A raiva nos impulsionam a sofrer
Na manhã seguinte eu e Clara arrumamos a casa ao estilo que tinha escolhido, olhei pro relógio estava quase na hora, me despedi da mesma saindo em seguida.
Pelas contagens faltava ainda um dia pra Amanda voltar, ao sair de casa esbarrei em minha mãe ela não disse nada.
Como estava um pouco atrasada passei por ela sem dar ouvidos aos seus possíveis insultos, peguei o primeiro ônibus e segui.
Estava terminando meu suco quando escuto a campainha, ao abrir a porta me surpreendi com a presença da Cecilia.
-O que faz aqui.
-Pensei que tinha me convidado pro sitio.
Sorriu
Fiquei atônica e pensativa, mas não consegui esconder meu sorriso, dei passagem pra ela entrar.
-Pensei que fosse ficar em casa.
-Há não, não quis te deixar no vácuo novamente.
Evitei tocar no nome da Amanda novamente, Lara subiu as escadas correndo avisando que sairíamos em alguns minutos.
Me sentei no sofá ia ser um dia agitado aproveitei pra comer uma barra de cereal, ao dar a primeira mordida fiz careta.
-Nossa como isso é horrível.
Olhei a embalagem era cem porcento fibra, neguei com a cabeça como a Amanda consegue comer isso ? essas três semanas passaram arrastados, sentia falta de tudo até da maneira torta que ela dorme.
Ao guardar a embalagem olhei pro lado e avistei um porta retrato, olhei atentamente era da Ester e uma garota, era incrível nossa semelhança.
Enfiei tudo que precisava na mochila, escutei meu celular tocar atendi na primeira chamada era minha mãe me avisando que não voltaria hoje, pois a chuva tinha pego elas na estrada.
Sorri aquele sim era o meu dia, falei que estava de saída e que qualquer coisa ela me ligasse, desliguei o celular pegando a mochila e descendo quase de desenfreada. Ao chegar na sala vi Cecilia segurando um porta retrato e o analisando.
-Tudo bem ?
Perguntei um pouco sem folego devido a corridinha.
-Sim, quem é essa na foto ?
-Uma amiga da minha mãe da época, bom vamos ?
-Claro.
Deixamos a minha casa bem cedinho, planejei esse fim de semana a dias entramos em meu carro e seguimos pro sitio.
No caminho cantávamos várias músicas estávamos animadas, eu mais que ela obvio. Cortei o caminho chegando mais rápido, ao chegarmos a ajudei a descer do carro. Seus olhos brilharam ao ver o tanto de atividades que estavam ao nosso favor.
-Vou acabar com você no pebolim.
-Ata bom que vou deixar, se enxerga Lara está olhando pra uma campeã.
Eu amava a sua forma de se vangloriar, deixaria ela me vencer fácil, entramos e fomos guardas nossas mochilas.
-Animada pros 18 anos chegando ?
-E verdade né daqui a dois dias, nossa finalmente maior de idade.
Fiquei pensando que a sua maior idade iria ajudar muito, Amanda não teria tanta posse de chance assim, temi que um dia a Cecilia soubesse da Erika iria sofrer horrores.
Pegamos a bola e fomos jogar vôlei, a ensinei algumas manchetes me surpreendi, era muito boa nisso, depois fomos pro Pebolim e claro não estava mentindo quando me venceu quatro vezes.
Como perdi tinha que pagar, e como sou uma boa nadadora apostei ficar uma hora em baixo da água, claro que ela não concordou achando perigoso, a tranquilizei com um beijo na testa.
Me jogando na piscina em seguida, a água estava morna e nadei até o fundo me sentando e esperando a hora passar.
Olhava sua apreensão andava de um lado pro outro, sorri e me concentrei em não perder.
Quando deu a minha hora subi emergindo e a deixando mais aliviada, sai da piscina e fui abraçada pela mesma.
-Nunca mais faça isso, era pra ser uma brincadeira e quase termina em morte.
-Hei calma, não irá me perder, não hoje.
Ela sorriu e se afastou, deu a hora do almoço e tinha de tudo, desde vegano até calóricas, aproveitei e fiz aquele prato de pedreiro, enquanto Cecilia escolhia os pratos veganos.
-Tem certeza disso ?
-Estou na dieta.
Sorriu fraco enquanto íamos pra mesa, minha batata fita churrasco vinagrete farofa e cachorro quente estava uma delícia.
-Olha que assim a barriguinha estufa.
