Como será a reação da nossa rainha do gelo ao se deparar com Alicia trabalhando em sua empresa? Venha conferir...
Capítulo 03 - O que ela faz aqui?
~ POV CAMILA ~
Depois de muita dança e muita bebida, voltamos para casa. A Sara dormiu comigo, agarradinha, assim como combinamos. Acordei sentindo um braço sobre meu corpo; fui abrindo os olhos e vi que estava no meu quarto, rezando para olhar para o lado e não descobrir que tinha levado uma mulher desconhecida para o meu apartamento. Com todo o receio que sentia, virei o rosto e um alívio tomou conta de mim. Era a Sara.
-- PUTA QUE PARIU! Que susto da penga! — falei alto, olhando para a Sara, que estava quase despertando.
-- Puta que pariu, digo eu! Pra que merd* você está xingando de manhã cedo? Que, a propósito, poderíamos estar dormindo — Sara falou, virando para o outro lado, com a cara nada boa.
-- Eu não lembrava que era você, Sarinha, hahaha. Achei que era alguma gostosa que eu tinha trazido pra cá.
-- Louca... Saiba que a gostosa você trouxe, só não comeu, querida.
-- Não comi hoje, né? — falei gargalhando, e ela logo se virou.
-- Comeu e gostou... Pena que não pode comer mais — ela falava bem irônica, me dando alguns tapas.
-- Ai, para, sua louca... Se eu quiser, você sabe que posso comer e ainda te fazer suplicar pelas minhas poderosas e habilidosas mãos dentro de você, como era antes. — Mostrei a língua.
-- A modéstia passou bem longe aí, né, gata? Vai morrer pra lá e me deixa dormir. — Virou novamente de costas para mim, cobrindo o rosto com o travesseiro.
-- Passar bem você e seu sono, porque eu vou levantar e procurar o que fazer. Não sou desocupada.
-- A propósito, amiga, hoje é sábado, só pra te lembrar. Não tem trabalho, não tem nada que me faça levantar dessa cama cedo.
-- Poderia ser o dia do fim do mundo, eu é que não fico nessa cama mais um segundo.
-- Vai com Jesus, vai! Tchau. — Mostrou o dedo do meio para mim.
-- Nossa, como é mal-educada esse ser, gente... — Fui levantando da cama, jogando todos os lençóis e travesseiros que existiam naquela cama em cima dela. E saí correndo, é claro, não queria ver o final daquele meu ato.
E nessa diversão, fui para o banheiro fazer minha higiene matinal. Logo após, fui para o chuveiro; precisava de um banho bem gelado. Apesar de não ter dormido quase nada, me sentia bem, apenas com um sentimento de perda, como se tivesse deixado algo naquela noite passada. Deve ser porque não transei, só pode. Não fico nem três dias sem trans*, às vezes acho que tenho alguma tara, não sei. Um dia, quem sabe, procure um médico para saber por que preciso tanto de sex*, hahaha!
Com esses pensamentos divertidos, logo veio à minha mente a imagem daquela garota do bar... garota? Ali era mais para um anjo que caiu do céu, com certeza! Será que ela frequentava sempre aquele bar? Se bem que eu sempre estava lá e nunca a encontrei. Mas tenho certeza de que será a primeira de muitas vezes que ela irá frequentar o lugar. Agora, que maldita promessa eu fui fazer para a Sara justamente ontem! Não poderia ter sido semana que vem, ou nunca? Ah, anjo, anjo... se eu tivesse pelo menos uma segunda chance de te encontrar... Pare agora, Camila, ela não deve ser para o meu bico. Parece tão angelical, tão diferente, com certeza não é para o meu bico. O máximo que eu teria com ela seria até a terceira noite, e depois deixaria aquele anjo ir embora. Então, para não piorar as coisas, foi melhor assim. O destino sabe de tudo, e essa tal promessa era para ter sido ontem mesmo. Me livrei de algo ou de algum problema.
Depois de tantos pensamentos confusos, saí do banho e fui colocar uma roupa leve para aquele dia, já que não tinha nenhum compromisso. Meu dia seria em casa, com meu Gugu e com a Sara, quando ela decidisse terminar sua hibernação. Coloquei um short molinho, uma blusa regata e sandálias havaianas e saí do quarto. Vi um silêncio pelo apartamento e me bateu certa curiosidade sobre que horas seriam. Ao chegar na cozinha, vi a Cida... A contratei assim que me mudei para cá, e, de lá até hoje, é como uma segunda mãe. Cuida muito bem de mim, da casa e da minha alimentação principalmente porque, se dependesse de mim, eu esqueceria até de comer. Mesmo eu sendo muito chata, a Cida já se acostumou comigo e sabe lidar com meus momentos de oscilações de humor.
