Dominique levantou-se e dirigiu-se ao espaço onde as demais passageiras descansavam. Samantha continuava com a bainha do vestido desajustada, mas a morena evitou fixar o olhar.
- Ei, vocês duas — chamou, com tom firme. — Acordem, já vamos pousar.
Samantha foi a primeira a abrir os olhos. Ao perceber a própria veste desalinhada e a patroa a fitando, ajeitou o tecido rapidamente, sentindo o rosto ruborizar, o que fez a Foster revirar os olhos com impaciência. Katherine, por sua vez, continuava inerte.
- Kath, levante-se. Precisa colocar o cinto.
- Estou com sono, me deixe dormir mais um pouco — resmungou a menina.
- Você dorme depois. Agora, levante.
- Não quero.
- Katherine Foster, levante-se agora mesmo e aperte esse cinto. Não vou repetir.
Resmungando contrariada e com o rosto tomado pelo sono, a garota endireitou-se no assento e afivelou a segurança. Dominique conteve um sorriso discreto antes de retornar ao seu lugar. Segundos depois, a aeronave iniciou a descida suave, tocando o solo americano logo em seguida.
A porta foi aberta e o trio recolheu seus pertences. Ao deixarem a pista, caminharam para o interior do movimentado aeroporto JFK, onde um segurança postado na entrada principal exigiu os documentos. Dominique prontamente entregou o seu e o de Katherine, enquanto Samantha apresentou o próprio.
- Dominique Valentim Foster, Katherine Soares Foster e Samantha Vasconcelos? — conferiu o homem, examinando os papéis.
- Por acaso não é a nossa foto que o senhor está vendo aí? — retrucou a morena, seca.
O funcionário pigarreou, conferiu os registros mais uma vez, carimbou as passagens e devolveu-lhes os papéis.
- Sejam bem-vindas à nossa cidade.
Dominique apanhou os documentos sem proferir palavra e seguiu rumo à saída.
- Obrigada! — apressou-se Samantha em dizer, correndo para acompanhar a patroa.
Do lado de fora, uma mulher aguardava segurando uma placa com os dizeres "Dominique Foster". Aproximaram-se da motorista.
- Hello! Sou a Ianny e serei a motorista de vocês — apresentou-se com um marcante sotaque americano.
Dominique avaliou-a de cima a baixo com um olhar analítico, deixando a funcionária visivelmente constrangida.
- Por quanto tempo prestará serviços para mim? — inquiriu a executiva.
- Pelo período que a senhorita achar necessário.
A Foster assentiu levemente. Em seguida, acomodaram-se no interior de uma limusine luxuosa, apreciando a grandiosidade da metrópole durante o trajeto. Ao chegarem ao condomínio residencial exclusivo onde fixariam residência, Dominique encantou-se com o local. A mansão superava as expectativas, fazendo-a admitir, ainda que em silêncio, a eficiência e o bom gosto de Samantha na escolha.
A propriedade era imensa. Após uma rápida divisão, Dominique instalou-se no quarto principal, Katherine ficou no dormitório ao lado, e Samantha ocupou o cômodo seguinte. Ianny foi acomodada confortavelmente nas dependências de motoristas até ser dispensada por aquele dia.
Depois de um banho revigorante e da acomodação das malas, foram apresentadas à equipe de funcionários da residência, todos previamente advertidos sobre o gênio difícil da nova patroa; contudo, a proposta salarial compensava o risco.
Concluídas as apresentações, o jantar foi servido. Dominique e Katherine sentaram-se à mesa, mas Samantha permaneceu de pé, hesitando. Por ser funcionária, acreditava pertencer ao grupo dos demais empregados.
- Não vai se juntar a nós para jantar? — estranhou a morena.
- Ah... Prefiro comer na cozinha com o pessoal.
- Por quê? Está com medo da gente? Eu não mordo. Você morde, Kath?
A menina negou prontamente com a cabeça, abrindo um sorriso.
- Não é isso, é que...
- Você acha que não deve sentar-se à mesa comigo por se considerar apenas uma empregada como os outros? — antecipou Dominique, verbalizando com precisão o pensamento da ruiva.
- Bem... sim.
- Sente-se, Samantha. Eu não a trouxe de outro país para tratá-la como uma subordinada qualquer e, além do mais...
- Você é nossa amiga — completou Katherine, interrompendo a irmã.
