Capítulo 19 - Como aproveitar um dia de folga
Capítulo 19 — Como aproveitar um dia de folga
Ao estacionar em frente ao complexo penitenciário a tristeza da despedida surgiu, porém, sem ofuscar a tarde de beijos e carícias que tiveram naquele sofá não muito macio.
— Quando é sua próxima folga? — Juliana começava a planejar o próximo encontro, se pudesse adiantava todos os relógios do mundo.
— Sábado.
— Mentira, sábado??
— Sim.
— Você tem compromisso?
— Não.
— Tem planos?
— Não.
— Quer passar o dia comigo?
— Adoraria.
— Então as oito da matina estarei aqui na frente te esperando.
— Não precisa, eu vou de ônibus.
— Não, não, eu venho te buscar. A gente toma um belo café e vai pra minha casa, de acordo?
— Sim, senhora.
— Se quiser a gente passa na casa de Maurício para você dar um oi para eles.
— Você não existe, garota. — Segurou seu rosto e tascou um beijo rápido.
— Promete que vai se comportar?
— Vou andar na linha, tenho uma motivação das grandes agora.
— Qual? — Perguntou num tom manhoso.
Flávia soltou o cinto e a beijou.
— Ficar livre logo para poder cuidar da mulher que eu amo.
— Ah Flávia... Eu vou morrer de saudades. — Disse agarrada em seu pescoço, com os olhos úmidos.
— Só cinco dias, fofinha. Pode ligar na pousada se ficar com saudades.
— Posso?
— Claro, o dono é tranquilo.
Outro beijo, outra despedida, e Flávia retornava ao quarto compartilhado com outras sete mulheres, as grades e o arame farpado continuavam fazendo parte de sua moradia.
***
Fizeram um generoso desjejum no sábado pela manhã, passaram uma horinha na casa dos tios e de Maurício, e seguiram para o pequeno apartamento, que parecia um palácio para Flávia.
— Bom, você já é de casa, fica à vontade, tem pudim na geladeira. Tem cerveja também, você pode beber?
— Posso, mas acho que pudim com cerveja não é uma boa combinação.
Juliana a trouxe pela mão até a porta do quarto.
— Você vai me achar muito atirada se eu te convidar pra entrar no meu quarto? — Perguntou com a voz mansa, com os braços ao redor do pescoço dela.
— De forma alguma. — Aproximou o rosto. — Mas antes você tem que me dizer o que quer fazer lá dentro.
— Preciso?
— Uhum. — Roçou o nariz eu seu rosto, colocou uma madeixa loira para trás da orelha, deslizou os lábios até lá e a mordiscou.
Juliana arrepiou-se e contraiu-se por reflexo.
— Você já está começando aqui fora, Flávia.
— Começando o que?
— Aquelas coisas que a gente falava nas cartas. — Juliana disse sem jeito, Flávia riu.
Desenterrou o rosto de seu pescoço e a encarou agora com semblante sério.
— Tem certeza?
— Posso mostrar. — Sem tempo para qualquer reação ou resposta, a pequena contadora atirou-se num beijo de abalar as estruturas.
Cambalearam até o quarto tentando desgrudar-se o mínimo possível, antes de desabar na cama Flávia fez uma constatação.
— Cama de solteiro?
— Minha mãe não me deixou colocar cama de casal.
Flávia tentou não rir, a abraçou firme pela cintura e a colocou de costas na cama. A desenvoltura inicial de Juliana tornou-se timidez (ou inexperiência), era a ex-presidiária que conduzia agora.
Os toques de Juliana eram tímidos e inseguros, parecia não ter coragem de se aventurar pelo corpo já sem calça e sem camisa de Flávia. Um bom tempo depois:
— Ju, eu tô ficando maluca de tesão, posso tirar sua blusa? Quero te ver nua.
— Pode...
A blusinha colada de Juliana custou a sair, mas por fim a respiração de Flávia ficou mais pesada ao contemplar o corpo da namorada após tirar o sutiã.
— Caramba, como você é gostosa... — Flávia disse voltando a correr as mãos pelo corpo dela, agora beijando seu pescoço e brincando suavemente com seus seios.
