Capítulo 8
Desci do carro assim que estacionei na frente do hospital deixando o trabalho de estaciona-lo para Camila. Entrei pelo corredor largo e fui direto pra recepção que para o meu azar não tinha ninguém que eu conhecia de plantão.
-Oi, preciso de informações sobre uma paciente que entrou aqui.
-O nome, por favor.
-Julia Bastos Vilela.
-Parentesco?
-Minha esposa.
A atendente me olhou por alguns segundos e depois voltou os olhos para o computador.
-Não tenho muitas informações sobre a paciente ainda...
-Desculpa por isso, mas eu vou precisar entrar.
Andei depressa antes que desse tempo da moça chamar algum segurança e corri para a sala de parto. Passei na sala onde ficavam os uniformes e coloquei um sobre a minha roupa para que ninguém conseguisse me tirar de lá. Vi uma obstetra que conhecia da faculdade e corri para perguntar se ela sabia de algo.
-Gabi!
-Oi Bia, você de plantão no domingo?
-Não estou, longa historia. Você sabe se a Julia fez o parto? Sabe em que sala ela está?
-Sua esposa?
-Sim.
Gabi parecia pensativa em me contar, mas o seu rosto demonstrava que sabia algo que eu não.
-Gabi, me fala o que você sabe.
-Bia, a Julia está na UTI.
-O que? Gabriela, você tem certeza?
-Eu fiz o parto, seu filho está terminando alguns exames, mas Julia entrou em coma, uma situação muito difícil, eu sinto muito Bianca.
Recostei meu corpo na parede mais próxima a mim, Gabriela afagou as minhas costas, mas logo o bip do seu pager a fez ir atender algum caso. Eu estava desolada. Quando ela mais precisou de mim eu não estava lá. Voltei até a entrada do hospital, não conseguiria ver o meu filho até terminar os exames e precisava saber qual a sala da UTI estava minha esposa.
-Bianca, onde você estava?
Camila agarrou o meu braço me fazendo sentar.
-A Julia...ela...ela...
-Eu sei, a irmã dela acabou de passar por aqui.
Abracei minha amiga e comecei a chorar, a ideia de perder tudo o que eu tinha estava tão próxima.
-Você precisa ficar bem, você tem uma filha linda te esperando, e nem sabemos qual rumo as coisas vão tomar.
-Eu acabei estragando o seu casamento, não foi?
Minha secava as lagrimas que escorriam do meu rosto.
-Não seja boba, isso não tem importância.
-Onde está Isadora?
-Ela foi pegar alguma coisa pra você comer, ela disse que você dormiu e não comeu nada ainda. Onde você se meteu ontem?
-A gente se beijou, eu a beijei e acho que foi só isso. Eu me sinto tão arrasada, o que eu vou fazer? Camila eu sou medica, eu sei o quão grave é o estado da Julia. Como eu vou cuidar dessa criança sozinha? Camila, o que eu vou fazer?
Outra vez comecei a chorar sem parar no ombro da minha melhor amiga.
-Você precisa ser racional, ela ainda não morreu Bia. Não precipite nada. Carol foi buscar as roupas do bebe no carro, vai ver o seu filho, não se precipite.
Assenti e andei outra vez até a recepção onde uma enfermeira me acompanhou até o berçário.
-É uma menina, muito saudável. Nasceu com quatro quilos, Parabéns!
A enfermeira a pegou com cuidado dando e a colocou nos meus braços. Os olhos claros e a boca pequena lembravam a minha, coloquei o meu dedo na sua mão e ela o agarrou me fazendo sorrir.
-Oi Anne! Mamãe Julia não pode te segurar agora, mas ela adoraria. Você parece mesmo uma bolotinha.
Carol chegou com a bolsa e demos a enfermeira que pegou a minha filha para vesti-la. Abracei a minha cunhada por um tempo e depois ela se despediu.
-Oi você.
Era Isadora com uma bandeja com um lanche, naquela altura eu nem tinha notado a fome esmagadora que me consumia.
-Obrigada, não precisava fazer isso.
Me sentei com a bandeja no colo e comecei a comer.
-Eu espero que tudo dê certo, tudo vai ficar bem.
Nada daquilo era culpa da Isadora, mas de alguma forma eu sentia uma mistura de sentimentos e raiva era um deles.
-Você vai cuidar muito bem dessa criança, eu tenho certeza.
-O que você sabe sobre crianças?
Deferi com rispidez.
-Acredite, eu sei muito.
-Não Isadora, conhecer alguém que tem uma criança ou ter sobrinhos não chega nem perto de ter um filho, você não sabe absolutamente nada sobre ter uma criança, sobre dar a luz a uma.
-Você é uma idiota sabia? Não que esse seja o melhor momento pra eu te contar isso, mas eu não apareci naquele aeroporto porque eu estava gravida, eu queria, meu deus como eu queria ir pra qualquer lugar com você. Mas eu não fui porque eu estava esperando um filho.
A ultima frase foi dita em lagrimas, ela saiu arrastando seu corpo magro sobre as muletas enquanto eu processava. Grávida?
-Seu bebê está pronto pra ir pra casa mamãe.
A voz da enfermeira me tirou da inercia. Peguei a minha filha no colo junto com a bolsa que Julia havia escolhido e fui andando até a entrada.
-Vamos?
Chamei Camila que depois de chorar um pouquinho acariciando minha filha começou a andar em direção ao carro.
-Carol deixou a cadeirinha, você conseguiu ver a Julia?
-Não, Gabriela pediu pra eu voltar mais tarde, ela estava indo pra cirurgia.
-A filha de vocês é linda! Você sabe colocar?
Minha amiga pegou Anne para que eu amarasse a cadeira.
-Onde está Isadora?
-Ela disse que estava com dor e foi de táxi.
-Ela me contou...
-O que?
-O motivo, o motivo dela não aparecer. Ela me contou.
Fim do capítulo
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Mascoty
Em: 18/02/2018
Nossa! quantas revelações! mas o ruim disso tudo é julia esta em estado greve! sera que ela vai deixar a Bia sozinha tomando conta da filha? só assim isabela teria uma chacnhe com a Bia sem ela sentir que esta traindo a julia! vamos vê os proximos capitulos
Bjs
Mascoty
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JeeOliveira
Em: 17/02/2018
Puts o motivo da Isadora é pior do que eu imaginava, a conversa tem que rolar sendo pra elas se acertarem e ficarem juntas ou separadas, não quero que a Julia morra
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