Capítulo 2

Capítulo 2

de The Butcher, por Rose SaintClair

Tamanho do texto
998 palavras8.733 leituras0 comentários

Ele caminhava lentamente, suas pequenas mãos segurando as duas canecas com líquido fumegante. Esperava que hoje fosse um dia bom e que ela estivesse de bom-humor. Olhou para a porta do deck e suspirou de alivio notando que a mesma estava entreaberta. Qualquer erro seria motivo para uma nova punição. A latina estava sentada confortavelmente com um livro aproveitando os poucos raios de sol que espantavam o frio do outono na pacata cidade de Roseland em New Jersey. O menino se aproxima e coloca as duas canecas na cerca de madeira e, por um momento, olhou os pinheiros a sua frente. Se fosse um menino comportado, ela o deixaria brincar no bosque. 

— Quem disse que poderia fazer para você também? -  ele se assusta com a voz grave ao seu lado. 

— Eu... eu... t... t... – sua gagueira piorava quando estava com medo.

— Tttttttttt – ela desdenha. – Eu já disse a você que falasse direito garoto. - um súbito puxão no seu cabelo faz o menino gritar. Bruscamente a mulher agarra uma das canecas levando a boca do garoto, fazendo beber o líquido flamejante em apenas um gole. Ele grita e o chocolate quente queima sua boca e todo o seu pescoço. Sua camiseta fica encharcada e grudada ao corpo. – Toma tudo! Bebe senão vai ser pior. – com ela ainda agarrando seus cabelos e apertando a caneca nos seus lábios ele chora e pensa que um dia tudo mudaria.

A agente do FBI Ashley Rodriguez estava possessa! O açougueiro ou “The Butcher” como a imprensa o chamava havia ludibriado toda a sua equipe. O indivíduo mudou o modus operandi e a fez de palhaça. Sim, Ashley levava isso para o lado pessoal. A empatia da detetive a fazia se colocar no lugar das vítimas e principalmente de suas famílias. Seu grande coração era a sua principal arma, mas também o seu maior defeito. Mesmo tendo a maior porcentagem de crimes resolvidos da sua unidade, a sua impulsividade a colocava muitas vezes em risco.

Seus olhos corriam pela plateia repleta de jornalistas. Seu chefe, capitão Ryan Clancy, estava respondendo as inúmeras perguntas e ela estava séria a sua direita.

— É verdade que vocês não têm a mínima ideia de quem seja o assassino? – sua atenção foi fisgada pela a loira que perguntava. “Bonita.”. Mas não é apenas a beleza que chama atenção e sim a sagacidade do seu olhar inquisidor.

— Estamos no caminho certo e novas pistas chegam todo dia – o capitão tentava enrola-la, mas a jornalista não se dava por vencida.

— Mas segundo uma fonte o caso está estagnado do mesmo modo que estava quando encontraram a primeira vítima...

— Isso não é verdade. – a agente toma o microfone.

— Parece que o FBI não faz nada e não se importa com as vítimas. – a loira transbordava arrogância o que instigou a agente a quebrar aquela postura. “Se fosse com beijos seria melhor ainda!”.

 – A cada dia estamos mais perto do assassino, que nada mais é que um covarde por fazer o que faz com as mulheres. Cada vítima tem um rosto, cada vítima tem uma história, cada vítima tem uma família... e é para essas famílias que eu afirmo agora que EU iriei colocar esse maníaco atrás das grades.

A TV mostrava a entrevista coletiva e ele pausa o vídeo quando o rosto da agente Rodriguez aparece na tela. O homem limpa os óculos com cuidado e aproxima o rosto a ponto de aparecerem inúmeros pixels. Ele sorri se afastando e tocando com a ponta dos dedos o rosto da detetive. Faz o contorno dos lábios carnudos da mulher com o seu indicador e o traz até a sua boca. Seu indicador segue para o seu rosto marcado por cicatrizes de queimaduras. Sua outra mão aperta seu pênis e ele sorri. “Ah agente, vou mostrar quem é covarde!”.

— Ash, você por um acaso enlouqueceu? – o capitão segura a morena pelo braço.

— Ryan, nós temos que dar um fim nisso! Se ele vier atrás de mim é mais provável que ele cometa algum erro.

— Você não pode continuar fazendo isso Ashley! Você se coloca na berlinda sempre! Eu fico preocupado. – o mais velho suspira com cara de cansado. Os dois estavam na sala do homem com as portas fechadas. Ele se aproxima e beija levemente os lábios da agente. – Você vai lá em casa hoje a noite?

— Não. Amanhã cedo volto para Las Vegas. – já haviam encontrado duas vítimas naquela cidade e ela queria acompanhar de perto toda a investigação.

— Ah por favor, faz tempo...

— Ryan você sabe que isso – ela faz um sinal mostrando os dois – é apenas casual. Sem cobranças. Sem compromisso.

— Apenas porque você quer assim. Eu gostaria muito de ter você comigo, de apresenta-la como minha....

— É isso ou nada, você escolhe. – a morena sai da sala deixando o homem cabisbaixo e com o semblante preocupado. O capitão Clancy pega seu telefone e fala com alguém na outra linha. – Vigilância 24 horas. (...) não me interessa se ela não quer (...) tente ser o mais discreto possível.

Em Las Vegas o homem estava dentro do departamento de polícia esperando ser atendido. Ele tentava não aparentar o quanto estava feliz em estar ali. O policial o chama e faz sentar em uma cadeira enquanto colhe o seu depoimento.

— Senhor Smith, John Smith. Nós o convocamos para prestar depoimento pois o senhor encontrou a última vítima certo? Ou parte dela – o policial acima do peso estava suando e procurava algo nos arquivos, o ar condicionado parecia estar quebrado e o homem da lei parecia que iria cair duro no chão a qualquer momento de tão vermelho que está. Ele nem olhava direito para o homem à sua frente.

— É um prazer ajudar as autoridades. – ele fala sorrindo e pronunciando as palavras perfeitamente.

Fim do capítulo

Publicidade
Conversa

Comentários

2
Informar violação das regras