Riu.
-Estufa nada.
Levantei minha blusa amostrando o tanquinho que tinha adquirido nos treinos da escola.
-E muito boa no vôlei deveria jogar com as meninas.
-Você acha ?
-Com certeza, e só falar com o treinador.
Depois do almoço fomos assistir à competição de sinuca e depois dar uma volta pelo sitio, tinha muitas barraquinhas com brinde, aproveitei pra tirar uma foto dessas antigas a moça colocaria na moldura pra gente com direito a legenda.
Está aqui ao seu lado está sendo maravilhoso, nunca irei esquecer esse dia.
Pedi pra colocar essa legenda e paguei, sobre seus protestos não a deixaria pagar, uma pra cada pra não nos esquecermos nunca.
-Você é incrivel.
-Você que é maravilhosa linda.
Ficamos sentadas na grama olhando o pôr do sol, no final serviram outro lanche e desta vez comemos besteiras.
-Andei pensando, acho que vou apostar em ser modelo.
-Modelo ?
-É... recebi uma proposta, pelo tempo nem sei se está de pé ainda.
-Agora vou ter que dividir você com suas fãs.
Ela riu.
-Pode deixar que te dou a chance de ser minha segurança.
Caímos na gargalhada, apesar de ser brincadeira eu queria apenas uma chance, nem que fosse pra sofrer que nem uma louca depois.
Fomos embora pra não pegar trânsito, no caminho começou a chover dificultando a pista, com calma consegui chegar em casa.
-Obrigada pelo dia.
-Eu não podia deixar você na mão.
Estávamos perto demais tiramos o sinto quando Cecilia abriu a porta pra sair fui rápida e a fechei, a confundindo, voltando seus olhos doces e meigos pra mim.
-O que foi, que me dizer algo ?
-Sim... sempre quis um momento pra gente.
O clima começou a ficar quente no carro ou eu que estava tremendo demais, tentei não atropelar as palavras e não parecer uma idiota completa.
-E verdade, fazia tempo que não nos divertíamos.
-Não e disso que me refiro.
Tentei me acalmar enquanto procurava a coragem que estava escondida em meu interior, peguei sua mão a colocando em meu peito, seus olhos analisavam minha desesperada tentativa de não ferrar com tudo.
-Sente.
-Lara.
-Shii... calei sua boca com o meu dedo indicador, não sabia se estava a assustando ou sendo a perdedora que sou, mas não podia deixar de falar o que sinto.
-Cecilia a um tempão ando sentindo esses impulsos de sentimentos por ti, eles são ruins e bons em devidos momentos, mas não posso mais ocultar isso dentro de mim, sempre quando sofre eu sofro quando chora eu choro, não sei como freia isso e meu coração insiste em bater acelerado por você.
Me aproximei aproveitando pra sentar em seu colo, seu corpo estava tenso e seu semblante serio e confuso, pousei minha mãos em seu rosto sentindo a macieis.
-Eu...Eu.... Te amo.
Colei meus lábios nos seus, os quentes e pequenos lábios não eram recíprocos, aos poucos a minha esperança ia se esvaindo e meu corpo não aguentou e caiu em um choro silêncio e profundo. Seus lábios se entreabriam tentei mais uma vez, mas seu impulso me fez beijar sua bochecha, ali eu percebi o quanto cruel estava sendo com o meu coração, Cecilia começou a gritar comigo e falar que éramos apenas amigas, que me aproveitei de um passeio pra me declarar há aquilo não.
Me joguei no banco do motorista enquanto ela abria a porta e saia correndo, tentei correr antes de ser atingida pela porta que bateu a centímetros do meu corpo, fechei o pulso chutando um vaso de planta longe.
No dia seguinte estava cansada e querendo chegar em casa, por um lado meu advogado me avisava da audiência, por outro organizava uma comemoração pra minha menina.
Desci as escadas e dei um bom dia pra Clara que me perguntou o que tinha, apenas respondi que dor de cabeça, peguei minha mochila e fui pra escola.
Ao chegar encontrei Lara nos armários, passei por ela sem lhe dirigir a palavra.
-Agora será assim, irá me crucificar por me declarar ?
Ouvia falando de seus sentimentos, a entendia, mas não tinha o dever de se aproveitar assim.
-Continuamos como sempre foi.
Fechei o armário a encarando, seus olhos estavam vermelhos.
-Você age assim porque não sabe quem é a sua querida Amanda.
