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Tomada de assalto por Cristiane Schwinden

Ver comentários: 14

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Palavras: 1553
Acessos: 5031   |  Postado em: 18/04/2018

Capítulo 14 - Miss Prisional

Capítulo 14 — Miss Prisional

 

No feriado de doze de outubro o núcleo de assistência social promoveu um concurso entre as internas, o Miss Prisional. Flávia estava na correria ajudando as amigas que iriam participar, em especial Adriana, sua melhor amiga ali dentro.

— Você acha que tenho chance, gatinha?

— Todas as chances. — Flávia respondeu ajudando a moldar seus cachos negros. — Já dei uma conferida nas concorrentes.

— Por que você não participou? Você é lindona.

— Que nada. E sou tímida.

— Tímida... Sei. Quando sair daqui vai fazer até strip-tease pra namorada.

— Que absurdo, Dri. Feche os olhos. — Aplicou laquê.

— Eu tô atrasada, Flavinha, elas já foram.

— Pronto, vai lá para o galpão.

— E meu traje social, você colocou onde?

— Tá no camarim improvisado atrás do palco, coloquei seu nome.

Após dois desfiles, Flávia foi tranquilizar a amiga.

— Você mandou muito bem, estava com pose de vencedora.

— Aquela alemoa da Carla tava tirando onda comigo, você viu? Eu vou pegar essa guria na porr*da.

— Deixa a Carla pra lá, tá bom? Nada de brigas.

— Se ela ganhar vai me zoar pra sempre.

 Todas as candidatas foram chamadas ao tablado, trajando maiô preto com uma pequena canga presa na cintura. Adriana ficou com a faixa de segunda princesa, e Carla foi eleita a Miss Prisional, para revolta da amiga de Flávia.

— Ela tá me provocando. — Adriana resmungou para Flávia, já na festa de encerramento do concurso, havia mesas compridas dispostas com biscoitos e salgadinhos.

— Ignora e come, as empadinhas já acabaram.

— Ela tá vindo na minha direção.

— Ah não...

— Eu disse que ia te colocar no chinelo, coloquei mesmo. — Carla disse ajeitando sua coroa de plástico sobre seus cabelos loiros encaracolados.

— Grandes merd*. — Adriana retrucou.

— Inveja mata, viu?

— Inveja de uma feiosa com cabelo de miojo? Até parece.

— Você achou mesmo que uma desdentada venceria?

— Enfia essa coroa no teu cu. — Adriana disse e voou para cima da Miss Prisional, ambas ainda de maiô negro.

Um guarda e duas guardas vieram apartar a briga, Flávia tentava retirar Adriana dali, mas sem sucesso. No calor daquele caos, Flávia deu uma bela cotovelada no rosto de uma das guardas, sem intenção.

— Olha o que você fez, vadia! — A guarda disse com a mão abaixo do nariz, que sangrava discretamente.

— Foi sem querer.

A essa altura a briga já havia parado.

— Você agrediu uma autoridade!

— Eu não vi você chegando por trás de mim, foi sem querer!

— Paulo, leva as duas misses para a solitária. E você, metida a sabichona, você vai se ver comigo. — Disse apontando para Flávia, e saiu dali com passos raivosos.

— Não leve a Adriana! Ela não fez nada! — Flávia ainda tentou, mas sua amiga e a outra mulher foram levadas dali.

— Fica na tua, você ficou no lucro. — Camila falou com a mão em seu ombro.

***

— Quer sobremesa, mana?

— Quero, o que tem?

— Tem pudim, mas se quiser tem sorvete no freezer.

— Pudim de leite? — Riu.

— É, você não gosta?

— Gosto sim, é que eu conheço uma pessoa que ama.

Juliana e sua irmã Karina estavam sozinhas na sala de estar, assistindo TV após o almoço de domingo. O marido e o filho dormiam no quarto. Após trazer duas taças com pudim para elas, a irmã entrou num assunto delicado.

— Juli, a mãe falou comigo essa semana, ela achou um crachá de presídio, tinha seu nome e foto, quer me contar algo?

Juliana mal conseguiu engolir a colherada de pudim que havia colocado na boca.

— O que ela te disse?

— Que você jurou que era de mentira. Mas não é, né? Quem você está visitando na prisão?

Resolveu tirar essa angústia do coração e abrir o jogo com a irmã.

— Não é bandido, é uma pessoa legal, pode ficar tranquila.