Juliana apenas gem*u.
— Tá com tesão?
— Uhum.
— Deixa eu ver? — Flávia pediu com a mão por cima da calça dela, entre as pernas.
— Quer que tire a calça?
Flávia invadiu seus dedos curiosos por dentro da calcinha antes de respondê-la, a pegando de surpresa.
— Uou!
Constatou o estrago e sorriu satisfeita, a garota estava molhada, muito molhada.
— Agora deixa comigo.
Flávia tirou calça e calcinha dela de uma vez só, teve um mini infarto ao vê-la toda nua, a pele com alguns pontinhos marrons, os pelos baixos castanhos emoldurando seu sex* visivelmente molhado. Tirou sua própria calcinha e sutiã e tratou logo de entrelaçar pernas, corpos, sex*s e líquidos.
Flávia queria dar um belo orgasmo à sua amante, mas o tesão nas alturas e o friccionar dos sex*s estava a levando ao ápice e não conseguiu evitar: gozou antes dela. Ficou sem jeito, mas ao ver a carinha safada e alegre de Juliana recuperou o fôlego e voltou ao jogo.
Enquanto a distraia com um beijo, corria sorrateiramente seus dedos pelo sex* dela, logo já estava estimulando seu clit*ris arrancando suspiros cada vez mais demorados e intensos. Quando finalmente penetrou dois dedos sentiu toda a contração ao redor deles, além de um sonoro gemido surpreso em seu ouvido. Ela poderia goz*r novamente apenas ouvindo aquilo e sentindo seus dedos entrando e saindo de Juliana.
— Goz* na minha mão, Ju.
E assim veio o gemido mais aguardado, Flávia afastou apenas um pouco para poder contemplar o corpo de sua amada se arqueando, os seios em evidência, a expressão de quase sofrimento no rosto da garota.
Aguardou que sua respiração voltasse a algo próximo do normal e subiu em seu corpo, beijando ardorosamente, sentindo as mãos de Juliana agarrando firme: uma em sua nuca, outra em sua bunda.
— Deliciosa... — Flávia murmurou correndo o nariz pela extensão do pescoço.
— Caramba, Flávia... Eu quero você todos os dias, o que eu faço?
— Temos que esperar mais um pouco, daqui cinco meses estarei livre e poderei te ver todos os dias.
— Inclusive passar uma noite comigo. — Animou-se com a possibilidade. — Deve ser maravilhoso, fazer amor com você, dormir, acordar e ter você do meu lado!
Flávia divertia-se com a empolgação dela.
— Ou agarrada a suas costas igual um bichinho preguiça.
— Eu quero muito isso. Sério, eu quero muito você, quero poder passar um dia e uma noite inteirinhos na cama sem me preocupar com mais nada, sem horários, sem roupas...
Flávia saiu de cima dela e ficou de lado, com a cabeça apoiada no braço.
— Eu também quero tudo isso, você merece ter uma namorada por inteiro, desculpe não poder te proporcionar isso, mas vou tomar todo o cuidado para que nada ameace minha liberdade. Vem cá. — Juliana virou na direção dela. — E vamos fazer muito, muito amor nesse quarto.
Deitadas de frente uma para outra, com um lençol cobrindo não muito dos corpos nus, Flávia acariciava os cabelos da namorada, o delicado sorriso satisfeito estava no rosto de ambas.
— Não faço ideia de quando poderemos fazer isso de novo, só sei que quero fazer isso para sempre. — Juliana confessava.
— Quer ter várias experiências?
— Com você.
— Que bom, tenho uma tonelada de coisas que gostaria de fazer com você antes que enjoe de mim.
— Não vou enjoar.
— Sou apenas sua segunda experiência com mulheres.
— Segunda?
— Carol foi sua primeira.
— Eu não fiz sex* com Carol.
Flavia arregalou seus olhos negros.
— Não??
— Não, a gente ficou três ou quatro vezes, mas só ficamos no beijo mesmo.
— Juliana, você está me falando que acabou de fazer seu primeiro sex* com mulher?
— Uhum. Boa estreia, não? — Riu. — Quer dizer... Eu adorei, você gostou?