-- Bom dia, Cidinha — falei, sentando à mesa e olhando o relógio, e tomei um susto.
-- Bom dia, Camila. O café está pronto, vou colocar para você.
-- PUTA QUE PARIU! São 06h45! Nossa, realmente hoje bati meu recorde, nem quando vou trabalhar acordo tão cedo.
-- Isso são modos, Camila? Olha essa boca aí, nem parece que é uma sócia light, muito bem requisitada — Cida revirou os olhos e fez cara feia para mim.
-- Desculpa, Cidinha, sabe que tento controlar essa minha boquinha aqui, né?
-- Espero mesmo que tente e consiga, principalmente perto do Gustavo, para não aprender essas palavras carinhosas que andam acompanhadas na sua boca.
-- Não, jamais... Juro, juradinho que vou me controlar mais.
-- Rum — resmungou Cida, me entregando uma xícara de café com um pedaço de bolo.
-- Acho que vou acordar o Guga para ele vir tomar café comigo, aproveitar que estarei em casa hoje e ver algumas atividades para fazermos juntos — falei, levantando em direção ao quarto dele.
Ao chegar, o vi dormindo com serenidade no rosto, aquela cara de quem não tem preocupações, dívidas ou funcionários para cuidar. Hahaha. Não resisti e deitei ao lado dele, fazendo carinho em seu rosto. Pena que me deu vontade de acordá-lo; então resolvi ficar ali, admirando-o e fazendo carinho, até que o sono traiçoeiro me pegou e acabei cochilando... Depois de algum tempo, ou horas, para ser mais específica, senti alguém enfiando o dedo dentro do meu nariz. Assustei-me e vi o Guga com uma cara divertida, rindo.
-- Pensei que você estava morta, daí botei o dedo pra ver se estava respirando — ele me olhava, divertido.
-- Peraí, seu moleque, que vou te mostrar quem estava morta! — o agarrei e comecei a fazer um monte de cosquinha.
-- Ai, Mama, para! Quem vai morrer “agola” sou eu, paraaaa! — ele gritava, tentando se soltar de mim.
-- Peça pinico, vá, bora, peça pinico, seu arregão!
-- NÃÃÃÃO, NUNCAAAAAAAA, PINICO NÃÃÃÃO! — ele gritava e ria ao mesmo tempo, sem se entregar ao pinico.
-- Não paro então, vou matar você de cosquinha!
-- Para, Mamaaaaa, hahahaha, paraaaaaaaa, socorroooo, Juciiii, Cidinhaa... — eu ria divertida com seus gritos pedindo ajuda.
-- Parei, mas... quero um desejo de algo especial...
-- Tá bom, tá bom, faço o que você quiser.
-- Quero que você desenhe pra mim um anjo. Mas, um anjo muito e muito especial, um anjo mulher, com cabelos loiros e bem lindos.
-- “Clalo”, faço “agolinha” — ele ia se levantando e eu o puxei.
-- Epa, mocinho, esqueceu das regrinhas?
-- Hum, não, Mama... Tá bom, vou fazer minhas obrigações “plimeiro” e vou, tá?
-- Muito bem, vem cá, dá beijo, vem... — o agarrei, enchendo-o de beijo, e ele me empurrando e limpando o rosto. A maioria dos autistas não gosta de carinho ou beijos, hahaha.
-- Agora eu vou.
-- Ah, eu vim te buscar pra tomar café da manhã comigo. Estou te esperando, tá bom? — falei, saindo do quarto. Ouvi apenas um tá bom.
Quando voltei para a cozinha, a Cida me abordou dizendo que o café tinha ficado mais que frio, quase congelado. Expliquei que acabei cochilando, mas que ele estava vindo para tomarmos café. Acho que não contei a vocês, mas o Guga tinha um talento incrível para desenhos: tudo que ele via, fosse desenho, foto ou algo do tipo, ele desenhava, e ficava muito parecido. Desde então, eu sempre pedia algum desenho pra ele, ou mostrava alguma coisa e ele replicava quase perfeitamente. Nessa manhã, senti a necessidade de pedir sobre esse anjo. Eu não sabia explicar o que estava acontecendo comigo, mas sentia que precisava ter esse desenho. E assim foi feito. Depois de sua obrigação matinal e do café, ele foi direto para o escritório. Na época, havia apenas minha mesa e estantes com meus livros, mas, com o passar do tempo, percebi essa habilidade dele e resolvi dividir o escritório, separando um cantinho para ele com quadros, uma mesa, um computador e um mural livre para pendurar os melhores desenhos. Porque todos não caberiam ali, ele amou, e a maior parte do tempo ele passa lá desenhando.
