. Você é humana pela história que me contou tomou atitudes ruins, errou mas pelo visto arrependeu- se e isto não será motivo de dissabor para mim.
Emocionei com o discurso do meu pai, com sua tranquilidade e apoio, ele era um homem de classe, nascido em berço de ouro, um homem que convivia com meio que torcia o nariz para homossexuais assumidos, mas sabíamos bem que tinha aos montes no nosso meio.
O abracei e beijei seu rosto.
- Obrigada Pai pelo apoio, fico feliz que pelo menos o senhor me apoie já que mamãe fará um escândalo quando souber que não vou mais me curvar a suas idiotices de Minas Tênis Clube com aquelas amigas enfadonhas dela.
- Filha sua mãe vive um mundo de futilidades, mas é sua mãe, releve, e viva sua vida, ela vai espernear mas depois acostuma. Agora preciso saber uma coisa, você falou algo sobre seu irmão e Helena, o que está acontecendo?
-Prefiro que pergunte a ele pai, se ele não sabe agir comigo, não farei o mesmo com ele, mas já aviso, ele é meu irmão meu sangue, mas não irei mais tolerar este tipo de coisa dele pai! Se ele me aprontar algo parecido irei prestar queixa e isso será muito pior para nosso nome. Ele está descontrolado e me parece sem rumo, levantar a mão para me bater? Em mulher pai? Este tipo de coisa não pode acontecer, o senhor não nos deu está educação.
- Pode deixar filha irei conversar com ele e claro não irá se repetir, ele anda sobrecarregado com coisas da construtora e como você bem sabe a vocação dele nunca foi administrativa, mas como único homem e herdeiro ele precisa se inteirar das coisas, tudo tem um preço.
Sai deixando meu pai no escritório, ainda precisava descobrir um jeito de fazer Camila entender que eu quero ficar com ela. Passei por minha mãe que me olhou com cara de poucos amigos, parei de frente ao Fábio.
- Espero sinceramente meu irmão que você se reencontre, por que virar esta pessoa que você esta se tornando, isso sim será uma mancha no sobrenome que vocês tanto idolatram e deixo avisado não me use, para atingir Helena ou quem quer que seja, caso contrário eu tomarei medidas que não fara nada bem a reputação desta família. E mãe disse virando-me para ela, acostume-se com a ideia de que gosto de mulher e estarei em breve mostrando isso para o mundo.
Sai da mansão deixando meu irmão e minha mãe boquiabertos com minha atitude, mas sai de lá com o coração leve e pela primeira vez em muitos anos feliz, agora era reconquistar a minha Loira. Peguei o celular e liguei para Milena.
- Oi meu bem- disse para ela- Estou precisando falar contigo tem jeito?
- Pode ser amanhã na hora do almoço? Por que eu hoje estou arrumando mala e outras coisas para minha viagem.
- Vai mesmo para São Paulo? Desistiu de Helena?
- Marina, não fui eu quem desisti dela e sim ela que desistiu de mim, vou fazer uma especialização e tocar um projeto lá, por enquanto é provisório, mas o futuro a Deus pertence né?!
- Sim verdade, pode ser amanhã então onde te encontro?
- Vou comer uma lasanha em Nova Lima, no restaurante da Nana, quer ir?
- Claro, apesar de que ela não vai com minha cara.
- Por que será né?! Falou rindo, te pego no flat então amanhã as 11 ok?
-Ok te espero, beijos.
Narradora
Milena passou o dia organizando suas coisas para a viagem, foi a empresa e encontrou-se com Carla para despedir, falando que iria para São Paulo, sua ex mulher estava bem e ela ficou extremamente feliz de elas poderem ainda serem amigas mesmo terminando o relacionamento. Luiz tinha passado todas as coordenadas para ela, e já tinha reservado um quarto no hotel da Maura, o que já facilitaria a vida de Milena em Sampa em relação ao trabalho, agora era vida nova.
A morena ficou pensando no que fazer em relação a Helena, ainda queria vê-la estar nem que fosse uma ultima vez com a mulher dos olhos negros que fizeram sua vida sair do rumo, até amanhã ela resolveria se a procuraria para uma despedida, iria para São Paulo no outro dia a noite.
Do outro lado da cidade Helena estava deitada em sua cama pensando nas fotos e em tudo que havia vivido com Milena, como pudera se enganar tanto com alguém, ela estivera este tempo todo servindo de estepe para ela? Será que ela não a tinha amado?
Eram tantas as perguntas que gostaria de fazer para ela, uma certeza ela tinha, amava aquela mulher, tinha se entregado a este amor louco, inimaginável, e doía somente em imagina-la com outra mulher ainda mais sendo esta a sua cunhada. Porque Milena não havia contado a ela sobre as duas? Seria verdade o que Camila disse? Que ela não tinha dito por que a própria Camila tinha orientado esperar?
Estava ficando doida de pensar e pensar, e Fábio? Que obsessão era esta que ele estava nutrindo, o que fazer com este casamento falido? Não podia ficar muito tempo ainda casada, mesmo que Milena tivesse sido um erro, Helena tinha descoberto que seu casamento era finito.
Agora que ela sabia que Milena estava com Agatha tanto pior, não suportaria ver a cunhada com a mulher que amava, e ainda saber que parte era por sua própria culpa ao dizer a ela que ela amava Fabio e que nada havia significado.
