Capítulo 1 - O assalto
— Claudia, você sabe que tá me devendo oito cachorros quentes por conta dessas horas extras, não sabe? — Juliana brincou com sua chefe.
— Eu falei que terminaria essa planilha, mas você insistiu em ficar e terminar.
— E então, vai rolar o cachorro quente ou não? — Juliana perguntou, com seu costumeiro sorriso aberto.
— Claro que vai, termine aí e vamos comer um caprichado.
Era 18:45h de mais um dia friozinho de março, numa pequena fábrica de bolsas na grande Florianópolis. Juliana, uma jovem de 23 anos, trabalhava ali há quase dois anos. Cuidava do setor financeiro da empresa, que dividia espaço com o setor administrativo.
Seu turno terminara há quase uma hora, tarefas acumuladas a faziam ficar constantemente um pouco além de seu horário, sua mãe já havia falado algumas vezes que não era bom sair à noite do local, ali não era muito movimentado e a rua era mal iluminada.
Era uma sala bem iluminada e com arquivos metálicos dos dois lados numa casa transformada em pequena fábrica têxtil, no local só restava ela e Claudia, a dona da empresa. Estavam exaustas, a véspera do dia de pagamento era sempre cheia de trabalho.
A empresa funcionava nos dois andares, a sala administrativa ficava em cima, o acesso dava-se através de uma escada interna lateral. Havia também uma saída nos fundos, utilizada para o despacho das mercadorias.
A sala administrativa ficava no centro, toda rodeada por divisórias à meia altura e completadas com vidro até o teto, o que dava uma visão geral da dinâmica da fábrica.
Trabalhavam compenetradas, cada uma em sua mesa em meio a planilhas e olerites. Um barulho na porta chamou a atenção de Claudia e Juliana, que paralisaram a ação como se congelassem a cena, ergueram a cabeça de forma sincronizada e olharam através do vidro na expectativa de saber quem estava chegando àquela hora.
Três pessoas encapuzadas surgiram, todos usando balaclava negra, dois deles empunhando armas. De forma rápida eles entram na sala administrativa, onde ninguém ainda esboçava reação alguma, elas apenas acompanharam com a cabeça a movimentação dos elementos anunciando o assalto. Um deles permaneceu na entrada da escadaria vigiando, os outros dois entraram.
Por reflexo e prevendo o que se sucederia, Claudia apertou um botão num alarme preso embaixo do tampo de sua mesa chamando a empresa de vigilância, que ficava perto da fábrica. Ela precisava ganhar tempo.
— Quem vai abrir o cofre e pegar a grana? — Questionou o assaltante olhando para as duas.
— Não estamos com dinheiro no local, depositamos sempre à tarde. — Respondeu Claudia.
— Escute, não queremos machucar ninguém, sabemos que a grana do pagamento está no cofre, mas se você não facilitar as coisas a mocinha aqui vai pagar o pato!
Exaltado, o assaltante que comandava o assalto gesticulou com a arma na direção de Juliana. O outro elemento estava ao lado acompanhando o diálogo e compreendeu a ordem, a agarrou por trás, colocando uma arma apontada na cabeça dela, e com o outro braço a segurou pelo pescoço.
Juliana percebeu que aquele elemento encapuzado que a segurava era na verdade uma mulher, ingenuamente ela acreditava correr menos risco por esse fato, tentaria persuadi-la.
— Moça, eu sei que você não quer machucar ninguém, me solta. — Tentou Juliana, com a voz trêmula e baixa.
Ela havia sido descoberta. Num sinal de afirmação de sua condição de comando, apertou a arma contra a têmpora de Juliana. Seu nervosismo cresceu não por medo de falhar, mas porque ela não queria machucar as duas garotas. A sala estava abafada, o clima tenso piorava ainda mais a situação, um filete de suor escorria pelo rosto de Juliana.
Após acompanhar o rendimento de Juliana, o líder jogou a mochila nas mãos de Claudia.
— Agora abra o cofre aí atrás da sua mesa e coloque todo o dinheiro que tiver lá dentro, senão não vai sobrar nenhuma das duas pra contar a história, tá ouvindo?
Claudia pegou a mochila rapidamente, abaixou-se atrás da mesa, esforçava-se para acertar o segredo do cofre, os dedos escorregavam de um lado a outro, em movimentos desordenados.
— Anda logo com isso! — Esbravejou o assaltante, ao ver que ela tinha dificuldade em acertar a combinação.