— Por que não me contou?
— Isso mudaria alguma coisa? Faria diferente?
— Não sei... Acho que sim, eu teria ido mais devagar.
— Amor, você foi na velocidade perfeita. — Juliana disse afagando seu rosto.
Flávia a puxou enfiando o rosto em seu colo.
— Que foi?
— Você me chamou de amor, assim eu vou morrer... — Flávia respondeu abafadamente.
— Mas eu te amo.
Flávia saiu rapidamente da toca onde havia se enfiado, a encarou.
— Você está falando sério?
— Te amo pra caramba. Não sabia?
— Isso é loucura.
— Por que?
— Você é jovem demais para saber, está experimentando um mundo novo.
— Eu só tenho seis anos a menos que você, Flávia. — Juliana sentou-se recostada na cama, cobrindo os seios com o lençol, mudou para um tom sério. — Você acha que estou brincando de casinha com você? Que estou tendo uma experiência? Acabei de me entregar para você de corpo e alma e duvida do que eu digo?
— Não estou duvidando. — Flávia respondeu um tanto assustada, sentou-se também puxando um pouco do lençol para ela.
— Então me leve a sério.
— Não acha melhor deixar rolar? Tenho medo de te magoar, te decepcionar.
— Demorei para aceitar o que eu sentia por você, agora que me sinto em paz e me entendi com meu coração você quer dar pra trás?
— Nunca, não é isso.
Flávia parecia sem saber o que fazer com aquele incêndio que se alastrava a sua frente.
— Naquele dia que terminamos por telefone, você mentiu? — Juliana perguntou chateada.
— Não, eu falei a verdade, eu realmente te amava. Quer dizer, eu te amo, e te amo mais a cada dia.
— Eu também amo você, estamos quites. Acredita em mim?
— Eu acredito em você, não fica chateada comigo, só tenho medo de colocar tudo a perder.
— Fica tranquila, estamos indo bem, o pior já passou.
— Eu sei.
— Isso foi uma DR? — Juliana perguntou.
— Não, foi só um momento de esclarecimento. — Flávia voltou a se deitar. — E agora voltaremos a nossa programação normal. Vem, deita aqui.
Juliana a encarou de cima, com um sorrisinho de dúvida.
— Vem, Ju. — Chamou com uma voz dengosa. — Me mostra um pouquinho desse amor.
A garota não resistiu ao galanteio e projetou seu corpo para cima dela, tomava cuidado para não cair por conta da cama apertada. Trocaram um beijo paciente, explorador, as línguas deslizavam como se já conhecessem as bocas alheias. A pegação crescia e Flávia estava novamente cheia de desejo.
— Posso te provar? — Flávia empurrou a perna dela para o lado com o joelho, deslizou dois dedos entre os lábios de seu sex* molhado.
— Com os dedos?
— Não.
— Você quer dizer... Ir lá embaixo?
— Uhum. Se não se sente à vontade tudo bem.
Juliana lançou seus olhinhos verdes e inseguros no rosto abaixo de si.
— Se eu não gostar posso pedir para parar?
— Claro, querida.
Flávia girou invertendo a posição, um beijo ardente e desejoso as deixava ainda mais excitadas, do jeito que ela queria. Deixou uma trilha de beijos e lambidas pelo corpo de Juliana, os beijos se tornaram mais arrebatadores quando chegaram ao ventre e a virilha, a garota estava enlouquecendo e pediu.
— Por que você está me torturando? Quero sentir tua boca.
Flávia respondeu com um olhar malicioso, segurou a mão dela sobre o abdome e deleitou-se em seu sex*, a boca e a língua dela proporcionavam um prazer novo para Juliana, chegando ao ápice com um gemido longo e alto, o corpo ainda tremia nas mãos de Flávia que agora a acariciava.
— Se importa de sentir seu gosto? — A mulher de longos cabelos negros meio desgrenhados pela própria namorada perguntou antes de beijá-la.
— Ãhn... Não.
Flávia levou dois dedos à boca dela, depois a beijou com volúpia, as salivas misturando ao gosto do prazer de Juliana era uma novidade para a loirinha.
