Mais um capitulo da historia de vida delas de como elas são, suas vidas, seu passado e vivências de como elas chegaram até aqui e de como as vezes é dificil deparar se com o desejo de viver algo que não se pode.
Capítulo 3 O encantamento e suas dúvidas.
Helena
- Acho que não nos conhecemos das outras vindas aqui- disse
- Milena e o seu?
- Helena, respondi pegando na mão estendida, e subindo os olhos da sua mão, encontrei os dela novamente e sentindo pela primeira vez um frio na barriga sem nenhuma explicação.
Ao subir meu olhar e encontrando os seus, sua mão imediatamente gelou, e ela rapidamente retirou a dela me dando um sorriso sem graça, achei estranha a atitude e acabei rindo ou melhor sorrindo, seu olhar ficou em misto de timidez e medo?!
Ela era estranha, um minuto tímida, noutro determinada, noutro despachada, engraçada falando dos homens do projeto e por fim tímida novamente, ela era interessante.
“Interessante?” e desde quando eu fico achando mulher interessante e preocupada com o que ela está pensando, era só o que me faltava agora, pensei.
Devo estar mesmo bem cansada para perder meu tempo divagando por bobagem, além do mais ainda depois te tudo isso tenho que aguentar uma noite com minha sogra, Deus dai-me paciência.
Milena
Senhor, não mereço isso mereço? Eu conheço muito bem o que estou sentindo, já passei por isso em um passado bem recente, por que o Senhor sempre me coloca nesta situação? É carma? Quando minha vida entra nos eixos lá vou eu ficar de quatro por uma mulher que não posso ter, não sinceramente, não mereço! Definitivamente não. Por que eu adoro um problema, o Senhor podia me explicar?
4 anos atrás – Flashback
Servi as meninas e fiquei papeando com elas, começou a tocar uma música mais agitada e ambas começaram a dançar juntas, Marina e Luiza, faziam um casal interessante, uma negra e alta, a outra baixinha e branquinha um belo contraste.
Fiquei observando a dança delas e vez o outro Marina me lançava olhares e sorrisos atravessados, pensei, bem safada né?! Me dando bola, e dançando com a ficante, namorada sei la , bem típico da idade, ela não devia nem ter 25 anos.
Em um dado momento a Luiza, vai ao banheiro e a Marina desce do reservado e vai até onde eu estou.
- Você pode dançar? Me olha com aqueles olhos pequenos e zombeteiros.
- Posso por que, não sou funcionária disse rindo. Estranho pensei ela tira de mim coisas incomuns.
-Então dança comigo?
- Sua namorada não vai achar ruim? Questionei.
- Namorada? Que namorada?
- Uai a Luiza. Ela é minha amiga, não namorada respondeu com um sorriso debochado de quem se pergunta “sei, ta querendo”
- E você comprometida? Mais ou menos respondi e ela fechou a cara, fica um trem bonitinho de cara amarrada pensei. Epa nem bem sai de um relacionamento e já to reparando em outra e ainda por cima com idade de ser minha filha pensei rss bem filha não né uma prima talvez.
Estendi a mão e puxei ela, então vamos dançar, ela abriu um sorriso, e me grudei a ela, e um segundo depois estava completamente molhada é Senhor- danou-se.
Helena
Caio, nos tirou daquela situação estranha, veio nos informar que as primeiras reuniões de alinhamento entre as equipes começariam na semana seguinte, que Milena e eu ficaríamos responsáveis pelas primeiras reuniões e que usaríamos a minha sala para tal.
Bom o que eu havia sentido com isto tudo? Não sei, sou muito profissional, sempre na minha vida fui focada nas coisas que me propunha, mas ela tinha algo que me deixava desconsertada e não sabia precisar, talvez fosse a forma forte que ela me olhava nos olhos, esperava que tudo corresse bem nesta parceria, duas mulheres fortes era sempre sinal de disputa.
Nos despedimos logo depois de todos e eu fui embora para o jantar com meus sogros. Desci para o pátio da empresa e adentrei no carro, e meu pensamento voou para o tempo que conheci o Fabio, ele era tão despreocupado e simples, sorridente e palhaço sempre com uma tirada, quem o conhecesse não pensaria que era podre de rico. Eu não desconfiava até o dia que ele me chamou para conhecer os pais, eu achava que estávamos indo muito rápido naquele affair, sou reservada e tinha traçado uma meta de vida e romance não estava nos meus planos, mas ele era persuasivo me convenceu a ir no fim de semana na casa dos pais.
As lembranças vieram por que hoje como naquele dia teria que tolerar o olhar reprovador de Isabel para cima de mim, era difícil lidar com a sogra, nascida em berço de ouro, era a personificação da tradicional família mineira, daquela que a religião, as tradições, e o sobrenome faz toda diferença, a única coisa que fez nossa relação ficar menos difícil foi o nascimento das ninas, as gêmeas que são a mistura minha e do pai, Camila como o pai sorridente e sapeca e a outra Sofia, serena, calma, e geniosa, minha cópia diz o pai.
Milena
Fiquei escutando Caio dizer que iria passar a próxima semana com Helena, e meu único pensamento era “não vou dar conta disso, passar dias e dias na mesma sala com ela sozinha? ai Jesus to lascada.
Preciso focar no projeto e esquecer aqueles olhos negros e aquele sorriso que quase me enfarta, “Milena, Mili você não é mais criança, e agora é casada, vai para casa e faça amor com sua esposa e sossegue este a facho por que absolutamente a Carla não merece isso”
Pensei em Carla,ela era é a personificação de uma pessoa doce e dócil, ela entrou em minha vida para curar as dores do meu relacionamento anterior, passei 7 meses sofrendo e chorando por Marina e ela entrou dando um sopro de simplicidade, tudo com ela era fácil, sem stress, sem coisas difíceis e acho que por isso depois de 4 anos com ela, a verdade que me encontrava meio entediada.
Nos seres humanos somos mesmo difíceis né não? Por que quando a coisa é fácil a gente tende a ficar entediado? Ou será que sou eu o problema? Será que sou eu o problema? Minha mente voou novamente para Marina pela segunda vez no dia?!
“Depois daquela dança e daquele dia, a Alex cismou que eu devia ser amiga de Marina no Face, ela iria fazer aniversario poucos dias depois e Alex queria que eu fosse, sabia bem que a ela queria mesmo é me inserir na turma para ficar me secando mais fácil já que eu estava solteira, mas a menina não saia da minha cabeça e pensei por que não ne?! Ela me chamou para ser amiga no face, me convidou para o niver e eu aceitei ambos os convites, engraçado hoje não me lembro o que foi o start o momento que as brincadeiras no bate papo do face virou um flerte, fato que antes do niver já estávamos envolvidas, conversávamos horas, e nosso desejo era de se ver antes do aniversário .Eu nunca me relaciono com gente mais nova, sou muito velha internamente falando e ela era das artes, uma menina, sorridente e despachada mas queria ver no que ia dar estava solteira mesmo, pensei. Marcamos em um sábado eu parecia adolescente em seu primeiro encontro, tinha medo do primeiro beijo de não ser bom e a gente perder aquilo de gostoso que estávamos construindo de longe naqueles dias, vesti e desveti uma serie de roupas, estava frio e me vesti com uma blusa de gola role, um jeans escuro e desci ao seu encontro. Ela estava linda, toda arrumada, bem mulher em nada lembrava a menina, acho que ela quis parecer mais velha, talvez por saber que eu nunca havia me relacionado com ninfetas, somente aquele sorriso já me bastava, sentei no carro, dei um beijo em seu rosto e fomos ao nosso destino, ela repousou a mão pequena em minha perna, e meu corpo estremeceu somente com aquele toque, estava mega nervosa com o que viria, ela olhou para mim nos olhos e ficamos assim alguns segundos, por que ela tava dirigindo. Quando paramos em um semáforo ela virou se lentamente para mim e foi aproximando seu rosto, olhos nos olhos até que nossos lábios se tocaram, nossas línguas com sofreguidão se encontrando, ch*pando, se querendo, conhecendo, explorando, foram segundos mas parecia um encontro de alma, de vida de tudo assim pensei, e era o que parecia.
Fim do capítulo
Espero que gostem, e me digam o que estão achando. Beijos.
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