— Calma, moço... Já vai. — Claudia tremia as mãos, um branco inoportuno a fazia confundir os números.
Ela colocou todo o dinheiro que já estava separado para o pagamento dentro da mochila, de forma afoita.
Juliana não era muito alta, mas tinha certo porte atlético, ex-jogadora de futsal no colégio, atualmente atleta de final de semana, ela acreditava que poderia evitar que levassem todo o dinheiro do ordenado. Trabalhava na fábrica tempo o suficiente para saber o quanto fora difícil para juntar o dinheiro.
Quando Claudia se inclinou para entregar a mochila, Juliana a fitou, fazendo um movimento com os olhos, indicando a arma do assaltante líder. Ela queria reagir, e queria ajuda de Claudia.
Nos longos segundos enquanto Claudia enchia a mochila, Juliana havia enfrentado um dilema, impedir que levassem o dinheiro ou não reagir? Ela sabia o quanto era arriscado reagir, quantas pessoas dizendo para nunca esboçarem reação num assalto, mas naquele momento a adrenalina deixava todas as verdades duvidosas.
Num gesto brusco, Juliana virou-se tentando pegar a arma, por reflexo a assaltante acabou disparando. Claudia bradou um grito com o nome da colega, o tiro acertou Juliana no braço, ela permanecia de pé, olhou para o braço e apertou com força o ferimento, incrédula do que havia acontecido.
O homem que estava na escadaria surgiu correndo para ver o que acontecera, agora todos estavam sala, atônitos.
— Está tudo bem, Claudia. — Juliana respondeu, tentando a tranquilizar.
— Não se meta a engraçadinha, não! — Gritou o assaltante. — Vamos acabar logo com isso, eu sei que tem uns notebooks na sala lá atrás, eu quero também.
Ele olhou para a comparsa que havia disparado a arma, apontando para Juliana.
— Leve ela contigo, vá buscar os notebooks, eu vou ficar de olho nessa aqui.
Apontando para o que estava de guarda, ele continuou.
— E você, volte lá pra entrada!
A assaltante, uma mulher alta, carregou Juliana pelo braço que segurava o ferimento. Elas entraram na sala de luzes apagadas, Juliana tirou rapidamente dois notebooks de dentro de um armário.
— Larga a arma! Larga a arma!
Os gritos dos vigilantes romperam o silêncio, eles já estavam subindo as escadas.
Numa reação desesperada a assaltante tirou o capuz e implorou
— Por favor, me ajude a sair daqui, tem alguma saída pelos fundos?
Juliana emudeceu, ela não conseguia enxergar uma criminosa no belo rosto da assaltante que a feriu. Quando começou a balbuciar alguma palavra, foi interrompida, a mulher de cabelos negros voltou a implorar, a voz estava num misto de desespero e clemência.
— Desculpe ter atirado em você, eu não tinha a intenção de te machucar, por favor me ajude!
Não entendendo direito o porquê, Juliana resolveu ajudá-la, ela viu angústia e arrependimento nos seus olhos.
— Tem uma porta vermelha nos fundos, à esquerda, está destrancada. — Juliana respondeu, num ato de cumplicidade.
A mulher correu até a porta vermelha, a abrindo.
— Hey, pare aí! — Ouviu-se o grito de ordem do vigilante, apontando uma arma em sua direção.
A porta já estava aberta, mas por ímpeto, ela virou-se para trás. O vigilante não titubeou e atirou na sua direção.
Logo após o tiro, a assaltante saiu correndo pela porta conseguindo fugir, os outros dois elementos não tiveram a mesma sorte e foram rendidos. Mas o tiro havia a acertado, e talvez não conseguisse ir muito longe ferida e sangrando.
Fim do capítulo
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Zaha
Em: 12/04/2018
Oie Amiga!!
Mais uma estória sua, que saudades de ler algo escrito por vc e a primeira vez que decidiu escrever algo...
Juliana é uma menina boazinha, não sabe pq a ajudou...talvez pq acreditou na voz de desespero da assaltante? O desespero dela e nervosismo ?
Irei ao 2 capítulo e deixarei algo TB..
Beijinhos e bem-vinda com essa estória fofinha, necessitamos um descanso de 2121...rs
Beijão
Resposta do autor:
Tb tava com saudades dos seus comentários cheios de curiosidade! Acabo me fazendo as perguntas tb.