O beijo foi perdendo a intensidade, se tornando apenas carícias e afagos. Ouvia-se ali apenas o ruído abafado do ventilador de teto. Pela janela do quarto percebiam com tristeza que o sol já baixava e aquele dia de novos sabores chegava ao fim.
Fim do capítulo
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Zaha
Em: 30/04/2018
Demorei, mas cheguei!
Que fofo a primeira vez delas!
Sabe, primeira vez que vc escreve uma cena de amor dessa forma. É sempre tao poética pra escrever rs.
Irei ao seguinte cap!
Sim, Jú é uma personagem normal, tava costumada com com suas personagens anomais! kkkkkkk
Resposta do autor:
E aí, tá em dia ness a história? quer spoiler lá no whatsapp? XD
Dessa vez resolvi escrever um hot com humor...
Essa historinha é bem normal, o final será bem normal tb... rs
Bjos!
Lea
Em: 10/08/2021
Que primeira vez cheio de cuidados,mesmo sem saber que era a primeira da Juliana com uma mulher!! Eu aqui querendo saber também,se ela teve algo a mais com a Carol ( que bom que não teve)!
Resposta do autor:
Oi Lea!
Adorando seus comentários! <3
Ah essa cena eu quis mostrar o zelo que Flávia tinha por Juliana, o receio de errar de novo e tal...
Muito obrigada por me ler!
Bjos!
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Sem cadastro
Em: 30/04/2018
Demorei, mas cheguei!
Que fofo a primeira vez delas!
Sabe, primeira vez que vc escreve uma cena de amor dessa forma. É sempre tao poética pra escrever rs.
Irei ao seguinte cap!
Sim, Jú é uma personagem normal, tava costumada com com suas personagens anomais! kkkkkkk
Resposta do autor:
E aí, tá em dia ness a história? quer spoiler lá no whatsapp? XD
Dessa vez resolvi escrever um hot com humor...
Essa historinha é bem normal, o final será bem normal tb... rs
Bjos!
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DriiH Rossi
Em: 29/04/2018
'_' Moita off ... *_* (acompanhando... )
Moita on... Mas, acompanhando tbm :)
Parabéns, autora :)
Resposta do autor:
Como dizem aqui no site, vou jogar formiga na moita! Apareça, viu?
Bjão e obrigada pro me ler
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Kim_vilhena
Em: 28/04/2018
Juliana e flávia definitivamente são estranhas heuehueheuehe
Foi mal Cris, mas tantas permissões no sexo é um tanto engraçado heuheueheue
Finalmente aconteceu, chessus!
Resposta do autor:
As duas são estranhas, foi um encontro do destino essas duas aí, por isso se deram tão bem juntas! rs. Uniram suas estranhezas...
Quando sentei pra escrever essa cena pensei "vou escrever um hot com humor" e saiu isso.
Bjão, kim!
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Socorro
Em: 28/04/2018
Que capitulo quenteeeeee...
Confesso, que tô com medo com os próximos acontecimentos viu autora, vc prometeu pegar leve e pfv mais amor chega de drama .kkk Claro que a vida é mto menos os relacionamentos são tudo flores ou conto de fadas, mais pra que complica kkk
Resposta do autor:
Tá se encaminhando para o final, prometo que será levinho, vem muitas flores e amorzinho pela frente.
Bjão e obrigada!
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Donaria
Em: 28/04/2018
Pronto autora é assim que a gente gosta...amorzinho, muito amorzinho, overdose de amorzinho, sem pé na bunda, sem patrulha empata foda, só as duas se conhecendo e se amando... tó até suspirando. Espero que não seja alento para proximos capitulos tensos, olha autora já te aviso...não invente rebeliões, triangulos amorosos e nenhuma outra porra que parta corações...lembre-se e controle-se, esse é um conto de amor...rsrsrs. beijos!
Resposta do autor:
É assim que gosto também, muito amorzinho, sem dramas e sem ameaças, mas né... Não podemos escrever só coisas gostosinhas, tem que ter o conflito... Um dia vou fazer um conto só de amorzinho.... rs
Prometo fazer jus a alcunha de conto de amor!
Bjão!
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