Capítulo 14 - Miss Prisional
Capítulo 14 — Miss Prisional
No feriado de doze de outubro o núcleo de assistência social promoveu um concurso entre as internas, o Miss Prisional. Flávia estava na correria ajudando as amigas que iriam participar, em especial Adriana, sua melhor amiga ali dentro.
— Você acha que tenho chance, gatinha?
— Todas as chances. — Flávia respondeu ajudando a moldar seus cachos negros. — Já dei uma conferida nas concorrentes.
— Por que você não participou? Você é lindona.
— Que nada. E sou tímida.
— Tímida... Sei. Quando sair daqui vai fazer até strip-tease pra namorada.
— Que absurdo, Dri. Feche os olhos. — Aplicou laquê.
— Eu tô atrasada, Flavinha, elas já foram.
— Pronto, vai lá para o galpão.
— E meu traje social, você colocou onde?
— Tá no camarim improvisado atrás do palco, coloquei seu nome.
Após dois desfiles, Flávia foi tranquilizar a amiga.
— Você mandou muito bem, estava com pose de vencedora.
— Aquela alemoa da Carla tava tirando onda comigo, você viu? Eu vou pegar essa guria na porr*da.
— Deixa a Carla pra lá, tá bom? Nada de brigas.
— Se ela ganhar vai me zoar pra sempre.
Todas as candidatas foram chamadas ao tablado, trajando maiô preto com uma pequena canga presa na cintura. Adriana ficou com a faixa de segunda princesa, e Carla foi eleita a Miss Prisional, para revolta da amiga de Flávia.
— Ela tá me provocando. — Adriana resmungou para Flávia, já na festa de encerramento do concurso, havia mesas compridas dispostas com biscoitos e salgadinhos.
— Ignora e come, as empadinhas já acabaram.
— Ela tá vindo na minha direção.
— Ah não...
— Eu disse que ia te colocar no chinelo, coloquei mesmo. — Carla disse ajeitando sua coroa de plástico sobre seus cabelos loiros encaracolados.
— Grandes merd*. — Adriana retrucou.
— Inveja mata, viu?
— Inveja de uma feiosa com cabelo de miojo? Até parece.
— Você achou mesmo que uma desdentada venceria?
— Enfia essa coroa no teu cu. — Adriana disse e voou para cima da Miss Prisional, ambas ainda de maiô negro.
Um guarda e duas guardas vieram apartar a briga, Flávia tentava retirar Adriana dali, mas sem sucesso. No calor daquele caos, Flávia deu uma bela cotovelada no rosto de uma das guardas, sem intenção.
— Olha o que você fez, vadia! — A guarda disse com a mão abaixo do nariz, que sangrava discretamente.
— Foi sem querer.
A essa altura a briga já havia parado.
— Você agrediu uma autoridade!
— Eu não vi você chegando por trás de mim, foi sem querer!
— Paulo, leva as duas misses para a solitária. E você, metida a sabichona, você vai se ver comigo. — Disse apontando para Flávia, e saiu dali com passos raivosos.
— Não leve a Adriana! Ela não fez nada! — Flávia ainda tentou, mas sua amiga e a outra mulher foram levadas dali.
— Fica na tua, você ficou no lucro. — Camila falou com a mão em seu ombro.
***
— Quer sobremesa, mana?
— Quero, o que tem?
— Tem pudim, mas se quiser tem sorvete no freezer.
— Pudim de leite? — Riu.
— É, você não gosta?
— Gosto sim, é que eu conheço uma pessoa que ama.
Juliana e sua irmã Karina estavam sozinhas na sala de estar, assistindo TV após o almoço de domingo. O marido e o filho dormiam no quarto. Após trazer duas taças com pudim para elas, a irmã entrou num assunto delicado.
— Juli, a mãe falou comigo essa semana, ela achou um crachá de presídio, tinha seu nome e foto, quer me contar algo?
Juliana mal conseguiu engolir a colherada de pudim que havia colocado na boca.
— O que ela te disse?
— Que você jurou que era de mentira. Mas não é, né? Quem você está visitando na prisão?
Resolveu tirar essa angústia do coração e abrir o jogo com a irmã.
— Não é bandido, é uma pessoa legal, pode ficar tranquila.
— Eu não estou entendendo mais nada, dia desses você veio me contar que estava de caso com uma mulher, eu fiquei surpresa, mas lidei numa boa, não foi? Eu te respeitei e ofereci meu apoio, você sabe que pode conversar sobre qualquer coisa comigo.
— Mas eu converso, e agradeço por você ter sido tão legal comigo quando te contei.
— Agora você está de caso com um presidiário? É isso?
— Uma presidiária. E agora estamos namorando de verdade, não é mais um rolo.
Karina a fitou confusa, por fim largou a taça na mesinha em frente e voltou a olhar para a irmã.
— Você tá namorando uma presidiária? Você está brincando ou fazendo alguma...
— É verdade, mas ela não vai ficar muito tempo presa, se tudo der certo ela sai para o regime aberto até o final do ano.
— Mas é uma criminosa, não?
— Ela cometeu um crime, se arrependeu e está pagando por ele. Ela é uma boa pessoa, nunca tinha feito nada de errado antes, tem bons antecedentes, nível superior, ré primária, por isso pegou uma pena reduzida.
— Que crime ela cometeu?
— Assalto a mão armada.
— E você ainda acha que não é uma pessoa perigosa? — Disse arregalada.
— Foi a primeira vez, ela estava meio desesperada, precisando da grana. Ela não é perigosa, fica tranquila.
— Espera aí... Ela tem algo a ver com aquele assalto na...