Precisava ve-la, olhar em seus olhos castanhos e tocar seus lábios para uma despedida, queria tanto que ela me dissesse mais uma vez que me ama e me tomar em seus braços.
Mas por fim, dentro de si, somente a dor da saudade e da magoa em saber que podia ter significado nada para a sua pequena.
Fábio
Ter sido questionado por minha irmã daquela forma na frente de meus pais e com ela insinuando ainda que minha mulher estava apaixonada por um outra mulher me tirou definitivamente do sério em relação aquela tal de Milena, ela estava destruindo sua vida e sua família e ele iria mostrar o que é dá mexer com um Albuquerque, há se iria.
Estava ainda transtornado quando Agatha saiu do escritório de meu pai me dando ainda sermão e me ameaçando. Ao deixar a casa de nossos pais minha mãe perguntou-me.
- O que está acontecendo entre você e Helena, meu filho? O que aquela mulher está aprontando para você tomar estas atitudes, batendo na sua própria irmã.
- Não interessa mãe, deixa que da minha vida cuido eu, a senhora não gosta da minha esposa, nunca gostou, tolera pois não tem outra forma.
- Sim, nunca escondi que ela não estava à altura do sobrenome que você carrega e suas ideias tolas de feminismo me exasperam.
- Pois é, então não se meta na minha vida, pois dela cuido eu. Respondi sem cerimônia a minha mãe.
- Fabio! Me respeite, sou sua mãe! Não foi esta criação que dei a você.
Quando eu ia responder meu Pai disse:
- Isso mesmo Fábio! Qual é o problema? Por que você está tão agressivo, e o que significa a insinuação de sua irmã que sua esposa esta apaixonada por outra pessoa? que aquelas fotos tem haver com seu casamento?
- Já disse não se metam, isto é minha vida, não suas. Já sou adulto.
Meu pai me olhou como se tivesse pela primeira vez me enxergado.
- Espero que você crie juízo, filho, e não volte na fase de sua adolescência onde suas atitudes intempestivas te levaram para péssimos caminhos, e se não fosse por nossa interferência as consequências seriam desastrosas.
Suspirei exasperado, agora mais esta meu Pai relembrar minhas coisas de adolescente.
- Pai, já sou homem, por favor! Pode ficar sossegado irei resolver estes problemas e tudo ficará bem.
- Ok Fábio, você é um homem, chefe de família e um Albuquerque não se esqueça, não te quero envolvido em escândalos familiares e nunca mais levante a mão para bater em sua irmã ou em qualquer outra mulher, isto não é atitude de Homem.
- Tudo bem pai, espero também que Agatha crie juízo e pare com esta gracinha de ficar beijando mulher.
- Bom quanto a isto tive uma conversa com sua irmã e comunico aos dois que o fato dela ser Gay, não muda em nada minha visão sobre ela.
- Você ta doido? Berrou minha mãe! Jamais irei aceitar isso, viraremos a chacota nas nossas redes.
- Chacota seriamos se nossa filha fosse ladra, mal caráter ou algo parecido o que não é o caso, e não vou discutir isso, é a vida dela.
- Eu não aceito, disse a meu pai, e jamais vou permitir que minhas filhas convivam com tal coisa.
- Estranho você falar isso Fábio, uma vez que todos sabem que Camila amiga de sua esposa, e madrinha da Camilinha é e que a mesma parece estar envolvida com sua irmã.
Calei-me por que esta era outra na minha lista de pessoas non gratas que iria saborear minha vingança, ainda mais agora que estava se engraçando para os lados da minha irmã.
- Não aceito e ponto final, e muito me admira que o senhor aceite tal coisa, vou-me embora que para mim por hoje já deu.
Sai da mansão pensando em quais atitudes tomar em relação á aquela mulher, precisava dar um susto, um aviso de que era para ela se manter distante te todas as mulheres da minha família.
Cheguei em minha casa e fui procurar Helena, a muito eu não tinha a minha esposa e mesmo ainda me dando gastura o fato de saber que a mesma havia se deitado com uma mulher eu a desejava.
Passei no quarto das minha filhas que já estavam dormindo e Helena não estava presente, fui até nosso quarto e a porta estava destrancada, entrei, Helena deixava sempre a luz do abajur acesa, detestava a escuridão, sua pele clara em uma lingerie vermelha, seus cabelos soltos, senti meu membro enrijecer e me boca salivou de vontade dela, caminhei até a beirada da cama, e tirei minha roupa ficando nú me posicionei e montei em suas nadegas, ela tinha o sono pesado, quando desci meu corpo e meu membro ereto tocou sua entrada por cima da calcinha, minha esposa acordou e com o olhar assustado me disse:
- Você está louco Fábio, sai de cima de mim agora, disse tentando virar o corpo, prendi seus braços na cama e usando meu peso a prendi.
Fim do capítulo
Pessoal de volta gostaria de pedir desculpas aos leitores,depois das minhas férias primeiro fiquei sem computador e logo em seguida me separei, desta forma em meio ao termino do meu casamento e da mudança de casa fiquei sem cabeça e sem tempo para escrever, mas agora mais tranquila e já na casa nova retomo a historia das meninas que agora entrará na fase dos confrontos e das escolhas definitivas.
Agradeço imensamente a compreensão e espero que continuem seguindo a historia de Helena, Milena, Camila e Marina.
Beijos.
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