Samantha alternou o olhar surpreso entre a menina e a executiva, que mantinha uma expressão enigmática.
- Sente-se — ordenou a Foster, por fim.
A ruiva puxou a cadeira ao lado da caçula e acomodou-se. Durante a refeição, Dominique permaneceu em silêncio, observando as duas conversarem descontraidamente. Quando o cansaço cobrou seu preço, recolheram-se aos aposentos.
- Katherine, não se esqueça de... — pontuou a morena na porta.
- Escovar os dentes, eu já sei!
- Samantha, a que horas está marcada a nossa apresentação na empresa amanhã?
- Às nove e meia da manhã, senhorita.
- Perfeito. Boa noite, Kath — disse, beijando a testa da irmã. — Boa noite, Samantha.
- Boa noite, senhorita Foster.
***
Às oito da manhã seguinte, Dominique exibia uma elegância impecável: vestia um modelo social vermelho, saltos altos, cabelos presos em um rabo de cavalo rigoroso e maquiagem sóbria. Tinha uma reunião crucial na sede para se apresentar oficialmente à equipe e alinhar diretrizes.
Samantha, vestindo saia social acima dos joelhos, camisa branca de mangas compridas e cabelos soltos, tomava café enquanto respondia a mensagens no celular.
- Samantha, você viu a Katherine? — perguntou a morena, aproximando-se.
- Ela comentou que iria dar uma volta no jardim.
Dominique saiu a passos firmes para a área externa. A poucos metros da entrada principal, deparou-se com a irmã conversando de maneira animada com uma mulher loira. Aproximou-se imediatamente.
- Katherine, o que eu já te disse sobre conversar com estranhos? — repreendeu, assustando a menina.
- Que não devemos porque pode ser perigoso...
- Se sabe disso, o que está fazendo aqui?
A garota baixou a cabeça, cabisbaixa.
- Ora, não precisa ser tão dura. Não sou nenhuma psicopata ou algo do tipo. Meu nome é Alexia, sou sua vizinha — interveio a loira, exibindo um sorriso aberto e estendendo a mão em cumprimento.
Dominique ignorou o gesto, cruzando os braços com altivez.
- Pois saiba que nenhum louco sai por aí anunciando que é perigoso.
- Se todas as mães — ou irmãs, pelo visto — ensinassem isso com tanta firmeza, a criminalidade infantil seria bem menor — retrucou Alexia, sem desmanchar o sorriso.
- Essa é a Dominique, ela é minha irmã — explicou Kath, tentando amenizar o clima.
- Bom, então você tem muita sorte por ter alguém que zele tanto assim por ti.
Dominique fitou a vizinha. Alexia possuía feições marcantes, olhos azuis intensos e um sorriso desconcertantemente cativante — o típico perfil da pessoa "boazinha". A lembrança de velhas decepções acendeu um alerta em sua mente; não repetiria o erro de confiar em estranhos simpáticos.
- Vamos, Katherine. Não tenho tempo a perder com conversas fiadas. Depois conversamos sobre a sua desobediência — ordenou a morena, fria.
A menina abaixou o tom e afastou-se devagar.
- Ei... Você não precisa ser tão grossa com uma criança. Aposto que ela entendeu o recado, não é, Kath? — insistiu Alexia.
Dominique virou-se bruscamente.
- A maneira como educo minha irmã não diz respeito à senhora. E evite dar conselhos que não foram pedidos.
- E você deveria aprender a ser um pouco mais gentil com quem só tentou ser cordial.
Sem render mais assunto, Dominique puxou Katherine para o interior do veículo blindado que as aguardava, enquanto Samantha, que surgia da porta principal, apressou-se em embarcar também.
Do lado de fora, Alexia balançou a cabeça em sinal de reprovação, observando o carro arrancar. Definitivamente, manteria a maior distância possível daquela vizinha arrogante.
Fim do capítulo

NandaSulivan
07/05/2019 às 07:13
Quero ver se vai conseguir manter distância, ainda mais quando rola está implicância de cara.
NandaSulivan
06/05/2019 às 20:35
Quero ver se vai conseguir manter distância, ainda mais quando rola está implicância de cara.
Lili
28/04/2018 às 05:58
Gato escaldado tem medo de água fria.
VNXPP
27/04/2018 às 07:57