— Essa é a parte mais doida disso tudo.
— Nossa Senhora, tem parte mais louca que tudo isso? Só falta me dizer que ela foi a assaltante que atirou em você.
— A própria. — Juliana respondeu relanceado os olhos para a irmã.
— Juliana, o que está realmente acontecendo? Você entrou em algum grupo de drogados? Alguma gangue? Seita?
— É mais simples do que parece, eu gosto dela de verdade já faz tempo, e a gente tem se dado bem.
— Você a visita?
— Sim, a cada três ou quatro semanas, ela está no Paraná.
— E você vai pra lá?
— Vou de ônibus, sempre cai no final de semana.
— A desculpa de que está na casa de Everton estudando para concurso é mentira, então?
— Às vezes, tem vezes que eu realmente vou estudar pra concurso na casa dele. Eu fiz cinco vistas até agora.
— E já estão namorando?
— É. — Deu de ombros. — Aconteceu.
— Isso é sério, Juli. Bem sério.
— Olha, eu tentei evitar, juro que lutei um tempão contra, mas não deu, a gente se gosta, queremos tentar um relacionamento legal aqui fora.
Karina precisou de alguns segundos para assimilar, enquanto olhava a TV ligada.
— Ela é legal, mana, quando você a conhecer vai ver que ela é boa pessoa.
— Quantos anos ela tem?
— Trinta.
— Tem filhos?
— Não.
— Olha bem no que você está se metendo.
— Já tenho uma ideia.
— Ela pode te levar para o mundo do crime, sabia? Levar você nos assaltos.
— Nenhuma de nós duas vai assaltar nada, relaxa.
— Você é muito ingênua, ela pode estar te levando no papo, não faça favores estranhos para ela, tá bom? Desconfie de tudo.
— Fica tranquila, não vou levar nenhum celular nas partes íntimas pra ela.
***
Flávia estava aterrorizada com os hematomas no rosto de sua amiga Adriana, trabalhavam lado a lado na fábrica de prendedores, fazia calor ali dentro, estavam com suas camisas alaranjadas enroladas, com os abdomens de fora.
— Aquela guarda rolha de poço, eu quero quebrar ela na porr*da quando sair daqui. — Adriana falava com raiva sobre a guarda que a mandou para a solitária.
— Eu vi você revidando provocação dela hoje, acho que você quer morrer aqui dentro, só pode.
— Não revidei, só não baixei a cabeça quando ela me cacetou nas pernas. Ainda tenho juízo.
— E três filhos lá fora te esperando.
— Mas se o caldo entornar vamos precisar nos defender, você sabe bater?
— Claro que não, eu nunca bati em ninguém, nem tapa dei, eu odeio violência.
— Isso não é nada bom. — Suspirou Adriana.
No horário de encerramento do turno um guarda veio buscá-las, as levando até os fundos da cozinha. Ao entrar naquele espaço sombrio cheio de tubulações encontraram a tal guarda junto com um agente penitenciário de colete preto. Foram algemadas, e até então ninguém havia respondo seus questionamentos.
— De joelhos. — A guarda disse, batia o cassetete contra a palma da mão.
Elas se entreolharam hesitantes. Flávia recebeu duas pancadas nos joelhos, caindo no chão.
— De joelhos!
Ambas ficaram então ajoelhadas no cimento lamacento.
— Prego, tem essas duas aí pra você escolher. — Ela ia dizendo. — Escolhe uma e faz teu serviço.
— Não posso pegar as duas?
— Não, é arriscado. Pega uma e resolve logo, daí minha dívida com você tá sanada, viu?
— Fica fria, agora estamos quites.
— Tem essa miss princesa aí, e tem essa sapatão aqui. — Bateu com o cassetete no braço de Flávia. — Olha pra baixo, vagabunda!
— Eu quero essa, sempre tive vontade de corrigir uma sapatona.
Flávia tremia de medo e suava.
— Beleza, vou levar a miss princesa pra cela.
Fim do capítulo
Eu prometi pegar leve e irei cumprir minha promessa, ok?
Comentar este capítulo:
Zaha
Em: 18/04/2018
Vc nem brinque,viu?!!
Jesus amado!! Perrengue?Q tipo? Nao faz ela sofrer fisicamente, já basta q vai sair psicologicamente bem danada!Sempre rola isso qndo um ajuda outra na prisao..tb essa colega dela tinha q revidar a provocacao..agora quero ver...
A irma parece q n levou a coisa tao mal... rsrs
Esperando ansiosa!!!!!!
Beijos
Kim_vilhena
Em: 19/04/2018
Gente... o.o
Resposta do autor:
Eu prometi ser leve, mas tem que ter um bocadinho de drama e coisas dando errado, né? XD
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Mille
Em: 19/04/2018
Olá Cris
Nossa será que teremos que tomar algum calmante para o próximo capítulo. Se a Juliana está tremendo e suando imagina nós que estamos aflita.
Por favor pegue leve que não tenha nenhuma violência sexual com a Juliana.
Bjus e até o próximo capítulo
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IolandaStrambek
Em: 19/04/2018
Nossa... tô sem palavas. E triste pelo o que pode vir a seguir.. .
"/
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Sem cadastro
Em: 18/04/2018
Vc nem brinque,viu?!!
Jesus amado!! Perrengue?Q tipo? Nao faz ela sofrer fisicamente, já basta q vai sair psicologicamente bem danada!Sempre rola isso qndo um ajuda outra na prisao..tb essa colega dela tinha q revidar a provocacao..agora quero ver...
A irma parece q n levou a coisa tao mal... rsrs
Esperando ansiosa!!!!!!
Beijos
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