— Eu não estou entendendo mais nada, dia desses você veio me contar que estava de caso com uma mulher, eu fiquei surpresa, mas lidei numa boa, não foi? Eu te respeitei e ofereci meu apoio, você sabe que pode conversar sobre qualquer coisa comigo.

— Mas eu converso, e agradeço por você ter sido tão legal comigo quando te contei.

— Agora você está de caso com um presidiário? É isso?

— Uma presidiária. E agora estamos namorando de verdade, não é mais um rolo.

Karina a fitou confusa, por fim largou a taça na mesinha em frente e voltou a olhar para a irmã.

— Você tá namorando uma presidiária? Você está brincando ou fazendo alguma...

— É verdade, mas ela não vai ficar muito tempo presa, se tudo der certo ela sai para o regime aberto até o final do ano.

— Mas é uma criminosa, não?

— Ela cometeu um crime, se arrependeu e está pagando por ele. Ela é uma boa pessoa, nunca tinha feito nada de errado antes, tem bons antecedentes, nível superior, ré primária, por isso pegou uma pena reduzida.

— Que crime ela cometeu?

— Assalto a mão armada.

— E você ainda acha que não é uma pessoa perigosa? — Disse arregalada.

— Foi a primeira vez, ela estava meio desesperada, precisando da grana. Ela não é perigosa, fica tranquila.

— Espera aí... Ela tem algo a ver com aquele assalto na...

— Essa é a parte mais doida disso tudo.

— Nossa Senhora, tem parte mais louca que tudo isso? Só falta me dizer que ela foi a assaltante que atirou em você.

— A própria. — Juliana respondeu relanceado os olhos para a irmã.

— Juliana, o que está realmente acontecendo? Você entrou em algum grupo de drogados? Alguma gangue? Seita?

— É mais simples do que parece, eu gosto dela de verdade já faz tempo, e a gente tem se dado bem.

— Você a visita?

— Sim, a cada três ou quatro semanas, ela está no Paraná.

— E você vai pra lá?

— Vou de ônibus, sempre cai no final de semana.

— A desculpa de que está na casa de Everton estudando para concurso é mentira, então?

— Às vezes, tem vezes que eu realmente vou estudar pra concurso na casa dele. Eu fiz cinco vistas até agora.

— E já estão namorando?

— É. — Deu de ombros. — Aconteceu.

— Isso é sério, Juli. Bem sério.

— Olha, eu tentei evitar, juro que lutei um tempão contra, mas não deu, a gente se gosta, queremos tentar um relacionamento legal aqui fora.

Karina precisou de alguns segundos para assimilar, enquanto olhava a TV ligada.

— Ela é legal, mana, quando você a conhecer vai ver que ela é boa pessoa.

— Quantos anos ela tem?

— Trinta.

— Tem filhos?

— Não.

— Olha bem no que você está se metendo.

— Já tenho uma ideia.

— Ela pode te levar para o mundo do crime, sabia? Levar você nos assaltos.

— Nenhuma de nós duas vai assaltar nada, relaxa.

— Você é muito ingênua, ela pode estar te levando no papo, não faça favores estranhos para ela, tá bom? Desconfie de tudo.

— Fica tranquila, não vou levar nenhum celular nas partes íntimas pra ela.

***

Flávia estava aterrorizada com os hematomas no rosto de sua amiga Adriana, trabalhavam lado a lado na fábrica de prendedores, fazia calor ali dentro, estavam com suas camisas alaranjadas enroladas, com os abdomens de fora.

— Aquela guarda rolha de poço, eu quero quebrar ela na porr*da quando sair daqui. — Adriana falava com raiva sobre a guarda que a mandou para a solitária.

— Eu vi você revidando provocação dela hoje, acho que você quer morrer aqui dentro, só pode.

— Não revidei, só não baixei a cabeça quando ela me cacetou nas pernas. Ainda tenho juízo.

— E três filhos lá fora te esperando.

— Mas se o caldo entornar vamos precisar nos defender, você sabe bater?

— Claro que não, eu nunca bati em ninguém, nem tapa dei, eu odeio violência.

— Isso não é nada bom. — Suspirou Adriana.

No horário de encerramento do turno um guarda veio buscá-las, as levando até os fundos da cozinha. Ao entrar naquele espaço sombrio cheio de tubulações encontraram a tal guarda junto com um agente penitenciário de colete preto. Foram algemadas, e até então ninguém havia respondo seus questionamentos.