-Olha Lara não adianta vim com esse plano de detonar meu relacionamento, pois não vai dar certo.
-Detonar eu! Serio ?
Apontou pra si mesma e se dirigiu até a quadra, a segui formavam times pra desafiar o time adversário por sorte era vôlei, mas fiquei no time da namorada do Caio.
O jogo começou muito bem, peguei a bola umas duas vezes, mas não estava cem porcento como as outras meninas, Lara também deu seu melhor até que no final a bola veio certeira em meu rosto, me fazendo cair e perdemos por dois pontos.
Fui pro vestiário enquanto as meninas do time tentavam se justificar contra a derrota, ao entrar dei uma olhada no meu rosto estava vermelho.
Lara entrou em seguida falando que iria me acompanha até a enfermaria, neguei sua ajuda.
-Para de tentar ver alguma brecha pra se aproximar, sei aonde é a enfermaria.
Estava puta com a mesma, deixei a enfermaria passando pelas meninas revoltas falando que era minha culpa por ter perdido o jogo.
Me sentei no banco enquanto as meninas entravam no vestiário, a namorada do Caio foi a primeira a falar mal da Cecilia.
-Isso é tudo culpa da sua protegida, onde já se viu colocar aquela gorda pra jogar sendo que nem treinar ela estava.
-Ela não é minha protegida.
Olhei pra loira alta ao meu lado.
-Sério não é o que parece, toda sala sabe que você baba por essa garota que não quer nada com você.
Tinha virado piada da sala inteira, a raiva tomou conta do meu corpo me levantei furiosa.
-Quer saber essa é a chances de vocês se vingarem da Cecilia, eu lavo minhas mãos, peguei minha mochila deixando o vestiário.
Depois de cuidar daquela bolada deixei a enfermaria voltando pro vestiário, ao entrar estranhei o vazio.
Peguei minha toalha e sabonete entrando no box, meu rosto ardia um pouco, fiquei pensando no que a Lara tem tanto contra a Amanda.
Terminei meu banho me enrolando na toalha, ao sair notei que minha mochila havia sumido.
Escuto sons de portas sendo chutadas e todo time apareceu do nada me assustando e me encurralando.
-Eai a baleia decidiu dar as caras.
-Me devolve a mochila.
-Vem pegar.
Carla corria com minha mochila enquanto tentava alcançar, numa dessas corridas minha toalha foi puxada.
Os risos e gargalhadas me acuaram num canto cobrindo minhas intimidades, enquanto câmeras de smartfones me filmavam.
-Da uma voltinha pra gente Cecilia.
Os risos os olhares e piadinhas maldosas eram vistas por mim em câmera lenta, minha garganta secou minha voz falhou a única coisa que consegui fazer foi me agachar e tentar não desmaiar.
Ouvia gritos e risos vindo do vestiário, estava quase saindo quando a culpa tomou conta do meu ser.
-Merda, eu não sou assim.
Larguei a mochila no chão e sai correndo de volta ao vestiário entrando passando por todas e vendo Cecilia acuada agachada num canto, com a cabeça baixa.
-Parem com isso! Já chega!
Todas estavam satisfeitas e se retiraram rindo ainda, peguei a toalha a cobrindo.
-Calma calma calam... Eu estou aqui agora.
Cecilia chorava como chorei noite passada, me deixei me levar pela raiva a ajudei a se levantar e peguei sua mochila que estava jogada num canto.
Fiquei sentada no banco esperando ela se trocar dentro do box, se isso se espalhasse seria a primeira a falar que a culpa era minha toda minha.
Quando ela saiu meu coração doeu, a abracei forte falando que daria um jeito em tudo isso, deixamos o vestiário e seguimos pelos corredores, a essa altura ouvíamos risos e piadinhas. Cecilia parou e ficou de frente pra mim me agradecendo, como ela tinha forças pra isso me senti um monstro.
-Preciso ir pra casa.
-Eu levo você.
A abracei forte quando meus olhos olharam pra entrada, seus passos eram largos e seu olhar fulminante em mim, suas mãos me afastaram da menor quase que me empurrando.
Cecilia se virou e fitou a namorada que sorria cheia de saudades e vigor.
-Amanda!
-Agora estou aqui, minha princesa.
Fiz um leve afago em seus cabelos curtos posicionando minha mão em sua nuca, a chamando pra um beijo que foi inevitável pra me segurar, como estava com saudades daqueles lábios do cheiro do corpo da menina que e só minha.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: