Duas faces por ROBERSIM
Capítulo 39
-tem certeza Diana!
-nunca estive tão certa na vida, quero que as pessoas que amo, que são minha família, se entendam . Que você faz parte da família, como sempre quis.
Despedimo-nos, mas uma agonia, uma sensação de perda não deixava meu peito. Achei ser por tudo aquilo que estava acontecendo.
Quando saímos pra deixar Valéria no colégio, resolvo perguntar para o porteiro se Diana havia conseguido chamar um táxi.
-ela chamou sim Vanessa, mas não o pegou- olhei para o senhor sem entender- teve um homem, o mesmo que parou ela outro dia , a levou para seu carro. Sabe o que estranhei e que ela parecia assustada em acompanhar os homens que estavam a seu lado.
Naquele momento senti meu coração parar.
-Carol, o Lauro pegou a Diana!
Desesperei-me ao imaginar minha irmã nas mãos daquele bandido.
Eu já chorava, um aperto em meu peito, um desespero, não sabia o que fazer, não conseguia pensar em nada.
-o que faço por minha culpa minha irmã está em perigo.
-calma Vanessa, se desesperar não vai trazer Diana de volta. Será que ele pensa ser você ou sabe que tens uma irmã.
-ele andava seguindo ela, deve saber que não era eu, e se ele a pegou e porque vai querer algo em troca!
- tens que falar com o pai dela, enquanto isso, irei a loja falar com a Victoria - ainda bem que ela estava comigo, pois não conseguia pensar em nada. Ela tinha razão, a única pessoa que poderia ajudar nessa hora era seu pai, com certeza conhecia pessoa influente - vou deixar você na casa dele.
-aconteceu alguma coisa tia?- Valeria apesar de pequena, via minha aflição, não conseguia esconder meu choro , minha aflição.
-não meu amor, a titia só está preocupada , mas logo vai passar.
Durante o percurso até a casa do senhor Hidelgardo , me perguntava como ia falar sobre tudo o que estava acontecendo, resolvi ser sincera, com certeza ia me culpar pelo ocorrido.
-vou te deixar aqui e levar Valeria pra casa da avó, você quer que venha pra cá depois?
-não, melhor você ir para o escritório, Diana me falou que Jessica ia voltar hoje, mas não quero que comente nada, antes de eu falar com o senhor Hidelgardo.
-Tudo bem!
Com certeza, apesar da mágoa que Jessica está de Diana, ia ficar aflita ao descobrir o que aconteceu.
Quando cheguei no condomínio, como imaginei, não tive problema em entrar, quando a senhora que trabalhava na casa dos Wanzeller me olhou estranhando ao perguntar pelo dono da casa.
-o senhor Hidelgardo está?
-seu pai esta na sala!
-quero falar com ele, preciso falar com ele.
-que formalidade e essa menina, entre e vá falar com ele!- ela achava ser Diana. O senhor chegou nessa hora até nos, a princípio me sorriu achando ser sua filha, mas percebeu algo diferente.
-Vanessa o que faz aqui?- a senhora olhava pra ele sem entender, com certeza não sabia que Diana tinha uma irmã- aconteceu alguma coisa com minha filha - nesse momento chega dona Carmem que devido nossa convivência me reconheceu imediatamente.
-o que aconteceu com minha filha?
-Diana foi sequestrada, pegaram-na pensando ser eu.
A senhora já chorava desesperada, seu Hidelgardo a amparava, lágrimas escorriam por meu rosto, mas eu tinha que continuar a falar, pelo bem de Diana.
-vamos pra biblioteca, lá você me conta porque acha que ela foi sequestrada.
-eu não acho, ela foi , ou pelo menos pegaram-na pensando ser eu...-conto pra eles tudo que vinha acontecendo desde meu encontro com Lauro no parque. Dona Carmem não parava de chorar e meu desespero só aumentava, enquanto narrava os acontecimentos. No final eu chorava com desespero - faria de tudo pra esta no lugar dela, minha irmã não merecia passar por isso.
-temos que manter a calma, vou falar...-nesse momento meu celular toca. Era Diana, quase derrubo o aparelho enquanto atendia.
-Diana...
-não é sua irmãzinha querida, mas se quiser ver ela de novo, vai lhe custar muito.
-a solte Lauro, ela não tem nada a ver com isso tudo, sei que é a mim que quer. Fale-me Onde está que vou aí e fico no lugar dela.
-não bela, ela vale bem mais que você. Sei que esta com a família dela, tem alguém seguindo seus passos. Fala pro pai dela não chamar a polícia, não envolver as autoridades se quiser ver sua filhinha de novo. Depois te dou retorno.
Desligou sem me dar tempo de insistir na troca.
-era ele não era? Cadê minha filha?
-ele não me falou, ele sabe que é a Diana. Vai querer pedir resgate.
-vou ligar pra polícia!
-NÃO! -me desespero- ele disse pra não envolver a polícia. Esse cara é perigoso, não quero a vida da minha irmã em perigo- chorava em desespero.
-tudo bem Vanessa, mas vou ligar pra um amigo meu investigador, o mesmo que na época que te encontramos te livrou da cadeia por várias vezes.
-estou me sentindo tão culpada pelo o que está acontecendo.
-Você não tem culpa - dona Carmem que chorava me consola- sua irmã faria tudo de novo, o que fez, pra te ter a seu lado.
-Carmem tem razão, Diana não deixaria de está com você, nunca.
Aquilo me deixou, mas aliviada, saber que não estavam me culpando.
-não sei o que fazer, vão notar o sumiço dela das empresas, Carol está lá, preciso falar com ela.
-Carol, a assistente de Jessica?
-sim, ela sabe. Estava comigo quando o porteiro do edifício Onde moro, me falou- ele não falou nada, mas deve ter suposto termos algo.
-então vá à empresa e converse com ela e com Jessica.
-o senhor tem certeza que quer isso, algumas pessoas vão saber que não sou Diana.
-não me importo, só quero minha filha de volta.
Quando sai dali, peguei um táxi e fui direto para o escritório. Olhava para os lados desconfiada, pois sabia que os homens do Lauro estavam me seguindo.
...
P/ CAROL
Estava aflita por Vanessa, via seu estado e um aperto oprimia meu peito. Enquanto dirigia em direção ao escritório, ficava imaginando como Jessica suportaria quando soubesse, não podia nem imaginar se fosse Vanessa no lugar da irmã, tinha certeza que Lauro sabia ser Diana e se aproveitaria de sua posição, no caso se fosse Vanessa tinha a certeza que seria pra se vingar pelo passado.
Quando cheguei Jessica já estava em sua sala, desde o dia que me viu com Vanessa não havíamos conversado.
Tentei parecer natural, minha aflição em saber sobre Diana me denunciava.
-aconteceu alguma coisa Carol- Jessica me perguntou minutos depois que entrei em sua sala, estava distraída, minha concentração era zero.
-não, esta tudo bem!
- posso te perguntar uma coisa?
-pode sim- já sabia sobre o que era, mas a deixei começar.
-como realmente conheceu a irmã da Diana?
Já que ela já sabia, pelo menos metade do que tinha acontecido no passado, resolvi que ia o jogo. Contei tudo que havia acontecido, desde o dia em que fugi do meu padrasto.
-foi assim que conheci a Vanessa, se não fosse por ela, não sei o que seria de mim!
Ela me olhava parecendo refletir sobre minha história. Desde última vez que nos encontramos, ficava me perguntando se iria continuar a ser sua assistente.
-Sabe Jessica, Diana não sabia Vanessa não me falou sobre o que tinha acontecido do roubo. Mas tenho certeza que ela jamais lhe faria mal, foi uma época muito difícil pra ela e para o Dudu, que conheci também. Não culpe Diana ela realmente não sabia sobre isso, seu único erro foi ter escondido a existência da irmã, mas também escondeu por causa do seu pai. Ela te ama, não estou falando isso pra você a perdoa, mas sim pra refletir sobre tudo.
-Carol, a Diana teve todo tempo pra me falar a verdade, ela devia ter confiado em mim.
-Realmente ela errou, mas me fale uma coisa, se acontecesse alguma coisa com ela, como ia se sentir- queria entender o que realmente ela sentia, não ia falar nada sem a permissão da Vanessa.
-sinceramente não sei, ainda estou chateada , mas não consigo me ver se ela - seus olhos estavam vermelhos, como se a qualquer momento fosse chorar - Obrigada por ter me falado sua história, você tem motivos pra não falar , tem muita gente que ia te discriminar.
Fiquei em dúvida sobre falar pra ela sobre o que ocorrera, mas antes de abrir a boca, Marcos entra em sua sala, sem ao menos pedir ou ser anunciado.
-o que você quer Marcos, porque não anunciou sua entrada, poderia estar ocupada!- Jessica parecia chateada com sua intromissão.
-seu pai me falou que viria hoje, só vim te ver. E sua assistente não estava em na mesa dela!
-isso porque está aqui comigo, Carol Obrigada. Pode ir , depois continuamos essa conversa.
Quando levanto, percebi o olhar de Marcos sobre mim, aquele sujeito era parece uma cobra espreitando sua presa.
Estava digitando um documento que Jessica me pediu, a todo o momento voltava na leitura, pois minha cabeça não conseguia se concentrar, queria saber de Vanessa, o que tinha ocorrido na casa dos pais de Diana. Respirei aliviada quando ouvi meu celular tocando e a foto de Vanessa aparecer na tela.
-Oi amor, já estava desesperada . O que aconteceu, tem notícia de Diana?
-estou indo pra aí, o senhor Hidelgardo quer que converse com Jessica- sua voz estava embargada- o Lauro ligou , ele quer dinheiro em troca da Diana.
-então ele sempre soube não ser você?
-a principio acho que não, mas com certeza ao seguir Diana, descobriu!
Escuto seus soluços, um aperto no peito por não estar com ela, se fez presente.
-amor sua irmã vai voltar. Espero-te aqui, assim que chegar me manda uma mensagem.
Despeço-me no momento em que Marcos sai da sala de Jessica. Volto a dar atenção aos documentos que tinha em mão, em alguns minutos Jessica sai de sua sala parecendo diferente.
-Carol conseguiu falar com a Diana Hoje? A Suzana me ligou avisando que havia marcado com uns fornecedores mas ainda não chegou , isso não faz o estilo dela, faltar a uma reunião, já tentei ligar e seu celular só cai na caixa de mensagem.
Fiquei sem saber o que falar, via em seu olhar sua preocupação.
-não falei com ela ainda Jessica.
-tudo bem, vou tentar ligar de novo- entrou em sua sala.
Meu celular toca outra vez e vejo a mensagem de Vanessa, avisando que estar na empresa.
Vou direto pra sala de Suzana, pois o elevador parava direto em sua sala e com certeza , a secretária a confundiria com sua chefe.
Não errei no julgamento, quando chego em sua sala vejo Vanessa parada na recepção da sala de sua irmã, e Suzana falando.
-por favor, quero falar com a Carol!
-Diana você esqueceu que tinha uma reunião hoje, os fornecedores foram embora chateados.
Quando Vanessa me vê corre e me abraça, Suzana olhava a cena com desconfiança, pois minha namorada me abraçava forte e lágrimas escorriam por seu rosto.
-calma amor, logo sua irmã estará conosco.
-o que está acontecendo aqui?
...
Desde dia anterior, não conseguia pensar em mais nada a não ser em Diana. Quando a vi porre, tão desprotegida me senti mal por ser a causa de sua tristeza.