O final de semana passou voando, e lá estava eu, levantando para mais um dia de trabalho. O expediente na editora começava às 08h, mas eu sempre gostei de chegar uma hora antes dos funcionários, gostava de organizar o meu dia antes de todos chegarem. Normalmente, as pessoas têm secretárias ou algo do tipo para resolver isso, né? Eu não. Eu gostava de cuidar pessoalmente de tudo: chegava e ia direto para a agenda, ver meus compromissos da semana, rever os contratos que teria que passar para meu gerente analisar, revisar relatórios dos estagiários, e as finanças das filiais, além de anotar o que teria que verificar com a contabilidade e com o setor financeiro. Tudo isso era feito pela manhã.
Como disse anteriormente, depois que percebi que estava ficando sem tempo para nada, contratei uma equipe específica para cada filial. Atualmente, tenho duas pessoas que cuidam da gestão pessoal e da gestão contratual. O que elas decidirem, eu apenas revejo e assino autorizando. Assim, novos contratos com escritores, modelos, revistas, problemas com funcionários, admissões, demissões, tudo isso ficou por conta dessas duas jóias raras que contratei. E não me arrependo, fazem o trabalho muito bem feito.
Logo se aproximava das 08h e algumas pessoas começaram a chegar. O escritório é bem amplo; cada setor é um cômodo diferente, mas todas as salas têm vidro, ou seja, todos se veem. Minha sala é a última, ocupando a parte final, coberta de portas e janelas de vidro. Então, todos que chegam e saem ficam à minha mostra. Vejo tudo, hahaha, mas é aquele “vê sem vê”. Eu sinceramente nem sei direito o nome de muitos de meus funcionários. Até vejo o destaque de alguns pelos trabalhos, mas não sou muito interessada nisso, deixo para minhas super-girls repararem.
-- Bom dia, Sra. Camila. Vim relembrar que hoje teremos uma reunião pela manhã com uma empresa de publicidade e propaganda, que quer nos apresentar uma proposta melhor referente àquele artigo que a senhora recusou — uma das minhas super-girls chega, me largando logo uma bomba dessas de manhã cedo. Lembro que fui mega antipática na reunião; se o dono daquela empresa pudesse, me jogaria uma bomba.
-- Bom dia, Patrícia. A propósito, aquela reunião não foi boa o suficiente para eles entenderem que não há uma segunda proposta? — falei, arqueando a sobrancelha, com minha típica cara de ironia, já de praxe.
-- Sim, Sra. Camila, foi suficiente, mas o representante insiste. Ele precisa de nossos serviços e, querendo ou não, a primeira proposta foi boa...
-- Mas não foi o suficiente para eu aceitar.
-- Por isso eles pedem uma segunda reunião para uma nova proposta para que todos saiam ganhando com essa parceria.
Nesse momento eu não entendia mais o que a Patrícia falava, porque na entrada do escritório eu me deparo com alguém que eu NUNCA imaginaria encontrar novamente, e muito menos na minha empresa, e nesse susto sinto meu coração acelerar, mais tão rápido, tão rápido que sentia ele saindo da boca, aos poucos sentia meu sangue sumindo de mim...
-- Sra Camila? A sra está bem? - Patrícia perguntava notando a minha tensão.
-- Quem é aquela garota ali Patrícia? O que ela faz aqui?
-- Ah, é a nossa nova diretora de Design Gráfico, já que o João pediu demissão...
-- Nossa O QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE ? – Falei as gritos sem entender o por que.
Eu deveria está feliz, né? Eu queria tanto reencontrar aquele anjo que acidentalmente caiu do céu, mas não, minha reação foi à pior possível.
Fim do capítulo
Hoje ainda posto o pov da Alicia...
Beijos ;**
Comentar este capítulo:
Val Maria
Em: 20/03/2018
Acho que foi paixão a queima roupa para a Camila,como vai reagir? já qiue ela se acha tão dona de se.
Massa o capitulo.
Val Castro
Resposta do autor:
HAHAHAH.
Camila vai da o que falar... Alicia vai mudar a vida dessa durona toda.
Bjinhosss ;**
[Faça o login para poder comentar]
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]