Obrigada pelas boas-vindas, beso!
kaline
Em: 21/05/2018
Eitaaa. Feliz aqui rs. Quando vi o desafio fui caçar a referência kk
Então, já acompanho seus romances desde A lince e a raposa. Foi segundo romance que li no finado Abcles.O que mais me chamou atenção foi a capa, pois me lembrava muito a Katty Beckinsale, antes mesmo de ver as imagens dos personagens. Fiquei curiosa e resolvi ler.
Enfim, parabéns pelos escritos e a propósito, curto demais as capas que vc cria, ficam incríveis.
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Kim_vilhena
Em: 22/04/2018
Só te observo me deixar na curiosidade viu dona Cristiane?!
Resposta do autor:
Eu? Que absurdo, nunca faço isso XD
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mtereza
Em: 21/04/2018
Eita então era vc a autora sumida confesso que pela sinopse não lembrei do conto muito tempo kkk mais logo que li o primeiro parágrafo do capítulo recordei adorei vc ter retornado para terminar bjs e feliz aniversário atrasadissimo mais de coração muita sausa paz e luz.
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menteincerta
Em: 18/04/2018
Caramba, Cris! Que inicio!
Vc tinha falado que essa seria mais levinha com relação a 2121 salve, salve, mas já começa com tiro porrada e bomba?
Tô com medo do seu conceito de "leve". Jennifer e Théo sofreram demais, e eu sofri junto com elas. Pelo amor de santa Xena, protetora das sapas sofredoras, tenta não torturar muito as meninas dessa vez, viu? Hahahahaha
Resposta do autor:
Comecei com tiro e sangue pra não perder o costume, né? rs
Mas fique tranquila, essa historinha é de boas, vai ter uns pequenos dramas, mas nada muito forte. 2121 já me traumatizou por uns 10 anos.
Bora sofrer agora com Flávia e Juliana?
Obrigada por me acompanhar, bjão!
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Kim_vilhena
Em: 15/04/2018
Super ansioso pelo próximo capítulo hehe
Resposta do autor:
Cada comentário é um baita incentivo para nós <3 Obrigada!
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inacia
Em: 14/04/2018
Nem acreditei q vc já postou,e não deu continuidade nesse enrredo. Mas q bom q vc voltou
Resposta do autor:
Quem é vivo sempre aparece... rs
Esse conto é meio que um xodózinho por ser o primeiro, por isso fiz questão de finalizá-lo.
E q bom ter vc por aqui tb! Obrigada!
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Sem cadastro
Em: 12/04/2018
Oie Amiga!!
Mais uma estória sua, que saudades de ler algo escrito por vc e a primeira vez que decidiu escrever algo...
Juliana é uma menina boazinha, não sabe pq a ajudou...talvez pq acreditou na voz de desespero da assaltante? O desespero dela e nervosismo ?
Irei ao 2 capítulo e deixarei algo TB..
Beijinhos e bem-vinda com essa estória fofinha, necessitamos um descanso de 2121...rs
Beijão
Resposta do autor:
Tb tava com saudades dos seus comentários cheios de curiosidade! Acabo me fazendo as perguntas tb.
Obrigada pelas boas-vindas, beso!
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patty-321
Em: 12/04/2018
Parabéns Cris. que presente legal vc nos dar. tava com saudades de vc. bjs
Resposta do autor:
Que bom te ver por aqui!
Confesso que tava morrendo de saudades dessa coisa boa de receber e responder comentários, já estava com abstinência... rs
Bjão e obrigada!
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Donaria
Em: 11/04/2018
Olha que maravilha!!! Cris o aniversário é seu e o presente é nosso? obrigado por publicar mais uma de suas historias, já li tudo seu que está disponivel e minha habilidade haker fajuta foi capaz de achar...rsrsrs. adorei o primeiro capitulo!
Resposta do autor:
Que nada, o presente vocês me dão o tempo todo, lendo e comentando, vocês são uns amores!
Se vc quiser posso te passar tudo q já escrevi por email, só me passa teu email, pode mandar pra contato@projetolettera.com.br
Obrigada por me ler <3
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Ana_Clara
Em: 11/04/2018
Tá, eu não acredito que decidiu postar novamente essa história. Que coisa linda!!! Louca para acompanhar do desenrolar. Que tudo!!! hahaha A primeira vez que vc postou eu fiquei doidinha pela história, mas depois a senhora sumiu. Confesso que estou dando pulinhos de alegria em poder acompanhar novamente.
Resposta do autor:
Sumi por anos né? Vai desculpando aí... Mas agora já tá praticamente finalizada :)
Obrigada por ter me aocmpanhado lá e aparecer por aqui agora também, abraços!!
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