— De joelhos. — A guarda disse, batia o cassetete contra a palma da mão.

Elas se entreolharam hesitantes. Flávia recebeu duas pancadas nos joelhos, caindo no chão.

— De joelhos!

Ambas ficaram então ajoelhadas no cimento lamacento.

— Prego, tem essas duas aí pra você escolher. — Ela ia dizendo. — Escolhe uma e faz teu serviço.

— Não posso pegar as duas?

— Não, é arriscado. Pega uma e resolve logo, daí minha dívida com você tá sanada, viu?

— Fica fria, agora estamos quites.

— Tem essa miss princesa aí, e tem essa sapatão aqui. — Bateu com o cassetete no braço de Flávia. — Olha pra baixo, vagabunda!

— Eu quero essa, sempre tive vontade de corrigir uma sapatona.

Flávia tremia de medo e suava.

— Beleza, vou levar a miss princesa pra cela.

Fim do capítulo

Notas finais:

Eu prometi pegar leve e irei cumprir minha promessa, ok?


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Comentários para 14 - Capítulo 14 - Miss Prisional:
Zaha
Zaha

Em: 18/04/2018

Vc nem brinque,viu?!!

Jesus amado!! Perrengue?Q tipo? Nao faz ela sofrer fisicamente, já basta q vai sair psicologicamente bem danada!Sempre rola isso qndo um ajuda outra na prisao..tb essa colega dela tinha q revidar a provocacao..agora quero ver...

A irma parece q n levou a coisa tao mal... rsrs

Esperando ansiosa!!!!!!

Beijos

Responder

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Lea
Lea

Em: 10/08/2021

Tudo isso pq a Adriana não aguentou a provocação da Carla! E aí da tem esses corruptos.

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Anamel
Anamel

Em: 21/05/2018

Isso é leve ? Hahaha

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mtereza
mtereza

Em: 21/04/2018

Estou confiando em vc Cris por favor não me decepcione rsrs


Resposta do autor:

Prometo que vou tentar, querida ;)

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Kim_vilhena
Kim_vilhena

Em: 19/04/2018

Gente... o.o


Resposta do autor:

Eu prometi ser leve, mas tem que ter um bocadinho de drama e coisas dando errado, né? XD

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Socorro
Socorro

Em: 19/04/2018

Santa das presas... proteja a Flávia pfvvv 

santa autora proteja a sua mente pfv

Nada de  violência sexual com ela pfv

Que agonia !!!! :(((

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zilla
zilla

Em: 19/04/2018

Não faça isso com flavinha Cris, pelo amor de Xena...

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Mille
Mille

Em: 19/04/2018

Olá Cris 

Nossa será que teremos que tomar algum calmante para o próximo capítulo. Se a Juliana está tremendo e suando imagina nós que estamos aflita.

Por favor pegue leve que não tenha nenhuma violência sexual com a Juliana.

Bjus e até o próximo capítulo 

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IolandaStrambek
IolandaStrambek

Em: 19/04/2018

Nossa... tô sem palavas. E triste pelo o que pode vir a seguir.. .

"/

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ik felix
ik felix

Em: 19/04/2018

Com essa sua promessa de pegar leve fico mais tranquila! Abraço.

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patty-321
patty-321

Em: 19/04/2018

Ai q medo. E agora? Ai ai.

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Sem cadastro
Sem cadastro

Em: 18/04/2018

Vc nem brinque,viu?!!

Jesus amado!! Perrengue?Q tipo? Nao faz ela sofrer fisicamente, já basta q vai sair psicologicamente bem danada!Sempre rola isso qndo um ajuda outra na prisao..tb essa colega dela tinha q revidar a provocacao..agora quero ver...

A irma parece q n levou a coisa tao mal... rsrs

Esperando ansiosa!!!!!!

Beijos

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SaraSouza
SaraSouza

Em: 18/04/2018

NAOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO. PUTSSSSS 

Vou confiar em vc em autora...

Que nervosoooo!!! 


Resposta do autor:

Segura na mão de deus e vai... rs

Responder

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inacia
inacia

Em: 18/04/2018

Pega leve poxa mim deixou aflita..tomara q der tudo certo


Resposta do autor:

Prometo que só vai ter uns dramas, mas nada pesado :)

Responder

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