No dia em que a vi com sua irmã, não havia reparado nos detalhes das duas...idênticas, mas tinha algo que as diferenciavam, o olhar. Vi o carinho que Vanessa tratada à irmã e de alguma forma meu coração se aquietou. Naqueles dias vinha pensando como o destino era irônico às vezes, minha ida para o Japão foi justamente por Vanessa, talvez se nada daquilo tivesse acontecido, conheceria Diana em outra ocasião e talvez não sentíssemos o que sentiamos agora...Talvez! Naquela noite não dormi direito com esses pensamentos martelando em minha cabeça. Tudo bem que Vanessa errou, mas não sabia a fundo os detalhes de sua vida. Resolvi que no dia seguinte conversaria com Carol, que era a pessoa depois de Diana, parecer conhecer mais Vanessa.
No dia seguinte antes de sair para o escritório, já havia decidido o que fazer , mas tinha a certeza que minha decisão seria um motivo a novas discussões com meu pai.
Estávamos tomando café quando falei:
- mãe, pai , vou voltar pro meu apartamento.
-não vai não, não vou deixa-la perto daquela mulher- respirei fundo antes de responder a meu pai.
-irei sim , sou de maior e capaz de tomar qualquer decisão, e aquela mulher tem nome...Diana. Não estou pedindo sua permissão, estou comunicando.
-vou falar com Marcos, ele vai impedir essa sandice!
-já estou cansada do senhor achar que temos algo, ele não tem nada comigo ou com a minha vida. Agora vou me vestir e ir para empresa- sai antes que falasse mais alguma coisa, quando estava subindo a escada ouço minha mãe falar.
-você ainda vai perder nossa única filha, por causa desse seu preconceito sem sentido.
Não escutei sua resposta. Quando cheguei a meu escritório, Suzana me olhava com desconfiança, com certeza os falatórios sobre meu relacionamento com Diana já corriam os corredores da empresa. Dei-lhe bom dia e segui para minha sala.
Estranhei não encontrar Carol em sua mesa , quando essa chegou a achei estranha , preocupa pra ser mais exata. A chamei em minha sala e conversamos muito, ela me contou detalhes sobre seu passado e como havia conhecido Vanessa. Não sei explicar mais ouvindo agora com calma, toda a história de sua namorada, a mágoa que estava sentindo se esvaiu um pouco.
Quando Marcos entrou em minha sala, ia pedir que Carol me contasse mais sobre a vida de sua namorada , pelo menos em relação a Diana.
-Marcos, precisamos conversar! - falo assim que Carol deixa a sala- quero que pare de locar ideias na cabeça de meu pai , principalmente o colocando contra a Diana , entenda uma coisa , entre nós não há, e nem haverá mais nada . Apesar de tudo que aconteceu continuo a amando.
-me desculpa Jessica, pensei que essa mulher era mais uma curiosidade sua , ela não te merece.
-quem decide isso sou eu , nem você, nem o papai podem decidir essa questão por mim. Esta me entendendo!
Ele apenas confirma com a cabeça.
-já falei com meu pai , vou voltar para meu apartamento ainda hoje, e se você quer um convívio bom comigo, e melhor tirar uma possível volta nossa , da cabeça.
Assim que deixa minha sala, vou atrás de Carol, queria continuar nossa conversa. Ela não estava em sua mesa, sigo o corredor que ia direto a sala de Diana, meu coração falha quando a vejo abraçada a minha sócia.
-o que está acontecendo aqui?
As duas se soltam, foi então que percebi lágrimas no rosto da mulher. Não era Diana que estava ali e sim Vanessa, seus olhos eram mais claros que de minha amada.
-o que está fazendo aqui Vanessa, veio falar com sua irmã.
Suzana olhava confusa. Vanessa ainda chorava, meu coração apertou sem saber por quê.
-cadê a Diana? Suzana ela está na sua sala?
-ela está...- a secretaria não sabia o que falar , havia esquecido que não sabia sobre a existência de Vanessa.
-Jessica vim aqui mando do senhor Hidelgardo. Ele me pediu pra conversar com você.
- o que aconteceu?- meu coração já está acelerado.
- A Diana foi sequestrada.
Senti o chão fugindo a meus pés, sinto as mãos de Carol em minha cintura.
Fim do capítulo
Boa tarde menina!
capitulo fresquinho postado, beijos. agradeco as moças que acompanham a historia.
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